Come As You Are
15 Torture Me
Notas iniciais
Boa leituraaa!!!
EMY POV’S ON
– Menino idiota... quando eu der uma facada nele vamos ver quem que vai rir. – Resmunguei indo em direção ao bebedouro.
Eu caminhava pelo corredor me apoiando nas paredes na tentativa de me manter de pé, quando sem querer esbarrei na minha professora de historia. – Gorda maldita, ocupa o corredor todo também! – Ela me olhou e apenas continuei andando... mais alguns passos e chegaria ao bebedouro.
– Você está bem mocinha? – A professora me barrou.
– Bacaninha fessô. – Respondi cambaleando até o bebedouro.
PAUSA... “Bacaninha fessô”?
– Disciplinario! – Ouvi a gorda gritando enquanto eu bebia água. – Uma aluna... – E depois disso eu não ouvi mais nada.
Fudeu. Tentei voltar o mais rápido possível para a sala, mas parecia que as paredes se moviam e eu não conseguia alcançá-las.
– Aluna! – Um disciplinario do colégio veio atas de mim e me parou. – Você está bem? Uma professora falou que você está um pouco estranha.
– To ótima. – Respondi abaixando a cabeça.
– Me acompanhe até a enfermaria, por favor. – Ele disse me arrastando pelos corredores.
Tentei me soltar dele e gritar para que me soltasse, mas isso só piorou a situação porque outro disciplinario surgiu do nada e me agarrou pelo outro braço dificultando mais ainda a minha tentativa de fuga. Vi que estávamos passando em frente a minha sala e logo comecei a gritar pela Jen.
– JEEEEN!!! JEEEENNN!! ESTÃO ME SEQUESTRANDO JEEEEEEN, ME AJUDAAAAA!!! – Gritava enquanto lagrimas escorriam dos meus olhos, comecei a ser tomada pelo desespero e Jen, a única que podia me ajudar não me ouvia. – JEEEENNN POR FAVOR!!! – Tentei gritar mais, mas minha voz falhava.
– Calma, só vamos te levar até a enfermaria. – O segundo disciplinario tentava conversar comigo.
– Eu não preciso de enfermaria! TENHO QUE FAZER UMA PROVA AGORA! – Gritei. – Se eu for reprovada a culpa é de vocês... intrometidos. – Ainda tentava me soltar deles. Eu precisava colar nessa prova... ferrou.
Chegamos à enfermaria e me colocaram sentada numa maca e paradas me olhando estavam; a enfermeira, a diretora do colégio, a psicóloga e a professora gorda que me dedurou. – VADIA!
Eu sentada numa maca enquanto três mulheres me observavam sem saber o que fazer...
A primeira a tentar conversar comigo foi a diretora.
– Emy correto? – Ela perguntou o meu nome.
– É.
– Emy o que aconteceu?
– Assuntos pessoais, agora posso fazer a minha prova? – Falei tentando descer da maca mas elas não deixaram.
– Temos que chamar os pais dela. – A gorda cochichou com a diretora. – A voz dela não está normal.
– Emy, qual é o telefone de sua casa? – A diretora me perguntou e eu fiz uma cara de pensativa tentando me lembrar.
– Eu não sei. – Respondi. E isso complicou mais a minha situação, eu estava tentando passar a imagem de que eu estava bem, mas não sabia o telefone de minha própria casa? Mas eu não sabia mesmo, nunca me interessei em saber o telefone de lá. – Mas é porque o telefone é novo. – Menti tentando me justificar e parece que elas acreditaram.
– Você sabe o telefone de seu responsável? – A diretora tentou novamente.
– Sei. – Dessa vez eu sabia mesmo.
– Pode me falar?
– Não. – Respondi. – Não tem necessidade dela vim aqui, eu só quero fazer a minha prova. – Nunca quis tanto fazer uma prova... eu precisava colar!
– Se você não me falar o número dela eu posso muito bem procurar na sua ficha. – A diretora me ameaçou.
– Ok... – E dei o numero para ela e logo em seguida o meu celular que estava em meu bolso tocou fazendo com que elas me olhassem com um olhar me repreendendo. – Ops. – Exclamei.
