Notas iniciais
Remake = Voltar a fazer, refazer.
Saudações à todos... I'M BACK!
*Todos fogem porque pensam que é um fantasma*
ahsUSHAuashUASHuash
E ai, como estão todos? FELIZ ANO NOVO!! [Nossa, mas que cara de pau! ¬¬]
Bem... Se alguém ainda estiver por ai, quero me desculpar novamente [nossaaaa, que novidade!]
Sério mesmo gente, não fazem idéia do que aconteceu comigo todo esse tempo pra ter que dar um hiatus tão imenso na Fic... MAS TO DE VOLTA!!
Espero que gostem desse capitulo, ele esta IMENSO e bem hot [?] ahsuhaush. Enfim, aproveitem!
Notinhas no final 8D

“...Eu me sinto como um bobo da corte, preso em um castelo de vidro...”
Lucifer . SHINee

- Como puderam observar – Isshin apontava a uma planilha de dados no telão frente a mesa com um laiser. – Esses foram todos os números transmitidos aos investidores.

Próximos ao palestrante, as 3 cadeiras localizadas na ponta da enorme mesa de reuniões estavam ocupadas, os proprietários da Shinigami & Quincy concentravam-se em repassar e absorver as informações transmitidas naquele momento. O encontro fora marcado as pressas e eficientemente repassados aos presentes, tudo o que fosse anunciado naquela sala era de extrema importância e como na maioria das vezes implicava no sucesso – e reconhecimento positivo – ou no fracasso – e perda financeira, o que causaria um enorme dano ao responsável. Ambos os presidentes maioritários não admitiam erros, ainda mais sendo por imaturidade profissional por parte de seus herdeiros.

Uryuu mantinha-se concentrado efetuando as anotações que lhe eram prioritárias em seu notebook, com certeza absoluta nascera para ser um verdadeiro administrador. Ichigo que sentava a sua frente não anotava nada e limita-se apenas em manter os olhos abertos, tivera uma péssima noite mal dormida e as consequências da bebeira aflingiam seu fígado, estomago, cabeça e principalmente o seu coração. O porre não surtira o efeito desejado sobre o alaranjado.

- Bom garotos, é isso. – Concluiu desligando o pequeno aparelho sinalizador e passando a palavra para o outro homem de terno preto a sua esquerda. – Agora Ryuu-kun ira esclarecer suas dúvidas. – Puxou a cadeira e sentou depositando o controle remoto sobre a mesa.

O Ishida mais velho tomou a frente sem pressa, cruzou os braços e observou ambos os garotos fixarem-se nele. Fechou os olhos e suspirou pesado demonstrando contrariedade. – Serei direto: QUEREMOS RESULTADOS. – Frisou e voltando os óculos ao lugar, relaxou a face. – Os dois estão a partir de agora responsabilizados de renovar a cara das empresas que integram a S & Q Corporation, e quero deixar bem claro que sou totalmente contra essa escolha. – Deu um olhar de canto na direção do sócio que abriu um enorme sorriso.

O moreno ajeitou-se na cadeira e aproveitou a deixa. – Não liguem pra ele meninos, o que o Ryuu-kun esta tentando dizer é

Interrompeu batendo as mãos sobre a madeira maciça da mesa e gritando. – CALA A BOCA ISSHIN, EU NÃO TERMINEI DE FALAR E PARE DE ME CHAMAR ASSIM! – Cuspia chamas.

Os presentes pularam do susto e enrijeceram; o alaranjado até tomou a postura correta na cadeira e o rapaz de cabelos azulados engoliu em seco. O homem de barba mal feita apenas deu um sorrisinho amarelo e desculpou-se com a cabeça antes que apanhasse ali mesmo.

Depois da exaltação calculada, Ryuuken voltou o terno à posição inicial de maneira impecável – como sempre – E lançou um olhar assassino nos herdeiros. – Olhem aqui vocês dois... – Sua voz era seca, fria, sem emoção. – Se eu perceber algum mínimo relaxo de ambas as partes... – Aura assassina. – Juro... Que acabo com vocês, e podem ter certeza que ninguém conseguira encontrar seus corpos. Não se enganem... Tenho contatos no legislativo, ou seja, possuo esse poder...

Assustados e congelados, mantinham as respirações controladas e silenciosas. O Kurosaki chefe transformou a cara tranquila em uma careta indescritível, o amigo nunca mudava, e quando referia-se a não mudar, queria dizer que igualmente aos filmes policiais, Ishida assumia a postura do tira mal e ele a do bom. Independente da situação era sensato ouvi-lo de bico fechado.

Retirou os óculos e percorreu os rostos avaliando minuciosamente o profundo das íris dos presentes, Ryuuken tornara-se grato a habilidade que adquira ao longo dos anos, conseguir em margem segura ler os sentimentos e pensamentos das pessoas através de seus olhos. Concluiu que a mensagem teria sido compreendida e absolvida.

Tornou o auxiliador ótico ao seu local. – Interpretarei o silencio como uma resposta positiva.

E aí deles, se a resposta não fosse interpretada como positiva pelo homem de olhar profundo, sombrio e que possuía suas miseras vidas em mãos. O Morango sentia o olhar de seu velho, agora, só dependeria do sucesso ou fracasso dos herdeiros.

[ ... ]

Seus passos, urgentes, escandalosamente anunciavam sua presença naquele local. Preocupados, seus companheiros mantinham-se ao seu encalço, certamente, seu líder não encontrava-se em seu melhor humor. Atrás, uma das empregadas desesperadamente gritava correndo com seu vestido levantado na tentativa improvável de detê-los; nenhum ali recebera a permissão de sair da sala de visita. Nos olhos da mulher lia-se a preocupação em perder o emprego pela imprudência.

Alcançando seu objetivo, em um tranco bruto, sem abater-se com as advertências histéricas vindas da serviçal, invadiu o cômodo. O som do estrondo da colisão das portas contra as paredes chamou a atenção do jovem rapaz sentado em uma poltrona ao centro, no momento, terminava de organizar os materiais para a aula. Seus olhos que permaneciam sobre a mesinha de vidro ergueram-se a frente; identificou a funcionária que com a pausa do grupo na entrada, conseguira ultrapassá-los e implorava ao jovem mestre seu perdão, desculpando-se com palavras apressadas e um tanto incompreensíveis o ocorrido.

