Capitulo 2

Pov Roberta

...

Havia acabado de colocar o Rafa para dormir, tinha sido um dia difícil para nós, havíamos enterrado Giuseppe há poucas horas. Voltei à sala de estar da minha casa, onde estavam minha mãe e meu pai, Franco, Alice, Pedro, Carla e Tomás, tendo uma conversa que cessou assim que me viram.

- Ele dormiu? – perguntou-me Tomás, assim que adentrei o cômodo, assenti – acho que é melhor você descansar também.

- Eu estou bem – menti – vocês também devem ir se deitarem, já esta tarde.

- Sim – concordou Pedro – vamos Alice – estendeu a mão para ela, caminhando em minha direção ele beijou minha testa, e ela me abraçou, depois se retiraram da sala.

- Também vamos nos deitar – disse-me Carla ao me abraçar – se precisar de qualquer coisa e só chamar, ok? – assenti e ela e Tomás se foram.

- Você deveria ir também, querida – meu pai foi o primeiro a se pronunciar, quando restaram apenas nós quatro.

- Não estou com sono, vão vocês – sugeri, minha mãe estava inquieta quando resolveu se pronunciar.

- E agora? O que vai acontecer? – perguntou-me Eva, no fundo eu já esperava por essa pergunta, sabia onde ela queria chegar, mas me fiz de desentendida.

- Vamos continuar a viver – respondi.

- E ele? – sim eu sabia, talvez ainda não fosse o momento, mas ela era a Eva Messi, sempre apressada. Então seria agora.

- Meu filho ficará comigo...

- Ele não é seu filho!

- Eva! – meu pai e Franco disseram juntos – não é o momento – completou Franco.

- É sim o momento, esse menino sem mãe e agora sem pai, não pode ser criado por você, ele deve ter algum parente vivo para cuidar dele – disse um pouco exasperada.

- Eu sou a mãe dele, ele ficara comigo, já disse – meu tom de voz já começa a se alterar, mas não podia perder a calma, minha cabeça estava a mil, mas precisava enfrentar isso de uma vez por todas.

- Roberta o que a sua mãe esta querendo dizer é que...

- Eu entendi o que ela quis dizer – interrompi a frase de Franco, que se calou em seguida – acho que esta na hora de termos uma longa conversa.

- Não precisa ser agora, filha, pode ficar para amanha, já esta tarde e você precisa descansar – meu pai disse, mas não dei muita atenção, estava esperando por essa conversa há cinco anos.

- Não estou cansada, se ela quer conversar agora, por mim esta ótimo – disse Eva.

- Pois bem, o Rafael é o meu filho – respirei fundo – eu dei a luz a ele, fui eu que o carreguei dentro do meu ventre por meses, ele não é um órfão. Ele tem mãe e...

- Isso é um absurdo! Não é possível! Você precisara inventar uma desculpa menos esfarrapada para ficar com o menino – disse Eva, Franco me encarava pasmo, também não acreditava no que acabara de ouvir.

- Acredite se quiser, ele é meu, nada o tirará de mim.

...

Estava lembrando de quando contei a Eva toda a verdade, da maneira como ela reagiu ao saber de tudo, sempre achei que no fundo ela soubesse ou sentisse, afinal sempre foi tão carinhosa com o Rafa, ate pediu para que ele a chamasse de nonna, pois ele já chamava o meu pai de nonno.

- Buon Giorno, mamma – fui despertada de meus pensamentos, pelo meu bambino, que estava deitado ao meu lado na cama, enquanto eu acariciava seu rostinho, nem percebi que o havia acordado.

- Buon Giorno, amore mio – disse depositando um beijo em sua testa, ele se sentou na cama e me abraçou – dormiu bem? – ele assentiu – esta com fome?

- Estou – respondeu fazendo um bico, até nisso eles se pareciam, ambos eram dengosos ao acordar e eu bom, melhorei um pouco meu humor pela manhã.

Ele se levantou, foi fazer sua higiene pessoal, enquanto eu fui para a cozinha preparar o café. Meu pai já o havia preparado e posto a mesa, o que estranhei, pois em geral sou eu que preparo tudo, ele estava sentado lendo um jornal quando me aproximei depositando um beijo de bom dia em sua bochecha, um dos truques que aprendi com meu filho.

- Bom dia, querida – disse-me.

- Bom dia, papai – respondi sorrindo.

- E onde esta o nosso menino? Já acordou? – nem precisei responder...

- Buon Giorno, nonno! – disse o Rafa se jogando nos braços do meu pai, que o acolheu.

- Buon Giorno, bambino mio! – meu pai respondeu.

Estávamos terminando de tomar nosso café quando a campainha tocou.

- Eu atendo – disse indo ate a porta.

- Você há essa hora? – fiz-me de indignada.

- Pois é, né? Estranha – respondeu Tomás me abraçando – bom dia pra você também, cadê o meu menino?

- Ta na cozinha, você veio sozinho? – perguntei, mas ela respondeu...

- Não, tá comigo – disse Carla ao me abraçar – e o Rafa?

- Na cozinha...

- Padrinho! – disse Rafael vindo em direção ao Tomás.

- Meu garoto! – Tomás respondeu ao abraçá-lo.

- Só o padrinho que ganha abraço? – perguntou Carla, fazendo uma cara de tristeza que me fez rir.

- Não, a minha madrinha mais linda também – respondeu meu filho todo galante.

- Vim deixar a sua madrinha linda e ti levar para um passeio pelo Rio, que tal? – falou Tomás todo animado.

- Se a mamma deixar...?

- Não sei, sair como o padrinho por ai... – disse, fingindo pensar.

- Deixa mamma, per favore! – como não deixar?!

- Ta bom, mas eu quero que o senhor Rafael obedeça ao padrinho e que o senhor Tomás não deixe o afilhado fazer o que quer, entenderam? – disse meio durona, controlando a vontade de rir.

- Si, signora – responderam juntos, fazendo com que Carla e eu ríssemos.

No fundo achei boa essa saída do Tomás com o Rafa, eu precisava mesmo arrumar o apartamento, resolver umas coisas, e a Carlinha tinha ficado de me ajudar. Segundo o Tomi, ele levaria o meu filho, para conhecer os pontos turísticos da cidade e não voltariam para o almoço. Meu pai saiu logo depois deles, deixando-me a sós com a minha comadre.

Continua...