Combatentes
30 A suspensão
Notas iniciais
7 meses depois – local desconhecido
A franja impecável no lugar, os olhos delineados no efeito gatinho. Como as coisas haviam mudado depois de sua última missão em grupo. Fitava pelo retrovisor o fluxo tranquilo de automóveis. Logo os pares de olhos bonitos penderam para o retrovisor. O que estava acontecendo?
Hinata ligeiramente desviou os olhos para a tela do celular sobre o banco do passageiro do carro. Naruto estava lingando. Abriu o porta-luvas desajeitadamente afim de sacar um revólver a ver o carro colado ao seu apresentar uma aproximação abrupta. Tratava-se de queima de arquivo?
Os lábios bonitos abriram junto ao descer do vidro da janela do motorista, apoiou o revólver no punho apontando para a direção da outra via, onde o outro automóvel tomou.
Era a hora.
Não soube o que a fez direcionar os olhos para o celular uma última vez. Pela barra de notificação em milésimos absorveu a mensagem. O pé no freio estancou o movimento do automóvel inesperadamente a fazendo bater a cabeça no volante.
Ação que desenfreou uma carreira de automóveis batidos. A traseira do carro estava destruída. A imagem estava turva e não conseguia se livrar do airbag devido seus movimentos lentos e aquele mormaço causado pelo calor estridente daquele dia de sol apenas piorava tudo. Uma filipeta de sangue escorria entre os fios de cabelo de tom atípico indicando um ferimento na cabeça.
Desmaiou.
Puxou oxigênio profundamente ao sentir o golpe de ar milésimos depois da retomada de consciência. Posicionou o revólver que segurava firmemente novamente. A sandália de salto quadrado e sola vermelha encostou no asfalto ao mesmo tempo que, institivamente, abaixou a procura de abrigo efetuando um disparo a esmo em sequência.
— Ei! – Ao ouvir o alarde um misto de sentimento tomou a Hyuuga. Não sabia se estava feliz por ouvir o tom de voz depois de tanto tempo ou se deixava o seu estado de alerta em permanência. – Qual é a dificuldade de atender o celular?
A ver o par de olhos azuis e a cabeleira loira tão presente durante o convívio entre os membros que executavam a missão Cadillac 52 novamente, a deixou confusa a ponto de manter a arma apontada para o Uzumaki.
— A regra de estabelecer contato foi por água? – Primeiro Naruto estranhou aquele linguajar da Hyuuga e não entendia o porquê da permanência do revólver apontado em sua direção.
— Você está sangrando. – Hinata piscou algumas vezes diante da informação enquanto Naruto apontava com o dedo indicador para própria cabeça no reforço de informação sobre o sangramento. – E temos que ir. As regras foram refeitas.
Naruto lhe deu as costas e Hinata captou a tensão do Uzumaki. Fazia um ótimo tempo que não o via, bem como nenhum outro combatente. E não soube elaborar os seus sentimentos por isso o seguiu no automático.
— Você seria morta no cruzamento da próxima esquina. – Colocou o cinto com as informações fervilhando sua cabeça. Mas porquê depois de tanto tempo? Não via sentido. – Te explico depois.
Naruto cantou pneus ao acelerar o carro abruptamente. O silêncio reinou entre a dupla. Hinata cerrou os olhos. As coisas não haviam acabado bem. E a retomada do contato por um dos combatentes significava apenas uma coisa.
Voltariam para concluir aquele grande assunto mal acabado.
*
Semanas depois da execução da missão – E.U.A
A luz fluorescente do teto fez suas pálpebras piscarem algumas vezes. Percebeu a máscara de oxigênio posta desconfortavelmente em sua face, tentou remove-la, mas não juntou força o suficiente na musculatura para mover os braços.
Gaara observou os fios, o quarto hospitalar, a poltrona vazia e os aparelhos que, supostamente, deduziu que o mantinha vivo. Havia despertado e após sua inercia o seu cérebro tratou de faze-lo recordar do seu último pesadelo.
A respiração se alterou e o alarde da máquina de controle cardíaco disparou alerta para a equipe de enfermagem. Logo a equipe adentrou o quarto e dentre todos os rostos desconhecidos, ao virar a cabeça sem objetivo em direção a porta pode vê-la. A Yamanaka trajava vestes informais e seu rosto deixava transparecer a surpresa pelo o retorno de um morto-vivo.
O que havia acontecido com a missão? Não se recordava dos desdobramentos. Somente de estar sendo estraçalhado por cães e de estar acordando naquele exato momento.
Novamente apagou.
*
Território aéreo aliado. – Horas depois do fracasso da missão.
