Combatentes
8 Os filmes de ação do Tom Cruise
Notas iniciais
Tinha algo errado em tudo aquilo. Estava morto, tinha uma certa convicção acerca do seu estado. Sabia também que quando morresse iria para o inferno, mas aquele lugar onde estava definitivamente não era o inferno.
Por que para ele, o inferno não teria cheiro de café. E Sasuke ama café. E não se recordava de ter visto nada em lugar nenhum que dizia que no inferno servia-se café.
Abriu os olhos e não enxergou absolutamente nada. Sentiu dificuldade em respirar devido ao saco preto onde sua cabeça estava inserida dificultando o processo de localizar-se. Tudo estava estranho. Tentou se mover, mas não conseguiu. Sentiu dor ao notar que seus punhos estavam amarrados e o cordame apertado demais.
Novamente o cheiro de café invadiu suas narinas. Sentiu um ardor no peito e poderia gritar de dor, mas sua boca estava bloqueada por fita adesiva. Não sabia onde estava, apenas que estava em movimento. Alguém estava lhe tirando do deserto. Apagou em seguida.
***************
Tentava se desamarrar da cadeira onde estava presa. O capuz em sua cabeça apenas piorava tudo. Estava começando a ter medo, pois pelo o que lembrava das aulas na faculdade de medicina, quando um objeto metálico perfura o miocárdio a pessoa atingida tende a morrer. E no caso dela não deveria ser diferente. Contudo ela estava ali, tentando se livrar da fita adesiva.
Começou a dar leves trancos na cadeira, mas está nem se moveu. Aquietou se quando ouviu o ranger de uma porta de metal. Não estava mais sozinha, alguém havia chegado.
O capuz foi retirado de sua cabeça e Sakura inalou todo ar que pode. A luz florescente no teto lhe cegou fazendo ela virar o rosto para o lado encontrando Hinata desacordada.
Passou os olhos pela sala e todos estavam ali. Viu Naruto abrir os olhos bem devagar. Balançou a cabeça em negativo numa tentativa de arejar e similar as informações, pois o que tinha vivenciado no deserto diferia da situação atual. Tinha visto Naruto levar um tiro certeiro no peito. Ele estava morto e ela também.
A fita foi arrancada da sua boca pela ruiva que tinha visto na brigada militar no primeiro dia em que chegou.
— Tinha mesmo a necessidade deste capuz preto? – Escutou o resmungo de Gaara, ele estava destruído. Sorriu aliviada, ela não estava morta. Pois tinha uma certa convicção que ela iria para o céu e provavelmente ele para o inferno. Estavam no mesmo lugar.
— Nos perdoem pelas más acomodações, entretanto necessitávamos que vocês ficassem imóveis. – Karin informou com as mãos para trás enquanto os desacordados eram despertos facilmente.
— O que está acontecendo? – Tenten questionou, Sakura a olhou de forma avaliativa. Ela estava quase morta.
— O superior estará aqui dentre minutos. – Karin olhou o pulso direito verificando as horas. – Tentem ficar despertos até este momento.
Virou nos calcanhares e saiu pela mesma porta que entrou. Shikamaru tentava lacear a corda que enlaçava e apertava seus punhos.
— Naruto, onde você está? – Sasuke que acordava desnorteado questionava sobre o paradeiro do amigo. – Vai dizer que morreu?
A porta abriu no exato momento que a pergunta foi realizada a tempo da pessoa que entrou por ela ouvir.
— Oficialmente sim, todos estão mortos. – Jiraya entrou e pôs a mão para trás. Uma mulher loira o acompanhava. Sasuke levantou os olhos pela primeira vez encontrando todos na saleta.
— Pegaram pesado com vocês. – Jiraya comentou, mas ninguém manifestou uma opinião. A cabeça girava, o estômago embrulhava e os olhos ardiam. – Podemos trata-los, agora?
Jiraya questionou para mulher de jaleco branco, a qual afirmou positivo. E uma equipe médica entrou pelo local com finalidade de tratar os feridos.
— Onde estamos? – Neji questionou mais concentrado. Enquanto uma enfermeira limpava uma ferida superficial em seu peito.
— Está informação não está disponível. – Jiraya o informou e se aproximou de uma mesa. – Agora que tal essa pergunta: como estou vivo? Essa eu posso responder.
— Que tal essa pergunta. – Shikamaru começou de forma irritadiça. – Por que tentaram nos matar para começar? E que raios de missão era essa?
— Uma pergunta de cada vez, marujo. – Jiraya o respondeu calmo e se concentrou. – Tsunade, retire sua equipe.
— Dispensadas! – A voz forte e altiva soou e os profissionais deixaram o local. Tsunade cruzou os braços enquanto Jiraya elaborava melhor as ideias. Afinal era muita informação.
— Primeiro antes de chegar a pauta principal vamos falar de como vocês foram emboscados e o porquê. – Jiraya retirou o quepe e colocou embaixo do braço.
— Queríamos vocês mortos para o resto do mundo. – A atenção de todos os presentes foram desviadas para o Capitão. – Existem pessoas que precisam acreditar nesta informação e nada melhor do que provas concretas.
Jiraya apertou um controle e logo uma projeção apareceu na parede. Na imagem continha dez pessoas estiradas e aparentemente mortas no deserto.
— Então precisávamos fazer parecer real. – Levantou a sobrancelha, quando a outra oficial presente na sala deixou escapar um estralar de lábios por conta do estado de saúde dos soldados. Estava parecendo bem real mesmo! Ela percebendo a reprova do ato silenciou-se.
— Quando selecionamos combatentes para concluir esta mesma missão a um tempo percebemos um fato que estava passando batido. – Cessou a fala por um instante. – Haviam agentes duplos infiltrados no exército. Os quais sempre boicotavam a equipe da vez.
Jiraya andou pela saleta com a atenção de todos voltada para si. Seu cenho estava franzido, mas logo relaxou.
— O inimigo sempre esteve a um passo a nossa frente, pois obtinha todas as informações relacionada ao objetivo da equipe. Desta vez faremos diferente.
Shikamaru tentou se ajeitar na cadeira, mas estava impossibilitado de se movimentar. Compreendia onde o oficial queria chegar, mas não compreendia o motivo de ainda estar imobilizado.
— Então nós os selecionamos, enfiamos vocês em uma base com finalidade de identificar os traidores e como não conseguimos partimos para o próximo passo. Então forjou-se a morte.
— Entendo. Para concluirmos a missão sem empecilhos maiores. – Shikamaru comentou e Jiraya afirmou positivo.
— Então não queriam nos matar de verdade? – Naruto um pouco incrédulo questionou e diante do menear positivo do Capitão se irritou. — Ainda bem, não é? Por que imagina se quisessem!
