Come As You Are
20 Basket Case
Notas iniciais
Bem esse cap ficou um pouco grande pq eu resolvi adiantar o festival de talentos, e muitas coisas rolaram hahahaha
Queria agradecer pelos reviews lindos que eu sempre respondo e boa leituraa =D
– Syn tira a mão daí! ... Tira logo a porra da mão! – Interrompi o nosso beijo e ele resmungou retirando a sua mão da... do... aah esquece sa porra.
– O que tem de mal nisso? – Perguntou inocente. – Pode passar a mão em mim também. – Riu pegando a minha mão e passeando com ela pela sua barriga e foi descendo com ela até chegar à barra da sua calça.
– BRIAN! – O reprimi me soltando de seus braços. – Que horror! – E ele soltou uma gargalhada.
– Calma ruivinha, foi só uma brincadeira. – Se explicou me puxando de volta para os seus braços. – Mas no dia que você quiser eu não vou achar ruim. – Completou sussurrando em meu ouvido.
Ótimo, me sinto uma vadia! Depois daquele meu surto de galinhagem de ontem eu deveria ter tomado vergonha nessa minha cara e nunca mais olhar para ele.
– Você tem que ser mais liberal. – Resmungou enchendo o meu pescoço de beijos.
– Mais liberal como? – Eu não conseguia enxergar os seus olhos, mas pude sentir que ele me fuzilava com um olhar malicioso.
– Você vai querer mesmo que eu fale? – Sussurrou.
– SEU TARADO! – Exclamei. – Eu não vou fazer merda nenhuma que você acostumou a fazer com suas vadias, porque eu não sou uma delas! – E mais uma vez ele riu de mim.
– Adoro te ver irritada. – Comentou.
– Vá à merda!
– Você é tão romântica!
– Syn nos estamos num quartinho do FAXINEIRO que tem cheiro de produtos de limpeza e trocentas vassouras ao nosso redor.
– E?
– Isso não é romântico!
Eu já estava um “pouco” desconfortável – Pouco é porque eu estava sendo legal ao me expressar. – naquele quartinho, e pra piorar ele tinha que fazer essas piadinhas?
Acabei perdendo um horário de aula por culpa dele.
Não precisa explicar mais o que rolou lá dentro porque todos sabem né.
Eu já nem me importava mais de ficar com ele, já tinha acostumado com essa situação dele tentar me beijar mesmo. Mas eu não queria que TODOS soubessem disso e como um “acordo”, o projeto de relacionamento entre mim e Brian se restringiu as seguintes condições que eu impus.
Primeiro: Jamais em público! Nem na escola, rua, bares e o que for.
Segundo: Só os nossos amigos que iriam saber.
Terceiro: EU NÃO VOU TRANSAR COM NINGUEM!
Pelo menos ainda não! A terceira condição gerou uma discussão longa, e inútil.
– EU NÃO VOU FAZER NADA! – Afirmei determinada. – Se eu não deixo você nem passar a mão, eu vou deixar rolar coisas piores?
– Opaa pior não, melhor. – Contradisse com uma das sobrancelhas arqueadas e um sorriso malicioso. – To começando a achar que você é lésbica mesmo.
– Não fode! – Resmunguei. Ótimo, só me faltava essa! Esse demente ficou com essa idéia na cabeça. Nãão mas bem feito pra mim, da próxima eu não solto a primeira besteira que me vier à cabeça.
– Não vou mesmo. – Virou a cara fazendo bico. – Você não quer. – Me olhou sorrindo.
(...)
Sábado em casa.
Eu estava em casa me arrumando para sair com os meninos, Brian iria passar aqui por volta das oito e meia para me buscar – Depois de séculos insistindo para que eu o deixasse me dar carona eu finalmente cedi. –, eu já estava quase pronta quando o telefone de casa tocou. Como minha tia estava pra igreja, fui obrigada a atender.
– Alô?
– Emy? – Uma voz familiar respondeu.
– Eu?
– Não reconhece a minha voz?
– Ah... oi pai. – O cumprimentei desanimada. Eu ainda estava chateada pelo fato dele me deportar de minha própria casa. Sim, sou rancorosa.
