Começo

1 único


Notaram o céu azul cada vez mais estreito entre as nuvens cinzas, uma chuva estava para acontecer. Zoro e Sanji pararam debaixo de uma árvore na floresta fechada da ilha em que desembarcaram. Quase não havia espaços entre os galhos da copa, o que contribuiu para não se molharem mais do que já se molharam, embora a chuva fosse grossa.

Uma ilha de verão, provavelmente era comum haver pancadas de chuvas do nada, como pensou Sanji. Sentaram-se no gramado, o cozinheiro tinha o nó de sua gravata frouxo e o terno desabotoado, enquanto o espadachim descalçou os coturnos e resolveu dormir depois de assegurar que suas katanas estavam bem. Sanji sempre notava de esguelha esse momento em que Zoro passava sua mão em cada uma por mais que fosse discreto.

Não fazia muito tempo desde que entraram na Grand Line, mas Sanji gravou alguns detalhes do marimo, embora não tivesse um motivo especial. Talvez por ele ser o cozinheiro, acreditava que conheceria o paladar de uma pessoa se a conhecesse bem. E como Zoro não era de falar muito, foi por meio de suas ações que Sanji soube do que gostava ou não.

Acendeu um cigarro, algo que também sabia ser do desagrado do espadachim, mas não o incomodaria naquele momento. O cozinheiro sabia que o sono era profundo, como também sabia que Zoro se levantaria num salto se houvesse perigo. Contudo, gostava de pensar que ele abaixava sua guarda ao seu lado. Por mais que brigassem, Zoro confiava nele e sabia que podia dormir tranquilamente quando estavam a sós.

Sanji observava as espadas, seria um bom momento para tocá-las. Ele também notou o quão preciosas eram e sabia que Zoro não gostava de vê-las sendo tocadas por terceiros. Seria uma grande provocação pegar uma katana e deixar Zoro ali sem nenhuma companhia. Provavelmente entraria em desespero e só chegaria no Merry durante a noite. Isso se ele chegasse...

Mas reconhecia o grande apreço que ele sentia por elas e a brincadeira com certeza seria sem graça. Abraçou suas pernas e deitou a cabeça de lado em seus joelhos, observava o companheiro ao lado: as gotas da chuva no cabelo espetado, a boca aberta e um filete de baba no canto, os novos pontos nos tornozelos, a blusa branca transparente e seus mamilos à mostra, os lábios de Sanji se contraindo e sua mão involuntariamente se aproximando do corpo alheio.

Era bonito. Recuou.

Riu e assoprou a fumaça do tabaco para jogá-lo fora e deixar cair seu corpo contra a relva, ficando ao lado de Zoro, com as mãos atrás da cabeça e um sorriso bobo nos lábios.

Estavam ainda no começo da aventura e já sentia muitas coisas indecifráveis em seu peito. Como era bobo. Ficou de lado e voltou a admirar o marimo idiota; o peito subindo conforme a respiração, os mamilos pareciam endurecidos, uma vontade de tateá-los veio em si, mas a mão não se moveu dessa vez.

A chuva parou, as nuvens se afastaram e o céu azul voltou a pairar na ilha, raios de sol atravessavam a copa e projetavam desenhos sobre a pele dourada de Zoro. Seu corpo ficou mais quente, abriu os olhos, se lembrou de que estava numa floresta quando se encontrou com o verde e não o navio, olhou para o lado e viu o cozinheiro deitado de lado, enquanto segurava a cabeça com um sorriso no rosto. Ficou confuso com a aproximação.

— Eu sei. — Disse Sanji ainda sorrindo.

— O que, seu tarado?

— Eu te observo.

Zoro se ajeitou, ficando sentado e esfregou o rosto ainda sonolento. — Me observa? Isso me parece estranho...

Sanji também se sentou, levantando a sobrancelha encaracolada. — Estranho é você fingir que não há nada.

— Há alguma coisa? — O espadachim perguntava com um sorriso tão insinuador quanto do cozinheiro, que se aproximou mais e tombou sua cabeça no ombro dele.

— Você gosta de mim...

Disse num tom tão tenro e seguro, como se fosse a verdade absoluta. Zoro riu por achá-lo um grande convencido, mas o idiota não estava errado. Sua mão foi de encontro ao rosto pálido e nem um pouco enrubescido, fez um carinho nos cabelos loiros e úmidos por conta da chuva de mais cedo.

— Cozinheiro, tem certeza que quer começar?

Sanji levou sua mão até aquela que desgrenhava seu cabelo. — Sim.

Zoro o puxou pelo ombro e lhe deu um beijo na testa, a pele pálida não conseguiu mais se conter e se tornou vermelha. Os lábios que se contraíram anteriormente finalmente sentiram a espessura daqueles que queria tanto tocar.

Era o começo da aventura e já se sentiam entregues às emoções.

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