Oi. – Desejou sorrir a ver as esmeraldinas tão próximas e ao ouvir a voz da Haruno. – Juro que se tivesse um pouquinho de anestésico lhe dava, mas não tenho. Então seja um bom garoto e morda isso quando ordenar.
Iria forçar a fratura do membro inferior. O Uchiha desejava estar desmaiado, mas pelo visto tinha uma ótima resistência a dor.
— Não adiantar dar pontos. – Sakura prosseguiu em seu discurso baixo, fitou Gaara pelo canto dos olhos estável no risco. – Assim que a Hina pousar no hospital militar mais próximo o traumatologista irá querer dar uma olhadinha nisso aqui.
Os olhos negros a fitaram mais uma vez e sua expressão foi de pura dor ao sentir o tensionamento da região ferida. Pousou a mão em cima da feminina em uma suplica pela pausa.
— Aguente firme. – O pedido se fez em um sorriso. – Não podemos perder você também.
Um amargor desceu pela garganta do Uchiha. Passou os olhos pelos membros da equipe. Naruto e Tenten não estavam no helicóptero, Gaara praticamente em estado de coma, os outros combatentes derrotados, e medica da equipe permanecendo em sua função.
— Não se preocupe. – Viu a expressão cansada e de alivio ao ouvi-lo. – Não vai ser uma hemorragia a me derrubar.
— Eu sei. – Sakura arrematou o assunto ao ter a face afagada pela mão gélida do piloto. Sasuke estava perdendo calor. – Foi um caça.
Sorriram. Um para o outro. Privativo deles.
Tudo ficaria bem, apesar de não ter obtido o melhor desfecho.
— Solicito permissão para pouso. – Ouviram Hinata em sua solicitação. – Soldados gravemente feridos.
Shikamaru olhou para a cabine onde a Sabaku estava no banco de copiloto. As coisas haviam acabado mal e pensamentos inóspitos o tomavam quando o seu celular tocou. Atendeu segundos depois.
— Estou com dois combatentes de sua equipe. – Não demorou para identificar a voz do outro lado da linha. Naruto e Tenten. — Deixei-os descansar. Lhe encontro no hospital. A missão acabou.
— Entendido, senhor. – Respondeu a Jiraya sem questionar. Não conseguia pensar. As hélices perdiam a velocidade, via em câmera lenta a equipe de médicos agindo velozmente para a retirada dos feridos do helicóptero de uso militar.
Procurou por um cigarro na farda machada de sangue. O torniquete em sua perna ferida podia esperar. O acendeu e exalou a fumaça em seguida.
O inconformismo o fisgou. Nunca havia fracasso em uma missão e as baixas de homens sempre foram presentes, entretanto algo havia entalado em sua garganta.
E ninguém o faria engolir.
*
Dias após ao fracasso da missão – E.U.A
— A intoxicação foi baixa devido ao curto período de exposição. – Fitava a ponta dos pés enquanto o corte profundo no lábio queimava e doía. Não lembrava como havia adquirido ele. – Aparentemente a sorte havia decidido ser sua aliada.
Escutava a enfermeira do hospital militar tagarelar quando tirava outra amostra de sangue de sua veia. Os olhos castanhos penderam para a noticia transmitida no aparelho televisivo.
“Não se sabe ao certo o que causou a enorme explosão, porém pesquisadores supõem tratar-se de elementos radioativos. Esta é a área limite de aproximação do local, visto ser radioativo e pode causar danos nocivos à saúde a exposição sem traje adequado. Felizmente entre esta tragédia o vilarejo situado a poucos quilômetros de distância não foi atingido e a população está sendo transferida apenas por segurança. Aqui é Jane Dias e retorno em breve com maiores informações.”
O programa jornalístico prosseguiu e Tenten apertou o acolchoado da maca onde permanecia sentada. Ao menos o vilarejo estava intacto e se Neji estivesse ali provavelmente iria dizer que explodir as coisas pode-se trazer alguns benefícios, mas apenas as vezes.
Tenten deixou-se sorrir por se pegar naqueles pensamentos. Não conseguia assimilar suas emoções, apenas doía.
Exatamente tudo.
Passou observar a plaqueta de identificação quando a solidão a abraçou na ausência da enfermeira. O que faria agora? O futuro parecia tão incerto novamente e um choro tolo a tomou quando percebeu que até nisto o Hyuuga lhe transmitia segurança.
Aquilo não era justo.
As coisas não podiam ter acabado assim. Não para ele. Não para eles.