O sarcasmo e ironia dançavam nos lábios do Uzumaki. Pois estava quase morto e se não fosse tudo falso estaria.
— O seu pessoal pegou um pouco pesado. – Temari murmurou. Ainda sentia a pele queimar e a tontura lhe impedir de levantar a cabeça.
— Acho que eles exageraram. – Jiraya fez pouco caso da declaração. – Mas a pista que era uma emboscada foi repassada a tempo, não foi?
O oficial realmente estava com dúvida, sua expressão o denunciava. Sasuke balançou a cabeça desacreditado, pois chegou à conclusão que sua vida não valia absolutamente nada.
— Claro! Pensar que todo mundo assistiu uma series de filmes em que um caminhão velho é na verdade um robô alienígena muito poderoso é uma pista em tanto! – Naruto desatou a falar. E Jiraya ficou confuso. Shikamaru franziu as sobrancelhas e caso sua situação fosse outra iria rir.
— Foi por isso que você percebeu que algo estava errado? — Jiraya o questionou um pouco desconfiado das habilidades de interpretação do piloto. Naruto levantou a cabeça e deixou uma expressão de desentendimento estampada.
— Foi. O soldado se referiu ao caminhão como Optimus Prime. E todo mundo sabe que o Optimus Prime nunca quebra e então a informação era falsa e um alerta para a gente dar no pé.
Shikamaru não conseguiu conter o pequeno riso. Sasuke suspirou e Neji balançou a cabeça negativamente.
— O que foi? Essa era a referência, não era? – Naruto questionou um pouco perdido, pois sua análise parecia equivocada.
— Por Deus, como você ainda está vivo? – Temari questionou retoricamente e o loiro se calou. Jiraya ficou em dúvida, novamente, da capacidade de análise do Uzumaki.
— Optimus Prime foi o nome atribuído a uma operação que se consistiu em uma grande emboscada anos atrás. – Shikamaru pôs as cartas na mesa. – Essa era a grande pista. Optimus Prime igual a emboscada.
O silêncio se agravou por um instante enquanto Naruto tirava suas conclusões. Hinata a escutar tudo aquilo cerrou os olhos. Aquilo tudo era inacreditável.
— Ah, sim. Metodologia de analise diferente, mesma conclusão. – Naruto disse porque a pista tinha servido do mesmo modo.
— E sacrificaram soldados nesta operação apenas para aparentar que nós havíamos morrido. – Sakura fez uma observação, questionando internamente o valor atribuído a vidas das pessoas.
— Haruno. – Jiraya chamou sua atenção. – Caso você fosse uma sentenciada no corredor da morte e dentre um dia iria sentar-se na cadeira elétrica. E sem quem quer nada uma pessoa lhe oferecesse um passeio fora do sistema prisional. E neste passeio você pudesse atirar em algumas pessoas, o que você diria? Sim ou não? Lembrando que você é uma varrida de pedra que mata pessoas sem motivos.
— Eu diria sim. – Não foi Sakura quem respondeu e sim Gaara. – Iria morrer de qualquer forma.
— Não era para vocês terem conseguido os rifles, senhores. – Jiraya comentou. Agora não tinha mais volta. – E devido a este fato somado a suspeita que havia um agente duplo no momento da emboscada, realmente eles estavam tentando abater todos vocês. Apenas os três soldados que os interceptaram sabiam as reais intenções.
— Entendo, assim o inimigo receberá a informação que a equipe realmente foi abatida. – Temari estava seguindo a linha de raciocínio.
— E com a morte de vocês outra equipe teria que ser montada, a qual ficará na mira deles enquanto vocês cumprem a missão na surdina.
— Entendi, apenas não entendi como não morri. – Sakura comentou. – Pois tenho uma certa convicção que levei um tiro certeiro.
A observação era cabível e além da Haruno os outros também estavam encafifados com a metodologia empregada no momento. Jiraya previu que a médica pontuaria isso.
— Usaram de uma substância que neutraliza o sistema nervoso central e em consequência os batimentos cardíacos simulando uma morte perfeitamente. – Sakura tentava chegar em uma conclusão sozinha e Tsunade deixou um sorriso escapar por conta disto.
— Você está certa. É uma toxina altamente agressiva ao corpo humano. – Começou a concluir a teste da Haruno enquanto os outros ficavam de plateia. – Foi desenvolvida pela minha equipe. Junta-se o veneno de salamandra vermelha, aranha-marrom e vespa-caçadeira. Mais de três milímetros desta substância em sua corrente sanguínea e tchau, tchau.
— Então foi apenas desenvolver um mecanismo inteligente que ao entregar em contato com qualquer superfície perfura somente dois centímetros. – Jiraya prosseguiu com a explicação. – Ao perfurar a capsula se abre liberando a toxina que ao entrar em circulação no sistema o neutraliza por trinta e duas horas. Com esta tecnologia foi possível atirar diretamente na região do coração sem deixar dúvidas se foi a óbito ou não.
—Hum, isso tudo parece coisa de filme de ação. – Naruto comentou um tanto paralelo. Estava começando a achar tudo fantasiado demais em comparação a outras missões que cumpriu. Só não esperava que todos estariam prestando atenção em suas observações.
— Daqui a pouco ele vai dizer que essa missão é sobre bombas nucleares, grupos terroristas querendo começar uma guerra e colocar a culpa em grandes potências mundiais afim de criar conflito e fomentar a indústria bélica. Isso é tão previsível, parece os filmes de ação do Tom Cruise.
O silêncio se agravou e Naruto a abrir os olhos percebeu que todos prestavam atenção em si. Jiraya arcou as sobrancelhas embasbacado.
— Estou realmente impressionado com você. – Disse um pouco fora do tom severo que costuma a usar. – Você tem um método de chegar a conclusões corretas impressionante.
— O senhor só pode estar brincando. – Hinata disse incrédula. Afinal as deduções cinematografias de Naruto não podiam estar relacionada a missão.
— Infelizmente não, senhores. O colega de vocês pode estar com a razão. – Ino abriu a boca para questionar, mas a fechou visto que a expressão do Capitão era indecifrável. E não soube avaliar se aquilo não passava de uma grande pegadinha de mal gosto.
— Pensei que o exército não se envolvia mais com este tipo de missão, afinal são destinadas a outros setores que tratam de segurança nacional. – Ino comentou diante do silêncio do Capitão. – A não ser em questões extremas.
— Exatamente, senhora Yamanaka. Caso todo plano deste grupo não identificado seja concluído teremos um problema além da segurança nacional. – Tsunade cruzou os braços a terminar sua frase. – Sei que o modo que o piloto se expressou deixou tudo mais simplificado, entretanto esta missão é de extrema dificuldade e importância.