– Onde você está? – Ahh faça-me o favor, depois de meses sem falar comigo ele ainda me liga aqui em casa perguntando “Onde você está?” TO NA INGLATERRA TOMANDO CHÁ COM A RAINHA!
– Em casa né pai, já que você ligou pro telefone de casa. – O respondi calmamente.
– Ahhh... mas que bom que você atendeu filha, eu queria mesmo falar era com você. – Comentou alegremente. – Sua tia me avisou que você não terá aula semana que vem então que tal você passar essa semana de folga aqui? – Me propôs esperançoso.
– Não!
– Não?
– Sim.
– Sim?
– Sim o que pai? – Explodi, ele adora ficar de brincadeira com a minha cara, mas como eu ainda estava com raiva dele eu não vou cair em seus joguinhos.
– Você vem ou não?
– Não.
– Não?
– Pai não começa, eu não estou de boa com você. – O alertei.
Eu havia puxado o meu “lado humorístico” – Isso se é que eu tinha um. – do meu pai. Nos brigávamos muito mas logo depois ele vinha brincar comigo na tentativa de se desculpar, mas quando queria ele sabia ser severo comigo.
– Ok, mas você terá que vir mesmo assim. – Avisou. – A sua tia vem também e não vamos te deixar sozinha ai.
Qual é o problema dele? Me obriga a sair de casa, me obriga a voltar pra casa... que inferno, se decide homem! E eu não queria voltar pra lá, eu estava mesmo com saudades, mas na hora de voltar eu ficaria triste por estar voltando, mas com um pouco de remorso também por ficar parcialmente feliz por voltar. E quem contou pra velha que a escola está de recesso? Maldita!
A campainha tocou e ao atender vi Brian escorado no capô do carro com os braços cruzados.
– Oi? – Sorriu ao me ver. Ele vestia uma jaqueta preta de couro, uma camiseta azul clara por baixo, um jeans comum, calçava um tênis branco com detalhes vermelhos. Ok ele estava divino! Confesso que sorri ao o ver também.
– Err... ainda não estou pronta. Pode esperar um pouco? – Perguntei e ele apenas assentiu com a cabeça, o convidei para entrar e o deixei na sala esperando.
Rapidamente subi as escadas – Tropeçando em todos os degraus possíveis e impossíveis. – entrei no quarto já jogando as roupas pelo chão, vesti uma calça jeans e abri o meu guarda roupa o encarando durante alguns segundos na tentativa de achar alguma blusa.
– Gostei dessa verde. – Uma voz surgiu atrás de mim fazendo com que eu desse um pulo de susto.
– Caralho Brian, quase tive um AVC aqui! – Gritei levando minhas mãos em meu coração.
– AVC? – Me perguntou com cara de quem não sabia do que eu estava falando.
– É AVC ou derrame... é tudo a mesma porcaria. – Esclareci.
– Ahh ta, mas o que você acha dessa blusa? – Pegou uma camiseta verde do Green Day e me entregou. – Gostei dela.
– Ah, pode ser. – Concordei, pra mim qualquer coisa tava boa.
– É... ela vai combinar com esse seu lindo sutiã. – Se aproximou de mim com aquele sorriso.
Corei instantaneamente ao perceber que eu estava vestida apenas com uma calça e um sutiã e SOZINHA com Brian no MEU QUARTO.
Claro que se a minha tia chegasse aqui ia ter certeza absoluta que eu era uma vagabunda.
– SAI DAQUI! – Gritei tentando me esconder dele e o cretino sentou na minha cama para rir de minha cara vermelha de vergonha. – Porra Brian eu mandei você esperar na sala!
– Você demorou e eu resolvi vim aqui ver se você precisava de ajuda. – Sorriu.
– Claro! Foi isso mesmo que você pensou. – Ironizei. – Agora vaza! – Apontei para a porta.
Ele se levantou, mas não caminhou até a porta. Nãão, ele caminhou até mim. Euzinha de sutiã e calça jeans. Emy larga de ser puta e enxota ele quarto a fora!
