Começo, Meio E Fim
96 Capitulo 96
Notas iniciais
Pov Diego
– Pois bem – Roberta quebrou o silêncio entre nós, assim que o garçom entregou nossos pedidos – acho que agora já podemos conversar sobre o assunto que nos trouxe aqui.
– Sim, claro – assenti, não sabia ao certo por onde começar, não queria ir direto ao assunto, mesmo sabendo que isso nos pouparia tempo – bem, o Rafael é um garoto adorável – ela arqueou as sobrancelhas surpresa com o meu comentário, eu diria, merda, não era assim que queria iniciar nosso diálogo – parabéns, você fez um bom trabalho – elogie-a.
– Ah, obrigada – sorriu-me levemente – fiz o melhor que pude – retribuí seu sorriso – Diego, posso te fazer uma pergunta? – disse incerta, apenas assenti, servindo-me – como foi com o Rafael, nesse final de semana? – ótimo, ela tocou no assunto que eu queria chegar, tão fácil.
– Ele não te contou?
– Ele me disse que não aconteceu nada – assenti – mas eu sinto que aconteceu algo sim, que ele não quis me contar, não quis falar muito sobre o assunto.
– Não sei ao certo o que houve – ela me ouvia atenta, um pouco confusa, acredito – estávamos nos divertindo, aparentemente, ele parecia estar se divertindo, mas no final eu não sei o que houve, apenas que ele ficou distante e quis ir embora mais cedo – ela suspirou – eu pensei que com o tempo as coisas melhorariam entre nós dois, mas parece que continuamos na mesma – Roberta me encarava com pesar, como se me pedisse desculpas.
– Eu sinto muito, vou falar com ele – disse pensativa – não queria lhe causar tudo isso, desculpe – apenas dei-lhe um sorriso fraco, no fundo, a culpava pelo que estava acontecendo.
– Não sei se adiantaria muito – disse com desânimo, então me lembrando de algo – Roberta – ela me olhou, servindo-se do conteúdo em seu prato – você conhece algum Luca? – perguntei incerto, mas acho que era esse o nome que o Rafael havia pronunciado naquele dia, ela pareceu estranhar minha pergunta.
– É um nome um tanto comum na Itália, conheço alguns, por quê?
– O Rafael comentou sobre ele – minhas palavras a fizeram sorrir, linda...
– O Luca que o Rafa deve ter comentado, é um menininho encantador, eles estudavam juntos, são amiguinhos, junto com o Pietro, eles reviram a minha casa inteira, deixando-a de pernas pro ar – eu a ouvia atento, ela parecia feliz ao contar sobre as travessuras do filho com seus coleguinhas – o que ele te disse sobre o Luca? – perguntou-me sorrindo.
– Quando estávamos na piscina, ele parecia divertir-se – ela assentiu para que eu continuasse – mas então ele ficou sério e disse a seguinte frase: “eu não serei como o Luca” – sorriso que antes estava em seu rosto se desfez, dando lugar a uma expressão séria, como se estivesse pensando em algo, fechou os olhos por alguns segundos, depois os abrindo novamente.
– Desculpa – pediu-me, mas não entendi bem o porquê – essa são umas das únicas coisas em que ele se parece comigo – a encarava intrigado – de tudo, as únicas coisas que eu jamais gostaria que ele tivesse herdado – ela falava tudo com desgosto, aparente, como se refletisse sobre algo – assim como eu, o Rafael também tem medo de amar – merda! – ele tem medo de amar você – estávamos desconfortáveis com suas palavras, sabia que ela poderia ter razão, mas ouvi-la me fez lembrar de tempos antigos, nossos velhos tempos...
– Por quê? – ela sabia de algo e parecia querer me dizer.
– Pela frase dele, a maneira como ele vem se portando me leva a crer nisso – refletiu – o Luca, Diego, é um garotinho de cinco anos, também é filho de pais separados, vive com a mãe em Roma, quase nunca vê o pai, que vive em Milão há alguns anos, as visitas dele sempre foram raras, depois que ele formou uma nova família, então, se tornaram quase inexistente – eu a ouvia atento – a Bianca tenta suprir essa falta que o pai causa ao filho, mas ela é sozinha, fora à família dela, ele sente falta de um pai, sente falta do amor do pai, principalmente agora com a vinda do irmãozinho dele, filho do Lorenzo com a nova esposa – respirou fundo – uma vez a Bianca me disse que Luca havia perguntado a ela o que havia de errado com ele, por que o pai não o queria – Céus... – ele só é uma criança, entende?! – suspirou – eu acredito, que essa proximidade entre os dois repercuta no Rafael, ele teme que aconteça o mesmo com ele.
– Ele não tem porquê temer – afirmei a ela – como ele pode pensar que eu faria algo monstruoso, como o que esse homem faz com o filho?! – estava incrédulo.
– Eu não sei – respirou fundo – talvez ele pense que se o Lorenzo que conhece o Luca o abandonou, por que você que não o conhece não faria o mesmo?! – não acreditei no que a ouvi dizer.
– Você tem ideia do quanto isso é absurdo?! – estava começando a me enfurecer – eu jamais o abandonaria!
– Eu sei – sua voz saiu quase como num sussurro, como se não tivesse certeza sobre elas.
– Você não acredita não, é?! – acusei-a e ela arqueou as sobrancelhas.
– Quem garante que algo do tipo não acontecerá ao meu filho quando você formar sua família? – Senhor, paciência...
– Quem é você e o que você fez com a Roberta que eu conheci?! – não acreditava no que estava ouvindo-a pronunciar – porque aquela Roberta, jamais duvidaria de algo do tipo, ela jamais ousaria pensar em um absurdo desses...
– Só estou tentado proteger o meu filho – disse firme – se algo do tipo acontecer, sei que será ele quem irá se machucar.
– Ah, claro – disse debochado – falô a pessoa que escondeu o menino do pai dele – estávamos nos fuzilando com o olhar, respirei fundo, afinal estava em um ambiente público.
– Fiz o que achei que fosse melhor, admito que errei e já lhe pedi desculpas quanto a isso.
– Falar é fácil.
– Vou conversar com o Rafael, não se preocupe – disse levantando-se da mesa, merda, segurei em sua mão, para que ela se sentasse novamente, merda de corrente elétrica que percorre meu corpo sempre que a toco, ela retirou sua mão da minha.
– Fica – pedi e ela hesitou, antes de voltar a se sentar – vamos terminar de comer primeiro, anda quero conversar com você – apenas assentiu, ficamos alguns minutos em silêncio, apenas nos encarando – Roberta, olha, eu não quero continuar com isso, quero dar uma trégua, sei que parece estranho para nós dois, mas devemos tentar, precisamos tentar, nós trabalhamos juntos e ainda temos que conviver por causa do Rafael, não acho legal ficarmos assim, discutindo e nos acusando o tempo tudo, você sabe que quando queremos nós conseguimos.
– Tudo bem, podemos tentar – tentar, já era um começo.
– Ótimo – sorri amigavelmente e ela retribuiu com um leve sorriso – Rafael tem muitos amigos em Roma? – perguntei, na tentativa de mudarmos de assunto, para um mais agradável.
– Alguns – sorriu mais espontaneamente, tão linda... – mas os preferidos e mais próximos dele são o Luca e o Pietro – riu como se lembrasse de algo – eles nos deixam malucas, a Bianca, a Cissa e a mim – me peguei sorrindo, pela maneira afetuosa e entusiasmada com a qual Roberta contava-me sobre os feitos do meu filho, do nosso filho...
Continua...
Fale com o autor