Com amor, Rosie.

1 Prólogo - Tragédias Acontecem


Notas iniciais
Oi pessoinhas lindas, tudo bem com vocês? Então, como já viram no aviso (ou não) estou repostando e reescrevendo essa fic porque tenho um apego muito grande a história, e quando a postei pela primeira vez eu não dei um final descente para ela (nem um começo e nem um meio hihi)... Então aqui vai a história da minha querida Rosie Whitmore, espero do fundo do ♥ que gostem! Até as notas finais.

O clima em casa não estava muito bom, meus pais estavam brigados, meu irmão havia terminado com a namorada dele e minha cachorra não estava de muito bom humor comigo. A semana tinha se arrastado, enquanto Logan trabalhava feito um idiota na empresa do nosso pai só para distrair a mente em relação à Chelsea (ex-namorada dele), eu havia entregado muitos currículos e feito muitas entrevistas à toa. Minha mãe estava muito irritada com as poucas vendas feita pela imobiliária dela e meu pai estava muito irritado com o preço do dólar. Resumindo: a semana tinha sido uma merda. Mas graças a Deus o final de semana estava batendo em nossa porta e nós precisávamos de alguma distração, e quando eu digo “nós” me refiro a mim e a Logan, já que meu pai não gosta de sair e prende minha mãe em casa junto com ele.

– Vamos Logan, por favor! – Implorei para o meu irmão. – É uma “baladinha” no centro da cidade, nada demais. Tomamos uma cerveja ou um drink e voltamos embora. – Expliquei novamente.

– Você chamou o Charlie? Porque se chamou eu não vou. A Chelsea deve ter ouvido a conversa e vai querer aparecer por lá só para me provocar. – Disse enquanto prestava mais atenção no notbook do que em mim.

– Na verdade, quem me chamou para ir lá foi o Charlie. E relaxa em relação à Chelsea, ela foi no shopping com a Chloe antes dele me convidar, e se você andar logo saímos antes delas voltarem. – Retruquei.

Infelizmente o meu namorado, Charlie, é irmão da ex-namorada do Logan, a Chelsea. Isso complica muito nossa vida porque ela sinceramente é um demônio em forma de garota e agora vive para provocar meu irmão. Logan conheceu Charlie durante o ensino médio e no mesmo dia em que Logan o apresentou para mim, Charlie apresentou Chelsea para nós. Foi estranho porque Logan e ela se apaixonaram quase que instantaneamente um pelo outro, já Charlie e eu levamos um tempo para notar que nossa amizade era muito mais que só amizade. O tempo passou e Charlie e eu continuamos firmes e fortes, mas Logan e Chelsea terminaram por causa de ciúmes idiotas por parte dela. Mas claro que Charlie e eu temos altos e baixos também, já terminamos e voltamos algumas vezes, brigamos quase toda semana, e Logan ainda não gosta do nosso relacionamento, mas também não me conta o porque.

– Ok. – Disse Logan olhando diretamente para mim. – Vejo que não tem como me livrar de você hoje, já está até arrumada.

Na verdade eu não estava tão arrumada assim, havia colocado uma calça jeans skinning, uma blusa surrada da minha banda favorita, Pink Floyd, e um tênis preto qualquer nos pés. Meu longo cabelo castanho escuro sem graça estava solto e minha maquiagem se resumia em pó, delineador e batom vermelho escuro matte. Normalmente eu me arrumava muito mais para sair, eram horas na frente do espelho fazendo um penteado e preparando a pele para me maquiar, fora o tempo escolhendo a roupa. Mas hoje eu tive que ser rápida se quisesse tirar Logan de casa.

– Ainda bem que você sabe. – Respondi.

– Só me deixa trocar de roupa, ok? – Disse ele enquanto ia em direção ao closet.

– Como quiser. – Respondi animada.

