Notas iniciais
yes! yes! yes! segundo capítulo de come an' getcha no ar!
mais ou menos betado por mim mesma! então desculpem qualquer coisa

- Ficava tão ruim assim?
Inoue sabia que ficava. Aprendeu após quase ser demitida quando seu chefe a viu indicando um cliente a misturar biscoitos de polvilho no pudim. Escutou novamente a campainha tocando, olhou pra Rukia que ficou prontamente desconfiada. Subiu e desceu os ombros para mostrar que realmente não sabia quem era e foi logo atender.
— Yo!
Rukia conhecia aquela voz tão alta em qualquer lugar mundo. Logo largou o prato que trazia para a mesa e foi andando rapidamente até a sala, onde Inoue abraçava sua nova companhia.

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— Renji! — Rukia caminhava a passos largos até alcançá-lo e dar-lhe um grande abraço de saudades. Também era de alívio, já que, pensara: "Há quanto tempo não nos reunimos?"

— Yo, Rukia. Não cresceu nem um pouco.
Ao ouvir isso, Rukia largou a visita no mesmo momento e, fingindo raiva, encaminhou-se até a cozinha em silêncio. Renji, que ainda estava parado com a porta aberta, entrou pela casa tão conhecida de Inoue que fechou-lhe a porta por trás. Chegando então onde estavam conversando anteriormente, avistou Rukia colocando então mais um prato e talheres para o amigo, que já se sentava totalmente confortável à ocasião. Observando a cena um pouco alheia ao que os amigos conversavam, esperou uma pausa para dizer:

— Renji-kun, sabe quem está de volta?
— Não faço ideia. — Renji levou uma garfada à boca sem o menor interesse.
— O amor da Rukia! — Inoue recebeu um olhar gélido da morena, mas relevou.
— Qual deles? — Rukia sentiu o olhar de Renji sobre si ao vê-lo perguntando algo tão absurdo, na opinião dela.
— Muito engraçado, Renji. Não tem amor nenhu-
— O Kurosaki-kun! — a moça de cabelos castanho-avermelhados disse com empolgação. Sabia que Renji também ficaria empolgado.
— O Ichigo voltou? Como você sabe, encontrou a mãe dele?
— Não, vi o próprio!
Rukia tentava se concentrar em comer enquanto seus ~amigos~ falavam de Kurosaki, o que era completamente difícil já que ela estava secretamente interessada na nova vida que o ruivo tomava. Ficou curiosa acerca de sua aparência. Será que deixara a barba crescer? Ou o cabelo... tentou imaginar um Ichigo mais velho e maduro, sem muito sucesso. Apenas tinha na mente a imagem de um jovem adolescente. Mas, ainda que pensando no mesmo assunto que tentava evitar à mesa, conseguiu se distrair de todas as piadas que Renji e Inoue faziam sobre ela e sua vida pessoal.

— Estão sabendo que Chad vai casar? — Renji, sempre inteirado da vida de todos. (leia fofoqueiro)
— Sado-kun? Que estudou com a gente?
— Ele mesmo. Você ficou sabendo também, Rukia?
— Ahn? Ah, sim, fiquei sabendo. Recebi um convite essa semana. O seu deve estar chegando, Inoue... já que passa por Tóquio as correspondências para Karakura.
— Entendi! Espero que ele me convide mesmo... vocês conhecem a noiva?
— Não vejo Chado há séculos... — "não vejo todos há séculos, na verdade", Rukia ponderou mentalmente.
— É uma moça que fez estágio em um hospital perto da faculdade. Acho que era da turma do Ishida.
Ishida Uryuu. Quanto tempo não escutava esse nome, a baixinha pensou. Ainda estava tomada pelas ondas nostálgicas da época que estudava em Karakura no Ensino Médio. Até quando começou a faculdade na capital, e viu a maioria dos seus amigos mais próximos tomando rumo na vida e ingressando em diversas universidades pela região.

