Começo, Meio E Fim

16 Capítulo 16


Pov Rafael

- E então, o que achou? – o senhor Leonardo perguntou-me, assim que saímos do carro.

- É linda – respondi a ele sorrindo.

- É sua – disse sorrindo, o olhei confuso – venha, os outros estão nos esperando – assenti, caminhamos em silêncio até a casa, era estranho estar ali, me sentia diferente, não sei ao certo... Quando entramos haviam duas mulheres sentadas no sofá, uma morena e uma loira que aparentava ser bem mais jovem que a primeira, ambas me olharam com os olhos arregalados, talvez um pouco pasmas, pareciam estar em choque, até a loira se levantou caminhando até mim e parando na minha frente.

- Oi – disse sorrindo, tinha um sorriso muito bonito, seus olhos estavam lacrimejados.

- Olá como vai? – perguntei a ela que sorriu mais abertamente, enxugando os olhos com a costa das mãos.

- Bem, posso te dar um abraço? – eu assenti, ela me abraçou carinhosamente, retribui o gesto, vi que o senhor Leonardo estava agora ao lado da mulher morena, ambos pareciam emocionados e olhavam para mim sorrindo – você é tão lindo – disse acariciando o meu rosto, quando nos afastamos.

- Rafa – senhor Leonardo chamou-me – essa é a sua tia Márcia e essa – referiu-se à morena ao seu lado – é a Sílvia, minha esposa.

- Prazer em conhecê-las, sou Rafael – a senhorita Márcia sorriu, e a senhora Sílvia veio em minha direção, surpreendendo-me com um abraço, que retribui em seguida.

- O prazer é meu querido, seja muito bem vindo – disse sorrindo, também gostei dela.

- Obrigado – respondi com um leve sorriso.

- Já chegaram! – um menino moreno desceu as escadas, seguido por um outro garoto e um homem, o outro garoto não se parecia muito com o primeiro, mas tinham quase a mesma altura, eram um pouco maiores do que eu, pele um pouco mais clara e cabelos negros como os meus, o homem também tinha pele clara e cabelos negros, agora estavam parados a minha frente.

- Rafa esses são os seus tios, Téo que é casado com a sua tia Márcia – o homem alto, que sorria simpaticamente para mim – Bruno – o garoto moreno – Danilo – o garoto de pele mais clara, ambos pareciam querer dizer algo.

- Olá, prazer em conhecê-los, sou o Rafael.

- Prazer Rafael, Téo – disse o homem sorrindo – pode me chamar de tio Téo, se quiser.

- Cara você é igualzinho o meu irmão – Bruno disse se aproximando de mim.

- Parecem até gêmeos – disse Danilo – só que você é o filho dele.

- Meninos – senhora Márcia os repreendeu, mas não estava brava, pelo contrario até sorria – não falem assim, e nem todos os gêmeos são idêntico, olha só o caso de vocês – ambos sorriram.

- Mas é verdade, você se parece muito com ele, mais do que ele se parece com o papai e olha que ele é o filho que mais se parece com o nosso pai – comentou Danilo, fazendo com que todos os olhares se voltassem para ele.

- Já me disseram isso – disse sorrindo fraco.

- Bom, agora que vocês já foram apresentados, por que vocês dois não mostram a casa para o sobrinho de vocês, enquanto a mamãe manda preparar um lanche para todos – senhora Sílvia disse para os gêmeos.

- Tá, vem à gente mostra a casa, né Dani?! – Bruno disse ao irmão que assentiu – posso ti chamar de Rafa? – perguntou-me enquanto subíamos as escadas.

- Pode, e eu ti chamo como? – perguntei meio confuso.

- Pode chamar ele de Bruninho, todo mundo o chama assim – Danilo falou pelo irmão – e pode me chamar de Dani – os garotos também eram legais, eles me mostraram o andar de cima, seus quartos e uma sala de jogos muito legal, cheia de brinquedos, também havia uma TV enorme com games, uma mesa de sinuca, uma mesa de totó e umas máquinas de jogos. Não demorou muito para que a senhora Márcia nos chamasse para o tal lanche, descemos e os outros já estavam sentados na mesa.

- Sente-se aqui, querido – ela disse apontando para uma cadeira vaga, ao lado esquerdo do senhor Leonardo e sentou-se ao meu lado.

- Essa era a cadeira do Di... – Bruninho disse.

- Bruno – senhor Leonardo falou sério.

- Que foi? – perguntou ao pai, confuso.

- Nada, querido – sua mãe respondeu – então Rafa, como não sabíamos do que você gostava mandei que preparassem um pouco de tudo – disse-me sorrindo.

- Obrigado, não precisava se incomodar – retribui seu sorriso, os lanches estavam gostosos, havia sanduíches, bolos, tortas, sucos e outras gostosuras, as senhoras Sílvia e Márcia fizeram-me comer um pouco de tudo, todos eram muito gentis e queriam saber sobre mim.

- Isso tudo é hilário – Dani falou quando já estávamos acabando de comer.

- Isso o quê? – perguntou o tio Téo, sim tio, havia gostado dele.

- Eu não tenho nem dez anos e já tenho um sobrinho – falou rindo e nos fazendo rir também.

- Eu vou contar pra todo mundo na escola – Bruninho enfatizou a palavra escola olhando diretamente para o pai, que sorriu e assentiu para ele, o que me deixou um pouco confuso, parecia que não poderia contar a ninguém além das pessoas de sua escola.

- Isso é mais do que normal – senhora Márcia explicou aos gêmeos – vocês tem irmãos mais velhos, o que levou a terem sobrinhos ainda pequenos.

- Mas pessoas casadas têm filhos e o Di não é casado – Dani rebateu.

- Eu sou casada e não tenho.

- Não tem ainda, porque se casou há pouco tempo – falou fazendo uma cara engraçada que nos fez rir – eu não quero ter filhos.

- Por quê? – eu perguntei ao Dani.

- Porque todo mundo dessa família tem um filho perdido, que só aparece depois de alguns anos.

- Danilo! – senhor Leonardo o repreendeu sério, não parecia ter gostado do que ouviu, todos o olhamos assustado pela maneira como falou com o filho, que o olhava mais assustado ainda, eu não havia entendido direito o que ele havia me dito sobre todos terem um filho perdido.

- Léo – a esposa o chamou, fazendo voltar sua atenção para ela, o que fez com que sua expressão amenizasse.

- Desculpe – disse com calma.

- Então Rafa, nos conte mais sobre a sua vida em Roma – tio Téo disse quebrando o silêncio que permaneceu alguns instantes, contei-os como eram as coisas em minha casa, logo todos estavam se interagindo na nossa conversa, até mesmo o Dani, a senhora Márcia havia insistido muito para que a chamasse de tia, estava tentando, mas sempre me esquecia, com o tio Téo pareceu mais fácil.

A tarde havia se passado rápida, brinquei um pouco com os meninos, logo o senhor Leonardo disse que devíamos ir, para que a mamma não ficasse preocupada, me despedi de todos e agradeci a hospitalidade, prometi aos meninos que voltaria e a senhora Sílvia disse que por ela não havia problema deles irem a minha casa se quisessem, então ficou combinado deles passarem uma tarde comigo depois de suas aulas, só precisaria acertar o dia com a mamma.

Continua...