O moreno bufou; gesticulando para a garota a fez calar-se de imediato. – Posso saber o que estão fazendo aqui? – Encarou o grupinho.

- Preciso de um favor seu Shuuhei. – A frase soou mais como uma ordem do que um pedido.

O silêncio tomou o lugar, o clima tornara-se pesado. Os amigos de Nnoitra entreolharam-se; calculavam que pelas maneiras do chefe apresentar-se já perdera a oportunidade de conseguir o auxilio. O moreno dispensou a serviçal que retirou-se de imediato; em seguida, encarando concentradamente, acenou para que o rapaz de cabelos longos se aproximasse. Em poucos passos, estava frente a frente com o anfitrião.

Entretanto, um som quase inaudível surgiu no escritório de forma crescente, fazendo o grupo de amigos procurá-lo. Logo o autor havia se entregue caindo em gargalhadas.

- POHA SHUUREI, TA RINDO DO QUE CARALHO?! – Bateu violentamente as mãos sobre a mesa.

Shuuhei tentou acalmar-se, mas falhou ao olhar o amigo, faltava-lhe ar e lágrimas rolavam pela sua face. Nnoitra procurou ajuda no grupo, porém, só recebeu gestos de pessoas que não faziam idéia de como deveriam proceder nesse tipo curioso de ocorrência.

O moreno por fim respirou fundo e se recompôs. – Eu... – deu uma pausa para tomar mais ar por segurança. — Eu sinceramente não fazia idéia que “Pirata” estava na moda Nnoitra.

Jirga lançou-lhe um olhar confuso, não havia sacado o que estava acontecendo ali, então, caridosamente resolveu explicar. Apontou para a sua face do lado esquerdo; rapidamente Yammy, Kensei e Rose caíram em risadas, e o nervosismo do zombado subia.

O 69 não conformava-se na falta de senso do rapaz, chegava a ser ridículo, naquele ponto Nnoitra xingava intensamente sua “gangue”.

- Ele sofreu um pequeno acidente. – Respondeu Yammy antes que as coisas esquentassem ali. – Por isso do tapa olho.

O cabeludo calou-se, e rapidamente as peças encaixaram-se. Seu rosto iluminou-se, agora sim compreendera do que Shuuhei falara! Tudo fazia sentindo! Até que uma carranca surgiu seguida de um tempestuoso espírito de vingança. Jirga cogitou atirar-se sobre o moreno, contudo, Kensei prevendo, já o detinha. Derrotado, só lhe restava debater-se e cuspir palavrões em chamas; o que apenas aumentava a diversão de Hisagi.

Roujurou levou a mão a testa, cansava sua beleza ter que presenciar sempre as mesmas atitudes de Nnoitra. – Nnoitra, pare de escândalos e fale logo o que você quer do Shuuhei. Se essa palhaçada continuar chegaremos todos atrasados a aula. – Finalizou com uma careta.

- Ah sim, e o que quer Nnoitra? – Perguntou levantando-se enquanto ajeitava o blazer do uniforme. – Ou veio aqui somente para me divertir? – Tentou esconder o risinho com a mão.

- VAI SE FODER SHUUHEIIIIIIIII!!! – Debateu-se mais violento.

Pegou a mochila jogando-a nas costas. – Certo, se é só isso que tem a dizer eu me retiro primeiro.

Ele não estava brincando. – NÃOOOO, ESPERA AI SHUUHEI!!! – Tentou ir atrás do moreno, mas continuava imobilizado. – ME SOLTA KENSEEEIIIII!!!

Só após o grito o rapaz de cabelos brancos deu por si, soltando o barraqueiro. – POR FAVOR, POR TUDO QUE É MAIS SAGRADO, ESPERAAAAA! – Ultrapassou o 69 bloqueando a passagem com os braços abertos. – Eu imploro, é importante!!

O moreno ficou pasmo, pela primeira vez na vida desde que conhecia o amigo ele pedia algo tão intensamente. Resolveu ouvir o que ele tinha a dizer. – Ok... O que houve?

Jirga curvou-se e levantou o aparelho celular. – Por favor! – Sua voz era angustiada. – Por favor, fale com Nelliel!

Hisagi recorreu aos demais, e o que recebeu foram expressões pedindo pelo apelo do líder. Suspirou depositando a mão a cabeça. – Fale o que aconteceu. – E jogou a mochila na poltrona mais próxima. – Mas seja rápido, não to a fim de me atrasar por causa de problemas amorosos...

Nnoitra encarou-o com os olhos marejados e o nariz escorrendo. – O-O-OBRIGADA SHUUHEIIIII!!!

[ ... ]

- Agora tenho certeza de que ambos estão ferrados. – Concluiu Sado.

- Muito obrigada pelo apoio... – Resmungou Ichigo que mantinha a cabeça debruçada sobre os braços na mesa.

Ishida suspirou. – Ele tem razão Kurosaki, se não iniciarmos imediatamente o projeto não conseguiremos corresponder as expectativas...

- A ordem. – Corrigiu o moreno.

Uryuu ajeitou os óculos corrigindo-se. — ... A ordem... – Sabia que o amigo tinha razão, quando tratava-se de SEU pai, não haviam expectativas, apenas deveriam existir resultados; isso se todos os envolvidos quisessem prolongar seu tempo de vida.

Apontou com o polegar para o alaranjado que afundara a cabeça em seu refugio. – O que há com ele? Ainda de ressaca?

O azulado seguiu a indicação. – Ah, o idiota? – Fez uma cara de desgosto. – Sim. Ainda ta sofrendo com a ressaca de ontem.

Estranhou. – Ressaca de ontem? Mas nem tivemos tempo de beber com a chegada do Zaraki-san e da briga... – Terminou de examinar a noite anterior.

- Então né... – Dobrou os braços. – A festa continuou em casa, e o palhaço ainda me aparece de óculos escuros na reunião... – Deu um olhar desgostoso para o que sobrara do sócio.

- Faz sentido. – Sado conhecia as crises de Ichigo, ainda mais quando não conseguia beber o suficiente OU quando seu estado sentimental alcançava o ponto mais baixo de um poço, fazia anos que acompanhara a saga romancista do amigo.

