Começo, Meio E Fim

17 Capítulo 17


Pov Diego

Alguns Dias A Trás...

...

- Tenho medo que se esqueça de mim – ela sussurrou, estava deitada sobre meu peito, depois de termos passado horas nos amando naquele quarto, a apertei ainda mais em meus braços, que envolviam seu corpo nu enroscado ao meu.

- Isso jamais acontecerá – disse a ela, fazendo um carinho leve com a ponta dos dedos em suas costas – jamais me esquecerei de você – ergui seu rosto para olhá-la nos olhos.

- Serei sempre sua, meu amor – deu-me um beijo doce nos lábios e olhou em meus olhos, fazendo com que me perdesse em seu olhar, aqueles olhos mel esverdeados que eu tanto amava – eu te amo.

- Serei sempre seu – acariciei seu rosto e ela sorriu, não tive como não retribuir ao seu sorriso – te amarei pra sempre, olhos lindos...

...

- Você não tem mais o que fazer, não? – Ethan Adams, meu colega de trabalho e amigo nas horas vagas, estava parado a minha porta com uma expressão divertida, o encarei sério.

– Sorry, mas eu bati – veio até minha mesa, sentando-se em uma cadeira a minha frente.

- O que você quer agora? – perguntei ainda sem humor algum, devido aos últimos acontecimentos.

- Calma e melhora esse seu humor – revirei os olhos – ok, eu vim ver como você esta.

- Estou ótimo, já me viu, agora trate de se retirar – apontei para a porta.

- Minha nossa, tudo isso só porque eu atrapalhei seu momento de devaneio e lembranças com ela – taquei um pequeno objeto em formato de um globo em sua direção, atingindo seu ombro direito – Aii... – reclamou, passando a mão no local onde o havia atingido – se eu não fosse seu amigo faria um boletim no setor de RH – riu, fazendo-me revirar os olhos impaciente – sua cara quando eu entrei estava incrível – o ameacei com um outro objeto que havia sobre a minha mesa – nem pense nisso!

- Fala logo o que você quer e me deixe trabalhar em paz.

- Ok, eu só vim dizer que acho que você tomou a decisão certa em aceitar o convite – sabia, que era sobre esse maldito convite – é uma excelente oportunidade, você já está aqui há anos, eles estão reconhecendo o seu ótimo trabalho e voltar...

- Eu não vou voltar.

- Como não vai? O Matt me disse que você aceitou a proposta.

- Aceitei treinar a nova equipe, assim que eles já estiverem prontos eu estarei de volta – ele bufou – tenho uma vida aqui.

- Também tinha uma vida lá, sua família, seus amigos e – calou-se ao ver minha expressão – ela é o motivo de você não querer voltar, tem medo de encontrá-la.

- Já acabou, pode se retirar – disse frio, estava verdadeiramente irritado.

- Tudo bem, já sabe quem será o outro supervisor?

- Ainda não foi escolhido, parece que a pessoa que tinham em mente não está interessada.

- Assim como você – riu debochado – agora eu vou indo e te deixo aí com as lembranças dela – correu para fora da sala gargalhando, idiota.

...

- Eu voltarei, prometo que estarei de volta assim que possível, por você, por nós... – meus olhos estavam cheios de lágrimas, as dela já escorriam por sua face, selei nossos lábios pela ultima vez, em um beijo calmo, tentando transpassar todo o amor que havia dentro de mim para com ela, que pareceu corresponder, mas não durou muito, pois a ultima chamada para o voo com destino a New York havia sido feita – amo você...

...

Quase seis anos haviam se passado desde que embarquei para NY, deixando para trás minha família, meus amigos e ela, a mulher que eu amava... Nossas vidas tomaram caminhos distintos, no começo foi difícil, mas agora podemos dizer que me conformei.

Só voltei ao Brasil duas vezes desde então, a primeira foi uma semana depois do embarque, mas ela já não estava mais lá... A segunda foi dois anos depois que já estava em NY, e para a minha surpresa, choque, magoa e decepção ela havia se casado, ironia!

Desde então nunca mais fui ao Brasil, nem mesmo para o casamento da minha irmã, há cinco meses atrás, que provavelmente ainda está magoada comigo, nunca ouvi a Márcia tão brava, só há dois meses, que voltamos a nos falar. Minha família sempre vinha me visitar, os gêmeos adoram vim pra cá.

Perdi o contato com os meus amigos, nos primeiros dez meses, não sei justificar os motivos, mas quando houve uma temporada de moda Alice veio representando as empresas do pai, trazendo Carla como modelo principal, o marido de uma e o então namorado, agora noivo da outra vieram na bagagem, e por coincidência ou destino, acabamos nos encontrando em um pub, onde eu estava com alguns colegas da Universidade, eles diziam não saber noticias dela na época, eles estavam diferentes, não PeLice, mas ToCar, ambos estavam estranhos, não sabia o motivo, senti essa mesma estranheza em PeLice, depois de algum tempo. Desde então não perdemos mais o contato, sempre que dava os garotos vinham para cá com as meninas, o Tomás pegou uma mania estranha de me chamar de compadre, mas não ligava.

Minha vida mudou muito nesses últimos anos, me formei em uma excelente Universidade, com direito a um emprego dos sonhos, vivo sozinho em um apartamento que é digamos grande de mais para um solteiro, às vezes acho que deve ser por isso que me sinto sozinho quando estou nele, mesmo estando acompanhado. Ah sim, Lizie, Elizabeth, minha namorada, estamos juntos a quase dois anos, nos conhecemos logo que entrei na Universidade, uma grande amiga, só nos envolvemos depois de alguns anos de convivência, enfim...

Há oito meses, a Galeria de Arte, que administro atualmente, fechou um contrato bilionário com uma outra grande Galeria europeia, unindo as duas companhias em uma só, assim passaram a ampliar suas filias, uma delas localizadas no Rio de Janeiro. Os melhores funcionários seriam escolhidos para treinar novas equipes, por um prazo que seria determinado em breve, assim que todos os supervisores fossem escolhidos, seriam dois para cada nova filiam e no fim poderiam escolher se ficariam com a nova filial ou se voltariam para a que já administravam. Recebi o convite de ser um dos supervisores da filial brasileira, há três semanas, no inicio recusei, mas Matthew meu supervisor da Central, me aconselhou a aceitar, pois seria bom para mim, para minha carreira, depois de muito pensar, comuniquei a ele que iria para o treinamento e voltaria para New York quando pudesse, esse era o motivo para o meu mau humor...

Estaria de volta ao Brasil, no máximo em duas ou três semanas, não avisei a minha família, nem aos meus amigos, faria uma surpresa. Mas algo na ideia de voltar me incomodava, talvez porque das últimas duas vezes que voltei havia sido por ela... A última notícia que tive era que havia ficado viúva a pouco mais de dois meses.

Continua...

Notas finais
Comentem, por favor :)