— E vamos falar dela. – Jiraya mudou a imagem do reprodutor, o qual passou exibir o mapa mundial com vários pontos vermelhos espalhados.
— Não sabemos ao certo onde estão e o que pretendem fazer, mas a exatamente sete anos atrás usinas nucleares tiveram o suprimento de urânio enriquecido furtado. Uma quantidade suficiente para montar um reator nuclear e dizimar a população da Índia.
— Sete anos? – Neji interrogou. Em sua cabeça algo dizia que aquilo não cheirava bem. Jiraya inspirou ar como se o que viesse dizer a seguir colocaria em xeque toda operação.
— Sim, Hyuuga. Sete anos. Estão atrás deste pessoal algum tempo e acreditamos que seja o mesmo grupo. E foi a sete anos que conseguimos a informação mais concreta que temos.
Hinata suspirou, olhou para o primo. Tinha uma certa noção do que se tratava aquela missão.
— Foi a sete anos também que uma equipe das forças armadas foi enviada para o cumprimento desta mesma missão. Desde então outros setores foram incumbidos de cuidar desta missão, mas falaram miseravelmente. E visto que foi uma equipe das forças armadas a obter mais êxito na operação o caso retornou para nossas mãos.
— Pensei que isto fosse trabalho da CIA. – Sasuke resmungou. Aquilo estava com muito rodeio em sua opinião.
— Alguns de vocês já devem ter ouvido um título durante o tempo que estiveram no exército. Cadillac 52.
Ao ouvir tal nome alguns levantaram a cabeça. Principalmente os pilotos de caça. Boatos sobre aquela missão era comentada entre os pilotos em várias bases aéreas, pois era difundida nas escolas de formação de aviadores como exemplo, entretanto ninguém acreditava sobre os fatos disseminados.
— Pensei que Cadillac 52 fosse apenas uma história sobre heroísmo, sacrifício e companheirismo. – Naruto disse sério.
— Esse é o nome da missão que vocês irão. E caso estejam questionando se é a mesma Cadillac 52 que encorajam os pilotos podem ter certeza que sim. – Jiraya disse sério e com um semblante um tanto nostálgico. – Perdemos excelentes combatentes naquela missão.
— As informações sobre a missão foram arquivadas até dois anos atrás onde novamente começou movimentações similares de a sete anos. – Tsunade prosseguiu. – E ao verificar a situação em arquivos constatou-se que os objetivo dos terroristas foram reativados e consequentemente a operação Cadillac 52 teria que retornar a ativa.
— Não sabemos se é o mesmo grupo ou seguidores. Como as equipes anteriores a vocês foram sabotadas nenhuma informação é concisa. – Jiraya trocou e ampliou a imagem do mapa focando em três pontos. – Apenas que essas três bases onde o grupo atuava a sete anos foram reativadas. Não temos um nome ou se estão trabalhando numa conspiração no governo local ou muito menos o objetivo principal de tal grupo. Se é instaurar uma ditadura ou ser o estopim de uma terceira guerra mundial.
Tsunade começou a encher seringas com uma substância transparente enquanto Jiraya fez uma pausa para beber água e deixar as informações serem compreendidas.
— Pautando-se no fato de que estão acumulando urânio, cremos que se trata de um atentando de grande porte onde uma potência culparia a outra pelo incidente. Como poderão verificar nos relatórios contido nos arquivos que serão disponibilizados a vocês.
A dor já não incomodava tanto para alguns e para outros já era inexistente. Aquela informação toda de uma vez era muita coisa. Tudo parecia sério demais aos olhos de alguns. Jiraya colocou o quepe indicando que estava preste a terminar de repassar a tarefa que teriam que realizar.
— Então a missão consiste em identificar o inimigo, localiza-lo, sabotar seus objetivos e impedir uma provável instabilidade política no setor bélico entre grandes nações – Shikamaru assimilou o que deveriam fazer. – E mais, tudo isso sem ser interceptados por agentes duplos.
Todos olharam impressionados para o Nara. Ele era mesmo rápido em deduções e conclusões. Shikamaru abriu um fino sorriso. Tudo aquilo era problemático demais, entretanto parecia um desafio em tanto.
— Estão aptos para o cumprimento desta missão, soldados? – Jiraya questionou de forma branda enquanto os outros assistiam o momento quietos.
Eram combatentes, alguns nasceram para fazer aquilo e outros tinham se esforçado para serem o que eram. Naturalmente adoravam uma missão perigosa.
— A questão não é essa, Capitão. – Shikamaru depositou as mãos livres anteriormente amarradas atrás da nuca, fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás deixando um suspense no ar. – Qual é o nosso prazo?
Um sorriso discreto de contentamento surgiu no rosto de Jiraya. Aquele soldado deixava tudo mais interessante.
— Curto, soldado.- Jiraya disse e começou a caminhar pelo espaço livre na saleta. Ino balançou os pulsos tentando amenizar a dor causada pelas amarras, deixando claro que também estava livre. – Como estão mortos não preciso dizer que estão por conta própria.
Diante desta declaração Tsunade se aproximou devagar com seringa em mãos. Todos a fitaram desconfiados.
— Não se preocupem. Esse é um medicamento para desintoxicar complemente a toxina do sistema de vocês. – Ao aplicar em Shikamaru ela sorriu. – Considere como um presente.
— Estão de olho em minha equipe. Quando for necessário entrarei em contato. – De repente ou exatamente minutos após de Tsunade aplicar as injeções a voz do capitão estava ficando um pouco afastada. – O arquivo da missão estará em um guarda-volumes na estação mais próxima da onde vocês serão jogados.
— O que? – Tenten questionou. Sua audição já estava prejudicada. Viu o sorriso de Jiraya e Tsunade balançando a cabeça negativamente. Apagou.
— Isso é realmente necessário? – O último ainda desperto questionou totalmente fora de órbita a necessidade de lhe dopar. Gaara viu seus colegas sendo encapuzados e pessoas caminhando para todo lado. – Não, não é.
Balbuciou depois que foi encapuzado novamente. E quando acordasse não saberia dizer se apagou ou foi o tecido que impossibilitou sua visão. Tudo estava num completo breu. Na sua cabeça apenas sabia fazer uma observação: de novo não!
***************
Acordou de supetão, como se tivesse levado um choque tremendo. Escuro, não conseguia ver nem um palmo a sua frente. Tateou o chão e logo encontrou a parede.
Levantou-se escorando na mesma até achar o interruptor. Não se lembrava de quase nada e ao conseguir ascender a luz tudo ficou mais confuso.
— Estou num quartinho de dispensa? – Questionou para si própria quando viu vassouras, placas de piso molhado e esfregões amontoados. Onde estava? Ino verificou suas roupas e arregalou os olhos em seguida. Vestia roupas similares a de uma executiva de sucesso. Desde saia preta a salto alto. O que estava acontecendo? Olhou para o esfolado em sua mão tratado e enfaixado. Empurrou a porta pequena logo depois.