Mas ainda assim, queria esquecer tudo aquilo que só levavam às lembranças dele... após jantarem e conversarem por tanto tempo em frente aos pratos vazios, resolveram dispersar-se. Inoue tinha uma casa completamente confortável, portanto nem se preocuparam com quartos. O sonho da mesma era ter muitos filhos e grande família, portanto, ao comprar uma casa maior e distanciar-se das velhas lembranças de seu falecido irmão mais velho, escolheu logo um lugar de onde não sairia de forma alguma.

Renji ficara feliz. Extremamente feliz. Seu grande amigo de tanto tempo havia voltado ao Japão, e gostaria de encontrá-lo. Ao se basear nas coisas que faziam realmente sentido na história de Inoue, saiu por volta das dez da noite forçando a memória para se lembrar onde Ichigo morava antigamente.

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"Você a conhece melhor que qualquer pessoa. Sempre foi assim. E se você disse que ela vai gostar, então ela vai gostar!"
A frase que escutara de Inoue mais cedo estava lhe incomodando. Até conseguiu se distrair com alguns clientes e mais algumas revistas e discos na loja, mas aquilo tudo era realmente um saco. Queria poder começar a trabalhar logo com a profissão que escolhera e parar de fazer favores ao Urahara. Ao chegar em sua antiga casa, onde cresceu com seus pais e suas irmãs, sentiu uma tristeza; toda a sua família ainda persistia na Inglaterra e apenas ele voltara a Karakura. Sabia que dali a talvez dois ou três meses eles viessem, mas... aquela frase...

Não queria ter que vê-la. Mas sabia que algum dia iria encontrar Rukia em algum lugar de Karakura — ou até mesmo de Tóquio — mesmo que ela atravessasse a rua e nem olhasse em sua cara. Foi tentar espantar tudo aquilo que voltou a sentir apenas de dizer o nome dela em voz alta novamente tomando um banho. Ainda que confortabilíssimo, de nada adiantou. Saiu do banheiro vestindo uma calça de tactel e com a toalha pendurada no pescoço para fazer algo para comer. De repente, eis que alguém bate — com uma força de um gorila — na porta. Ichigo, que não era lá alguém muito civilizado, resolve responder.

- Quem é? Vai quebrar a porta de outro, porra!

- Ichigo... já se esqueceu do seu amigo bonito? — Ichigo escutou alguém dizendo do outro lado da porta.
— O que? R...Renji!
O jovem de cabelos laranjas foi então receber o amigo que há tanto não o via. Apesar de não admitir isso nem que um raio partisse a sua cabeça, sentiu saudades de todos. Abortou os planos anteriores de fazer jantar e antes de qualquer convite decidiu que sairiam juntos.

— Yo! Você costuma receber as pessoas assim pelado?
— Quieto, antes que eu me arrependa de ter aberto a porta, desgraçado. Pra que bater na porta com essa força toda? Parece um macaco!
— Simpático e bem humorado como sempre. Você não disse que iria voltar.
Renji, sempre espaçoso e confortável (leia folgado) se sentou no sofá da sala do anfitrião e pôs-se a ler um jornal. Ichigo, que passava novamente a toalha de seu pescoço pelos cabelos ainda molhados, pegou uma camiseta pendurada na cadeira de jantar, bem ao lado da sala, e sentou-se no sofá próximo a Renji.

— Foi tudo de repente. Meus pais e minhas irmãs vão voltar logo, também. Mas vim antes para procurar trabalho.
— Você se formou?
— Medicina.
— Moda combina mais com você. — Renji disse sem emoção, apenas prestando a atenção nas colunas do jornal. — vai colocar uma roupa decente, vai. Vamos naquele bar da praia.