*
Base não identificada – E.U.A
Era estranho como as piadinhas haviam ido embora, mas também era compreensivo. Não poderia provoca-la depois de tudo e não sabia como se aproximar. Naruto observava Hinata quieta em seu canto, como sempre fora durante toda a missão, mas o seu abatimento chegava a ser palpável.
Fazia poucos dias da missão, de obterem a perda, do fracasso em geral e as coisas não voltavam ao normal. Talvez nunca voltariam.
Gaara não acordava nunca, Ino em sua sentinela sem fim para com o ruivo, quando mal se aguentava em pé. Não tinha visto mais Tenten e chegava pensar que preferia assim. Não conseguiria lidar com aquele luto. Shikamaru e Temari haviam sumido, Sasuke havia sido submetido a uma operação de longas horas e recebia o seu descanso merecido. Não tão diferente da Haruno que fez valer seu código de ética na mão.
E lá estava. Ele e ela. No desconforto de sempre, mas agora em um nível diferente. A dor da perda deixa as pessoas vulneráveis e facetas antes não vista podem emergir.
Por fim tomou coragem para sentar ao lado dela na calcada do lado externo da estrutura grandiosa hospitalar.
— Quer uma cerveja? – Não sabia por onde começar então iniciou como conseguiu. Viu o menear negativo aéreo em sequência. – Imaginava que não.
— Como Sasuke está? – O questionamento surgiu, o contato ocular não. – Acabou a cirurgia?
— Sim. – Respondeu e fitou o céu estrelado. – Ele vai sobreviver.
Diante do silêncio fechou os olhos. Talvez colocações daquele tipo não fossem as melhores para aquele momento. Não conseguiu prosseguir com o diálogo com a Hyuuga e preferiu levantar-se afim de deixa-la sozinha, quando a mão dela pousou em seu ombro o fazendo cessar.
— Acha que ele aceitaria meu pedido de desculpas? – Os olhos azuis a encarou. – Quero dizer, nunca procurei por ele e quando tínhamos a chance de recomeçar ele...
A viu trincar o maxilar, os olhos marejarem e logo virar o rosto de lado. As palavras não ditas era o que mais doía.
— Não sei se ele teria motivos para não aceita-las. — Proferiu incerto. Não sabia do que Hinata estava falando. – Só não pense mais nisto, está bem?
— Não é algo que eu queira fazer, mas as lembranças surgem uma atras da outra. – Pausou. – E da ultima vez que nós conversamos apenas foi uma troca de farpas sobre nossos pais que já haviam partido enquanto nós continuávamos aqui.
— Não considere aquela discussão como a última conversa. – Naruto a interrompeu e Hinata o olhou perdida. – Sabe, você deve ter algo melhor para lembrar já que ele era tão importante assim como está deixando aparentar.
— Ele era a única pessoa que eu tinha. – Naruto a viu limpar os olhos e foi naquela frase que percebeu. Não sabia exatamente nada sobre os primos além do que ambos haviam mostrado. Hinata buscou se recompor, todavia seu coração estava partido e o ressentimento a sufocava.
Permitiu se sorrir ao meio do choro contínuo ao recordar-se de lembranças de um tempo distante.
— Sabe. – Naruto sentiu uma pressão horrível no peito ao vê-la tentar ser a Hinata que sempre foi. – Ainda quando estávamos no ensino médio uma garota grudou chiclete no meu cabelo. E eu fiquei tão desesperada com aquilo e sem reação que apenas sabia chorar.
— Grudaram chiclete no seu cabelo? – Naruto a interrompeu fazendo cara de incrédulo, pois a seu ver quem em sã consciência faria aquilo? Pode ver o contido sorriso surgir e desaparecer rapidamente.
— Acredite se quiser, mas eu não passava de uma garotinha tímida e assustada. – Um sentimento de nostalgia a tomou e Naruto cedeu abertura para continuidade do seu conto. – Ele passou horas me ajudando com aquilo para que não precisasse abrir um buraco em minha cabeça, mas mesmo assim não se teve jeito.
Riu e mostrou para Naruto onde o chiclete havia sido grudado na época.
— Naquela época já era fissurado por bonés e foi a alternativa mais viável que ele me deu. – Hinata negou com a cabeça. Tinha sido o fim do mundo aquilo para ela ao meio da tormenta que era ser perseguida pelo mesmo grupo de garotas. – Enfim, ele acabou sendo suspenso por fazer a mesma coisa com a garota que estragou meu cabelo. Dias depois meu pai me levou no cabelereiro e Neji recebeu o maior sermão sobre resolver as coisas com infantilidade. Algo de dar o troco na mesma moeda.