Desencostei da batente da porta do quarto e fui para a cozinha, meu pai beliscava algumas batatas fritas enquanto minha mãe terminava de cozinhar. Ele prestava mais atenção na tv no que minha mãe dizia, era muito irritante ver aquilo.

– Mãe. – Chamei interrompendo-a.

– Oi meu bem. – Disse ela enquanto se virava para me olhar.

– Ele não está prestando atenção no que você diz. – Disse simplesmente.

Ela manteve a boca aberta por alguns segundos e depois respirou fundo, um pouco chateada. Fui até ela e apoiei meu braço em volta da cintura dela. Os olhos dela estavam marejados e eu sabia o quanto ela sofria por dentro por não ter mais o casamento de sempre. Meu pai andava muito ignorante e grosso com ela, não prestava atenção no que ela dizia e só sabia falar de dinheiro e de ações. Estava se aproveitando da fraqueza emocional do meu irmão para fazê-lo trabalhar como um escravo na empresa da família, e andava dizendo coisas horríveis sobre mim durante reuniões de família e de amigos. E quando digo “coisas horríveis” não estou querendo dizer que ele me ofende com palavras de alto calão ou coisas parecidas, ele diz o que sempre fez questão de esfregar na minha cara, que eu não fui planejada e talvez tenha sido erro. Na minha infância isso me incomodava muito, tive surtos psicóticos e até um início de depressão, mas hoje em dia não me afeta mais e sinceramente não faz diferença para mim.

– Vamos? – Perguntou Logan, enquanto eu dizia coisas positivas para minha mãe.

O meu lindo irmão estava de jeans e camiseta branca, um sapatênis marrom nos pés, e o cabelo castanho claro um pouco bagunçado como sempre. Os olhos castanho escuros como os meus analisavam o ambiente, e aquele perfume forte e enjoativo dele dava tapas na minha cara.

– Vão aonde? – Se intrometeu meu pai.

– Acho que isso não é da sua conta, Paul. – Respondi enquanto soltava a cintura da minha mãe e ia para perto de Logan.

– Enquanto viverem de baixo do meu teto e...

– Blá, blá, blá. – Falei o interrompendo. – Mãe, nós voltamos logo ta?

– Tudo bem, querida. Qualquer coisa me liga ou manda um sms.

– O que? Tereza! – Esbravejou meu pai. – Com certeza eles irão nesses lugares mal freqüentados, fazer Deus sabe lá o que. E você Logan, tem uma reunião comigo amanhã de manhã! – Gritou.

– O relatório está em cima da mesa no seu escritório, não precisa tanto de mim, de qualquer maneira. – Respondeu Logan, desafiando-o.

– Relaxa Paul, voltaremos sãos e salvos para casa. – Brinquei.

– Não me preocupo com você, me preocupo com Logan. Ele não é de beber e ir a esses lugares como você. – Respondeu ele.

– Que ótimo então talvez só ele volte são e salvo para casa. – Retruquei.

– Maravilha! – Gritou meu pai.

– Paul! – Repreendeu minha mãe.

– Chega, vem Rosie, vamos. – Disse Logan enquanto me empurrava porta a fora.

– Tchau mãe, amo você! – Gritei para provocar Paul.

– Tchau mãe. – Gritou Logan.

Entramos no carro, eu como sempre no carona e meu irmão dirigindo, e fomos até a casa de Charlie, que ficava poucas a poucas quadras da nossa. Logan buzinou como um retardado enquanto eu mandava um sms para Charlie.

“Estamos na sua porta honey.” – Rosie, 21h16min.

“Já estou saindo, pede para o lindo do seu irmãozinho, PARAR DE BUZINAR!” — Charlie , 21h17min.

Mostrei a mensagem para Logan e foi aí que ele começou a buzinar mais enquanto quase tinha um ataque de tanto rir.

“É muito amor.” – Charlie ♥, 21h19min.