Observou o vai e vem de pessoas apressadas na estação do metrô. O que ela estava fazendo ali? E melhor: quem havia lhe jogado ali? Começou a caminhar sem rumo. Sua cabeça ainda doía e estava em alerta máximo.
As pessoas lhe olhavam com curiosidade, mas logo a deixavam de lado. Aquilo era fora do seu universo e por isso começava a sentir um pouco de medo. Não tinha nenhuma arma e duvidava de sua capacidade de combate no momento.
Recebeu um esbarrão e fitou a desconhecida que lhe empurrou um papel na mão. Continuou a andar, agora com o passo mais apertado. Observava as pessoas em sua volta avaliando se tinha alguém lhe observando além do necessário. Abriu o papel amassado apressadamente e a ler a única frase ficou em dúvida em quais passos daria a seguir.
E se as instruções lhe levassem a outra emboscada? Tudo era incerto naquele momento.
*
— Ei! Ei! – Acordou e ao regalar os olhos o sol lhe cegou. Alguém lhe balançava pelo ombro. –Você é novo aqui?
Os olhos negros observaram o céu azul atrás do homem de meia idade que mastigava perto demais do seu rosto. Viu o capacete típico usado por trabalhadores em obras. Logo a roupa alaranjada com uma faixa de cor verde florescente. Vestia uma igual.
— Você não tem cara de pedreiro. – O homem com a barba por fazer comentou e se afastou de Sasuke, o qual permaneceu deitado no monte de entulho. Sentou-se, seu corpo parecia ter sido moído. Pegou o seu capacete e colocou na cabeça. Estava vestido como um trabalhador da obra realizada no centro de alguma cidade. Levantou-se um tanto perdido. Como tinha chegado ali?
Todos lhe olhavam desconfiados. Alguma coisa estava terrivelmente errada. Colocou as mãos no bolso e retirou assim que encontrou um papel amassado.
— Droga, o que está acontecendo? – Questionou para si próprio, mas sentiu uma mão pesar em seu ombro. Virou e topou com um desconhecido sorrindo amarelo.
— Tome está ficha telefônica, você vai precisar. – O desconhecido disse e ultrapassou Sasuke após colocar a ficha no bolso do macacão. Sasuke franziu o cenho. Parecia estar em um universo paralelo. Abriu o papel e viu apenas um número de telefone. E a dúvida se devia ou não ligar permeou sua mente.
*
O metal era frio, mas mesmo assim ele estava apagado com o rosto encostado na lataria do transporte. Ouviu um toque de celular, mas não foi o suficiente para acorda-lo. Novamente o toque. De novo.
— Senhor, seu celular está tocando. – Abriu os olhos num flash. Sentou-se de forma correta no banco do metrô e engoliu a seco. As pessoas o fitavam com curiosidade. Escutou novamente o celular tocar e franziu o cenho. Não se lembrava de muita coisa e muito menos que tinha um celular. Que porcaria estava acontecendo?
Shikamaru procurou nos bolsos da calça de corte caro e não achou o aparelho. Logo passou para o paletó achando-o. Olhou o visor mostrando a chamada que tinha perdido.
Logo apareceu uma mensagem de texto, a qual clareou a cabeça do Nara. Onde estava os outros?
Guarda-volumes, número 52. Repetia o teor da mensagem como um mantra, quando novamente o celular tocou. Deveria atender?
*
Sentia um calor agradável bater em sua face, era confortante e gostoso. Uma brisa suave deixava o seu sono ainda mais propenso e seria melhor se o colchão não fosse tão duro. Acordou e depois de alguns segundos abriu apenas um olho. Observou o local com os olhos castanhos arregalados. Como tinha vindo parar ali?
A grama era verde, tinha algumas árvores e crianças brincando. Tenten passou a mão no cabelo desgrenhado e logo notou o vestido causal de cor verde parcialmente aparente devido ao sobretudo marrom que usava. Olhou para seus pés e viu uma sapatilha totalmente fora de harmonia com as outras peças. Estava horrível! Tudo estava fora do lugar inclusive ela mesma.
Sentou-se melhor no banco da praça onde estava. Tentou alinhar os fios. Tenten parecia uma mãe de trigêmeos no seu momento de descanso. Não, estava mais para uma louca que tinha fugido do sanatório.
Olhou de soslaio para uma senhorinha usando um colar de pérolas no pescoço lhe sorrindo amigavelmente.
— Noite difícil? – A voz rouca questionou Tenten. – Está na hora de ir para casa. Tem que pegar o metrô.
Seguiu o dedo da senhora apontando o caminho e o sorriso amigável se desmanchando. Não disse nada, levantou do banco e seguiu na direção apontada.
— Aquela velha é sinistra. – Apertou o passo. Não sabia onde estava ou porque estava vestida daquela forma. Não se lembrava de quase nada e duvidava se o seu nome era mesmo Tenten. E o pior de tudo: estava com fome.
*
Sentia o sacolejar, o qual estava ajudando aprofundar seu sono. Entretanto o ônibus onde ela estava freou abruptamente quando uma doida de sobretudo marrom cruzou a rua quando o sinal estava verde.
Hinata despertou e gritou atraindo alguns olhares para si. Observou o local com cautela se questionando como tinha vindo parar no fundo de um ônibus.
Sua farda suja e rasgada tinha sido substituída por calça jeans e uma blusa casual. Passou a mãos no cabelo percebendo que tinha um óculos escuro em sua cabeça. Uma bolsa também estava ao seu lado, pendurada em seu corpo fazendo-a crer que era sua.
Fitou pela janela e notou a cidade agitada e ao voltar a olhar para frente encontrou um par de olhos azuis. Não falou absolutamente nada, quando Naruto saiu do seu banco e sentou-se ao seu lado. Não questionou sequer a bermuda, a camisa e boné cobrindo a cabeleira loira. Naruto parecia um apreciador de rap.
Naruto não acordou em situação diferente, na verdade despertou com o grito da Hyuuga. E estranhou em vê-la em roupas nada habituais, como se fosse uma turista naquela cidade. E nem mesmo entrou em desespero a perceber sua vestimenta, pois estava levantando questionamentos importantes como por exemplo o paradeiro de Uchiha Sasuke. Única pessoa até então que ele se importa.
— O que está acontecendo? – Interrogou a mulher ao seu lado e Hinata apenas negou. Não sabia dizer.
— Eu não me lembro de muita coisa. Apenas de Jiraya falando sobre a missão. Depois disto eu apaguei. – Hinata dizia a verdade.
