Pov Roberta

Cheguei no meu apartamento, um pouco desnorteada com tudo que aconteceu mais cedo, encontrei Carla na cozinha tomando seu café da manhã.

– Bom Dia – disse sentando-me em uma cadeira a sua frente.

– Bom Dia – disse animada, com seu ótimo humor matinal diário, sinceramente não sei como ela consegue – E aí, como foi lá? Falou com o Diego?

– Sim – respondi sem ânimo.

– Pela sua cara, não foi nada bom, não é? – perguntou curiosa.

– Foi horrível, Carla! – disse agitada – foi tudo tão cordial, com se nós fossemos dois conhecidos do passado que não se vinham há anos e quando finalmente se reencontram perguntam formalmente como o outro está e se despedem, como se nada tivesse acontecido – despejei as palavras rapidamente, respirando fundo ao terminar de dizê-las, enquanto a Carla ria da minha cara, para variar.

– Mas vocês são dois conhecidos do passado – disse divertida.

– Não, nós fomos e somos bem mais do que conhecidos um do outro – disse séria e ela riu.

– Tudo bem, mas a questão toda é que você sentiu falta das brigas? – perguntou incerta, assenti e a ridícula gargalhou – ai Roberta, fala sério!?

– Pelo menos as nossas brigas, ofensas e palavras hostis havia mais sentimentos e emoções, que a maneira “amigável” como nos tratamos ainda pouco, tão... – não achei palavras para descrever e ela sorriu-me levemente, enquanto comia sua salada de frutas.

– Você não vai tomar seu café? – perguntou, visivelmente, tentando mudar de assunto, esperta a minha ridícula, sorri para ela.

– Não, tomei antes de sair – ela anuiu e continuou a comer.

– Ah, o Tomás ligou e disse que daqui a pouco eles estão vindo para cá.

– Que bom, estou mesmo com saudades do meu filho – fiquei por um tempo a observando comer, o que me fez lembrar de algo nada agradável – Carla, você acha que eu estou gorda?

– Quê?! – perguntou confusa com as sobrancelhas erguidas.

– Gorda, Carla, você acha que eu estou acima do peso, cheinha, esse tipo de coisa?!

– Claro que não Roberta, você é gostosa pra caralho! Tu tens um corpão – ela parecia divertida e ao mesmo tempo incrédula com a minha pergunta e eu duvidosa com sua resposta – mas vem cá, por que isso agora?

– Bom é que – nem eu sabia ao certo o por que dessa pergunta estúpida, bom, no fundo eu sabia sim – é que eu encontrei com a Elizabeth hoje? – disse rapidamente.

– Quem? – perguntou sem entender.

– A Elizabeth, Carla, a namorada do Diego! – sua expressão estava muito engraçada, seus olhos estavam arregalados, sua boca entre aberta e sua mão estava parada no ar segurando a colher que estava a caminho de sua boca, antes dela cair na gargalhada – Carla! – a repreendi.

– Desculpa – disse ainda rindo – mas e aí, o que achou da Lizie? – perguntou risonha e atenta.

– Não achei nada, porque não estava procurando – disse tentando parecer indiferente, mas não adiantou – tá – disse por fim – ela é linda, não só linda, é... Ai, não sei descrever – ela me encarava divertida – tão bonita e elegante, ao mesmo tempo sexy e provocadora, tão educada e simpática, ai!

– Você também é tudo isso – disse sorrindo, mas a ignorei.

– E aqueles olhos azuis?!

– Eu prefiro os seus, olhos lindos – ela disse com uma voz doce e eu a fuzilei com os olhos, fazendo-a gargalhar.

– E ela precisava ser tão magra?! – estava indignada.

– É, isso eu tenho que concordar, a Lizie é bem magrinha mesmo, mas até que ela tem um corpo bem bonito – bufei com o seu comentário – mas isso não faz de você uma obesa – riu.

– Eu sei, exagerei – disse emburrada e ela riu.

– Não acredito que a Lizie está no Rio, a Alice vai pirar quando souber – disse toda animada, eu estava incrédula, desde quando elas são amiguinhas? Ridículo!

– Você não sabia?

– Não, o Dih não me disse nada, mas vocês conversaram? – perguntou curiosa.

– Não, apenas fomos apresentadas uma a outra – bufei.

– Ah Roberta, para com isso, a Lizie é muito legal – sorriu – ela é das minhas, bem vadia – gargalhou e eu continuei séria – ok neném, parei, mas mesmo ela sendo muito legal, legal mesmo – fiz um bico e ela riu – eu ainda prefiro você – tentei não sorrir, mas foi impossível.

– Ridícula – rimos e antes que alguma de nós dissesse algo a campainha tocou – meu bebê – fomos até a sala, abri a porta e a sensação mais deliciosa do mundo me invadiu, meu filho pulou nos meus braços dando-me um beijo na bochecha e um abraço tão gostoso – amor, que saudades que a mamma tava de você – disse enchendo sua bochecha de beijinhos.

– Eu também, mamma – Rafael disse saindo do meu colo para fazer o mesmo com a madrinha que o recebeu sorrindo de braços abertos.

– Oi Tomás – cumprimentei-o com um beijo na bochecha que me foi retribuído – obrigada, por ficar com ele.

– É sempre um prazer – sorriu – fora parte que eu tenho que tentar entende a lengalenga que esse menino dispara a falar pela manhã – ele e o afilhado riram, só então entendi o que ele estava se referindo e sorri, Carla nos olhou curiosa.

– O Rafa acorda falando italiano, Carla – expliquei e ela assentiu rindo.

– É verdade – ela disse – mas, então meu anjo, você não vai nos contar como foi a noite passada?

– Foi muito legal – meu bebê disse todo animado, Tomás e eu nos aproximamos para sentarmos junto a eles, Rafael então veio para o meu colo, assim Tomás sentou-se ao lado da noiva, depositando um selinho em seus lábios – nós jantamos com o tio Jonas, a tia Leila, o Binho, a Pilar, a Lari e o Guilherme – impressão minha ele desdenhou ao falar do menino? Não acredito que o Rafa não gostou do Gui – depois o padrinho me levou para conhecer o Colégio, eles tem uma piscina enorme, mamma – meu coração se apertou, a piscina – o padrinho disse que era o seu lugar preferido – assenti sorrindo – ele me prometeu que irá me levar para nadar lá qualquer final de semana, não é? – Tomás confirmou – e depois nós fomos ao porão – Carla e eu o olhamos atentas e curiosas, porão – foi muito legal, o padrinho me contou um monte de histórias e lá ainda tem alguns instrumentos – estava tão feliz que meu filho tivesse ido ao nosso antigo Colégio, ao porão e que tivesse gostado tanto de tudo.

– Fui muito divertido – Tomás comentou – podemos voltar lá quando você quiser – o menino assentiu sorrindo ao padrinho.

– Não sabia que a Pilar e o Binho estariam por lá – comentei, Tomás confirmou – com eles estão? E o Gui ainda se parece com a Pilar? – Rafael ficou tenso e visivelmente emburrado, sabia, ele não havia se dado bem com o Guilherme, Carla sorriu, também notando sua reação.

– Eles estão bem, a Pilar até perguntou de você, não é, Rafa? – meu filho assentiu sério, sorri, Tomás também havia percebido o desgosto do afilhado a falar sobre o assunto, tanto que tratou de mudá-lo para outro que deixou o menino bem mais contente e interagido. Mais tarde ainda teria que conversar com ele a respeito do pedido que o Diego me fez, hoje mais cedo.

Continua...