- Enfim – Cortou o assunto. – Passei a aula toda planejando o que poderia ser abordado, mas o leque é muito extenso. – Pegou um bloco de anotações que descansava sobre sua mesa. – Não faço idéia de qual seria a melhor forma de começarmos. – Percorria com os olhos as folhas. – E o pior é que nem contar com o babaca do Kurosaki posso! – Sua voz continha um considerável nível de irritação.

Sado esticou a mão pedindo o bloco; Ishida atendeu ao pedido. – Dessa vez dançamos.

O latino analisou os dados. – Por que não conversa com Sousuke-Sensei? Ele além de um renomado mestre também é o coordenador do nosso curso não é? – Sugeriu.

Por que não havia pensando nisso gênio?! Pensou Ishida consigo. – Mas essa é uma ótima idéia! – Virou para a mesa de trás. – Ouviu Kurosaki?

Em resposta, ouve um gemido. Uryuu fechou lentamente os olhos na busca de auto controle, apesar dos anos de convivência ainda não podia com o negligente, irresponsável, babaca e imbecil Morango.

O sinal anunciando o inicio da aula seguinte soou, e antes que o azulado pudesse despejar lava sobre Ichigo, o mesmo levantou-se pegando os amigos de surpresa. – Eu vou até a enfermaria... Ta embaçado. – Colocou os óculos escuros que amenizavam a dor de cabeça por impedirem a intensa luminosidade do local. – Avisem ao sensei que to zuado. – Mandou e retirou-se.

Ishida soltou o ar lentamente; aquilo não havia sido um pedido mas sim uma ordem. – Eu juro que eu mato aquele bastardo...! – Preparou-se para a perseguição.

- Calma Uryuu, não esqueça que esta é a aula do Sousuke-Sensei! – Segurou-o obtendo sua atenção. — E sendo assim, de qualquer forma o Ichigo vai se dar mal.

O rapaz retornou ao acento matutando as palavras, e ao termino, sorrio vitorioso. – Tem razão... Tem toda razão Sado! – Sorriu orgulhoso.

Sado confirmou com a cabeça e voltando ao bloco que segurava torceu com todas as forças para que aquela fosse realmente à aula de Aizen, ou teria que aguentar as conseqüências...

[ ... ]

Ao toque do sinal, a classe esvaziou-se; a sala não teria aula nesse tempo. Aproveitando a folga de uma hora, Rukia e Kiyone optaram por um relaxante chá em uma cafeteria próxima a universidade, precisavam colocar a fofoca em dia.

Depositou a xícara sobre o pires. – E como esta indo a Nanao? – Perguntou com um tom desinteressado.

- Muito bem! – Sorrio animada a loira. – Realmente era o que queria, e como é o ramo empresarial de sua família não esta tendo dificuldades!

Deu atenção as unhas. – Hum... Que bom pra ela...

Preferiu provar um pedaço da torta que pedira ao invés de responder a morena, sabia que Rukia queria Nanao junto com elas, afinal, sempre foram consideradas “As Panteras” desde o colegial, mas a amiga tinha que aceitar a opção de Ise e ficar feliz por ela. Não é isso o que amigas devem fazer?

Recorreu ao praxe. – E como foi com Abarai-kun ontem? – Sabia que perguntar sobre seus afazeres tornava o ambiente favorável a Kuchiki, afastando o clima pesado.

- Foi maravilhoso! –Apoiou o delicado queixo sobre as mãos cruzadas. – Nos divertimos muitíssimo, e passamos a tarde toda juntos!

Admirou. – Ah é...? Mas vocês não estavam brigados?

Desfez as mãos e tomou mais um gole do chá. – Estávamos, mas sabe como o Renji é né? – Sorrio divertindo-se. – Ele adora ajudar o meu onii-san.

Avaliou o rosto da amiga. – Ãhã... E por que não saiu com o Kurosaki...? — Sua voz era de desaprovação.

Franziu a testa. – O que tem o MEU namorado? – Não gostava nem um pouco que o introduzissem nas conversas.

- Ué, não deveria ter ido com ele ao invés do Abarai-kun? – Passou o guardanapo sobre os lábios.

Rukia indignou-se, lia-se claramente em sua feição. A música de fundo tomou o silêncio de ambas, enquanto a morena pensava qual seria a melhor forma de responder a Kotetsu intrometida sentada a frente. Desde quando autorizara a questionar seus atos, ou mesmo usar um tom de voz daquele com ela?!

Isso irritou-a, e muito.

— Kiyone... – iniciou colericamente. – Por que você não...

- AH VOCÊ TAMBÉM FICOU SABENDO?! – Um grito rompeu da mesa atrás delas cortando o dialogo. – Então o Kurosaki-sama entrou mesmo numa briga ontem na danceteria?!

Ambas entreolharam-se, e aguçaram mais a audição para pegarem a conversa. Kiyone já dividia o acento estofado com Rukia.

- Uhum! – respondeu a outra garota. – E pelo que fiquei sabendo foi por causa de mulher!

Pronto, foi tudo o que a Kuchiki não precisava escutar. “– E pelo que fiquei sabendo foi por causa de mulher!” Afrase ecoou em sua mente. “Foi por causa de mulher”

A loira tremeu ao ver a brusca mudança no rosto e na aura da morena, e gelou. Ia dar merda. -... Rukia...?

Com um olhar mortal, encarou Kotatsu e recorrendo a bolsa retirou seu celular; e pondo-se em pé, um sorriso surgiu em seus lábios. – Kiyone querida, por que não paga a conta? – Depositou algumas cédulas na mesa.

A loira olhou desconfiada. – Te espero lá fora, só preciso conversar com as vadias aqui atrás e fazer uma ligação. – Acenou pra ela.

A garota engoliu seco, e obedecendo apressou-se. Não queria permanecer ali pra presenciar a “conversa com as vadias”, e em pensamento, por mais que não fosse religiosa, pedia para que algum poder sobrenatural ajudasse a pessoa que receberia a ligação.

Sussurrou para si. – Pobre Kurosaki...

[ ... ]

Caminhando moderadamente, Ichigo vigiava-se para manter o ritmo. Necessitava urgentemente de um lugar silencioso e calmo para descansar, sua dor de cabeça não passara – E obvio, não tivera tempo de tomar nenhum remédio antes de sair de casa, ou mesmo no escritório. -, seu fígado latejava e o estomago mais parecia uma maquina de lavar. Naquela altura, nem a proteção ocular resultava mais.

