Pov Diego

Depois de muito pensar sobre o que a Roberta e eu conversamos, milagrosamente, de maneira civilizada, decidi que logo procuraria um advogado para resolvermos essa situação da melhor maneira possível, que favorecesse os dois, não pretendia ficar responsável pelos bens de ninguém, o dinheiro era dela, então que ficassem com ela, assim como a pensão que eu pretendo dar mensalmente ao Rafael, disso não abro mão, pretendo a partir de agora me tornar um pai presente na vida do meu filho.

– Oi – disse Márcia quando eu lhe dava um beijo na bochecha, marcamos de nos encontrar em um café que ficava perto do hospital onde ela trabalha – como você está?

– Bem e você? – perguntei quando nos sentávamos numa mesa do estabelecimento.

– Estou bem – fizemos nossos pedidos – nosso pai me disse que a Lizie está no Brasil também.

– Sim, veio a trabalho também, nós podemos marcar algo para fazermos todos juntos, qualquer dia – sugeri.

– Eu iria adorar – sorriu – você me disse que precisava falar comigo, mas não apareceu nem deu sinal de vida ontem.

– Desculpe, aconteceram tantas coisas que acabei me esquecendo – sorri fracamente e ela retribuiu – mas o assunto é rápido, não quero tomar muito seu tempo.

– Não, tudo bem, eu ainda tenho uns quarenta minutos até a chegada do meu próximo paciente, então pode falar.

– Bom – pensei por onde começar – há alguns dias, a Carla comentou comigo, que quando me mudei para New York, quem lhe dava noticias minhas era você – ela assentiu, visivelmente, sem entender a onde eu queria chegar com aquela conversa – mas quando fui para os Estados Unidos, nós passamos semanas sem nos falarmos, nem mesmo quando eu voltei uma semana depois do embarque, nós não nos vimos – comentei e ela sorriu, acho que agora ela entendeu a onde eu queria chegar.

– Sim, eu mesma só fiquei sabendo dessa sua volta quando fui te visitar em New York, alguns meses depois, mas você sempre falava com o papai e ele dizia que você estava bem e gostando muito de tudo por lá – a confirmação do que eu já imaginava, meu pai, droga! – mas por que isso agora?

– Você sabia que a Roberta esteve no Brasil atrás de mim, algumas semanas depois dela ir para a Europa? – perguntei intrigado.

– Não – respondeu confusa e surpresa – você acha que ela voltou para te contar sobre o Rafael?

– Sim – assenti – a Carla me confirmou isso.

– Isso não faz sentido Diego, caso contrário nós já saberíamos sobre ele.

– A menos que algo a tenha impedido de me contar – disse pensativo – ou alguém.

– Quem? – perguntou confusa, meu olhar a fez entender – ele não faria isso Diego!

– É isso que eu vou descobrir agora – levantei-me da cadeira, fui até ela, dando-lhe um beijo em sua testa e deixando dinheiro sobre a mesa, para pagar a conta e saí sem dar atenção a minha irmã que chamava por mim.

Passei pela secretária do meu pai, a mesma veio até mim dizendo que não poderia entrar sem ser avisado, ignorei-a e segui até a sala no final do corredor.

– Filho – Leonardo disse surpreso ao me ver entrar e fez um sinal para que sua secretária se retirasse – ao que devo a visita? – perguntou sorrindo, mas meu humor não estava dos melhores, ele percebeu, pois seu sorriso se desfez – o que houve, Diego? É alguma coisa a haver com o Rafael? – perguntou preocupado e eu ri nervoso.

– Sim, tem tudo haver com ele – disse com certo cinismo.

– Então, me diga!

– Não, quem tem que me dizer alguma coisa aqui é o senhor! – ele estava confuso – quando o senhor pensou em me contar, que a Roberta esteve a minha procura há mais de cinco anos, hein? – perguntei exasperado, ele permaneceu calado por um tempo.

– O que ela te disse? – perguntou cauteloso.

– Ela nada, mas não vem ao caso a maneira com descobri!

– Sente-se – apontou a cadeira, sentei-me um pouco relutante – é verdade, a Roberta esteve te procurando há alguns anos atrás, mas ela jamais mencionou ou insinuou qualquer coisa sobre o menino ou a gravidez, apenas o desejo de te encontrar, ela me pareceu um pouco nervosa e angustiada na época, se eu soubesse, jamais a deixaria...

– Me encontrar – debochei – bem o seu perfil mesmo – sua postura endureceu – o que o senhor teria feito, hein, a obrigado a abortar?! – nos levantamos agitados nesse instante, separados apenas pela mesa entre nós.

– Diego, olha como fala comigo, moleque! Eu ainda sou seu pai! – repreendeu-me friamente – eu jamais faria mal ao meu neto!

– Claro, apenas o abandonaria como fez com a sua querida filha, não é?!

– O que aconteceu com a Márcia foi um grande erro sim, mas que Graças a Deus foi revertido!

– Claro – zombei – mas o Rafael não era a Márcia, não é, ele seria o neto indesejável do seu filho problema, não é?!

– Não, ao contrário do que você ou a Roberta pensam, eu tenho um grande carinho pelo menino, hoje mesmo estava pensando em procurá-lo, faz algum tempo que não o vejo – incrivelmente, suas palavras eram sinceras, o que chegava a ser ridículo!

– E o senhor acha que depois de tudo a Roberta te deixará chegar perto do Rafael, novamente? – perguntei zombateiro e ele riu.

– Eu acho que a Roberta deveria estar mais preocupada com o que a mãe dela foi capaz de fazer – riu debochado.

– E o que a Eva fez? – perguntei confuso e seu sorriso se ampliou.

Continua...