Começo, Meio E Fim
78 Capitulo 78
Pov Rafael
– Vem vô – chamei pelo vô Léo, que corria atrás de mim há algum tempo, estávamos brincando de pique-pega no seu jardim, já havíamos brincado de cavalinho, onde ele me carregava nas costas e brincamos de pique-esconde com a vó Silvia, eles estavam brincando comigo enquanto os meninos não chegavam do colégio, mas a vó Silvia logo cansou.
– Peguei – vô Léo disse ao me alcançar, pegando-me no colo e fazendo cócegas na minha barriga, enquanto eu gargalhava ele sorria – pronto, agora vamos descansar um pouco, porque o vovô já está velho para ficar correndo por aí – assenti, mas queria mesmo era continuar brincando, ele se sentou comigo ainda em seu colo em uma espreguiçadeira próxima a piscina – você gosta? – perguntou deixando-me confuso – da piscina – explicou.
– Sim, muito – sorri, ele deve ter percebido a maneira como eu olhava para ela.
– Você pode nadar nela quando quiser, essa casa é sua, portanto pode fazer o que quiser nela – assenti incerto e ele sorriu, foi então que me lembrei de algo – o que houve?
– Nada – respondi, mas seu olhar me incentivou a continuar – apenas me lembrei de algo que o Diego me disse outro dia – completei.
– E o que foi que ele te disse?
– Disse que, se eu quisesse, ele poderia me treinar para o campeonato de natação – mais uma vez, ele me incentivou a continuar – eu não lhe dei uma resposta, disse que iria pensar e falaria com a mamma, mas acabei me esquecendo de contar a ela sobre o convite dele.
– Eu pensei que você quisesse participar da competição?
– E quero, eu apenas... – calei-me antes de terminar a frase, vô Léo deu-me um sorriso compreensivo, mas não parecia satisfeito, ele sabia o que eu iria dizer.
– Você não quer é ser treinado pelo Diego – assenti incerto, fazendo-o suspirar – sabe Rafa, quando eu tinha a sua idade eu não passava muito tempo com o meu pai – o encarei confuso – ele era muito ocupado, nós não tínhamos uma condição financeira muito favorável, o que o fazia trabalhar muito para cuidar da nossa família – dei-me um leve sorriso, que retribuí – quando o Diego tinha a sua idade, nós também não passávamos muito tempo juntos, eu vivia trabalhando para conseguir ter tudo que tenho hoje – respirou fundo – mas quando estávamos juntos era o melhor momento, era o nosso momento – sorriu como se lembrasse de algo – quando eu chegava em casa depois de um dia cansativo, ele corria até mim e me abraçava, contando como havia sido o seu dia, o que ele havia feito – vô Léo estava visivelmente emocionado ao falar do filho – mas infelizmente, o meu tempo era curto e na maioria das vezes eu não soube aproveitá-lo como gostaria e deveria tê-lo aproveitado – suspirou, seus olhos pareciam tristes, mais haviam neles um brilho especial, que eu vi quando nos encontramos pela primeira vez – o tempo passou e num piscar de olhos ele se tornou um homem que não precisa mais de mim, da minha companhia... – não reprimi minha vontade de abraçá-lo, ele retribuiu, o abraço dele era bom, como o do nonno.
– Eu entendi o que o senhor quis dizer, vô – garanti a ele, que me deu um beijo na testa.
– Apenas não gostaria que o que aconteceu comigo e com o seu pai se repetisse com você.
– Vou falar com a mamma sobre as aulas, se ela deixar eu comunico ao Diego – tentei sorrir.
– Tudo bem – sorriu levemente – você pode treinar aqui se quiser, acredito que seja o melhor lugar para que as suas aulas aconteçam, tudo bem para você?
– Sim, o senhor estará aqui? – talvez, se ele estiver eu não precisarei ficar sozinho com o Diego.
– Sempre que você precisar – o abracei novamente – é muito bom tê-lo aqui, nessa casa – sorri para ele que retribuiu.
– Também gosto de estar aqui, vô – ele beijou o topo da minha cabeça, foi quando vô Silvia se juntou a nós, sentando-se ao nosso lado.
– Já cansaram? – perguntou rindo.
– O vó Léo já cansou, vó – expliquei a ela – o nonno também sempre se cansa – meu comentário pareceu deixa o vó Léo tenso, já a vó Silvia pareceu segurar-se para não rir.
– Mas eu não estou cansado, querido, estamos apenas dando um tempo entre uma brincadeira e outra, para que assim não nos cansemos com facilidade – ele garantiu a mim sorrindo, enquanto a vó Silvia deixou escapar uma risadinha, que pareceu não agradar ao vô Léo.
– O seu nonno e a sua nonna brincam muito com você, meu bem?
– A nonna não muito, eu quase não a vejo – expliquei a ela – já o nonno, brinca comigo sempre – sorri, assim como a vó Silvia, mas o vô Léo pareceu ficar ainda mais desconfortável.
– Vocês passam muito tempo juntos?
– Sim, o nonno sempre fica comigo, ele ajuda a mamma a cuidar de mim, ele me buscava no colégio às vezes, quando a mamma e o... – fiz uma pausa ao lembrar dele – e o babbo não podiam – dei-lhes um leve sorriso que me foi retribuido, vô Léo beijou o topo da minha cabeça e a vó Silvia acariciou minha bochecha esquerda.
– Bom, falando em colégio – vó Silvia sorriu ao mudar de assunto, a agradeci com um sorriso, era estranho, mas pensar e falar do babbo para eles me incomodava de alguma forma – o que o senhor Rafael acha de ir comigo buscar os gêmeos, você quer ir?
– Quero, vó – disse entusiasmado com o convite.
– Certo, então nós...
– Eu pensei em ir com o Rafa, buscar os meninos hoje – vô Léo disse a interrompendo.
– Você com o Rafa? – vó Silvia pareceu surpresa.
– Sim, faz tempo que eu não os busco no colégio – sorriu e ela assentiu rindo, como se entendesse algo, deixando-me confuso – o que você acho, campeão?
– Por mim tudo bem, vô.
– Então você não irá mesmo trabalhar hoje? – vó Silvia perguntou ao vô Léo.
– Não, irei passar o dia com o R... Com os meninos – ela apenas assentiu, estava com uma expressão divertida – está vendo querido, o vovô também pode ficar com você, enquanto sua mãe está no trabalho – assenti sorrindo, enquanto vó Silvia ria.
– Rafa, em que sua mãe está trabalhando?
– Ela começou a trabalhar em uma Galeria de Arte – respondi incerto, a mamma não gosta que falem sobre os assuntos dela, então não sabia se podia ou não dizer o que era, ambos olharam um para o outro, antes de voltarem sua atenção para mim, suas expressões estavam mais serias agora.
– Em que Galeria ela trabalha, você sabe o nome, querido? – vô Léo perguntou, um pouco curioso ou cauteloso, não sei dizer ao certo.
– Ela é nova, vocês não devem conhecer – disse a eles, que me olhavam atentos – se chama JunF’s Art’s – a reação deles me deixou confuso, ambos voltaram a olhar um para o outro, com os olhos levemente arregalados – o que foi? – perguntei sem entender o porquê dos espantos deles.
Continua...
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