Pov Rafael

...

- Você sabe que as coisas vão mudar um pouco não sabe? – babbo perguntou-me, quando estávamos sentados no gramado da nossa casa, em Roma, após uma partida de futebol, que havíamos jogado.

- Si, babbo – respondi, nem um pouco feliz, já havíamos tido conversas como essa antes, mas eu não queria que nada mudasse, estava muito bom assim.

- Vai ser difícil, por um tempo, mas você terá que ajudar a sua mamma, você fará isso?

- Si, eu vou proteger a mamma, serei o homem da casa – respondi, fazendo o babbo rir.

- Sei que será, bambino. Sabe minha última viagem? – perguntou-me e eu assenti – então, eu o conheci, é verdade o que dizem, você se parece mesmo com ele – eu não queria saber, nunca me interessei em saber nada sobre ele – não pense assim, sei que irá gostar dele, e tenho certeza que ele gostará muito de você também.

- Mas ele pode não gostar.

- Irá se encantar, assim como eu me encantei por você, bambino, quando ti vi pela primeira vez.

- Mas o signore é meu babbo...

- Ele também é seu babbo, seu pai, irá amá-lo como eu te amo, irá cuidar de você e espero que cuide de sua mamma também. Prometa-me que vai deixá-lo se aproximar e cuidar de você?

- Tudo bem, babbo – respondi, não queria que ele se cansasse, sabia que em breve ele não estaria mais com a mamma e eu.

...

- E ai campeão, ta gostando do passeio? – meu padrinho perguntou, quando estávamos andando pelo shopping, depois de termos ido a vários lugares da cidade, que minha mamma sempre me falava ou mostrava em fotos.

- Sim e agora o que vamos fazer?

- Agora nos vamos dar uma volta por aqui, comprar umas coisas pra você que é turista – ri – depois vamos comer, porque saco vazio não para em pé.

- Aonde vamos primeiro?

- Vamos ali – apontou uma loja de brinquedos e jogos, muito legal – vem, ali tem um jogo irado que eu queria muito jogar, mas a sua madrinha diz que é coisa pra criança, por isso como eu sou um padrinho bonzinho vou comprar pra você, aí a gente joga, falô?!

- Falô – disse e fizemos um toque com as mãos que era meio estranho, e fomos rindo até a loja.

- Padrinho – chamei-o fazendo com que ele me olhasse – porque o tio Peu não veio?

- Eu não acredito, você ta sentindo falta do tio Peu comigo aqui ti fazendo companhia? – disse meio alto e de cabeça baixa, acho que ficou triste comigo.

- Não padrinho, eu só perguntei, eu gosto mais da sua companhia, não precisa ficar triste não, tá? – disse e ele levantou a cabeça rindo.

- A muleque, eu sabia que você gostava mais de mim mesmo, só tava zoando – disse e eu fiquei aliviado, meu padrinho era muito legal, o tio Peu também era bem legal, mas ele era o meu padrinho, às vezes ele e a madrinha pareciam meus pais, ele sempre dizia as pessoas, quando estávamos juntos, que eu era o filho dele – mas o tio Peu foi levar a tia Lice pra fazer um exame do bebê, por isso que ele não veio, ele ficou um pouco triste, te mandou um beijo e prometeu te levar pra passear outro dia, ok?

- Ok, mas porque o bebê foi fazer exame, ele nem nasceu e já ta doente? – o padrinho começou a rir.

- Não meu filho, é que o exame é da tia Lice pra saber como o bebê tá, entendeu? – assenti – então vamos, muito papo pouca ação, tô louco por esse jogo.

Entramos na loja, que era enorme, compramos vários jogos e uns brinquedos que o padrinho insistiu pra que eu levasse, porque na casa nova eu não tenho muitos. Estávamos saindo de mais uma loja cheio de sacolas, o padrinho corria atrás de mim, quando esbarrei em alguém...

- Olhe por onde anda garoto – disse um senhor, que estava a minha frente, mas não parecia olhar para mim.

- Desculpe-me senhor – disse, foi então que o senhor me olhou e ficou parado que nem uma estatua na minha frente, com a aparência de quem tinha visto um fantasma ou algo assim.

- Meu Deus... você?! – disse incrédulo e se abaixou, ficando de joelhos na minha frente e me abraçou.

- Desculpe-me eu não o vi, o senhor está bem? – perguntei, mas ele não respondeu e continuou abraçado a mim, depois de um tempo me soltou, parecia que estava preste a chorar – o senhor esta se sentindo bem?

- Sim e você... – parecia não saber o que dizer – onde estão seus pais? Você esta sozinho? – perguntou-me, enquanto suas mãos tocavam meu rosto e meus braços, parecia que não acreditava que eu fosse real.

- Não, estou com o meu padrinho.

- Onde ele está? – perguntou, olhei para os lados e vi meu padrinho se aproximar de nós com as sacolas das compras nas mãos.

- Até que enfim garoto, você correu e nem me ajudou a carregar essas sacolas – disse o padrinho que estava agora na minha frente e atrás do senhor que se virou para ele, fazendo com que ele também ficasse pasmo – Meu Pai...

Continua...