Detestava ter que seguir a rotina naquelas condições, mas sabia que não conseguiria ficar em casa se sua mãe soubesse o real causador dos sintomas. O real causador dos sintomas não é...? Suspirou pesado. Ou seria A causadora dos sintomas? Enfim, o método utilizado para a neutralização não surtira o efeito desejado, e ainda mais, o presenteara com um péssimo dia.

O alaranjado parabenizou-se mentalmente, agora entendia porque Ishida o chamava constantemente de idiota. E o pior, depois de tudo isso – Além da briga que comprara na tentativa fracassada de esquecer os problemas, só recebera o efeito invertido. – Rukia não dera sinal de vida até o presente momento.

Com o pensamento, sua cabeça latejou; irritado, soltou uma careta e um rosnado. Massageou o ponto, sem sucesso. -... Realmente Ichigo, você não é só um idiota. É o rei dos idiotas!

Porém, antes que a sessão de auto depreciação prosseguisse, sentiu o aparelho vibrar em seu bolso. Rapidamente retirou atendendo-o sem verificar o número, tinha certeza de quem seria: sua pequena morena de olhos grandes.

Instantaneamente revigorado, atendeu com um tom de voz alegre e ansioso, mas como ainda lhe sobrara um pouco de dignidade masculina, preferiu disfarçar como quem atende descontraidamente. – Alô?

Uma voz feminina pronunciou-se, fazendo-o parar. Não era Rukia. – Quem esta falando? – Ouve silencio por parte do Morango durante a resposta. -... Como conseguiu o meu número...?

[ ... ]

- Hey Abarai!!! – Chamou o rapaz ao lado de fora do prédio.

O ruivo deteve-se, verificando quem era. – Ho! Olha só quem é! – Sorrio. – E aí se não é o Ikkaku!

Retribuiu o sorriso do amigo. – Finalmente consegui te encontrar nessa universidade! Tava até desconfiando se você realmente tinha entrado! – Zombou.

Riu. – Vá se foder! Olha só quem ta falando!

Ambos caíram na gargalhada, Ikkaku e Abarai conheciam-se de longa data; mais um pouco e poderiam dizer que eram irmãos até um tempo atrás. Estudaram durante um bom tempo juntos, moravam relativamente próximos e sempre que podiam estavam juntos... Até a maturidade bater a porta e arrastá-los pára o incrível mundo dos adultos.

Apoiou-se na janela, estava no 1º andar. – Mas caralho Ikkaku! Como me conseguiu ver passar estando no térreo? Que bruxaria é essa??

- Se sabe né? Tenho olhos de águia! – Riu.

Fez cara de “me engana que eu gosto”. – Ta, fala sério.

- Ok, ok! – Apontou para Abarai. – Com um cabelo desses, nem se passa na sua cabeça?

- Pelo menos eu tenho cabelo seu filha da puta! – Apoiou o pé no parapeito como se fizesse o movimento que finalizaria o jogo.

O careca inconformou-se. – OOOO QUEEEE?! COMO PODE DIZER ISSO SEU CUZÃO! – Estava em chamas. – SOU CALVO POR OPÇÃO, OPÇÃO! – Frizou bem na “opção”. – E A MULHERADA PIRA!! AS MINA PIRA MERMÃO!!!

Renji não se agüentava de tanto rir, adorava ver a reação do Madarame quando a careca era colocada no meio. Contudo, precisava despedir-se, tinha muito a ser feito ainda. – Foi mal ai Ikkaku, foi mal! – Secava as lágrimas. – Mas depois nos falamos, preciso ir.

A despedida esfriou o careca. – O que, mas já ta indo? – Antes de costas, agora de frente aproximou-se da janela mais a cima.

- Poizé, to cheio de tarefas. – Deu de ombros. – Por mais que eu tente, ta difícil me liberarem.

Cruzou os braços pensativo. – Saquei... Mas me fala ai, não ta a fim de ir beber? Vamos depois da aula e o Yumichika também vai.

- Também?! Foda! – E antes que confirmasse o convite, fazia tempo que não reunia-se com eles; recordou de um compromisso fazendo a boca contorcer. – Mal, não vai rolar...

Incrédulo. – COMO ASSIM???? Vai rejeitar os parcero?!

Olhou buscando a compreensão dele. – Marquei de levar Rukia pra casa hoje.

Um “AAAHHHHHHHH” estampou a cara de Madarame, que maliciosamente olhou para o ruivo. – Por que não explicou antes...? Se for assim tudo beleza!

O tatuado indignou-se. – Qual é Ikkaku, que cara de pervertido é essa???

Deu uma piscadinha. – Não se faça de idiota Renji! – Deu-lhe as costas e acenou. – Quando tiver tempo da uma ligada que a gente remarca, falou!

Renji ficou estupefato de maneira a apenas uma das sobrancelhas mover-se, contudo, ao esbarrar a vista na pilha de pastas que carregava deu-se por si do horário. Verificou o relógio de pulso e confirmando suas suspeitas partiu em disparada, se não corresse chegaria atrasado e punido, e com toda sua alma não estava a fim de ser vitima do diretor ou de Rukia.

[ ... ]

O vento soprava suavemente, tocando-lhe de maneira graciosa e reconfortante. Seus cabelos, apesar de curtos, dançavam embalados pela brisa; sentia como se recebesse uma carinhosa caricia. Seus olhos acompanhavam as folhas e pétalas de flores que divertiam-se livremente; também ouvia o canto dos pássaros, as arvores e o som das águas do pequeno rio que cortava o local.

Havia livrado-se dos óculos escuros, do blazer e quase livrara-se da camisa; se não fosse pelas crianças que volta ou outra passavam correndo próximas a ele, estaria sem ela, mas preferia sair de lá sem nenhum pai ou policial em seu encalço.

Ichigo respirou profundamente e sentou-se utilizando o tronco de uma grande arvore como apoio para suas costas. Pegou a lata de suco de pêssego já aberta e ainda fresca, servindo-se de um belo gole e em seguida depositando-a entre suas pernas. Antes que a pequena sacola de plástico fugisse, devolveu as cartelas de remédio que comprara juntamente com o suco, para dentro dando um nó e depositando-a próxima a uma raiz saliente; assim, com o vento bloqueado, não existia a possibilidade de fuga.