Parabéns Emy, imagem perfeita que voce conseguiu passar para elas... elas acreditaram muito bem!
Eu havia confundido os números, eu não lembrava mais o número do celular de minha tia. E assim a diretora saiu nervosa da sala – Provavelmente foi pegar o número de minha tia. –, a gorda foi com ela e ficou na sala apenas eu e a psicóloga.
Com uma voz doce ela me perguntou o que havia acontecido e ao me lembrar do ocorrido comecei a chorar descontroladamente... a dor havia voltado. Decidi contar para ela sobre a guitarra e os remédios – Mas só porque fui com a cara dela. – e tentar convencê-la de que eu estava bem o suficiente e que precisava fazer a prova.
Ela saiu da sala dizendo que iria conversar com a diretora e logo em seguida alguém me cutucou fazendo com que eu me virasse para ver quem era.
– Oi. – Cumprimentei Brian, que estava parado atrás de mim com a mão em seus bolsos.
– Err... Emy desculpa ter te deixado irritada com o que falei, eu não estava rindo de você... – Ele falava tão rápido que não consegui entender mais nenhuma palavra que saia de sua boca.
– Do que você está falando? – Perguntei confusa. – Eu nem te vi hoje!
– Na sala... você saiu irritada comigo e... você não se lembra?
– Do que? Eu sai pra tomar água. Brian... – O olhei seria. – você está drogado? – Não... tipo ta eu tomei remédios e tal mas não estou falando bobagens por ai. Ele apenas deu uma risadinha e pude ter certeza que ele usou alguma coisa.
– Nada não, esquece. – Disse se sentando ao meu lado. – Jen me contou dos remédios, acho melhor você ir pro hospital.
– Até você? Fica de boa ai que eu to ótima. – Tentei descer da maca, mas acabei caindo de bunda no chão.
– Éhh você está ótima! – Disse em tom irônico enquanto eu brigava com a maçaneta da porta na tentativa de abri-la. – Vem comigo. – Me puxou pelo braço me arrastando pela escola e por mais que eu tentasse resistir, ele era muito mais forte que eu.
– Me solta porra! Pra onde você está me arrastando? – Eu gritava pelos corredores. Cadê os merdas dos disciplinarios agora? SEUS PUTOS, agora que preciso de vocês... vocês somem né?
– Pro hospital Emily! Você não está bem.
– Brian é serio, eu estou bem. – Tentava convencê-lo. QUE PORRA, PORQUE NINGUEM ACREDITA EM MIM?
– Emy... – Me olhou serio. – A sua voz está igual a de um bêbado, você não parece estar bem.
– Eu juro que estou bem... Brian é só a minha voz, o meu raciocínio está ótimo, é serio.
– Eu acredito. – Disse me sentando no banco de seu carro e colocando o meu cinto.
Acredita né? Então porque ta me levando pra essa droga de hospital?
Durante o caminho da escola até o hospital eu falava que estava bem e tentava convencê-lo disso, mas essa puta não acreditava!
– Chegamos. – Brian disse sorridente ao parar em frente a um hospital e dando a volta abrindo a porta pra mim.
– Não vou sair! – Disse cruzando os braços e me afundando mais no banco do carro.
Ele me olhou com um sorriso no canto dos lábios e me puxou para fora do carro me carregando em seus braços.
– Você vai entrar no hospital querendo ou não. – Ele disse firme enquanto eu pensava em alguma maneira de me livrar dele, mas nada vinha em minha cabeça nesse momento.
Ele me sentou em um banco e foi conversar com uma enfermeira que passava e ela logo veio me atender. – Claro né, com o charme que ele jogou pra cima dela, qualquer uma viria. – Ela me levou até uma sala que havia varias macas e começou a medir minha pressão, temperatura e enfiar algumas agulhas de soro em meu braço. – Não estou com um bom pressentimento sobre isso tudo.
– O que temos aqui mocinha? – Um medico chegou me cutucando, me apertando e enfiando uma lanterna no meu olho. – Soube que você tomou alguns remedinhos. – Riu. – Quantos foram?
– Dezesseis. – Brian respondeu.