— Tenho certeza que ninguém mais te atormentou depois disto. – Naruto complementou e a viu afirmar positivo. O pensamento era distante. O loiro incerto passou o braço pelos ombros femininos. – Ele deve estar orgulhoso da mulher que se tornou.
Os olhos novamente marejaram e Hinata acabou por abraça-lo sem pensar. E Naruto fez o mesmo.
*
Base aliada. – E.U.A
— Primeiramente sinto pela perda do colega, senhores. – Shikamaru e Temari se entreolharam. – E desculpe chama-los tão rapidamente, mas precisamos seguir devido a gravidade do problema.
— Compreendemos perfeitamente. – O Nara olhou a Major. Temari parecia sem sentimentos. Como se o impacto e os danos daquela missão não a afetasse. Ambos estavam rente a mesa localizada em uma saleta pequena. Viram Jiraya tirar o quepe e joga-lo sobre a mesa e o seu longo suspiro em sequência.
— Não foi possível localizar o corpo do combatente. – Desviou o olhar e focou em Shikamaru em seguida. – Graças a rebeldia em desacatar uma de minhas ordens, ou seja, invadir a base da aeronáutica possibilitou que membros aliados retirassem os outros combatentes por terra já que fomos obrigados a entrar em ação.
Os olhos verdes logo correram para os negros do Nara na solicitude de compreender aquela conversa. Aquela infiltração não era de toda sigilosa?
— Solicito minhas desculpas, senhor. – Shikamaru adiantou-se. – E me responsabilizo integralmente por essa ação.
Temari entreabriu os lábios na finalidade de prosseguir com o diálogo, porem foi surpreendia com a mão máscula do Nara pousando rapidamente em sua perna por debaixo da mesa em sua solicitação para manter-se em silêncio.
— Manifestação aceita. – Jiraya levantou-se indicando ser o final daquela conversa. – Passe todas outras informações conclusivas ao meu subordinado.
— Sim, senhor. – Shikamaru novamente foi mais ágil e um inconformismo brotava no peito da Major. Desconfiava das palavras seguintes que iriam surgir.
— Este País agradece pelo serviço prestado, senhores. – O capitão cessou no meio fio da porta. – Os combatentes sem prejuízos físicos estão à disposição. A missão acabou.
Temari engoliu a seco em seu descontentamento. Não era justo, o trabalho não havia sido concluído e Neji não os tinha deixado em vão.
— Isso não está aberto a discussões, senhores. – Jiraya já prevendo o questionamento adiantou-se. – Outra equipe já foi escalada para continuidade da missão, agora com o grupo terrorista identificado e com intervenções concretas.
A equipe estava desfeita. Cada qual deveriam retornar para o posto de origem.
A porta de metal pesada se fechou deixando dois combatentes reflexivos e inquietos.
— Não faz sentido. – Temari murmurou perdida em seus pensamentos, porém viu o menear positivo de Shikamaru concordando com sua manifestação.
— Na verdade até que faz. – O Nara começou a caminhar e um sentimento angustiante o tomou. – Irão nos tirar da jogada.
Temari transpareceu surpresa, entretanto seu raciocínio rápido tratou de acompanhar o raciocínio de seu colega.
— Precisamos alertar o restante dos combatentes – Em seu manifesto solitário baixo o suficiente somente para ela ouvir.
— Não. – Shikamaru interrompeu a caminhada fazendo Temari ir de encontro ao seu corpo sem essa percepção. Olhando nas írises dos olhos dela negou com a cabeça. – Serão espertos o suficiente para perceber. Sem contato até segunda ordens.
Temari inspirou ar e deixou-se sorrir minimamente. O tempo iria correr após isso.
— Sim, senhor.
*
Base Aliada – E.U.A
A equipe outrora formada por dez combatentes, apresentavam-se ao seu superior de pé no pátio daquela base, somente sete perfeitamente alinhados e trajados com a farda de gala. A ausência de dois era perfeitamente justificada. Afinal Gaara estava em estado de coma e seguia sem resultados animadores, e enquanto Sasuke mal conseguia-se manter em pé permanecia em repouso no hospital militar.
— Soldados, conforme a orientação todos presentes estão a dispor de seus antigos superiores antes desta convocação. – Ao ouvir Sakura abaixou minimamente a cabeça. Sentia por aquilo e em sua percepção compreendia que a missão havia fracassado e consequentemente acabado. Desejava resultado diferente.
— Permissão para falar, senhora. – Tsunade já esperava pelo manifesto do piloto do raposa-vermelha, afinal não podia ser diferente.
— Permissão concedida, prossiga. – O Uzumaki fitou a pessoa em seu lado. Hinata já não demonstrava tanto abatimento como nos dias passados ao contrário de Tenten. Conforme o passar das horas a sua energia contagiante se esvaia.
