Combustão
3 Capítulo 2
Tinker estava em pé no seu quarto, observando uma foto dela com Killian. Era a foto do dia do casamento, ela com um belíssimo vestido branco com detalhes verdes e ele elegante com um smoking preto.
“Querida?”
“Estou aqui no quarto!”
“Vim mais cedo para ajudar com as caixas.”
“Emma não chegou ainda.”
“Melhor assim. Temos mais tempo sozinhos. A nova casa vai servir para a nossa intimidade.”
“Eu pareço insatisfeita para você, babe?”
Killian parou na frente dela com os braços cruzados e um sorriso contido no rosto.
“Do que você está falando?” Ele acariciou o rosto dela. “Nós conseguimos tudo o que queríamos.”
“Nada. Esqueça, era bobeira.” Respondeu ela, com o melhor sorriso que tinha.
“Então o que me diz? Vamos dar uma voltinha na nossa nova casa?”
Com Tinker no colo, Killian entrou na casa.
“Bem vinda, senhora Jones.”
Ela balançou as pernas no ar e desceu do colo dele. Killian a guiou até a parede, beijando-a. A boca dele caiu sobre o pescoço dela, e ela gemeu baixo.
“Killian, eu estou uma bagunça hoje.”
“Quem está reclamando?” Perguntou ele, roçando o nariz contra o dela e voltando a beijá-la.
“As janelas...” Indicou ela, afastando-o. “Alguém pode ver.”
“Tudo bem.” Ele soltou a gravata e começou a desabotoar a camisa. “Escolha o quarto que quiser. São todos nossos.”
Tinker começou a correr pelos cômodos, com Killian a seu encalço. Ele deu a volta, conhecia muito melhor a casa do que ela, e em poucos metros, já a tinha alcançado novamente. Ela subiu as escadas, e ele a acompanhou, agarrando-a assim que ela entrou no quarto.
Ela gargalhou quando ele a beijou novamente, as mãos percorrendo famintas pelo seu corpo.
“Calma, calma, me dê três segundos.”
“Claro.” Ele respondeu, arrancando a camiseta e jogando-a longe. “Um.” Ele abriu o zíper da calça. “Dois” E assim que desceu a calça pelas suas pernas, sussurrou “Três” contra a boca dela.
As mãos dele começaram a subir pela saia dela, erguendo o tecido.
“Killian Jones, vai com calma.”
“O que foi? O que tem de errado?”
“É que é fácil para você chegar lá, mas não é tão fácil te manter assim enquanto estou aproveitando.”
Killian arqueou as sobrancelhas enquanto olhava para a esposa, com um sorriso incrédulo nos lábios.
“Golpe baixo.”
Tinker colocou a mão no rosto quando o viu se afastando. “Desculpa, babe. Não era isso que eu queria dizer. Não desse jeito.”
“Não tem outro jeito de dizer isso, querida.” Ironizou ele.
Ela se aproximou dele, segurando-o pelo rosto mas antes que sua boca tomasse a dele a campainha tocou.
Quando abriram a porta, se depararam com um dos casais mais sensuais que eles já tinham visto. Uma morena estonteante com um sex appeal invejável e um homem belíssimo e sedutor. Ambos usavam uma camisa vermelha e tênis.
“Oi, nós estávamos saindo para correr e vimos que vocês estavam em casa.”
Tinker e Killian olharam um para o outro, e para suas roupas, um tanto envergonhados.
“Acho que nós interrompemos alguma coisa.” Continuou a morena.
“Não, é que... Meu marido estava...”
“Sem problemas, nós voltamos depois.” Respondeu o homem, sorridente.
“Não, por favor, eu... Meu nome é Tinkerbell, mas pode me chamar de Tinker.”
“Meu nome é Regina Locksley e esse é meu marido, Robin. Nós moramos aqui na casa da frente.”
Killian adiantou-se e cumprimentou Robin com um aperto de mão preciso.
“Killian Jones.”
Robin sorriu para ele. Regina estendeu a garrafa de vinho para ele.
“Bem vindo à vizinhança.”
“Oh...”
“É um Dom Perggiano.” Killian comentou com a esposa.
“Acho que nem temos taças.”
“Se não se importarem em dividir, porque não o levam à nossa festa amanhã à noite?”
“É uma festa tradicional” Completou Robin. “Alguns fogos de artifícios, filmes, bebidas e boa música. Serão apenas nossos amigos.”
“Amanhã será um longo dia.”
Killian segurou a mão dela. “Mas nós vamos dar um jeito de ir.”
Tinker o encarou, o que não passou despercebido por Regina e Robin.
“Ótimo. Vocês têm filhos?”
“Não, apenas minha irmã mais nova.”
“Ah sim, só para avisar caso precisassem de babá. Nossas festas vão até tarde da noite.”
Regina e Robin logo desceram da varanda, pondo-se a correr na direção da avenida.
Água.
Era uma das maneiras mais eficazes de aplacar o turbilhão de sensações que moravam dentro de Regina Locksley. E exatamente por isso, nadar era uma das suas atividades esportivas preferidas. Era praticamente uma terapia, porém bem mais segura e menos maçante.
Ela estava cruzando a extensão da piscina e chegando à borda quando avistou Robin. Ele estendeu a mão e ele agachou-se.
“Estou indo ao mercado comprar algumas coisas para a festa. Precisa de alguma coisa?”
