Começo, Meio E Fim
15 Capítulo 15
Pov Roberta
...
- Você é tão sortuda – Carla disse, distraindo-me da cena que se passava do lado de fora de minha casa, meu marido com meu filho e meu melhor amigo se divertindo, nós duas assistíamos tudo pela parede de vidro da cozinha que dava para nosso imenso jardim, os três estavam jogando ou tentando jogar futebol, um fracasso... – às vezes eu até chego a ter inveja...
- Ridícula – ri do seu comentário e ela me acompanhou, dando aquela gargalhada gostosa que só ela tem.
- É verdade, sua vida é perfeita.
- A sua também é perfeita, olha só pra você – disse a medindo de cima a baixo e ela deu uma voltinha – uma super modelo internacional, que conseguiu chegar onde queria, dona de um corpo invejável por milhões de mulheres, até por mim às vezes – ela riu – independente, dona de si, tem um noivo que é louco por você – sorriu – sem contar que você tem uma comadre e um afilhado que te amam muito.
- Ridícula – nos abraçamos – também amo muito vocês – sorrimos uma para outra – mas tudo que você disse, antes da parte do noivo, é superficial, você tem algo que eu invejo muito, você tem ao Rafa.
- Um dia você também vai ter “um Rafa” – disse sorrindo, ela tinha razão – não com esse nome, mas muitos “Rafas”.
- Eu espero – sentia que se não mudássemos de assunto, logo estaríamos as duas aos prantos.
- Olha aquilo – apontei para a cena que acontecia no lado de fora, o Tomás levando um dible do afilhado, rimos.
- Ele é péssimo – gargalhávamos com o que víamos.
- Obrigada – disse e ela me olhou meio confusa – por fazerem parte da minha vida...
...
“Você tem ao Rafa...”, eu tenho o Rafa, por quanto tempo? Era a pergunta que martelava a minha cabeça... ToCar, eles sempre estiveram ao meu lado e eu e minha imbecilidade, fui injusta com o Tomás... Campainha... Há essa hora? Eu não estava esperando ninguém... Ai Meu Deus... Rafael... Levantei da minha cama às pressas e fui atender a porta, já fazia um pouco mais de uma hora que ele havia saído.
- Ah são vocês – disse meio que decepcionada e aliviada – entrem.
- Nossa que animação – Alice disse vindo até mim e me dando um beijinho.
- Quanto amor – Carla foi irônica e repetiu o gesto de Alice.
- Vocês vieram aqui pra que mesmo? – perguntei só pra irritá-las.
- Sempre tão gentil, né Roberta?! – disse Alice jogando-se no meu sofá.
- Se não quiser a gente vai embora e leva junto o sorvete que trouxemos... – elas não iriam embora, Carla também já estava esparramada no meu sofá com um pote de sorvete nas mãos.
- Fiquem!
- Interesseira! – Alice exclamou e nós três caímos na gargalhada.
- É de quê? – perguntei.
- Chocolate com creme – Carlinha respondeu – foi a Alice que escolheu.
- Tinha que ser – ela me mostrou a língua – milagre você não escolher de morango.
- É que eu acordei com desejo – ela disse sorrindo – se chama Carioca, da Kibon, me lembra tanto o Diego – paralisei, mas acho que elas não perceberam minha reação – acho que minha filhinha acordou com vontade dos padrinhos dela, afinal são os sabores preferidos de vocês.
- Eu vou pegar as colheres – disse meio zonza, foi ai que elas perceberam, sai da sala em direção a cozinha antes que elas pudessem pronunciar algo. Chocolate com creme... São os sabores preferidos de vocês... Merda! Respirei fundo, antes de voltar para sala com as taças e as colheres.
- Tá tudo bem? – Carla perguntou.
- Tudo – respondi sorrindo.
- Roh me desculpa, eu falei sem pensar.
- Está tudo bem, Alice – sorri para ela que retribuiu – então vamos tomar logo esse sorvete antes que derreta – o clima estava estranho desde então, até que resolvi quebrar o gelo – e então vocês vieram aqui só pra me ver e trazer sorvete ou tem algo mais – sabia que tinha algo.
- Lógico que viemos te ver – Carla respondeu, eu arqueei as sobrancelhas para ela – está bem, sua mãe contou a Alice que o Rafa foi à casa do Leonardo e queríamos saber como você estava.
- Estávamos preocupadas com você – Alice disse com a boca cheia de sorvete, fazendo com que Carla e eu ríssemos.
- Estou ótima, resumindo, ele esteve aqui ontem, nós meio que discutimos, ele me acusou de coisas, eu joguei outras na cara dele até que o Rafael chegou e eles foram devidamente apresentados, o Leonardo fez o convite e o Rafael aceitou – elas me olhavam pasmas.
- E você permitiu? – Alice perguntou.
- Como está o Rafa? – perguntou Carla.
- Sim, infelizmente, eu permiti, não podia dizer simplesmente um não, e o Rafa está bem, estava todo animado pra conhecer os Maldonado, menos o... – me calei.
- O Diego – completou Alice, eu assenti.
- Alice! – Carla a repreendeu.
- Desculpa, mas eu acho que já passou da hora de você pronunciar o nome dele.
- Você tem razão – respirei fundo – o Leonardo me deu duas semanas para entrar em contato com o Diego e contar toda a verdade – elas me olharam chocadas.
- E você? O que vai fazer? – Alice perguntou – achei que ainda tivesse umas três semanas até...
- Sim, eu tinha, mas as coisas não saíram como eu previa, terei que ir atrás dele antes do esperado – o que me fez lembrar de algo – Carla – chamei-a tentando mudar de assunto – como esta o Tomás? – perguntei, já estava querendo fazer essa pergunta mesmo.
- Bem – fez uma pausa – um pouco magoado ainda, mas nada que um pedido de desculpas e um abraço apertado da comadre dele não resolva – completou sorrindo.
- Que ele terá em breve – sorri fraco – e o Pedro, Alice? – ela bufou.
- No apartamento da Carla, com o Tomás jogando algum jogo estúpido – rimos com seu comentário – eles parecem criança.
Então começamos a conversar sobre a imaturidade dos homens, passamos horas assim, falando mal deles e nos vangloriando de sermos superiores. Um fim de tarde agradável, com minhas melhores amigas, regado a gargalhadas, palhaçadas e muita conversa fiada.
Continua...
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