Pov Diego

– Já vai?! – Victor perguntou-me, assim que me viu descer as escadas, estava sentado na mesa da recepção.

– Sim, tenho um compromisso importante logo mais – disse a ele, sorrindo – vou passar um tempo com o meu filho – ele assentiu divertido, acho que devido ao meu contentamento.

– Pensei que você não ficasse muito com ele, só aos finais de semana – comentou.

– Sim, mas hoje será diferente – impossível esconder a alegria em minha voz – tô pensando em levá-lo para jantar.

– Posso te dar uma dica? – perguntou receoso e assenti – talvez você devesse levá-lo para fazer algo antes – o olhei intrigado – você me disse que a relação de vocês é meio... incerta – assenti sem entender, onde ele queria chegar com aquilo – então, se ele é meio inseguro, levá-lo para fazer algo que ele goste pode deixá-lo mais descontraído – ah, assenti para que ele continuasse – sugiro que o leve ao cinema ou para jogar boliche, depois você o leva para jantar – sorriu.

– É pode ser uma boa – não é que moleque pode ter razão, ri – desde quando você entende de criança? – ele riu.

– Minha irmã se casou cedo, tem três pirralhos lá em casa – sorriu – mais ou menos na mesma faixa etária do seu filho – comentou e assenti.

– É você tem razão, vou levá-lo ao cinema, então – ele assentiu sorrindo, quando...

– Quem vai ao cinema? – Fernanda perguntou descendo as escadas, parando ao meu lado, de frente ao Victor.

– Vou levar meu filho ao cinema hoje – meu comentário a deixou visivelmente surpresa.

– Você tem filhos? – sim, estava surpresa, isso significa que Roberta não disse nada a ela, bom.

– Sim, um menino – sorri.

– Nossa, que legal – retribuiu meu sorriso, acho que ela está acostumando a retribuir meus sorrisos sem ficar sem graça ou corada, o que chegava a ser engraçado – parece que hoje é dia dos pais ficarem com os filhos – Victor e eu a olhamos intrigados.

– Por quê? – ele perguntou.

– O filho da Roh também vai ficar com o pai hoje – merda, quase engasguei com a minha própria saliva depois do seu comentário, mas eles pareceram não perceber meu desconforto.

– Você tem filho, Roh? – foi só com as palavras do Victor que percebi que Roberta descia as escadas, parando ao lado do rapaz, que agora estava em pé.

– Sim, um menino – merda, ela usou minha frase de pouco minutos também com um sorriso no rosto, os outros riram, então ela olhou para mim – você já não deveria ter ido?

– Já estou de saída – dei de ombros.

– Bom – disse indiferente – vamos, Feh? – Fernanda assentiu.

– Vocês vão sair? – perguntei.

– Sim, vamos comer alguma coisa e depois pegar uma sessão – assenti – mas estarei em casa até às 21:00 – ok, entendi o recado, deixar o Rafael em casa até as 21 horas, ri.

– O Dih também vai ao cinema, Roh – boa, Fernanda! Roberta arqueou as sobrancelhas.

– Ah, é?! – assenti sorrindo de lado – e você, Victor, vai ao cinema também?

– Não, eu tenho outros compromissos – piscou para ela, que riu, Feh bufou, ok, não entendi...

– Ele vai sair com o Matheus, Roh – disse Fernanda revirou os olhos, Roberta estava surpresa e eu sem entender nada.

– Não sabia que vocês se conheciam – comentou e Victor sorriu.

– Sim, estudamos juntos, durante o ensino médio.

– Vamos, Roh – Feh chamou por ela impaciente, quem é Matheus?!

– Sim vamos – sorriu – acho melhor você ir também – disse a mim.

– Eu já vou – olhei para Victor – e você não vai? – assentiu.

– Ótimo, tchau para vocês – Roberta disse mandando um beijo para Victor que lhe mandou outro, ridículos, ridícula... E puxou Fernanda pelas mãos.

– Até amanhã gente, beijo – saiu sendo arrastada porta a fora.

– Acho melhor a gente ir também – ele apenas assentiu, quando já estávamos do lado de fora da JunF’s nos despedindo...

– Boa sorte lá com o seu filho – disse Victor, sorrimos – até amanhã, cara.

– Obrigado, até – disse antes de nos afastarmos.

Depois de pegar o Rafael na casa do meu pai e vê-los interagindo tão bem um com o outro, me deixou um pouco incomodado, sabia que Sílvia estava-nos repreendendo, devido ao fato de Leonardo e eu ainda não estarmos nos falando “direito”, levei meu filho ao cinema do shopping mais próximo, não queria correr o risco de encontrar com a Roberta, o trajeto decorreu bem, perguntei como havia sido o seu dia e ele me contou sem grande animação, mas contou sem hesitar, o que já era um começo. Assistimos a um filme que o Rafael disse ser o preferido dele, Meu Malvado Favorito 2, até que o filme era legalzinho, ele me contou que já havia assistido ao primeiro várias vezes, até me chamou para assistir com ele novamente, já que eu nunca o havia visto, é, parece que as coisas estão começando a melhorar...

– Por que Lizie não veio jantar com a gente? – perguntou-me quando o garçom serviu nossos pratos, sorri para ele.

