Coma

2 Here...


Notas iniciais
Uma pessoa só comentou ç.ç Sabia que tava ruim, mas eu ainda tinha esperanças, confesso U.U KK Espero que a linda e bela pessoa que tá lendo goste ♥ KKK
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Acho que, provavelmente, esse é o penúltimo Capítulo e.e
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Boa Leitura.

Na semana seguinte, quando o médico entrou naquele quarto tão conhecido, e viu o pequeno deitado desconfortavelmente na poltrona ao lado da cama, sentiu seu coração doer. Caminhou devagar por ali e parou enfrente a estante que tinha ali, vendo os porta retratos e acariciando um ursinho, sorrindo.


Observou atentamente uma foto onde Kay era abraçado por Ethan, que estava atrás de si e tinha o rosto enterrado no pescoço do pequeno, mas mesmo assim era possível ver o sorriso que dançava em seus lábios. Kay tinha um sorriso igualmente lindo na face, olhando fixamente para a câmera e em seus olhos era possível ver um brilho que o médico nunca fora capaz de presenciar.


A foto era tão simples, tão pura e transmitia tanto amor, que o médico simplesmente sentiu todos os pelos de seu corpo se eriçar. Sentia certo tipo de inveja daqueles dois.


Não da situação que estavam, é claro. Mas do que eles sentiam.


Observou o amor deles durante todos aqueles nove anos que Ethan estava em coma e que Kay ia ali. Lembrava-se da primeira vez que vira os dois e ainda conseguia ouvir o choro doloroso de Kay, implorando para que ele trouxesse seu Ethan de volta. Fora a única vez que vira o pequeno chorar, durante todo aquele tempo.


Lembrava-se de pensar, no começo, que Ethan iria mesmo acordar. Uma vez chegou até mesma a encorajar o pequeno, dizendo que se ele amasse mesmo o moreno, esperaria um pouco, pois no começo as chances de Ethan acordar eram um pouco maiores. Lembrava-se do sorriso enorme do pequeno e de como ele dissera que estaria sempre ali e que nunca deixaria desligarem os aparelhos de Ethan.


O médico concordou e não pode deixar de perceber como aquilo era adorável, mas no fundo sabia que quando completasse um ou dois anos o menor viria que as coisas estavam perdidas e deixaria os médicos – e a família do moreno – fazerem o que era melhor para o mesmo.


Mas quando ele indagou o pequeno sobre isso, depois de longos dois anos, Kay falou firmemente, mas sem a mesma esperança de tempos atrás, que quando falou que estaria sempre com Ethan, esperando ele acordar, não estava brincando.


E o médico teve a certeza plena daquilo quando viu os anos passarem e tudo continuar na mesma. Já conversara com o pequeno tantas e tantas vezes que chegara a perder a conta. Conversara sobre desligar os aparelhos de Ethan e explicara de todas as formas que Ethan nunca acordaria.


Mas o pequeno, como sempre, rebatia dizendo que existiam casos de pessoas que acordavam depois de vinte anos deitados inconscientes em uma cama e que ele não seria bastardo o suficiente para deixar Ethan ir de vez e não saber se ele poderia ter acordado. Kay dizia, todos os dias, que devia isso ao moreno ali deitado. Que esperaria até o fim de sua vida o moreno acordar.


E Steven sabia que sim. Conhecia melhor do que ninguém o passado dos dois e entendia que Kay fora sempre apoiado pelo outro e que ele era sua vida. Entendia que era difícil para Kay. Era difícil porque não conseguia ver ele forte. O médico sabia que aquilo era apenas uma máscara. Algo que ele estava fingindo ser e com o passar dos anos acreditava que era.


–Hey. – O pequeno murmurou, fazendo o médico dar um pulo para trás e se apoiar, ofegante, a estante.


–Kay! – Exclamou. – Meu deus, me desculpe! Eu não reparei o tempo passar e juro que não queria invadir a privacidade de vocês, de verdade! – Falava rápido, sem dar tempo para o pequeno interromper. – Mas eu vi essas fotos todas e vi o quão feliz vocês eram e...


–Steven, calma, está tudo bem. – Kay falou sorrindo, levantando da poltrona e indo para perto do médico.


–Oh, sim. – Murmurou envergonhado.


Ficaram em silêncio depois daquilo. Não era algo constrangedor. Kay estava com a fotografia que o médico observara antes nas mãos, sorrindo genuinamente para a figura.


–Eu tenho medo. – O pequeno sussurrou depois de alguns segundos, sem nunca olhar para o médico.


–Hm? – Steven saiu de seus pensamentos, olhando para o pequeno.