Naruto assentiu, também não se recordava de muita coisa. Passaram a observar os outros passageiros e o silêncio aumentou. A comunicação pacífica entre os dois não era o forte da dupla.
— Onde será que estamos? – Naruto questionou tentando ver as placas da cidade, mas falhou no seu objetivo. Hinata observou um vendedor ambulante de rosas ingressar no ônibus e oferecer aos outros passageiros.
Naruto pôs os olhos no vendedor apenas quando este se aproximou o suficiente para ser notado. Hinata viu o sorriso idiota do rapaz que provavelmente tinha chegado a conclusões precipitadas.
— Uma bela flor para uma linda mulher. – Esticou uma rosa em direção a Hinata e Naruto cedeu passagem como se não tivesse nada com aquilo. – Não acha que sua namorada merece?
A pergunta feita pelo vendedor fez Naruto levar a mão até a boca. Hinata observou o ato com as sobrancelhas franzidas. O raciocínio dele as vezes era bastante lento. O loiro riu um pouco alto e negou com a cabeça fazendo o vendedor estranhar.
— Eu? Namorado desta aqui? – Hinata arregalou os olhos e o vendedor ficou constrangido pelo equívoco. A mensagem já tinha sido captada, mas Naruto continuou no embalo. – Mas nem a baixo de paulada.
Hinata sorriu docilmente para o vendedor que a presenteou com a rosa diante da grosseria do loiro ao seu lado. Abaixou o óculos escuro após aceitar a rosa.
— Sabe, a senhorita não deveria andar de ônibus. Da próxima vez tome o metrô. As pessoas são mais agradáveis por lá.
O homem se foi e Naruto cruzou os braços. O que tinha feito de errado? Hinata olhou para o homem e depois para Naruto.
— Acho que recebemos uma pista. – Comentou com o Uzumaki. – Vamos descer.
— Como quiser. – Disse fazendo pouco caso da situação ao lembrar de algo relacionado a transporte.
*
Desceu em uma plataforma junto com uma multidão. Algumas mulheres lhe olhavam dos pés até cabeça e a seriedade no rosto pálido o deixava ainda mais bonito. Estava certo que não sabia onde estava, como estava trajando um terno preto ou muito menos como tinha parado ali, numa estação. Entretanto os fletes com mulheres exuberantes estava o agradando e nem fazia quarenta minutos que tinha acordado em um banco.
Gaara observava com atenção os lugares por onde passava e foi nesta observação que notou uma loira parada em um canto. Franziu o cenho, pois teve a impressão que já tinha visto aquela mulher em algum lugar. Apertou ainda mais a alça da maleta que carregava consigo por algum motivo desconhecido.
Seguiu em direção a mulher, caso ela fosse uma ameaça era só uma questão de tempo em derruba-la daquele salto enorme.
Colocou a mão em seu ombro com cautela e a ver o rosto desconhecido sorriu de forma complacente diante do rubor da jovem mulher.
— Me desculpe, pensei que era outra pessoa. – Justificou-se e deu as costas para a tal. Ao se virar encontrou outra com roupas similares e olhos azuis feito o céu. Ino Yamanaka.
— Temos uma reunião de negócios e não fui notificado? – Fez graça por conta das roupas que estavam usando. Começaram a andar lado a lado.
— Pare de graça. Você não acha isso tudo estranho? – Ino estava em alerta extremo, como se já tivesse tido experiência similar a essa, mas com um final trágico. Gaara se concentrou. Era hora de agir feito o adulto responsável que ele não era.
— Calma, Ino. – A loira se surpreendeu, quando Gaara segurou em sua mão e a puxou para dentro de um vagão compenetrado. – Lembrei de algo importante. Vamos ao guarda-volumes da plataforma sete.
*
A visão estava um pouco embaçada, mas conseguia ver a revista sobre o seu colo. Cerrou os olhos verde água novamente. A claridade do local estava machucando-os. Abriu a revista para disfarçar enquanto olhava sua roupa elegante demais para ela. Nem se lembrava a última vez que tinha colocado um vestido. E muito menos salto alto.
Tirou os olhos da revista e observou o local. Tudo era branco e tinha um balcão enorme na frente. Algumas informações espalhadas em painéis sobre odontologia e uma recepcionista com sorriso congelado e perfeito. Não precisou muito para saber que estava em um consultório odontológico.
— Senhora! Senhora. – Demorou para perceber que era com ela que a recepcionista estava falando. Sorriu forçado. O que estava acontecendo? – Chame por favor sua irmã. A consulta dela irá começar. Se demorar mais irão deixar pessoas lhe esperando no metrô.
O sorriso da mulher era sincero e Temari não conseguia encaixar as informações e então apenas afirmou positivo. Não sabia o que fazer ou para onde ir, então olhou para recepcionista.
— Ela foi conversar ao celular fora do prédio. – Sorriu. – A senhora estava dormindo quando ela saiu.
— Obrigada. – Apertou os passos e preferiu a escada quando o elevador demorou. Um desespero fora do comum estava tomando-a, pois tudo estava fora dos eixos. Ao descer a escada viu uma mulher sentada em um dos degraus com a cabeça escorada na parede. A roupa era diferente, mas o tom de cabelo continuava o mesmo: rosa.
— Sakura! Acorde. – Sacudiu a Haruno pelos ombros a qual acordou um pouco perdida.
— Temari, o que está acontecendo? – Questionou ainda dopada pela droga. Sakura parecia ser uma patricinha de classe alta. Em sua roupa de grife e a maquiagem impecável. Temari estapeou sua face e Sakura retornou ao seu estado normal. Colocou a mão na face e torceu o rosto. Aquilo tinha doído.
— Vamos! Temos que ir para o metrô. – Temari não deu brecha para questionamento e Sakura a seguiu ainda dopada. Sua dose tinha sido maior. Socou a mão no bolso da calça, algo estava machucando-a. Retirou e fitou o objeto.
— Uma chave? – A pergunta feita para si chamou a atenção de Temari. Sakura leu as informações da plaqueta de plástico junto da chave.
— P 7 – nº 52. – Murmurou e Temari sorriu. Não estava ficando louca afinal.
*
Cantarolava baixinho enquanto varria a frente do recinto onde trabalhava. Sua carreira não era longa em uma daquelas franquias de comida rápida. Na verdade, se contar desde do momento que foi deixado no banheiro destinado aos funcionários vestido com uniforme e tudo ao momento que varria a calçada, obteria um total de quinze minutos.
Verificou-se ninguém estava lhe observando, retirou o avental vermelho e arrumou o boné da mesma cor na cabeça. Largou a vassoura em qualquer lugar e antes de sumir daquele lugar pegou uma casquinha de sorvete.
As pessoas que o encontravam na calçada o olhavam e desabavam no riso logo depois. O boné vermelho tinha chifres de alce de pelúcia na cor marrom. Pode constatar isso a passar ao lado de uma vitrine.