– Ela preferiu deixar-nos a sós – me olhou intrigado – queria conversar com você.

– Mas ela não pode conversar comigo também? – assenti rindo com a sua frase.

– Sim, mas eu gostaria de conversar somente com você – expliquei a ele, que assentiu incerto – queria conversar sobre as nossas aulas de natação – merda, ele ficou tenso e respirei fundo antes de continuar – sua mãe me contou sobre o que aconteceu com o seu amiguinho – sua expressão era séria, mas permaneceu calado – sobre a relação entre ele e o pai – estava incerto do que dizer... – eu imagino como deve ser ruim para eles...

– Ruim para o Luca, o signore Sangalli não gosta dele! – interrompeu-me dizendo, suspirei.

– Isso não é verdade – disse calmamente a ele que me encarava desconfiado – é impossível um pai não gostar de um filho – isso é verdade, não é!? – independente de qualquer situação que tenha ou que venha a ocorrer.

– Mas ele não gosta, ele não sabe nada sobre o Luca e nem quer saber, ninguém pode gostar daquilo que não conhece merda! Entendi que ele não se referia apenas à relação do amigo com seu pai...

– Afeto é algo que sentimos instintivamente por quem conhecemos, afeição, nós podemos sentir sim algo bom ou até mesmo ruim por algo ou alguém que não conhecemos intimamente, amor é que vem com o conhecimento, com a convivência entre as pessoas – disse firme, sem quebrar nosso contato visual – o que aconteceu com o seu amigo, não acontecerá com você.

– Como o senhor sabe?

– Jamais acontecerá com você, eu sei – garanti a ele, que estava visivelmente incerto – nós dois, não somos como o Luca e o pai dele, somos você e eu, Rafael e Diego, nossas histórias são diferentes uma da outra e também não são como a história de milhões de pais e filhos, nossa história é única, ela é nossa e de mais ninguém.

– E quando o senhor tiver outros filhos? – perguntou-me, quase como num sussurro depois de um tempo em silêncio.

– Você continuará sendo meu filho – e continuarei te amando, pensei, mas não disse, sabia que isso poderia assustá-lo ainda mais – independente do que aconteça.

– O senhor se casará com a Lizie? – ok, não esperava por essa pergunta, tanto que me fez engasgar, fazendo com que tivesse que beber um pouco de suco para me recompor.

– Quem te disse isso? – ele me olhava intrigado.

– Ninguém – disse parecendo não entender minha pergunta.

– Er... – bebi mais um pouco de suco – talvez... – disse incerto – você gosta da Lizie, né?

– Muito, não me importaria que o senhor se casasse com ela.

– Ah... – merda! – acho melhor você comer, né? – ele franziu o cenho – já tá ficando tarde, sua comida tá esfriando, e sua mãe pode ficar preocupada – sorri tentando mudar de assunto, ele me deu um leve sorriso antes de voltar a comer...

– Oi – disse Roberta ao abrir a porta para mim, estava com Rafael adormecido em meus braços – dormiu?

– Sim, a caminho para cá – sorri ao entrar no apartamento – não se preocupe, ele já jantou e a Sílvia disse que já tinha dado banho nele.

– Tudo bem, você quer que eu o coloque lá dentro?

– Não, posso levá-lo, se você não se importar.

– Tá – caminhei com ele em direção ao seu quarto, coloquei-o sobre a cama, retirando seus sapatos e cobrindo-o em seguida.

– Você é lindo, moleque – sentei-me ao lado da cama, observando-o dormir serenamente – será que algum dia você irá conseguir gostar um pouquinho só que seja de mim, hein?! – acariciei seus cabelos – só um pouco, porque eu já gosto muito de você – admiti sorrindo, um fato – eu te amo muito, filho – beijei sua testa, quando senti que alguém me observava, levantei virando em direção a porta, a tempo de ver um vulto passando... Roberta! Quando retornei a sala, ela já estava sentada no sofá, seus olhos estavam lacrimejados – eu er... acho melhor eu ir – disse.

– Ok – assentiu, dando-me um sorriso fraco que lhe foi retribuído, seu ato a seguir me pegou de surpresa, ela me abraçou, levei alguns segundos para corresponder, envolvendo meus braços ao redor de si, firmando-a, embriagando-me com o delicioso cheiro que vinha de seus cabelos, ficamos um tempo assim, minhas mãos involuntariamente acariciavam sua costa, assim como as delas passeavam firmemente pela minha. Merda! – obrigada – sussurrou quando nos afastamos um pouco, mas ainda assim estávamos próximo demais, meu olhar preso no dela, sua respiração misturava-se a minha, nossos corpos estavam praticamente colados, suas mãos estavam espalmadas em meus braços, as minhas estavam firmes em sua cintura, ela fechou os olhos, assim fazendo-me fitar seus lábios tão... convidativos, eu não devia, era errado, tinha plena consciência quanto a isso, mas me deixei levar por um impulso de senti-los e saboreá-los mais uma vez, rocei nossos lábios levemente, quando...

Continua...

Notas finais
Pela nonagésima nova vez... Não deixem de comentar, por favor!!! ;)