Deixe-me explicar uma coisa. Eu não sou tímida, não sou aquelas menininhas envergonhadas e nem nada parecido, mas quando o assunto se direciona a relações “amorosas”, eu me torno uma pessoa fria, extremamente desajeitada – Como se eu não fosse em assuntos normais. – e “um pouco” envergonhada. Por fim eu acabo sendo chata com as pessoas que estão comigo, isso tudo por “timidez”.
Ahh eu sou assim e que se foda. Eu jamais deixaria o cara passar a mão em mim exageradamente, sei lá, não sou dessas. E nem vem falar merdas ao meu ouvido, porque no máximo eu ficarei ofendida ou irei rir da sua cara.
Voltando ao assunto Emy e Brian...
Ele caminhou até mim me dando um beijo calmo e suave, o metal do meu piercing prensava contra os seus lábios, dando um toque “especial” ao nosso beijo.
Porra não tinha como resistir! Devia ser proibido alguém ser tão lindo assim. O cara é lindo pra porra e ainda vem pra cima de mim? Não há coração que agüente.
– Vamos nos atrasar. – Comentei entre os selinhos que ele me dava.
– E? – Questionou. – Aqui é bem melhor. – Riu colando mais o seu corpo contra o meu.
– Huuuuuuummmmmmmm. – Uma terceira voz surgiu do além. – Olhar para esse quarto é como um Kinder Ovo... sempre uma surpresa diferente. – Jimmy comentou da janela de seu quarto fazendo com que eu automaticamente me escondesse atrás de Brian.
– Rev seu viado! Vai ser inconveniente assim na puta que pariu! – Syn exclamou rindo.
– De novo de sutiã Emy? – Acho que alguém gosta de desfilar de roupas íntimas. – Riu e Brian me olhou com um ar de “que porra é essa que ele está falando”? Eu retribui a expressão dele o olhando com uma cara de quem não fazia idéia do que Jimmy falava.
– Vai se arrumar seu corno! – Brian finalizou fechando as cortinas e se virando para mim.
– Olha pelo o que você me faz passar! – Resmunguei me sentando na cama e me vestindo com a blusa que Brian escolhera.
– Prefiro sem blusa. – Opinou se sentando ao meu lado.
– Sem blusa, sem calça e em cima de você né? – Disse em tom de sarcasmo.
– Gostei! Pode ser... tira a calça então. – Riu avançando para cima de mim tentando tirar minhas calças.
– Morre. – Me levantei rindo e fui até o banheiro pra passar um lápis no olho. Eu estava tão pálida e com cara de doente que era capaz das pessoas acharem que eu me drogue. E claro que essas marcas roxas de agulha no meu braço ajudam o suficiente com essa hipótese.
Eu vestia uma calça jeans surrada e rasgada por toda a sua extensão, um all star vermelho de cano médio, a blusa verde do Green Day e como assessório coloquei um colar de caveira em meu pescoço só para completar o look.
Terminei de me arrumar e com muito custo – E quando digo muito, é porque foi muito MESMO. – consegui arrastá-lo para fora do quarto e encontrar com os meninos na casa de Zacky.
– Vamos comemorar, meus pais fizeram bodas. – Zacky contou animado enquanto todos nos o encarávamos sem entender. – Eles vão passar o fim de semana fora... vamos comemorar! – Riu e todos nos comemoramos.
Na rua em que ficava a casa de Zacky estava cheio de carros estacionados, e quanto mais chegávamos perto de sua casa, mais alto ficava o som das vozes e da música que vinha de dentro de sua casa. A primeira coisa que pensei ao avistar a sua casa abarrotada de pessoas foi “puta que pariu pra limpar essa casa toda APOSTO, apostooo que ele vai pedir a nossa ajuda... oh deus, eu não quero arrumar isso” – Meu espírito “dona de casa” falando.
Ao chegar lá logo avistei Jen sentada no sofá me observando com um olhar malicioso e fui atrás dela.
– Para de me olhar assim! – Ordenei lhe dando um tapa.
– HAHAHAHAHAHAH, sorry amiga, mas não tem como. Você junto com o Gates?