Neji arrumou o boné ainda mais e arregaçou as mangas da camisa. Estava parecendo um pateta, mas não se importava nenhum pouco. Afinal que atirador de elite iria desconfiar que o homem vestido daquela forma seria outro atirador? As possibilidades eram baixas, mas existiam.
Lembrava-se de tudo o que tinha acontecido. Estava habituado a boa-noite-cinderela ou drogas do tipo. Apenas não esperava que aquilo fosse acontecer justamente naquele momento. Estava louco para ver como Gaara estava vestido, caso tivesse sorte o amigo estaria num belo traje como o dele.
Riu dos seus próprios pensamentos. Os efeitos da droga em seu corpo eram contrários do que deviriam ser e Neji ainda estava sob seu efeito devido a dosagem dupla que recebeu. E ainda tinha os efeitos colaterais como alterar um pouco sua personalidade.
Seguia para o metrô apressadamente, comendo uma casquinha de sorvete e usando uma roupa excepcional, por assim dizer. Isso era um sinal suficiente para saber que Hyuuga Neji não era Hyuuga Neji no momento.
Continuava a cantarolar a mesma música enquanto os olhos claros captavam qualquer movimento estranho. Observava os arranha-céus e as pontas de esquina.
Estava fora do comum, mas mesmo assim verificava os locais da onde uma pessoa poderia acertar sua cabeça consequentemente matando-o e estragando o seu boné novo.
Foi deste modo que ela o viu e demorou a crer que era ele. A ver que sim desatou no riso como as outras pessoas. Ainda mais por saber o que ele é de verdade. Correu em sua direção ainda tentando arrumar os fios desalinhados. Não sabia quem estava mais horrível. Se era ela ou ele.
Neji seguiu para o subterrâneo através da escadaria e Tenten lhe seguiu de longe, afinal não era difícil perdê-lo de vista com ele usando aquela roupa. Se aproximou o suficiente do Hyuuga tentando ficar séria. Aquele momento não permitia brincadeiras.
— Tenho que dizer que o encanto acabou. – Tenten disse brincalhona e pôs-se a caminhar ao lado do Hyuuga. Segurou o riso quando ele virou para poder fitar o seu rosto e pode ver que ele estava chupando um pirulito, o qual ele tinha furtado de uma criança metros atrás.
— Eu digo ao contrário. – Tenten franziu o cenho, quando viu a linha reta e branca formada pelos dentes do Hyuuga. Algo estava errado. – Você está encantadora nesta roupa.
Ela parou de andar e ficou questionando se ele estava zombando de sua cara ou se ele estava bem. Ao perceber que ficou para trás apertou o passo.
— Neji, você está bem? – Os olhos claros observaram o rosto da mulher como se quisesse encontrar fundamento naquela pergunta. Pois no momento ele estava se sentindo ótimo.
— Não aparento estar bem? – Questionou enquanto várias pessoas lhe notavam. Umas riam outras não. As que não riram chamou sua atenção.
— Vamos dizer que essa roupa é um pouco fora do padrão do qual você costuma utilizar. – Tenten pontuou mesmo apenas tendo visto Neji usando farda. – Pensei que se incomodaria. Eu estou incomodada com a minha.
— Eu adorei está roupa. Vou usar sempre. – A Mitsashi arregalou os olhos. Ele definitivamente não estava bem, pois sentia a sinceridade em suas palavras e a falta de sarcasmo.
— Para onde estamos indo? – Tenten questionou deixando a nova personalidade do Hyuuga de lado. Ele entrou num vagão e ela o seguiu.
— Vamos pegar um pacote. – Tenten ficou em silêncio, mas não conseguiu segurar o riso. O homem alto, vistoso e másculo de sempre estava fora de contexto naquela roupa. Alguém tinha o sacaneado e bonito.
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Estava sentado em uma cadeira de plástico olhando fixamente para a portinha do guarda-volumes, quando um trabalhador de construção civil se sentou na cadeira ao lado da sua. Nenhuma palavra foi trocada.
Sasuke tirou o capacete de proteção com finalidade de lustrar o acessório. Quando, mais cedo recebeu a ficha telefônica e ligou para o número contido naquele papel, encontrou do outro lado da linha uma voz desconhecida, mas que logo reconheceu como sendo do Nara.
E agora estava ali, onde Shikamaru havia dito para estar. Plataforma sete. O silêncio prosseguiu, mas Sasuke estava um pouco impaciente. Shikamaru olhou para sua veste e interrogou internamente a sanidade daqueles que trocaram a sua roupa e do Uchiha.
— Estamos esperando o que para sair daqui? – Sasuke perguntou baixo.
— Temos que pegar uma coisa no guarda-volumes.
— E por que você ainda não pegou? – Sasuke o rebateu rapidamente e ao se dar conta de um fato cerrou os olhos. – Já sei, você não está com as chaves.
— Exatamente. Não posso arrombar com uma multidão de pessoas olhando. – Shikamaru justificou sua espera. – Alguém deve estar com a chave.
— E o que te faz pensar que essa pessoa virá para cá? – Shikamaru negou. Teria que contar com a sorte. E estava achando que estava fazendo muito isto ultimamente. Sasuke colocou o capacete na cabeça novamente e ao realizar este gesto viu um casal bem vestido sentar na outra fileira de cadeiras.
Ino cruzou as pernas elegantemente e Gaara retirou o paletó como se fosse um trabalhador retornado para casa após sua jornada de trabalho cansativa. O ruivo fitou a portinhola com o número 52. Não tinha as chaves. Viu Shikamaru do outro lado e demorou a reconhecer o Uchiha.
— Eles não devem estar com as chaves. Caso contrário já teriam pego o arquivo. – Ino pontuou de forma baixa. – Vamos esperar?
— Sim, um dos outros seis deve estar com a chave. – Gaara disse, sua voz era grave. Ino o olhou de soslaio. O Sabaku parecia outra pessoa. – Onde está Neji?
Murmurou, pois desconfiava que o amigo não fosse vir naquela plataforma. Caso contrário já era para ele estar ali.
— Pensando em Hyuuga, aquela não é a Hinata? – Gaara cedeu atenção para Ino. Seguiu a direção da mão da loira que apontava para uma mulher vestindo peças de roupa casuais e óculos escuro sendo seguida a curta distância por um rapazote de boné. – Naruto?
Ino segurou o riso. Alguém não sentia empatia pelo rapaz. Gaara notou a presença de pessoas com porte vistoso e atlético. Estavam sob observação.
— Você pode andar mais depressa? – Hinata já tinha perdido a paciência com o loiro, o qual parecia dificultar tudo entre eles, inclusive o trajeto.