Espreguiçou-se mais uma vez e esticou as pernas, encostando o recipiente em sua testa, ouviu o som de passos aproximar-se calmamente. Fechou os olhos esperando a companhia sentar-se ao seu lado; e logo um aroma adocicado, mas não enjoativo tomou suas narinas e instintivamente um sorriso nasceu em seus lábios.

Um riso escapou-lhe. – Então você me encontrou não é...?

O alaranjado, sem ver, sabia que recebera uma confirmação muda e um enorme sorriso. – Ultimamente ando tendo péssimos dias... – O som das águas em movimento intensificaram-se, deveria ser alguma criança brincando naquele trecho, mais abaixo. – E antes que pergunte, sim, é o de sempre.

Sentiu o corpo ao lado endiretar-se na direção do rio e abraçar as próprias pernas. -... E é só neste lugar que consigo me encontrar... – Devolveu a latinha ao chão e abriu os olhos mantendo-os igualmente no rio.

Os raios de sol iniciaram uma dança caleidoscópica entre eles, regida pelas folhas da arvore. Havia pequenos pontos por toda a parte: No celular do alaranjado, na sacolinha, em suas roupas sobre uma das raízes, seus óculos. Além da deliciosa brisa e o perfume que agora misturava-se ao ambiente.

Ichigo passou a mão desorganizando ainda mais os cabelos, fixando seus olhos na grama verdinha que lhe servia de acento natural. – Sabe...

Gritos e sons de crianças correndo romperam o silencio e a calma aonde estavam; o Morango suspirou, e ao tentar reiniciar a frase, verificou que estava só. Ainda procurou por alguém ao redor levantando-se, mas sem sucesso. Jogou-se novamente na grama, deitando; e riu baixinho colocando o braço em cima de seus olhos.

- ... Eu não acredito que fiz isso... – Um discreto sorriso triste tomou seus lábios. — ... Não acredito...

[ ... ]

Apesar de haver inúmeras mesas organizadamente espalhadas pela enorme sala, nenhuma encontrava-se ocupada; o horário de aula havia terminado e a sala dos professores abrigava apenas umas poucas pessoas. O único som que podia ouvir-se era da caneta deslizando apressadamente pelo bloco de anotações, agora nas mãos do professor.

Os dois alunos, acompanhavam o trabalho do mestre silenciosamente, entretanto, seus olhos seguiam os movimentos daquela mão; suas mentes, impulsionadas pelo incentivo criativo viajavam a mil através das possibilidades que surgiam. Hora ou outra, ambos entreolhavam-se comemorando a decisão que antes fora questionada.

Por fim, o homem depositou a caneta à mesa e empurrou o bloco de anotação na direção do rapaz de cabelos azuis. – Bem, aqui estão as possibilidades na qual acabamos de discutir referentes ao seu projeto Uryuu-kun. – Finalizou com um sorriso ao ver a face do rapaz iluminar-se.

Ishida tomou o bloco anciosamente, desfolhando-o sem perder um detalhe sequer que fora redigido pelo professor, e com um suspiro de satisfação sorrio. – Sousuke-Sensei, muito obrigada. Não faz ideia de como salvou a minha vida!

Deu um pequeno riso. – O que é isso Uryuu-kun, não foi nada de mais. – Levantou-se para espreguiçar-se um pouco. – Não seja exagerado.

- É verdade Sensei. – Confirmou o moreno alto atrás do azulado. – Não faz ideia de como é o pai de Ishida.

O mestre coçou a cabeça, realmente deveria ser difícil estar na pele do Quincy; afinal, era herdeiro de uma das maiores corporações – se não a maior – e segundo boatos, seu pai, Ishida Ryuuken, era muito rígido, exigente e perfeccionista.

Abrigando as mãos nos bolsos do jaleco, prosseguiu. – E então, baseado nisso já sabe o que fará? – Pousou seu olhar sobre o jovem que ainda mantinha-se focado as anotações.

- Com certeza Sensei. – Respondeu fechando o bloco. – Digamos que tenho tudo o que preciso sem muito esforço. – Seus olhos brilharam. – Agora faz sentido o projeto ter vindo parar em nossas mãos...

Um pouco confuso, perguntou. — ... Mas vocês dois trabalham juntos?

Sado, balançando negativamente as mãos espalmadas lhe respondeu. – Não Sensei; o senhor esta enganado. Ishida trabalha com o Ichigo.

“Aaahhhh”, bastou a explicação para compreender imediatamente o que ocorria ali. No mesmo instante, pode visualizar a rápida carranca em que a face de Ishida tornara-se, mais um pouco podia jurar que vira o jovem soltar fumaça pelas narinas.

O moreno, recordando que o imprestável do sócio, que deveria acompanha-lo por somente ser um dos responsáveis pelo projeto da vida de ambos, fugira sem deixar vestígios e o largara pra virar-se sozinho.

Como se proferisse uma maldição, o azulado respondeu da melhor forma possível ao professor que no momento recuara para sua própria proteção. — ...Aquele filho da –

- Ishida..!

A voz de Yasutora agiu como um beliscão na consciência do rapaz, contendo-se fez uma pausa, e respirando fundo continuou. — ...Aquele filho da mãe... – Jogou seu olhar furioso ao chão, enquanto uma torrente de pensamentos insanos de como iria acabar com a raça do Morango jorravam em sua mente. – Ele deveria estar aqui, mas por pura irresponsabilidade fugiu...!

O latino suspirou ao ver a desaprovação na face do professor. — ...Ele teve alguns problemas pessoais – teve a atenção de Aizen para si. – o que acarretou numa indisposição. – O rapaz enfeitou o maximo que pôde pra tentar aliviar a barra do amigo. – Ele acabou optando em ir embora mais cedo para se tratar.

Agradeceu aos céus ao perceber que Sousuke adquirira um ar pensativo, não tirava a razão de Uryuu, mas afundar Ichigo ainda mais não ajudaria ninguém; também agradeceu pelo colega ainda estar entretido em seus pensamentos.

Por fim, o homem deu de ombros. – Desejo que tudo de certo para vocês Ishida-kun. – Sorrio.