– Cala a boca! – Jen ria de mim sem parar e eu não podia fazer nada. Ela estava linda, com um coturno de cano alto incrustado com tachinas, uma blusa prateada e um short jeans preto e uma meia calça arrastão, seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo alto, destacando mais ainda a cor de seu cabelo e para finalizar uma maquiagem toda preta assim como eu.
– O seu príncipe está vindo. – Comentou apontando descaradamente para Brian que caminhava ao lado de Matt e Jimmy.
– Hello girl. – Jimmy me cumprimentou se jogando em meu colo e beijando minha bochecha. – Eu te amo ok Emy.
– Também te amo. – Respondi.
– Jen... minha smurf de cabelo azul. – Jimmy disse saindo de meu colo e pulando no dela. – Você é demais, e eu te amo também. – Ele estava completamente bêbado. – Matt... – Jimmy se virou sorridente para o amigo.
– Nem vem com viadagem pro meu lado! – Matt o alertou.
– Não te amo mais. – Ainda sentado no colo de Jen, Jimmy cruzou os braços e emburrou.
– Ohh amor não fica assim, eu ainda te amo. – Tentei alegrá-lo.
– Mas ele não me ama. – Apontou triste para Matt, que por sua vez ria do comportamento do amigo embriagado. – Jimmy você ta pesado. – Jen reclamou pedindo que ele saísse de seu colo mas o amigo se recusava, ficando sentado de cara fechada e braços cruzados.
– Matt fala que ama ele. – Jen ordenou.
– Ha ha, de jeito nenhum... não estou bêbado o suficiente para falar essas merdas.
– Fala logo! – Ela o ameaçou com os punhos acirrados e Matt revirou os olhos.
– Ok... – Bufou. – Eu te amo viu reverendo!
– Ownn. – Eu, Jen e Syn dissemos em tom de sarcasmo.
Jimmy se levantou todo alegre pulando no colo do amigo e o abraçando.
Jen e eu nos levantamos e fomos para a pista de dança – Como se eu soubesse dançar. – enquanto Brian conversava com Matt no sofá.
– Oh deus, essa festa fica melhor a cada segundo. – Jen exclamou ao ver Michelle entrando na sala com sua irmã. – Isso vai ser divertido.
Michelle logo que me viu fechou a sua linda carinha de cavalo e ao avistar Brian sozinho ela correu para o seu lado, por enquanto eu ficaria só olhando mesmo.
Ela se jogava pra cima dele e eu e Jen riamos de seu desespero, até que a coisa ficou “séria” quando ela resolveu partir pro ataque.
Jen me empurrava para tirá-lo de perto dela – Eu tentei explicar para ela que se ele quisesse poderia muito bem sair de perto dela por vontade própria, mas ela não quis nem saber. – e contra a minha vontade eu fui.
– Chega lá dando um beijasso nele! – Jen gritou enquanto eu me afastava dela e delicadamente eu lhe mostrei o dedo do meio. Mas até que não seria uma má idéia.
Mas É OBVIO que eu não fiz uma cena dessas, bem que eu queria, mas o meu lado sensato não deixaria de jeito nenhum. Me aproximei deles e assim que me viu Brian deixou Michelle falando sozinha e foi em minha direção me dando um beijo ao se encontrar comigo.
Jen gritava do outro lado da sala em que estávamos “Uhuuuulll beija maaaiis” apenas com o objetivo de irritar Michelle ou me deixar mais envergonhada do que eu já estava.
Bom, basicamente a festa se resumiu em bebidas – Ohh sério. –, pessoas bêbadas – Claro! – e Michelle me fuzilando com o olhar. – Minha parte preferida.
Já eram quase três da manha quando fomos embora, eu estava totalmente louca de tanta bebida e Brian apenas se limitou a alguns copos, já que ele tinha que dirigir.
– Syn! – Exclamei o assustando. Estávamos no carro a caminho de minha casa. – Eu vou viajar! – Me lembrei.
– Claro que vai. – Assentiu achando que eu estava com aquelas “conversas de bêbados”.
