Combustão
7 Capítulo 6
"Eu não entendi." Resmungou Tinker enquanto passava por trás do marido, que se barbeava.
"O quê?"
"Regina."
"Não tem como não entender a Regina, querida."
Ela o encarou pelo reflexo do espelho.
"Você gostou dela."
“E você gostou do Robin. E da Regina, por isso que está inconformada. Queria que ela tivesse lhe beijado mas ela saiu fora."
Tinker mordeu o lábio enquanto ele lançava um olhar sacana para ela. Killian vestia apenas um jeans e tênis, e quando ele se virou, ficando de frente para ela, Tinker suspirou. Gostoso. Muito gostoso.
"Querida, não deixe a Regina brincar com a sua cabeça."
"Como assim?"
Ele cruzou o quarto e pegou uma camiseta de dentro do guarda-roupa. Tinker estava sentada sobre a cama com um vestido leve.
"O que você acha que ela queria quando evitou você? Exatamente o que você esta fazendo. Queria deixar você perturbada. Queria brincar com a sua mente. E está conseguindo."
"E com a sua não?" Provocou.
"Ela mexeu com outra coisa minha." Sorriu ele, aproximando-se da esposa e enfiando os dedos em sua nuca, puxando-a para um beijo quente.
"Uau." Sussurrou ela contra a boca dele.
"É tudo um jogo, querida. Se não quer perder, é hora de brincar com a cabeça dela também.”
Ela ficou observando enquanto ele saía do quarto. Deitou-se na cama e fixou os olhos no teto. Se era tudo um jogo, Tinkerbell não tinha certeza se queria ganha-lo. Estava ansiosa pelo gosto da derrota.
Regina estava tomando sua xícara de café quando Robin passou por trás dela e beijou-lhe a base da nuca. A sensação era quente e úmida, e ele suspirou, fechando os olhos por alguns segundos.
“Bom dia, querida.”
“Babe.”
“Algum plano para hoje?”
“Ainda não sei. Daqui a pouco vou sair para a minha corrida diária e volto logo.”
“Podíamos arriscar um programinha a dois.”
Ela sorriu enquanto mordia uma torrada, encarando-o com malícia.
“Que tipo de programa?”
“Algo diferente. Lá embaixo.”
Os olhos dela brilharam com um lampejo sádico, e ela mordeu o lábio inferior. Ela puxou a cadeira para mais perto dele e debruçou-se de modo que seus lábios roçavam na orelha dele.
“Tenho algumas sugestões...”
Robin deslizou os dedos pelo maxilar dela, acariciando sua nuca enquanto trazia os lábios dela para os seus, mas antes que pudesse finalizar seu gesto o telefone tocou. Ele bufou, contrariado e levantou-se, caminhando até o telefone. Regina ficou observando o corpo másculo e definido coberto apenas por uma cueca boxer preta. Deliciosamente seu.
“Robin.” Ele sorriu para ela, passando o polegar sobre a borda da cueca. Provocando-a. “O que houve? Algum piloto doente?” Ele parou de sorrir e isso chamou a atenção dela.
“Aconteceu alguma coisa?”
“Me convocaram para uma reunião.”
“Será que vão lhe oferecer a rota para Tóquio?”
“Eles podem oferecer. Eu jamais aceitaria passar minhas noites longe de você.”
Ela sorriu quando ele veio até ela e a ergueu da cadeira enquanto sua boca tomava a dela com possessão.
"Não acredito que a Tinker ficou naquela festa."
"Ainda estamos falando disso?" Replicou David enquanto mordia uma torrada e tinha a atenção voltada para o jornal à sua frente.
"Você fala isso porque não viu o que eu vi. Era nojento."
David manteve os olhos na esposa quando um pensamento lhe passou pela mente. Não. Melhor não.
"Ah é?"
Ela bateu os pulsos contra a mesa. "Não resmungue como se eu estivesse exagerando, David. Havia pessoas transando com duas, três, gente sendo chicoteada, todo tipo de indecência e indecoro que você possa imaginar. Não me impressiona eles não terem filhos. É horroroso."
"Talvez eles sejam felizes assim."
"Quem é feliz levando chicotadas, pelo amor de Deus."
Ele ergueu os olhos e fez esforço para reprimir um sorriso involuntário, mas sua garganta secou inevitavelmente. David assentiu com um leve balançar da cabeça e ela sorriu satisfeita.
"Com certeza, Tinker vai perceber que ela não pertence a esse tipo de pessoas. E então ela voltará atrás de mim."
Emma estava atravessando o corredor da escola com a cabeça baixa e um livro aberto um pouco abaixo da linha dos olhos. Mas assim que trombou violentamente contra alguém, percebeu que era uma ideia ridícula.
"Meu Deus, me desculpe!"
Sem se dar o trabalho de olhar em quem ela havia batido, Emma ajoelhou-se e começou a pegar suas coisas. No entanto, ela sentiu uma mão forte e máscula por cima da sua quando alcançou seu caderno.
"Eu pego para você, Emma."
Emma olhou para ele imediatamente. À sua frente, Humbert Graham estava de cócoras. Sua barba rala estava irresistível e ele parecia mais cheiroso do que o costumeiro. Ele a olhava com intensidade, por mais tempo do que ela estava acostumada.
"Obrigada." Respondeu ela, levantando-se.
“Foi bom tê-la encontrado.”
Emma sentiu seu coração acelerando-se gradativamente. Ele a encarava com o semblante sério. Em silêncio ele retirou um papel amarelo de dentro da pasta e entregou-o a ela.
“Estou entregando esse convite aos seus colegas de classe. Espero que possa ir. A peça é dirigida por uma amiga e o conteúdo é valioso considerando as nossas últimas aulas.”
“Estarei lá.”
Emma e Graham trocaram outro olhar antes de meia dúzia de garotos enfiarem-se entre eles, perguntando sobre as notas dos últimos trabalhos para ele. Ela afastou-se rapidamente, voltando a concentrar-se em seu livro.
Robin sentou-se em um dos luxuosos sofás de camurça branco, no escritório dos sócios majoritários da corporação. Era um local de pura sofisticação e luxuosidade. Havia móveis de mármore branco e pisos laminados, grandes lustres feitos de cristais minúsculos e pôsteres com os maiores ícones da aeronáutica.
À sua frente, estava Jeremy. Ele tinha o controle de grande parte da corporação, e tomava a maior parte das decisões. Ao seu lado, Caleb e Luke – diretores executivos com uma parcela menor de ações, mas não menos importantes.
“Bom, Robin.” Começou Jeremy, encostando as pontas dos dedos de uma mão na outra. “Soubemos da diversão que você e sua esposa compartilharam com a Ariel.”
Robin engasgou quase que imperceptivelmente.
“Com todo respeito, senhor, isso aconteceu fora do meu horário de trabalho e da Ariel também.”
“Sim, com certeza. Mas a criança fala demais, Robin. Ela andou comentando isso com outras aeromoças e isso tomou uma proporção desnecessária. Esse transtorno nos levou a suspender seus voos na Califórnia.”
“Eu fui demitido?”
Um coro de risadas preencheu a sala.
“Demitir você? Robin, você é o melhor piloto que temos. Claro que não. Você foi promovido. A rota para Tóquio é sua. Parabéns!”
“Senhor, eu...”
“Julie! Traga o uísque! Vamos comemorar!” Gritou Jeremy.
Robin sorriu para eles enquanto engolia em seco. Regina ia matá-lo.
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