Retirado de seus planos de vingança, o Quincy arrumou os óculos e tornou a postura inicial; educadamente levantou a mão na direção do mestre. – Muito obrigada Sousuke-Sensei, realmente não sei como agradecer. – Sentia como se um peso tivesse sido retirado se si. – Prometo que farei o melhor, principalmente, porque quero ser alguém a altura da minha própria empresa.

Aizen surpreendeu-se com o pensamento do garoto, não fazia ideia de como ele tinha realmente consciência do que assumira. Sentiu-se orgulhoso e satisfeito pelas horas na qual passara instruindo o aluno nos procedimentos corretos para a inicialização de um projeto como aquele, que alguém na idade dele, jamais teria sido responsabilizado; porém, compreendeu o motivo de ter recebido tal dever, a única coisa que não havia sentido era Kurosaki estar metido no meio... Enfim, preferiu não pensar nisso.

Apertando amigavelmente a mão de Ishida respondeu firme. – Acredito que você já esteja à altura Ishida-kun, se não, dificilmente teria recebido tal responsabilidade. Tenho certeza que o concluira com sucesso é só esforçar-se. E qualquer coisa, sabe aonde me encontrar.

Sado e Uryuu reverenciaram o mestre e agradecidos retiraram-se do local, havia muito a ser feito ainda, e antes que percebessem a noite cairá.

- Que coisa linda...

O moreno respondeu sem voltar-se a voz. – Pensei que tivesse ido embora. – Estava encostado em sua mesa ainda observando os garotos desaparecerem pela porta.

Riu. – Pensei a mesma coisa.

Aizen retornou a sentar-se a sua mesa, sendo seguido pelo recém chegado. – E posso ajudá-lo em alguma coisa Ukitake?

Sorrio para o colega de serviço. – Ah, não, não. Apenas vim pegar meu celular, acabei esquecendo ele aqui. – Apontou para sua mesa que ficava próxima.

Voltando aos papéis iluminados pela luminária da mesa, Sousuke retomou a organização. – Você vive esquecendo as suas coisas.

Juushirou riu e seguiu para sua mesa. – Mas e você, o que esta fazendo aqui ainda? – Pegou o aparelho esquecido, guardando-o no bolso da calça social. – Não terminou o serviço ainda? – Caminhou de volta para aonde o moreno estava.

Mantendo a atenção no computador respondeu. – Tenho que adiantar umas coisas, e como pode ver – Olhou por sobre os óculos. – tive visitas hoje. Acabei atrasando um pouco.

- Hum... — apoiou-se a mesa. – Pelo que vejo pretende tirar umas férias ou algo do gênero.

- Ah não. – Sua voz era meio avuada. – Minha sobrinha chegara em breve, e terei que ter um tempo disponível pra ela.

As brancas sobrancelhas arquearam-se. – Sobrinha? – Perguntou surpreso, não sabia que Aizen tinha uma.

- Sim. – Retirou os óculos e seguiu para a bancada de café. – Café?

Ukitake ainda digeria a informação, mas optou por acompanhar o amigo. – Então boa sorte!

Uma leve brisa pode ser sentida por ambos, que agora desfrutavam da bebida quente e aproveitavam para conversar um pouco mais.

[ ... ]

Depois de um dia realmente complicado, o alaranjado sentia seu corpo implorar por descanso. Sua mente, seu coração, ambos ainda em frangalhos; entretanto, deu-se por satisfeito em perceber que as demais dores o haviam abandonado. Estacionou o carro na garagem de casa, e pegando a pequena sacola com os remédios que ainda sobraram da tarde no banco ao lado, desceu acionando o alarme do veiculo.

Seguiu até a entrada sem notar nenhuma irregularidade no ambiente, e antes que entrasse, segurando a maçaneta da porta de cor clara, soltou pesadamente o ar. Não queria ser bombardeado pelas perguntas indiscretas de Karin, as preocupações de Yuzu e sua mãe, e tinha que estar preparado para a recepção “calorosa” de seu pai. Inspirando um ar renovado, tomou fôlego e entrou anunciando que havia chego.

Estranhando o silêncio, retirou os sapatos e adentrou o local procurando pela família que não era nada normal e muito menos calma; apressou-se na direção da sala de jantar e pôde ouvir o som de talheres e uma conversa muito discreta desenrolava-se.

Ao ver a família, a desconfiança tomou seu rosto. — ...Cheguei... – Suas Iris percorreram por todos que interromperam-se ao vê-lo.

- Bem-Vindo querido! – Masaki levantou-se indo na direção do filho. – Esta com fome?

Os demais optaram por evitar o contato visual, menos Karin que encarava o irmão com um olhar de desdém, pena e desgosto; logo, não passou despercebido pelo irmão que acabava de entregar a sacola a mãe. – Não mãe, valeu. To sem fome.

A mulher de longos cabelos dourados olhou com desapontamento. – Ichigo, sabe que não é bom ficar sem comer.

Contudo, acabou ignorando as palavras da mãe, e já irritado com a atitude da irmã rosnou. – Que foi o muleca, ta olhando o que?

A garota deu de ombros dando-lhe as costas. – Nada, só acho que é melhor não comer mesmo. – Deu uma rápida olhada para o irmão. – Realmente, eu não te entendo. – Suspirou.

Kurosaki imediatamente confirmou que havia definitivamente algo de errado ali... Só não conseguia descobrir o que era...

- Bom – Manifestou-se finalmente o patriarca. – É melhor você subir logo, tem visita. – Seu tom de voz era desinteressado.

O rapaz recorreu à mãe que retornava da cozinha. – Suba querido, tem alguém que precisa falar com você e já faz um tempinho que esta a sua espera.

Sem compreender nada e ainda mais desconfiado, o Morango seguiu até o andar acima; não imaginava quem poderia ser aquela hora. Parou ao alcançar sua porta, e tentando pela ultima vez descobrir quem seria desistiu abrindo-a e entrando.

Antes que conseguisse fechar a porta atrás de si, um grito estridente atravessou o dormitório –que cai entre nós, não era nem um pouco pequeno. – AONDE O SENHOR ESTEVE A TARDE TODA?!

Não precisou nem olhar, já sabia quem era. – Ruki? O que esta fazendo aqui?? – Caminhou espantado até a garota.

Riu descrente. – O que eu estou fazendo aqui...? – Encarou-o raivosamente. – NÃO SE FAÇA DE IDIOTA ICHIGO!