— Tenho certeza que gostaríamos de prosseguir na operação da missão, senhora. — Um fino sorriso brotou no rosto da superior, mas logo sumiu. Alguns combatentes perderam a postura para olhar para o loiro. Onde Naruto queria chegar? Não havia compreendido a mensagem? Na verdade, apenas gostaria de terminar o que havia começado e quem sabe então aquele sentimento esquisito dissipasse. Repentinamente uma memória o invadiu, momento em que Sasuke o alertava o quão era perigoso estreitar laços afetivos com aquelas pessoas. Porque no final poderia doer, como estava doendo agora.
— Infelizmente Sr. Uzumaki isto não é possível. – Tsunade os referenciou e saiu com a cabo Karin em seu encalço.
Tenten ficou olhando-a ir embora até desviar o olhar para o restante da equipe. Aparentemente aquela seria a despedida dos seus colegas, os quais conviveu por alguns meses. Ninguém obtivera tempo desde a retirada do campo para conversar com ela sobre a perda de Neji e aparentemente ela preferia assim. Se perdeu na hélice do helicóptero que pousava mais ao longe. Pelo visto a saída de alguns era urgente. Já sabia quais eram devida suas patentes. Sentiu o apertar no ombro e ao olha-la primeiro viu os tão costumeiros fios encaracolados em um coque baixo perfeito. Era Temari.
— Não vá muito longe, fuzileira. – Tenten sorriu e prestou continência a vir Temari subir no helicóptero. Não entendia aquilo como uma despedida, mesmo acreditando que se tratava de uma. Viu Sakura acenar discretamente para si no encalço de Shikamaru adentrando outro helicóptero.
— Pelo visto lá se vão os marujos. – Escutou Naruto proferir e olhou para trás visualizando o loiro e a piloto restante.
— Foi uma honra poder trabalhar com você, garota dos explosivos. — Entreabriu a boca ao realizar a ligação. Novamente sorriu ao ouvir tal menção. Pelo visto o apelido tinha pegado mesmo. Iria proferir algo, entretanto Hinata já estava longe ao lado de Naruto. Sorriu com aquilo, pois poderia apostar com Gaara que aqueles dois acabariam juntos no final se houvesse um.
— Irei sair de licença por um tempo. – Começou a andar ao lado da Yamanaka quando finalmente esta declarou suas intenções. – Poderia pensar em algo similar, não acha?
— Não acho que ficar enfurnada em um trailer irá me fazer bem no momento. – Disse aérea sem prestar atenção de fato na conversa. – Agora por outro lado Gaara ficara muito contente em lhe ver ao acordar.
Ino cessou rente ao automóvel utilitário e ao abrir a porta fitou os olhos castanhos. O tempo estava passando e Gaara não havia apresentado melhoras clinicas e seus demônios internos começavam a zombar de si. Talvez, apenas talvez se eles permanecessem juntos durante a execução da missão ele poderia estar com ela agora.
— E mais contente em lhe ver também. – Tenten negou com a cabeça. Desconfiava que não iria conseguir manter-se ao lado de – agora, seus amigos na ausência eterna do Hyuuga. Preferia afastar-se por ora e seguir o rumo que a vida lhe desse.
— Mande lembranças minhas. – Ino não insistiu. Daria tempo ao tempo. A perda era significativa para todos, todavia pesava mais em alguns ombros. Feito os estreitos de Tenten e certeiramente nos ombros largos do ruivo.
O céu iria ruir ao saber que não poderiam ir para casa como haviam combinado.
— Não vá muito longe, senhora. – A loira proferiu ao abaixar o vidro detrás do carro. – Até a segunda ordens.
A morena ficou vendo o carro ir embora e a solitude a abraçar naquela base desértica. Não estava com a cabeça para pensar e pôs se andar até que sentiu o vibrar do seu celular. O pegou na mão, fitou a tela e as sobrancelhas se juntaram.
— Número desconhecido? — Era um habito não atender aquele tipo de ligação, contudo apenas aceitou. Os passos começaram a ficar lentos conforme a voz conhecida transmitia informações rente a sua orelha. Os pelos dos braços arrepiaram e o seu peito se aqueceu.
Embolsou o celular no blazer da farda e conteve o sorriso. Se Naruto estivesse ali, provavelmente iria dizer que o final daquela missão estava uma quão apagada. Sem brilho. E bom, se precisa de umas faíscas ou algo mais luminoso, como por exemplo, umas explosões e afins, contactaram a pessoa certa.
Afinal ela era mesmo um estouro de mulher.
Literalmente.
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