— Para quê? Agora estamos na plataforma certa. – Naruto disse observando os transeuntes com atenção. Hinata revirou os olhos assim que ergueu o óculos.
— Sim, mas não foi por esforço seu. – Hinata lembrou do pequeno detalhe. Tinham descido na plataforma errada por culpa de Naruto. – Reze para os outros ainda estarem aqui.
— Da para você parar de me tratar como um moleque? – Naruto disse, agora um pouco irritado. Hinata estava fazendo isso desde do momento que deixaram o ônibus.
— Então pare de agir feito um. – Hinata o encarou e Naruto trincou os dentes. Foi neste momento que viu Temari surgir entre um montante de pessoas que desceram do vagão. – Vamos ficar parado aqui por um instante.
Naruto nem mesmo questionou, pois percebeu outra dupla sentada a alguns metros. E se perguntava o porquê de Sasuke estar vestido como um trabalhador de construção civil.
— Sakura, o guarda-volumes. – Temari disse e a rosada afirmou. A médica se aproximou e sacou a chave do bolso. Abriu a portinha e visualizou o interior.
— Vazio? – Temari a ouvir tal pergunta olhou para dentro. Sakura tateou as laterais encontrando uma leve ondulação. Puxou o conteúdo logo depois e enfiou na blusa decotada. – Me precipitei. Deve ser um cartão de memória.
— Ótimo, vamos sair daqui. – Temari a chamou e seguiram para fora da estação. Shikamaru deixou uma expressão tediosa na face escapar. Algo estava errado, pois tinha sido muito fácil. Fez sinal para as outras duplas e seguiram o mesmo rumo que a Sabaku.
*
— Shikamaru, o que iremos fazer agora? – Naruto, quando chegou na rua sem saída onde a maioria dos combatentes estavam reunidos com exceção de dois perguntou.
— A melhor coisa a se fazer é cada um sumir por um tempo. Tinha pessoas atrás da gente. – Shikamaru arrancou a gravata. – Mas por alguma razão não tentaram nos impedir.
— Provavelmente estavam apenas vigiando. – Hinata pontuou. – Já que apenas Jiraya sabe da nossa existência. Deve ser o pessoal dele certificando-se que conseguimos o arquivo.
Todos olharam para Sakura, a qual estendeu o cartão minúsculo na palma da mão. Franziu o cenho, pois esperava um objeto mais vistoso, como um pacote. Shikamaru pegou o micro cartão e analisou o objeto.
— Minha cabeça parece que vai explodir. – Ino murmurou um pouco tonta. A droga ainda causava estragos em seu corpo. Apoiou-se no ombro da pessoa mais próxima afim de não ir de encontro com o chão. E Gaara a ver o estado a Yamanaka lembrou de algo importante.
— Sakura, você sabe que porcaria aplicaram na gente? – Os olhos verdes da médica reluziram e depois ela suspirou.
— Pelas reações, creio que foi a droga do estupro. – Sasuke franziu o cenho. – O indivíduo fica alterado por um tempo e depois apaga esquecendo de tudo o que aconteceu.
— Tipo aquela do filme se beber não case? – Sasuke olhou feio para Naruto.
— Da para você parar de fazer estas observações? – Hinata o repreendeu e ele jogou os ombros para cima.
— Mas por que você quer saber disto? – Temari disse enquanto verificava a saída da rua. Pela primeira vez Temari viu o irmão ficar em seu estado normal, como costumava ser. Sério e preocupado.
— Tem uma pessoa que não reage muito bem a qualquer tipo de substância psicoativa e ela não está aqui.
— Pelo jeito que você falou creio que não seja de Tenten que você está falando. – Shikamaru disse. Para ele alguma coisa cheirava mal, mas não se lembrava de quase nada do que tinha ocorrido.
— Neji tem reações adversas das reações desejadas de um medicamento. – Gaara começou enquanto também retirava a gravata. – Por exemplo se ele cheira cocaína o efeito da droga é oposto do efeito comum no organismo de qualquer outra pessoa.
— Entendi. Então a droga do estupro não deve ter derrubado ele como derrubou a gente. – Sakura deduziu e a ver o afirmar positivo do Sabaku sorriu. – Mas não precisa se preocupar, provavelmente o efeito já se dissipou.
— Aí que você se engana. Ele deve ter recebido dupla dosagem. Ele é um pouco resistente. – Gaara começou a andar com finalidade de retornar para o metrô. – Ele deve estar pilhado agora. Se ele não morreu provavelmente já matou alguém.
— Será que Tenten está com ele? – Ino questionou retoricamente, pois a situação parecia complicada.
— Mais Neji não era assim. – Hinata seguiu a dupla com pretensão de achar o primo.
— E não era, mas ele ficou assim depois de uma experiência que teve quando estava no Panamá... – Gaara cessou o passo ao se dar conta que tinha resolvido outro problema.
— Já sei onde podemos montar uma base segura. – Disse retornando para próximo dos outros. – Mas primeiro precisamos achar o dono da casa. E rápido.
*********
Ele só podia ter enlouquecido. Essa observação passava na cabeça de Tenten enquanto ela estava sentada no banco do vagão observando Neji galanteado uma mulher descaradamente.
— E mesmo com esta roupa ridícula ela está encantada. – Cruzou os braços após deixar um pensamento escapar dos lábios.
— Moça, você está bem? – Um rapaz sentado ao seu lado perguntou gentil. Certo que estava similar a uma louca varrida, mas era a quinta vez que ouvia aquela pergunta.
— Eu não pareço bem? Estou ÓTIMA. – Perdeu a paciência, pois por algum motivo desconhecido Neji estava lhe arrastando para o outro lado da cidade. E ainda tinha que ouvir as perguntas inconvenientes de terceiros? O Hyuuga riu e a puxou pelo braço.
— Vamos descer. – Saíram do vagão com o braço entrelaçado. Como se fossem um casal das antigas. Neji olhava para todos e para tudo e Tenten seguia o seu olhar inconformada.
— Não precisa ficar com ciúmes. – A voz grossa do homem fez uma observação similar as outras trinta e tantas observações que tinha feito desde que se encontraram.
— Posso saber se estamos chegando agora? – Tenten desviou dos olhos do Hyuuga para fitar a frente a tempo de ver um segurança armado vir em sua direção despreocupado. Sentiu o braço entrelaçado ao seu afrouxar e nem teve tempo de pensar, quando Neji praticamente a jogou em cima do guarda.
Tenten caiu em cima do homem robusto incrédula e viu o Hyuuga fazendo cena com o canto dos olhos.
— Me desculpe, ela é mesmo muito desastrada! – Tirou Tenten de perto do guarda a deixando no chão enquanto ajudava o segurança levantar. – Caindo deste jeito sobre um homem da lei.
