Começo, Meio E Fim
101 Capitulo 101
Pov Roberta
Finalmente quinta-feira, véspera de feriado, estava esperando por Luigi na entrada do fórum, havíamos nos visto na noite anterior, jantamos juntos, nós os três, Luigi, Rafael e eu, ele até mencionou o jantar com o meu pai na ocasião, ambos tem negócios em comum, fora o fato de ele estar cuidando do meu caso, foi uma noite agradável, pouco diferente do meu dia... Meu dia, quarta-feira, passei o dia todo evitando encontrar ou esbarrar com o Diego, o que pareceu ser o propósito dele também, afinal mal nos falamos, mal nos vimos, fiquei também alheia ao resto do mundo, prestava atenção apenas em uma coisa, Rafael. Fernanda e Victor obviamente perceberam, me perguntaram se estava tudo bem, se estava me sentido bem, se queria alguma coisa... Dia difícil, hoje estava me dando a sensação de que não seria diferente, acordei cedo, para o meu desprazer, levei Rafael ao apartamento de ToCar, minha comadre ficaria com até que a hora do almoço, depois de almoçarmos juntos, levaria-o até a casa dos Maldonado’s... Diferente também do que espera, o resultado do exame de DNA seria entregue a mim e ao Diego, frente ao juiz, na presença dos nossos advogados, e lá estava eu a espera de que alguém aparecesse, até que...
– Já aqui? – Lui, perguntou-me cumprimentando-me com um aperto de mãos, o que era engraçado, afinal nos conhecemos há bastante tempo para isso, eu fui madrinha do casamento dele com a Giovanna, há pouco mais de um ano, mas para ele era falta de decoro e ética profissional mostrar e aparentar intimidade com o cliente diante de autoridades, tanto que ele preferiu se hospedar em um hotel, do que ficar no meu apartamento, o que era ridículo.
– Impaciente – retribuí seu sorriso – quero acabar logo com isso – admiti, quando avistei Diego e Jorge se aproximarem de nós – bom dia – nos cumprimentamos e fiz as devidas apresentações, Lui e Jorge dirigiram-se ao algum lugar para tomarem informações, deixando Diego e eu a sós, estávamos desconfortáveis na presença um do outro ainda, evitamos nós olharmos diretamente, mas nosso tempo sozinhos não durou muito, logo nossos advogados voltaram, nos guiando para a sala onde em instantes estaríamos diante do juiz. Nada de mais aconteceu nesse período, nada que não fosse esperado, além assinarmos vários documentos e da confirmação, desnecessária, do teste de DNA, que constatou ao Diego a paternidade do Rafael. Em menos de duas horas fomos liberados, em alguns dias chegaria à nova certidão de nascimento do meu filho, agora como um Maldonado...
– Você precisa mesmo ir? – perguntei ao Luigi, já do lado de fora do prédio judicial – não quer almoçar com a gente?
– Não dá, preciso ir antes que perca meu voo – sorriu.
– Quer que eu te leve ao aeroporto?
– Não precisa, vou pegar um táxi – assenti contrariada – agora posso lhe dar um abraço?
– Não precisa pedir – abracei carinhosamente meu amigo, estar na presença dele me fazia me lembrar de casa, me lembrar do... – não esqueça de dizer a Gio, que Rafael e eu estamos lhe mandando um beijo e que estamos com saudades – sorri ao me soltar de seus braços.
– Não me esquecerei – retribuiu meu sorriso – telefone para ela, tenho certeza de que ela irá gostar muito – assenti, ele então me deu um beijo na testa, retribuí com um beijo na bochecha – cuide-se, espero vê-los em breve, em Roma – mais uma vez esse desconforto, ao ouvir a referência de me ver na Itália – e mande um beijo ao Rafa.
– Pode deixar, boa viagem – desejei-lhe antes que entrasse no táxi, sorrimos um para o outro.
– Quanta proximidade com o advogado – ouvi uma voz conhecida atrás de mim, que me fez levar um susto – vocês se conhecem há muito tempo? – dava para notar o cinismo em sua voz.
– Nós... – esperai, por que mesmo que estou explicando algo a ele?! – isso não lhe diz respeito.
– Oh, claro – debochou – apenas não acho que isso seja muito ético da parte dele – Céus, o que raios esse idiota estava insinuando?
– Deixa de ser imbecil – esbravejei, Diego arregalou levemente os olhos, mas sem sair da sua pose de “sou o dono da razão” – ele é meu amigo, na verdade, meu marido – ele pareceu ficar tenso – e eu sou amiga da esposa dele – sua expressão agora se tornou constrangida, talvez, pareceu querer dizer algo, mas se calou, bufei ignorando-o e virando-me para ir à direção ao meu carro, mas antes que desse um passo o senti segurar em meu braço – o que foi?
– Desculpa – meu olhar encontrou o dele, merda de olhos castanhos que me hipnotizam e me fazem perder o foco... – eu não...
– Tá tudo bem, Diego – interrompi-o tentando novamente me afastar, quanto mais longe mais seguro... Mas sua mão pareceu não querer soltar meu abraço.
– Ah, desculpe – disse só então o soltando-o – nós ainda nos veremos hoje?
– Nós trabalhamos juntos, esqueceu?!
– Nem por um segundo – suas palavras me soaram de forma tão intensa que a única coisa que fui capaz de fazer foi me afastar dele, merda, eu teria que para com isso, nós teríamos que parar com isso, toda essa tensão, que nos rodeia, toda essa atração... Oh Pai, eu seria capaz de verdadeiramente enlouquecer... O restante do dia sem dúvida não foi tão torturante quanto seria estar na presença dele, no dia seguinte, no lugar onde tudo começou... O Elite Way!
Continua...
Fale com o autor