–Eu tenho medo. – Repetiu, com a voz dolorosa. – Medo de esquecer como ele é, se deixar desligarem os aparelhos dele.


–Você não iria esquecer, Kay. – O Médico murmurou confuso, sem saber muito bem o que falar.


–Eu sinto que sim, entende? – Murmurou baixo, estremecendo levemente. – Tenho medo porque, mesmo depois desses nove anos aqui, com ele e podendo o tocar, eu não lembro direito do som da risada dele. – Sussurrou com dor, fechando os olhos e deixando as lágrimas correrem por seu rosto, surpreendendo o médico. – E o som da risada dele me acalmava! – Falou exasperado, virando-se para o médico e deixando-o ver toda a dor que sentia. – Sempre quando as coisas estavam indo mau e eu chegava cansado em casa, era a risada e o sorriso dele que me faziam ter forças para aguentar tudo novamente. – Passou as mãos pelos cabelos, deixando claro seu desespero. – Hoje eu mal consigo me lembrar do som. Você tem noção disso? – Murmurou, não querendo uma resposta. – Isso dói tanto que às vezes eu acho que não vou suportar.


–Kay...


–Não! – Gritou o mais novo, colocando as mãos em seus ouvidos, abafando as vozes que gritavam em sua cabeça. – Eu sempre procurei abrigo em seus braços. Eu sempre deixei minhas lágrimas caírem naquele peito ali. – Apontou para Ethan. – Eu sempre pedi para que ele cantasse para mim. Eu fazia tantas coisas com ele, Steven, tantas! – Afirmou sem forças. – Eu não consigo mais sentir o calor dos braços dele... – Sussurrou, como se aquilo fosse um crime. – Faz tanto tempo que eu não o escuto cantando a nossa música que eu quase não lembro a letra! – O pequeno se abraçou, como se tentasse conter a dor que estava em seu peito. – Eu já não me lembro de tantos pequenos detalhes... E cultivo tantos outros...


–Quais? – Incentivou o outro, sabendo que ele precisava falar.


–Eu não sei se você percebeu, mas eu sempre durmo com a cabeça perto de uma das mãos dele. – O médico concordou. – Sempre quando eu fazia isso na nossa casa, ele acariciava meus cabelos até eu pegar no sono. – Sorriu triste. – Tem vezes que eu ainda acordo no meio da noite e vejo-o ali deitado e simplesmente o chamo, pedindo para ele ir comigo tomar água porque a casa está muito escura. – Deixou mais lágrimas caírem. – Então quando eu vejo que ele não vai rolar na cama e me prender em seus braços, pedindo para eu aguentar mais um pouco e ficar apenas ali, com ele, eu me desespero. – Explicou, puxando fracamente os cabelos. – Eu balanço ele e chamo. Choro com meu rosto enterrado em seu pescoço. Desejando que ele apenas me abrace e diga que as coisas iram ficar bem. – Sussurrou, fazendo uma dor aguda se instalar no peito do médico. – Eu estou deixando nossos melhores momentos escaparem por meus dedos...!


–Eu sinto tanto, Kay... – Murmurou sem saber o que falar, vendo a dor do pequeno.


–Eu ainda tenho pesadelos com o dia em que viemos parar aqui. – Continuou. – E eu ainda consigo lembrar-me do abraço que ele me deu pela manhã e do jeito sincero que ele disse que me amava. – Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios. – Eu lembro deter pensado que aquilo era estranho demais, porque parecia que era a última vez que ele dizia aquilo. Eu ri, acredita?! Eu ri porque achei que estava sendo neurótico. – Sorriu sem vontade. – Se eu soubesse o quão certo estava, jamais teria deixado aquele momento acabar e nem o deixar ir naquele maldito banco!


–A culpa não é sua, Kay. – Falou firme, tendo quase obrigação em tirar o peso dos ombros do menor.


–Se eu tivesse pedido para ele ficar mais um pouco, eu sei que ele ficaria. Se ele me abraçasse por apenas mais alguns minutos ele estaria aqui conosco, me apertando em seus braços. – Chorou com mais intensidade, deixando os soluços cortar seu peito. – Se ao menos eu tivesse ido junto...


–Você não precisa falar sobre isso, Kay... – Sussurrou, sem realmente querer dizer aquilo.


–Não, eu quero dizer isso! – Interrompeu o outro. – Eu preciso que você entenda meus motivos. Os motivos para eu não desistir do Ethan. – Sorriu fraco, indo até o moreno deitado e pegando sua mão, fazendo um carinho inconsciente ali. – Porque eu sei que apesar de você nunca me julgar, você sempre se perguntou como eu aguento isso e sei que me acha estúpido por deixar minha vida passar assim. – Viu o médico assentir. – Eu devo grande parte da minha vida a ele, entende?


