Combinação
2 Capítulo 2 — Segredo
Notas iniciais
Os dois suspiravam em conjunto, sentindo como o peito de um batia contra o seu a cada respiração, dançando conforme as pulsações do coração. Com suas audições aguçadas, poderia ser considerado um privilégio ouvir cada som de vida do corpo de seu amante, sentindo-se mais próximos, ao passo em que constatavam que seus corpos se encaixavam perfeitamente, tanto na calmaria em dividir a mesma cama, tanto em batalhas, no sincronismo de luz e sombras que seus poderes emitiam num vislumbre único.
Rogue descansava usando o braço de Sting como travesseiro, encarando o teto do quarto do loiro, perdido em pensamentos. Ficaram em silêncio, cada um estabilizando seus pulmões a cada tic-tac do relógio, que insistia em mover os ponteiros a madrugada, provocando uma ansiedade ao pensar que logo teriam que se separar e continuar como 'meros' amigos. Estava prestes a se levantar, quando sentiu um braço lhe envolver a cintura.
— Sting... — Notara recentemente que seu parceiro havia ficado mais carinhoso em relação a si. — Você quer que eu...?
— Por que não? Faz muito tempo que não dormimos juntos...
Resmungou, dengosamente. Rogue engoliu em seco, ele mesmo gostaria de se afundar ali, porém admitia que era perigoso, alguém poderia invadir o cômodo a qualquer hora, os descobrindo.
— Além do mais, precisamos ficar escondendo? O mestre não está mais aqui.
Mesmo que Jiemma estivesse ''morto’’, ainda se referiam a ele como mestre, o que chegava a ser irônico, já que Sting ostentava esse título agora.
Jiemma não poderia ser considerado homofóbico, porém sempre pregava seu lema de que poder era tudo, amor não ajudava em nada, senão uma mera distração que em sua mente não passava de hormônios a flor de pele querendo algo carnal.
Porém, os dois sabiam que não era assim.
— Sim, mas... melhor esperar mais um pouco. — Deitou-se novamente, encarando os olhos azuis. — Não sabemos quando as coisas vão se estabilizar.
— Já esperamos demais.
Sting foi aproximando-se devagar de Rogue, que no início achou tratar-se de um beijo, mas qual foi sua surpresa ao sentir a respiração em sua clavícula, estremecendo-se.
— Rogue... Eu te amo e quero contar isso ao mundo.
Rogue não soube como reagir, apenar circulou os braços em torno do loiro, fazendo-o um cafuné, analisando e repetindo cada palavra em sua mente, como um doce nostálgico ao lembrar-se de cada beijo e abraço as escondidas, em cada cantinho em que quase foram descobertos, e no alívio em saber que teriam companheiros que permaneceriam ao seu lado.
— Eu sei, Sting.
Os dois ficaram abraçados por um longo tempo, até que Rogue percebeu que Sting estava quase dormindo em seus braços. Ajeitou-o em uma posição mais confortável, vendo-o como ele ficava lindo com os olhos fechados e em uma respiração calma, com seus fios dourados bagunçados levemente. Deu um discreto sorriso que reservava a momentos especiais, e descansou seu queixo em cima do outro, pronto para fechar os olhos e dormir, descartando qualquer preocupação futura, deixando-se levar pelo momento, aproveitando-o ao ser embalado pela noite e as sombras.
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