– Dezesseis?! – O homem exclamou. – Isso é perigoso. – Não diga, to chocada. – Você sabe me falar quais?
Moço eu tomei dezesseis remédios, você acha que eu me lembraria dos nomes deles?
– Não sei. – Respondi.
– Cada caixinha de remédio tem uma faixa colorida nela, algumas tem uma faixa amarela... outras vermelhas... e outras pretas. – Disse pausadamente.
– Pretaaa! – Exclamei ao me lembrar da primeira caixa que vi. – Amarela também! E vermelha! – Exclamei sorridente fazendo com que o médico e a enfermeira fizessem uma cara assustadoramente preocupante.
– Você tentou se matar? – A enfermeira me perguntou.
Puta que pariu... era só o que me faltava! Filha você acha mesmo que eu não sou capaz de me matar? SE EU QUISER ME MATAR EU ME MATO! Não sou tão inútil ao ponto de não conseguir nem me matar.
– Não... eu só queria dormir. – Disse cabisbaixa.
– Então porque não tomou um remédio para dormir? – A enfermeira me perguntou e apenas lancei um olhar mortal para ela e ela se retirou da sala.
– Ela só quer ajudar. – Brian disse se aproximando de mim. – Da um desconto.
– Fazer perguntas idiotas não ajuda Brian. – Disse me deitando na maca.
O médico voltou com uns seis enfermeiros e o desespero começou a bater. Um dos enfermeiros carregava duas bolsas cheias de soro, outro carregava um cano enorme e um copo com um líquido preto e o resto provavelmente só vieram para bicar mesmo.
Um dos enfermeiros ficou medindo o cano no meu rosto e a preocupação começou a bater.
– O que você está fazendo? – Perguntei desconfiada.
– Teremos que fazer uma lavagem estomacal em você para tirar a química do remédio do seu corpo. – Disse sorridente. – E esse tubo entrará pelo seu nariz e vai até a garganta e vamos colocar esse liquido preto dentro dele e o líquido irá direto para o seu estomago. – Na hora eu lancei um olhar de desespero para Brian, que estava do meu lado.
– ENFIAR O QUE? – Gritei tentando sair da maca e logo descobri o porquê dos outros enfermeiros estarem lá; era pra me segurar caso eu tentasse fugir. FILHOS DA PUTA! Aquele cano jamais caberia no meu nariz, OLHA A GROSSURA DISSO!
Eu tentava me livrar deles, mas os viados eram fortes demais e o Brian não fazia nada pra me ajudar. Enquanto eu me remexia ouvi a enfermeira falar que eu só iria sentir um “incômodo” e por experiência própria incômodo é igual há uma dor horrível que não iria cessar tão cedo. Ótimo!
O enfermeiro aproximou o tubo para perto do meu nariz, o desespero bateu e comecei a gritar.
– Vocês não vão enfiar nada em mim! – Gritei me revirando. – Vão ter que me dopar antes... eu quero MORFINAA! MORFINAA. – Gritei me remexendo loucamente na maca enquanto todos me seguravam. – Sai de mim cara! – Falei com o enfermeiro que tentava estuprar o meu nariz com aquele tubo.
– Isso vai doer muito! – Brian exclamou soltando um comentário super inútil.
O enfermeiro começou a enfiar aquilo no meu nariz e logo apertei a mão de Brian desesperadamente na tentativa de tentar liberar um pouco de minha dor. Lagrimas escorriam pela minha face.
– É fácil. – Disse a enfermeira. – É só fazer força para engolir que o cano desce mais rápido.
– FACIL?? – Gritei. – É PORQUE NÃO TEM UM CANO DE PVC DESCENDO PELA SUA GARGANTA ! – Vadia, não é você que ta sentindo essa dor do capeta.
Quando finalmente o cano chegou ao seu destino – O meu estômago. – a dor parou um pouco, mas com certeza o meu nariz ficaria alargado por causa disso. Carai viu.
Minha garganta doía quando eu tentava falar e eu não conseguia me levantar porque o cano não deixava.