– Não, eu vou mesmo. – Afirmei tentando convencê-lo.
– Pra onde? – Questionou apenas por curiosidade de onde esse assunto iria parar.
– Canadá. Meu pai me ligou ontem e por causa do recesso eles querem que eu vá para lá pra “matar a saudade”. – Expliquei, me lembrando que ele foi o último a saber da notícia.
– Serio? Quando?
– Uhuum. – Assenti chateada. – Segunda. – Ele parou o carro na porta de minha casa e lhe dei um beijo de despedida e sai do carro.
– Já que você vai viajar, será que você não quer ir pra minha...
– Não estou bêbada o suficiente para aceitar uma proposta dessas Gates. – O interrompi e ele bufou com a minha resposta.
(...)
Fui acordada pelo toque estridente do meu celular, e ainda sonolenta tateei pela cabeceira da cama a sua procura e atendi ao chamado.
– EMY ME AJUDA! – Era Zacky. – Meus pais chegam hoje e a casa está uma zona! Gates não quer me atender, Jen está a caminho com Matt e Johnny e Jimmy já está aqui, ME AJUDA!!! – Ele estava tão desesperado que chegava a partir o coração.
– Tá! – Concordei de má vontade. – Vou ligar para o Brian e...
– Emy? – Zacky me chamou ao perceber o silencio repentino que surgiu durante a conversa.
– Oi to indo tchau. – Encerrei o assunto.
Eu ainda estava caindo de sono, mas tive que lutar contra a preguiça e me levantar da cama para socorrer um amigo. Liguei para Brian e ele também atendeu com uma voz sonolenta e após relutar contra o pedido de socorro de Zacky, por fim acabou se rendendo.
Passamos a tarde toda ajudando o gordo na arrumação. Tive que aturar Jen e Jimmy me zoando por causa do “flagra” e de qualquer outra coisa possível.
Voltei para casa e arrumei as minhas malas, partiria amanha de tarde, minha tia iria de noite, já que ela não podia perder a missa das seis. Melhor pra mim, não terei que viajar com ela sentada rezando ao meu lado.
Dormi ansiosa com a viagem, o que poderia acontecer lá, o que poderia acontecer aqui na minha ausência... tudo. Eu odeio me afastar quando as coisas estão indo bem, porque eu estando longe elas fogem do meu controle... e isso não é uma boa coisa.
Não estou com um bom pressentimento.
(...)
Segunda.
Matt ficou de me levar ao aeroporto – Brian não gostou muito disso. – e todos também foram pra se despedir de mim.
“Ultima chamada para o vôo 661 com destino ao Canadá” Uma voz anunciou no auto falante.
– Bem gente... – Me levantei olhando para todos. – é agora. – Dei um sorriso forçado. Eu realmente não queria ir.
– Não me deixa sozinha com eles!!! – Jen implorou me abraçando.
– É só uma semana smurf. – Lhe abracei também. – Pensa assim, você vai descansar de mim por alguns dias. – Sorri.
– Eu não preciso. – Resmungou.
– Nem eu! – Jimmy se levantou me abraçando também e logo esse abraço foi se transformando em um abraço em grupo.
– Eu mereço muito mais que um abraço. – Brian anunciou passando a mão pelos seus cabelos.
– Merece uma dose de simplicidade. – Johnny retrucou.
Brian foi a última pessoa de quem eu me despedi. Ele me deu um beijo demorado e calmo, curtindo cada segundo. Seu cheiro era uma droga para o meu corpo, que sempre pedia mais, o seu toque era como... – Viadagem do caralho, perdi até a vontade de contar o resto.
– Não arrume confusão lá, te quero inteira quando voltar. – Sussurrou e eu ri.
– Te cuida. – Me despedi selando nossos lábios.
– Você também. – Sorriu.
– Owwwnnn que lindoo. – Jen zombou e eu fiz uma careta pra ela.
– Tchau gente. – Me despedi e caminhei em direção ao portão de entrada.