O rapaz deteve-se; toda a sua alegria que retornara ao vê-la, ouvi-la, paralisou com aquele olhar e o tom inquisitor. Realmente ele não fazia ideia do que estava acontecendo ali; primeiro porque Rukia NUNCA ia à sua casa, sempre que a garota aparecia havia um grande transtorno pelo fato de suas irmãs não gostarem muito dela e o terceiro e ultimo: a pequena simplesmente não gostava de ir a sua casa. Certo, depois de relembrar todos os motivos pelo qual sua namorada não aparecia ali, buscou todos os motivos de porque ela estar ali.

Ichigo pensou, repensou e pensou novamente; a morena claramente lia a sua expressão de surpresa, preocupação e concentração. No fim, voltou aonde começara; estava em um circulo. Percebendo, a Kuchiki ficou ainda mais enfezada.

- Mas é MUITO pra minha cabeça! – dobrou os braços. – VOCÊ REALMENTE NÃO FAZ IDÉIA DO QUE ESTA ACONTECENDO?!

O alaranjado não sabia o que fazer, se corresse o bicho pegava, se ficasse seria comido... Optou por ser sincero, o comido que se referia, não seria o que esperava. — ... Desculpa Ruki, mas sinceramente, não sei do motivo dos gritos e do tom de acusação na sua voz.

- MAS VOCÊ É MUITO SINICO MESMO! – A garota olhou ao redor e identificou uma almofada, que logo, voou na direção do rapaz. — COMO PÔDE FAZER ISSO COMIGO KUROSAKI ICHIGO?!

Vixi... Ela o tinha chamado de Kurosaki Ichigo...? E desviando da almofada concluiu: a porra tinha ficado séria, e não séria de “é, isso é sério”. Não, era muito pior, tinha ficado séria de “VÉÉÉÉÉÉIIIIIIIII, FUDEOOOOOOO”. O Morango engoliu em seco e tentou se aproximar da namorada. – Ruki, peloamordasereitei, o que ta acontecendo?? — Sua voz era de suplica, não queria brigar com a garota.

A menina soltou um gritinho histérico. – ENTÃO DEIXA EUREFRESCAR SUA MENTE! – Jogou outra almofada que na tentativa frustrada de atingir o namorado derrubou um quadro da parede. – COMO PÔDE SAIR COM OUTRA MULHERRRR????

Ichigo gelou; que papo era aquele de sair com outra mulher?? Da onde Rukia tinha tirado... A feição do alaranjado demonstrou resolução. Ele havia acabado de entender o que estava passando ali. – Ruki, não sei o que te disseram; mas não sai com mulher alguma. – Sua voz era firme e seus olhos tomaram um brilho de seriedade.

Apesar da cortada que tomara do namorado com a convicção na resposta, continuou. – AAAHHH, ENTÃO NÃO VAI ADMITIR QUE SAIU ONTEM COM UMA VADIA E FOI ATÉ O BORDEL DO ZARAKI?!

Novamente o garoto surpreendeu-se, sua dedução de que Abarai Renji enchera a cabeça de Rukia com difamações e besteiras sobre sua pessoa estava errada! Então... A história da briga havia sido fofocada pra ela! O jovem relaxou por um instante e rindo de alivio explicou. – Não é nada disso honey! – Deu mais uns passos. – Não sei o que te contaram, mas eu juro, não sai com mulher alguma; eu só ajudei uma garota –

- VOCÊ ADMITE ENTÃO QUE SE ENCONTROU COM OUTRA GAROTA?! – A morena urrou interrompendo-o.

Aquilo seria mais difícil do que esperava. Insistiu. – Não Ruki! Eu AJUDEI uma garota, pode perguntar ao Ishida e ao Sado! Eles estiveram comigo o tempo todo lá!

- E VOCÊ ACHA QUE EU ACREDITO EM UMA PALAVRA QUE AQUELES DOIS IDIOTAS DIZEM?! – Explodiu.

Ichigo coçou a cabeça, seria uma longaaaaaa noite.

[ ... ]

Uryuu jogou as chaves sobre a mesinha da sala e acomodou o blazer da universidade sobre o sofá. Verificou que seu apartamento estava devidamente organizado, comprovando que a faxineira havia comparecido como o combinado. Preferiu não acender as luzes e caminhou até a cozinha para arranjar algo para beber.

O dia estava terminando, e sentia que não havia feito nada; ainda mais a respeito do projeto na qual quebrara tanto a cabeça para descobrir que a resposta encontrava-se debaixo do seu nariz... Suspirou cansado enquanto atravessava a residência até seu escritório. Como Ichigo pode te-lo largado sozinho, e muito menos ter retornado suas ligações?! Que espécie de sócio era aquele?? Tudo bem, acostumara-se ao gênio e as atitudes do amigo, mas sentia que situações repetitivas referentes a vida pessoal do alaranjado, rumavam a passos largos para o limite de sua compreensão e paciência. Começava a saturar-se.

Deixou-se levar pelo peso do corpo, literalmente despencando na cadeira de couro de seu escritório, e com um pesar de obrigação, empurrou o acento até alcançar a mesa muito bem trabalhada em madeira. Depositou a garrafa de água gelada em um local vago e acendendo a pequena luminária, reiniciou a passagem dos dados escritos pelo professor no bloco de anotações. Em seguida, abriu e ligou o notebook para iniciar os preparativos do projeto.

O rapaz fez uma pausa ao reparar no ambiente; e ao identificar o som da inicialização do portátil, percebeu o silêncio. Uma noite calma e silenciosa. Aproximou o note que esbarrando em um dos porta retratos que haviam sobre o móvel, derrubou-o em cima dos papéis que jaziam a sua frente.

Ishida suspirou, mas agradeceu por não ter sido a garrafa de água; esquecera de tampa-la e se o liquido jorrasse seria um trágico acidente. Tampando-a, optou por outro lugar e terminando de ajeitar melhor as coisas na mesa, pegou o porta retrato.

Seu coração pulsou.

Um sorriso triste surgiu mínimo em seus lábios, e trazendo-o a luz para enxerga-lo melhor, trocou a mão que o segurava. Acariciou leve e carinhosamente a foto; e um sentimento de solidão tomou seu coração. Uryuu achou curioso sentir-se daquela forma, principalmente após tanto tempo; pensava que havia livrado-se daquele sentimento, porém, decobrira que apenas enconbrira o mesmo.