–Kay, não é porque ele te ajudou em alguns anos que você deve algo a ele... – Murmurou cortando o pequeno.


–Eu nunca fui à pessoa mais popular da escola e nem tinha amigos, sabe? Era sempre vitima daquelas brincadeiras chatas que fazem e eu não consigo me lembrar de um dia que eu acordei com vontade de ir para a escola. Bom, não antes de conhecê-lo. – Riu divertido. – Eu tenho uma espécie de Fobia Social. Você, como médico, deve saber o quão ruim isso é. – O maior assentiu. – E quando eu pensei em desistir de tudo, porque já não aguentava mais ter o cabelo de todas as cores, ou os braços mutilados por consequência do que faziam, que eu encontrei ele. – Sussurrou com nostalgia, sorrindo inconsciente para o moreno na cama. – Foi no parquinho perto da escola. Eu estava chorando porque, como em todas às vezes daquela semana, os meninos jogaram tinta no meu cabelo. Eu chorava como nunca antes e mesmo estando apenas com 13 anos, eu já sabia que viver daquele jeito não iria me levar a lugar nenhum. – Deu de ombros. – E então ele apareceu. E me levou até sua casa, me limpou e cuidou de mim. Como nunca ninguém tinha feito antes. Fez os curativos em meus braços e não me julgou quando viu todas aquelas cicatrizes.


–Kay... – O médico sussurou perdido, sem saber o que falar.


–Ele sempre esteve lá. Por mim. – Continuou, perdido demais em lembranças para perceber que o médico o interrompera. – A questão é Steven, que eu simplesmente não consigo deixar que ele ficasse aqui, a deriva e sem ninguém, quando ele fez tudo isso por mim. – Suspirou cansado. – Ele me salvou e eu queria, de algum modo, salvar ele.


–E você realmente acha que ele gostaria de te ver assim? – Indagou, fazendo o pequeno olhar para si. – Ele teve tanto trabalho para te proteger, para você ter uma vida e agora você está aqui, deixando tudo acabar sem nem mesmo fazer nada para impedir. – Continuou, fazendo o loiro a sua frente se encolher. – Ele não gostaria de te ver assim, pequeno.


–Eu só... – Prendeu a respiração, passando as mãos no rosto. – Não gosto de ver ele assim, também. – Soltou o ar, frustrado. – Eu só queria que acabasse, entende?


–Entendo. – Concordou, acenando. – Mas eu acho que se você continuar assim, nunca vai seguir sua vida e nunca vai ser feliz de verdade.


–Eu... – O pequeno hesitou, olhando para o moreno deitado. – Sou feliz. – Sussurrou fraco.


–Mas Ethan não. – O médico confirmou, fazendo o pequeno franzir o cenho. – E eu sei que sua prioridade é fazê-lo feliz, então...


–Eu deveria desligar os aparelhos dele. – Afirmou, sorrindo triste. – Eu sei disso. Apenas não sou forte o bastante.


–Tem certeza? – O maior indagou. – Eu nunca vi ninguém tão forte como você, Kay. – O pequeno ia perguntar o porquê, mas o médico continuou. – Você está aqui há nove anos. Você tem morrido todos os dias, mas continua vivendo. Você defendeu Ethan de todas as pessoas que estavam contra ele.


–É diferente... – Murmurou, não querendo acreditar no médico.


–De qualquer jeito, eu preciso ir. – Steven o cortou, indo até a porta. – Eu voltarei. Como em todos esses anos. E eu sei que você está aqui, também.


O médico saiu do quarto, deixando um pequeno desolado para trás.


Steven sabia o quão desgastante aquela conversa fora para Kay e sabia que nesse exato momento ele deveria estar debruçado sobre Ethan, chorando como se sua vida fosse acabar.


E talvez fosse mesmo. Steven sabia que se algum dia o coração de Ethan parasse de bater o do menor não iria aguentar muito. O que eles tinham ia além de toques, conversas e qualquer coisa carnal. Era espiritual e, por mais clichê que fosse, era coisa de alma.


Quando chegou a sua sala, deixou realmente que as lágrimas caíssem por seu rosto. Sentia uma dor que tirava o ar de seus pulmões e que o fazia pensar em como Kay aguentava uma dor milhares de vezes pior, todos os dias.


Queria saber de onde ele tirava forças para tal ato. Queria saber se um dia amaria assim também.


Notas finais
Tá bem maior, né? *u* KKK Desculpem os erros e bom, digam o que estão achando, certo? E se devo continuar, tbm. Não sei pq coloco isso no plural, mas okaaaaay e.e KKKK
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Té mais. ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.