Fui com um aperto no coração, com um mau pressentimento. Como se alguma coisa “ruim” estivesse para acontecer. – Não, não é um pressentimento de que o avião vai cair... eu não tenho tanta sorte assim, ou se ele caísse era capaz deu sobreviver só pra ficar traumatizada pelo resto da vida.
Para resumir tudo, a viagem foi um saco, tanto no avião como com os meus pais. A única parte boa foi sair com os meus amigos, matar a saudade deles, as conversas deles que eu tanto sentia falta, suas risadas, tudo, até os defeitos deles.
Meus pais me tratavam como uma princesa – Obviamente eu abusei disso. –, até o Charlie – Meu irmão mais novo. – estava “bonzinho” comigo.
Passei a maior parte do tempo treinando para o festival de talentos – Com uma guitarra emprestada, já que a minha ainda estava no concerto. –, melhorando minha e sonhando com a reação de Brian ao anunciarem que fomos às vencedoras.
Claro que a viagem não foi nenhum mar de rosas porque a velha cismou de contar todas as merdas que eu aprontei, desde quando eu fugi pela janela até o dia que pintei o quarto sem sua permissão. Mas claro que eu contei dela tentando me exorcizar, de quando ela jogou água benta em cima de mim, dela rezando de madrugada no meu quarto... essas coisas. Agora o melhor de tudo foi a reação dos meus pais, o que eles fizeram?? NADA isso mesmo minha gente N-A-D-A, além de rir da minha cara, é claro.
Para ajudar com a minha situação eles ainda deram a idéia da minha tia me levar para igreja junto com ela. Claro, aproveitem e matriculem num CONVENTO! Porque eu devo ter cara de beata mesmo.
Tia Beth voltou um dia antes de mim pelo mesmo motivo que ela foi depois, por causa da igreja. Como eu disse antes, não foi incomodo algum para mim, já que eu amo a companhia agradável dela.
Durante a viagem de volta eu fiquei pensando no quanto eu senti falta daqueles meninos loucos da Califórnia, acho que o mesmo tanto que eu senti dos meus amigos do Canadá.
Acho que até do Brian eu senti saudades. Acha? Você sonhou com ele a semana toda! Isso não significa nada. Claro que não, que isso. Só acho que era capaz de um Brian se materializar ao seu lado de tanto que você pensou nele. Ha ha. Quando vai admitir que você está apaixonada por ele? Eu não estou! EMY TA APAIXONADAA! Claro que não! Apaixonadaaa. PARA COM ISSO! Apaixonadaaaaa lálálá.
Basicamente a viagem de volta foi eu brigando comigo mesma, e eu acabei me convencendo que eu TALVEZ possa estar gostando UM POUCO dele. Sei lá ele é legal, um pouco convencido às vezes – Muito e sempre. – sei lá, até que bateu uma saudadezinha dele como dos outros também. Jen foi a que mais me fez falta, mesmo me zuando horrores, ela sempre me ajudou, mesmo quando eu xingava ela até não poder mais.
Zacky havia me mandado uma mensagem de texto avisando que eles estariam na sala de desembarque me esperando e a ansiedade aumentava cada vez mais, e com ela vinha um aperto no coração junto.
Eu vestia uma calça jeans com um coturno por cima e uma regata lisa lilás, meus cabelos estavam soltos mesmo e eu usava apenas um óculos escuros.
Cheguei à sala de desembarque toda animada, peguei as minhas bagagens na esteira e avistei um ponto azul distante. – Com certeza era Jen. – Um sorriso enorme se abriu e tomou conta de toda a minha face.
Ao me aproximar mais vi Jimmy em pé ao lado de Matt e um ponto loiro abraçado a ele. – Provavelmente era Val. – Jen gritou ao me ver e começou a pular e acenar para mim toda feliz, Johnny a acompanhou nos acenos e pulos, fazendo com que eu gargalhasse.
Eu já estava de frente para eles, todos felizes em me ver e eu feliz por ver eles.
Minha ansiedade aumentou mais ainda ao ver Brian, deus ele estava lindo, vestia uma blusa preta com uma caveira estampada, seus jeans rasgados, uma jaqueta preta e ao seu lado abraçada a ele estava Michelle.
MICHELLE???
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