Saudades; voltara a ser inundado por uma saudades sem precedentes, e antes que pudesse deter-se, as lembranças novamente retornavam a tona e juntamente o aperto em seu peito. Riu sem emitir um som de si mesmo, como conseguia ser tão patético? Como matinha consigo tais recordações e sensações por tanto tempo? Afinal de contas, o que queria? Há tempos a traz fora frio demais para perceber, ou idiota demais – ainda tentava descobrir – por tentar se convencer de que não entendia o que ocorria consigo, o que sentia, o que queria. Depois da partida, tudo esclareceu-se por completo; porém, era tarde demais.

Jurou com todas as forças que enterraria tudo, e esqueceria completamente de daquilo... E dela. Mas fracassou. E pior ainda; não entendia como alguém como ele havia desenvolvido tal sentimento; como Ishida Uryuu, um dos mais jovens empresários de sucesso e com um futuro inacreditável pela frente que só preocupava-se consigo e com seus interesses, chegou ao ponto de passar meses rastejando-se e inconsolável??? COMO???

Não adiantava, por mais que meditasse sobre o assunto, menos encontrava uma resposta.

- ... Afinal de contas... – Sussurrou para si. – O que você fez comigo... Inoue...?

Na foto, a garota sorria alegre ao meio dele e de Tatsuki; mais atrás Sado e Ichigo. Um dia no parque... Fora tudo o que restara para ele.

[ ... ]

Aos poucos, um ruído próximo intensificou-se. Irritante, concluiu; se não parasse rapidamente tomaria providencias a respeito.

O ruído não cessou.

O rapaz virou-se na tentativa de ignorar o barulhinho que agora estava bem audível, contudo, antes que concluísse seu plano ouviu chamarem pelo seu nome. Impaciente, e percebendo que havia cochilado, tombou a cabeça ao lado e vagarosamente abriu os olhos identificando uma figura ao lado de fora do automóvel.

Preguiçosamente inclinou-se sobre o banco do passageiro, percebendo o corpo um pouco dolorido. Deduziu que o tempo que permanecera no carro teria sido um pouco longo, e a escuridão apenas confirmava sua hipótese.

O vidro desapareceu por completo. – Boa noite! – Cumprimentou educadamente o segurança, que deteve-se ao reconhecer o individuo dentro do carro. – Oh, Abarai-sama! O que faz ainda aqui esta hora?

O ruivo bocejou e vendo quem era retribuiu o cumprimento. – Boa Noite Toudou-san! – Abarai o conhecia de muito tempo o senhor de feição rígida, ele tinha por volta de 50 anos, e apesar da idade deixava muito rapaz na sola quando o assunto era proteção.

O senhor sorrio percebendo que Renji ainda encontrava-se sonolento. – Abarai-sama, não esta na hora de ir? A universidade vai fechar daqui a uns minutos.

-...Ah... Do que esta falando Toudou-san? – Resmungou coçando um dos olhos. – Como assim a universidade vai fechar? Ainda são 19hs...

Toudou deixou bem claro sua confusão. – Desculpe-me, mas – Levantou o braço revelando um relógio de pulso que escondia-se abaixo do terno. – faltam 15 minutos para as 22hs. – E mostrou ao rapaz.

Aos poucos as pupilas do ruivo abrira-se até revelar o susto que tomara, descrente, olhava do relógio para o segurança várias vezes. Não podia ser verdade, já era essa hora?!Desajeitadamente, Renji saiu pelo passageiro, obrigando o senhor a recuar e auxilia-lo.

- TOUDOU-SAN, TODO MUNDO JÁ SAIU??? – Segurou o homem pelos braços, enquanto um misto de espanto, terror, ansiedade lhe tomavam.

Vendo-o angustiado respondeu prontamente. – Sim, todos os alunos, incluindo professores e direção saíram. Os únicos que permanecem é o pessoal da limpeza e manutenção que trabalham no período noturno.

O ruivo emudeceu; e com um olhar de incredulidade soltou o segurança aos poucos deixando seus braços penderem ao lado do corpo.

Preocupado, perguntou. – Esta tudo bem Abarai-sama?? – Tentava capturar o olhar do ruivo arrasado a sua frente sem sucesso.

O rapaz demorou uns minutos para responder, perdera-se em seus pensamentos. — ...Não se preocupe Toudou-san... – Suspirou pesadamente. – Esta tudo bem...

Toudou percebeu a indignação e a tentativa de disfarce do ruivo para que ele não a decifrasse. E com uma feição um tanto triste e confusa, deu a volta no Audi A4 grafite e despediu-se. – Já vou indo, obrigada pelo aviso Toudou-san! E ótimo trabalho!

Abarai recebeu um aceno mudo do homem enquanto manobrava o veiculo, saindo vagarosamente do enorme estacionamento da U.T. Assim que ultrapassou os portões, sentiu seu coração inacreditavelmente pesado... Aconteceu novamente, e por pior que fosse, ele sabia a verdade. Sabia por que estava sentindo-se daquela forma.

Pisou sem dó no acelerador, fazendo o carro arrancar perigosamente cantando os pneus; a única coisa que podia recorrer para afastar aqueles pensamentos destrutivos de sua mente no momento, era o barulho do motor e a concentração na direção para que não sofresse nenhum acidente, conduzia o carro em alta velocidade.

Entretanto, não havia como fugir daquilo...Fora esquecido, abandonado e largado por Rukia mais uma vez... Mais uma vez...

Notas finais
Infinite de volta!
Meus queridos, queridas leitoras. Venho humildemente pedir desculpas pelo imenso atraso, mas não houve como evitá-lo. Fui arrastada por uma maré de coisas que só virando o ano pra situação mudar pra melhor! ahsuhaush
Mas prometo que deste mes em diante as atualização serão [ja estão] normalizadas. Postarei no minimo 1 vez por mes, e colocarei a Fic nos trilhos novamente!
Agradeço de todo coração por todos que continuam comigo e esperaram por um novo capitulo, saibam, que sem vocês eu não sou nada! E muito menos a Fic!!
Se possivel, e se acharem que esta pobre autora merecer, deixem um comentário e podem xingar a vontade e deixarem bem claro o sentimento de vocês! É isso, Come Back Again esta devolta!!! o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.