— Vai mais alguém? — o ruivo alaranjado perguntou levantando-se do sofá e dirigindo-se à escada.
— Você quer saber se a Rukia vai? — pela primeira vez, o tatuado tirou os olhos pousados do sofá e olhou Ichigo apenas reclamar alguma coisa e subir às escadas; seu celular então, dá um toque. Era Inoue.

— Fala, princesa dos montes lindos claros e belos como a manhã ensolar-.
— Renji-kun? Você já saiu?
— Já, estou na casa do Ichigo. Acho que a Rukia vai ficar um pouco brava, não é.
— Já está. hehe. Quando entreguei o CD que Kurosaki-kun escolheu para ela, ela ficou furiosa.
— Rukia é tão transparente.. deve ser a banda favorita dela ou alguma coisa assim.
— Ela disse que queria esse disco há meses... mas não achava... — Inoue do outro lado da linha tem um estalo — nós temos que fazer o Kurosaki-kun e a Kuchiki-san se verem logo!

— Diz pra ela que vão sair e leva pro bar na praia que sempre vamos. Eu e Ichigo estamos indo pra lá.
— Ok! Obrigada!

Ichigo olhava para seu armário no segundo andar da casa, mais precisamente em seu próprio quarto. Lembrou que ela sempre entrava ali quando não queria vê-lo e riu-se. Parecia mesmo uma criança. Escutou Renji rir alto no primeiro andar, mas ignorou. Devia ser alguma piadinha horrorosa que saía toda semana no jornal; então alguém gostava mesmo daquelas coisas...

Colocou uma bermuda preta qualquer que estava jogada no chão, chinelos e uma camiseta que nem viu a estampa ou a cor, só colocou. Pegou um casaco por causa do vento. Conferiu o básico: chave, carteira, celular. Tudo pronto. Desceu e foi encontrar Renji.

Renji estava apenas com uma camiseta lisa e branca, e uma bermuda jeans. Também vestia chinelos. Escutou o morango descendo as escadas e largou o jornal de qualquer jeito — ainda aprenderia a dobrar aquilo de volta — e disse, em tom zombeteiro:

— Está linda. Parece uma princesa.
— Aham. Do que estava rindo aqui embaixo? — Ichigo viu Renji abrir um sorriso como se fosse cair na gargalhada de novo.
— De você, também. E da Rukia.
— O que é que tem a gente? — cruzou os braços e soltou o ar de forma pesada.
— Vocês são umas gracinhas mesmo. A Rukia adorou seu cd. Disse que estava procurando há meses. — o ruivo avermelhado não pôde deixar de reparar uma mudança na expressão de Ichigo. Poderia estar mais.. relaxada.

— Não entendi qual foi a graça nisso.
— Ela ficou furiosa! Claro! Você conhece muito bem né. Não preciso dizer.
Ichigo soltou seus braços cruzados e riu, balançando a cabeça para os lados. Nada mudara desde então.

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Estava realmente.. desapontada. Desapontada com a situação no geral, ela diria. Como aquele maldito descobrira que estava procurando justamente aquele CD há tanto tempo? Quase bateu na pobre da Inoue, por ter permitido algo assim. Ela deveria ter dito que não! Que ela sim era sua amiga e poderia saber dos gostos! Ou melhor, ter omitido para si que foi o desgraçado que escolheu o tal do disco. Ninguém merecia.

Outro grandioso motivo por estar desapontada era si mesma. Sabia que Inoue e Renji estavam armando pra cima dela — com certeza estavam — e ainda assim aceitou ir para o bar. Talvez, se bebesse bastante, não conseguiria sequer enxergar Ichigo há alguns palmos de si.

Então, estava decidida. Iria beber até morrer e assim não teria que aguentar o dito cujo.

Notas finais
Acordei muito cedo. Estou com um pouco de sono... mas consegui escrever isso aí. HEhe.

No próximo episódio/capítulo, Rukia vai beber até morrer para evitar o morango, mas o que ele vai fazer quanto a isso?
E quem será a noiva de Chado?