“Aspirina.” Respondeu ela, subindo a escada e saindo da piscina. “E uma garrafa de Chateau Lafleur.”
“Se eu encontrar, eu trago. Esse vinho é uma relíquia.”
Ela virou-se de costas para ele, e Robin colocou a toalha sobre as costas dela.
“O que achou dos nossos novos vizinhos?”
“Eles parecem legais, bonitos, acho que ganharam uma bolada no mercado financeiro, nada muito extravagante, mas bastante.”
Ela virou-se de frente para ele.
“Você acha que eles virão, essa noite?”
“Por quê? Está interessada?”
“Eu ainda não sei...”
“Não parece que eles compartilham do mesmo ponto de vista sobre relacionamentos que nós. Vai ser difícil.”
Ela sorriu maliciosamente antes de se distanciar dele.
“Tudo que é fácil me entedia.”
Tinker estava passando pela sala vazia quando o telefone tocou.
“Alô? Oi Neal. Parece que você teve a honra de ter a última ligação atendida na velha casa.” Ela notou Emma descendo as escadas com um baú de roupas. “Emma, é o Neal.”
Emma soltou o baú e pegou o telefone, observando a irmã encostando-se à parede para ouvir a conversa. Ela revirou os olhos.
“Oi, o que tá pegando?” Ela bufou, segundos depois. “Ninguém merece mudança. Pra mim tanto faz. É uma casa maior, onde terei que limpar mais coisas.” Tinker a encarou e Emma encarou de volta. “Não sei, Neal. Podemos decidir isso depois?” Depois de algum silêncio, ela retrucou. “Não dá pra falar agora porque a Tinker está aqui me encarando. Tudo bem. Tchau.”
Emma sorriu alegremente e desligou o telefone, caminhando na direção da porta com o baú.
“O que vocês estavam conversando que você não pode falar na minha frente?”
Emma paralisou-se e deu meia-volta, encontrando uma Tinker parada com as duas mãos na cintura.
“Tink.” Os ombros dela caíram, indicando derrota. “Será que a gente pode evitar esse papinho chato?”
“Não.” Sorriu ela. “Acho que não. Vocês passaram o verão todo grudados um no outro. O relacionamento está ficando sério?”
“Neal não lê um livro inteiro desde o primário. Ele não consegue manter uma conversa que tenha mais de cinco minutos comigo.”
“Não é sobre a conversa que eu estou preocupada.”
Emma a fitou, com um semblante de dúvida.
“Ele é um garoto mais velho!”
“Os tempos mudaram, irmãzinha. Hoje as mulheres podem decidir quando e com quem elas fazem sexo.” Brincou Emma.
Tinker observou-a virar-se de costas um tanto chocada, mas recuperou-se a tempo.
“Então você está?”
Emma virou-se para trás novamente e colocou o baú no chão.
“Está transando com ele?”
“Você fala como se fosse a pior coisa no mundo que alguém poderia fazer.”
“Isso não é uma resposta, Emma.”
“Olha, eu sei que eu tenho a mesma idade da mamãe quando ela engravidou de você.” Os ombros de Tinker cederam, e ela engoliu em seco. “Mas você não precisa se preocupar com isso. Eu sou mais inteligente que ela.”
“Eu sei que é.” Respondeu ela, com os olhos marejados e um sorriso maternal no rosto. Ela aproximou-se de Emma e beijou o topo da cabeça dela. “Eu só quero que você tenha uma vida plena e completa, sem que seja surpreendida por surpresas inesperadas.”
Killian estava dentro do carro, com Emma.
“Precisavam mesmo dar essa festa?” Resmungou ela.
“Mary Margareth morreria, se não desse.”
“Tédio.”
Um garoto caiu da bicicleta logo atrás do carro. Killian observou-o pelo retrovisor e saiu do carro, caminhando na direção de David, que vestia um avental e segurava um garfo.
“Precisa de uma mão aí?” Brincou ele.
“Eu estou sempre precisando da sua ajuda, David. Queria muito que viesse conosco.”
“Por favor, onde quer que vá – lembre-se de não atropelar as crianças.”
Killian deu um tapa nas costas dele, cumprimentando-o.
“Bom te ver, Nolan.”
Killian sorriu, e voltou caminhando para o carro.
“Onde diabos tua irmã se meteu?”
Emma apenas levantou os olhos e balançou os ombros, voltando a atenção para seu celular. Killian buzinou duas vezes e Tinker apareceu na porta. Ela desceu as escadas e ia atravessar o jardim para entrar no carro quando ouviu alguém chamando por ela.
Mary Margareth vinha apressada em sua direção com um pacote de presente nas mãos. Tinker sorriu e elas se aproximaram.
“É um álbum. Têm muitas fotos nossas, algumas receitas, anotações...”
“Mary... Não precisava! Isso foi tão lindo da sua parte.”
Tinker segurou-se para não chorar, mas Mary começou antes.
“Ok, ok. Estou sendo ridícula.” Ela olhou em volta e respirou fundo. “Você é a minha melhor amiga, é isso.”
Tinker sorriu e abraçou-a.
“Isso não vai mudar.”
“Estamos esperando, Tink.” Anunciou Killian, de dentro do carro.
Mary sussurrou para que ela fosse logo, e Tinker debruçou-se e beijou-a no rosto antes de se afastar.
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