— Sem problema. – O homem disse sentindo-se um pouco vangloriado por ter sido reconhecido como um homem da lei. – Mas da próxima vez a senhora estará encrencada. Dê as dosagens certa de medicamento para ela.
Tenten abriu a boca em um círculo perfeito pronta para arrumar a maior confusão com o homem, mas Neji a puxou, novamente, para longe. Quando adquiriram distância ela se afastou.
— O que você está pensando seu louco? – Quem parecia uma louca era ela, mas na verdade quem agia feito um era ele.
— Eu só precisava de uma distração para pegar uma coisinha. – Neji disse e Tenten levou a mão até a boca quando viu ele engatilhar a arma de fogo que tinha furtado no meio de uma multidão.
— Olha só! Chegamos. – Neji a cortou antes mesmo de ouvir mais protestos. Olhou para trás. Tinha despistado todo mundo que o seguia. Tenten viu que saíram do metrô e estavam na estação de trem.
— Agora vamos roubar um guarda-volumes e pegar este maldito pacote. – Tenten suspirou. Ele estava completamente fora de controle. Neji antes de seguir com o seu objetivo parou em frente a uma pequena loja. Furtou descaradamente um vestido em um manequim exposto. Virou-se para Tenten que olhou desconfiada.
— Tira a roupa. – Disse na lata e Tenten levou as mãos para frente do rosto, quando as pessoas olhavam a cena de perto por escutar a frase sem nexo do Hyuuga.
— Como é? – Questionou um pouco embasbacada. Estava sofrendo na mão do Hyuuga.
— Tira a roupa. – Repetiu e fitou o local. – Entendi. Muita gente olhando para você trocar de roupa.
— Que ideia sem noção Neji! – Gritou entre dentes quando o homem jogou o vestido furtado na cesta de lixo.
— Você não estava reclamando da sua roupa? – Neji destravou a arma e apontou para cima. O que ele estava pensando que iria fazer? – Só estava tentando ajudar!
Efetuou três disparos no teto. As pessoas começaram a correr aos gritos para longe do alucinado do boné de alce.
— Sempre odiei aglomerações. – Neji pontuou e invadiu uma saleta destinado a funcionários. Atirou no cadeado com numeração 52. – Tenten!
Chamou a companheira que vigiava a porta. Ela tinha outra opção? Neji achou um pacote envelopado. Rompeu o lacre achando um montante de papéis e cartões de memórias.
— A polícia irá vir para cá, sabia? – Tenten disse nervosa. – Qual é o seu conceito de discrição?
— Não se preocupe. Já estamos de saída. – Viu ele enfiar o pacote rente as calças e seguir para saída da estação. Ela não fazia ideia de como ele tinha chegado a aquelas conclusões. – Agora vamos roubar um carro. E quando tudo isso acabar vamos dormir por vinte e oito horas.
— Você está falando coisas sem nexo, sabia? – A Mitsashi estava derrotada. Não iria mais questiona-lo ou contraria-lo.
— Estou sem dormir a três dias, acho que mereço um descanso. – Tenten o olhou sem dar importância. Ele estava completamente pilhado e o nível de adrenalina deveria estar nas alturas. – Iremos para Costa Rica. Só nos dois.
— Aham. – Tenten revirou os olhos, quando o Hyuuga quebrou o vidro de um carro estacionado com plateia e tudo. Estava chamando atenção demais para quem estava morto.
— Não está com saudades de ninguém? – Tenten questionou assim que fechou a porta do carro. Neji a olhou pelo canto dos olhos quando acelerava ainda mais. Ela estava tão calma diante da sua insanidade. Tenten referia-se a Gaara.
— Não, eu tenho que me concentrar no meu ponto de referência, caso contrário vou surtar de vez. – Neji ultrapassou dois sinais vermelhos e freou o carro abruptamente fazendo Tenten ranger os dentes. Iria morrer depois de tudo daquela forma?
— Ponto de referência? – Questionou enquanto o Hyuuga dava ré no meio da avenida abarrotada de carros.
— Sim, você no momento é meu ponto de referência. – Neji olhou pela janela e sanou suas suspeitas. Realmente tinha visto o ruivo em uma rua. – Geralmente é o Gaara, entretanto confesso que estou achando você bem mais agradável, mas temos um problema.
— Que problema? – Tenten gritou assim que ele invadiu um canteiro, atravessou e invadiu a outra via. Estava contramão.
— Seu soco não é forte o suficiente para me nocautear. – Ele estava concentrado. Suando e seu sistema nervoso central pronto para entrar em estado depressivo em alguns minutos.
*
Tinha acabado de definir os pontos de partida que cada dupla sairia dentro do raio delimitado que buscariam pelo Hyuuga e depois por Tenten, quando um carro preto quase os atropelou. Pela vidraça quebrada viram um boné com chifre de alce e uma Tenten branca feito papel.
— Neji? Que boné é esse, cara? – Gaara o questionou assim que o Hyuuga deixou o automóvel com um sorriso nos lábios.
— Gostou? Ganhei de presente. – Neji disse. Estava suando e começava a balançar o corpo como se fosse um lutador preste a entrar num ringue. Na tentativa de relaxar os músculos. – Isso vai doer, não vai?
— Vai. – Gaara disse arregaçando novamente as mangas da blusa. Cerrou o punho e Neji fechou os olhos. Os outros olhavam um pouco abismado para cena. Era muita informação junta. Gaara deu um soco na face do amigo, mas ele não caiu como o de costume. Franziu o cenho. Neji cuspiu sangue pela boca.
— Você pode me apagar logo? Estou entrando em colapso nervoso! – Gritou e recebeu dois socos. Um de Gaara e outro de Ino em sequência. Caiu no chão apagado feito um boneco inflável. Gaara olhou para loira, a qual parecia assustada.
— Eu só quis garantir. – Justificou o soco. Gaara viu o pacote e o pegou logo em seguida.
— Quer explicar, Tenten? – Sasuke a questionou e ela apenas negou.
— A história é longa. – Disse ajudando a carregar o Hyuuga para dentro do carro. – No caminho eu conto, mas agora precisamos de um avião. Temos que sair deste país.
— Tenho uma ideia de onde poderemos ir. – Gaara disse um pouco mais descontraído.
— E eu tenho uma ideia de onde podemos arrumar um avião. – Hinata comentou. Shikamaru a ver os arquivos intactos e aparentemente os verdadeiros sorriu.
— Então vamos, pois temos uma missão para cumprir. – Shikamaru disse indo furtar outro carro.
— Nem preciso dizer que isso parece os filmes de ação do...
— Cala a boca, Naruto! – O loiro foi repreendido por um coral nervoso. E minutos depois deixaram aquela rua. E horas mais tarde um homem acordaria perdido em um país da América Central.
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