– Ta vendo Emy, bem feito... – Brian resolveu abrir a maldita boca. – tomar dezesseis remédios? E se você se matasse? Ia ficar feliz? – Disse serio me fitando. Talvez eu ficaria sim, pelo menos não teria esse sofrimento todo e acabaria com tudo de uma vez.
– Brian eu já não to bem. – Forcei um pouco para falar, mesmo com a minha garganta doendo pra porra! E o medico falou que eu ainda teria que ficar com isso no nariz durante três horas... TRÊS HORAS! – Não piore as coisas.
– Não, você tem que ouvir, parece que você não pensa. – CARALHO MENINO! Você não sentiu a dor que eu senti, eu não queria que acontecesse isso tudo, eu só queria dormir um pouco... eu precisava disso!
– Me da a minha blusa. – Estendi a mão e ele me entregou a minha blusa de frio. – Agora a minha carteira. – Ele me entregou com uma expressão de quem não estava entendendo o que eu queria. – Agora sai daqui! – Gritei forçando mais ainda a minha garganta e tentei me deitar de lado, mas não consegui.
– Para de palhaçada Emily, eu te trouxe, eu te levo.
Fechei os olhos e tentei dormir um pouco, mas é claro que a porra do cano começou a me irritar e eu não consegui dormir com a dor. Algum tempo se passou e lá estava eu calada, com um tubo enfiado no nariz, morrendo de dor e de olhos fechados tentando dormir.
Eu estava com fome, não tomei café da manhã e já era UMA DA TARDE!
Senti um cheiro de comida, abri os olhos e vi Brian sentado do meu lado comendo uma COXINHA!
– Eu não acredito que você está comendo. – Disse me virando para ele.
– Eu to com fome oras. – Me respondeu inocente.
– Eu também to! – Falei nervosa. – Então come longe de mim! – E ele enfiou o resto do salgado em sua boca se levantando e apertando a bolsa que continha o soro dentro.
Haviam três bolsas de soro penduradas no ferrinho lá que não faço idéia de qual é o nome, o médico disse que eu teria que tomar soro das três bolsas, ou seja, ficaria lá pelo resto de minha medíocre vida.
– Pra adiantar o processo podíamos chamar os enfermeiros e pedir para colocar uma agulha no seu outro braço e outra na sua testa. – Disse rindo. – Assim encurtaria o tempo de você ficar tomando o soro.
Essa quenga fica fazendo piadinhas comigo enquanto estou nesse estado deplorável e humilhante com um CANO atravessando o meu nariz e a minha garganta, eu já não tinha mais forças para falar, e ainda com os olhos fechados só mostrei o dedo do meio para ele e a vaca deu um tapa na minha mão.
Dia mais emocionante impossível!
Alguns enfermeiros pararam em frente à sala em que eu estava e começaram a falar sobre a comida da lanchonete. CADE A PORRA DO MÉDICO PARA ME APAGAR? EU NÃO MEREÇO ISSO!
Depois de horas mofando na maca – Não vou falar do cano de novo. – apareceu uma enfermeira para tirar o tubo. – Ótimo, essa porra vai doer pra carai. – Se eu ouvir alguém falando que eu vou sentir só um incômodo de novo, eu vou incomodar a pessoa com um murro na cara!
Ela puxou o tubo lentamente só para que eu curtisse a dor de ter um parto de um cano pelo nariz!
E após o meu parto nasal – Pra piorar um pouquinho a minha situação, porque ela ainda não estava ruim o bastante. – o meu nariz começou a sangrar tanto que eu já estava cogitando a idéia de ter que fazer uma transfusão de sangue. – Separem uma bolsa de sangue A+ por favor.
(...)
– Não me irrita se não vamos ter que voltar pro hospital, mas dessa vez você vai estar com uma faca no peito. – Ameacei Brian enquanto ele me ajudava a subir as escadas de casa.
– Você dopada era mais gentil. – Retrucou em tom sarcástico.
– Cala a boca ou leva facada! – Disse deitando em minha cama e fechando os olhos.
– Vou indo então. Qualquer coisa me liga. – Disse saindo do meu quarto sem nem ao menos me dar a chance de me despedir dele.
Acabei caindo no sono.
Notas finais
Beijooos
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