Infelizmente os momentos engraçados acabaram quando o conhecido Chevrolet Spark azul claro da Chelsea entrou na garagem. Instantaneamente a expressão no rosto de Logan mudou e da porta da casa Charlie nos olhava preocupado. Clima tenso à parte, mas Charlie estava lindo. Ele usava uma calça jeans escura, uma camiseta branca com uma caveira de estampa e um Vans preto nos pés, o topete preto como sempre arrumado e os olhos verdes intensos olhando diretamente para mim. Era incrível como ele roubava minha atenção até mesmo em momentos tensos.

– Oi docinho. O que faz aqui? – A voz fina e enjoada de Chelsea invadiu o carro.

– Oi pessoal. – Disse Chloe enquanto corria para dentro de casa com um monte de sacolas na mão.

– Oi Chloe. – Respondi para não deixá-la no vácuo, já que Logan não estava com cabeça nem para respondê-la.

– Chelsea estamos de saída, se não se importa. – Disse Charlie enquanto abria a porta de trás e entrava no carro.

– Não seja por isso, eu vou com vocês. – Disse ela, também entrando no carro.

A família de Charlie era uma ótima família, os pais dele eram os pais que eu queria ter, sempre educados e compreensivos. Chloe, a mais nova com apenas 16 anos, era super simpática e amigável. Charlie, com apenas 22 anos já tinha uma micro empresa com o primo e era o orgulho dos pais. O único problema da família era Chelsea, 23 anos, nunca trabalhou na vida e era super-ultra-hiper-mega-master-blaster mimada.

– Para de graça Chelsea, saí agora do carro. – Disse Charlie, enquanto eu olhava apreensiva para Logan, que podia explodir a qualquer momento.

– Logan, eu posso ir? – Perguntou, ignorando totalmente Charlie.

– Não, não pode. – Respondi antes de Logan. – Agora, eu não quero ser grossa e nem discutir com você, então saia do carro. – Pedi.

Ela me fuzilou com aqueles olhos verdes iguaizinhos aos de Charlie e desceu do carro. Logan pegou na minha mão e agradeceu em silêncio, enquanto Charlie parecia estar envergonhado por causa da irmã.

– Desculpem. – Sussurrou Charlie.

– Não foi nada Charlie, eu sei muito bem como a Chelsea é. – Disse Logan enquanto ligava o carro novamente e acelerava.

Não demorou muito para chegarmos ao bar, era um barzinho bem aconchegante com um toque de rock ‘n roll e blues, Blind Willie's, o melhor na cidade. Entramos e sentamos em uma mesinha próxima ao pequeno palco, onde havia uma banda tocando um som ambiente muito maneiro. A garçonete veio logo que nos sentamos, ela era morena e muito bonita, se apresentou como Silvia e anotou nosso pedido, que não foi nada além de cerveja. A noite passou rápida e divertida, a banda que estava tocando quando chegamos deu lugar à outra, e nós começamos a curtir ainda mais enquanto conversávamos e bebíamos.

Já era mais 00h00min quando eu vi que as coisas já estavam fugindo do controle, enquanto eu fui ao banheiro e Charlie foi me acompanhar até lá já que havia muitos homens no bar, consegui ver pelo canto do olho Logan se levantar e ir até o balcão, para com certeza paquerar a garçonete. Usei o banheiro e só quando fui lavar minhas mãos percebi a presença de Charlie ao meu lado, ele tinha um sorriso malicioso nos lábios e não demorou muito para que estivéssemos dentro de um dos banheiros se pegando. Não sei quanto tempo passamos ali, só sei que foi o melhor sexo que já fiz na minha vida. Mas o que é bom sempre acaba e daquela vez não foi diferente.

Quando saímos do banheiro, disfarçando o máximo que conseguíamos, o bar estava uma confusão. Pessoas gritando, outras rindo e todo mundo seguindo um fluxo para o lado de fora do bar. Tentei localizar Logan, mas foi em vão. Corri o mais rápido que pude para fora, deixando até mesmo Charlie para trás, e quando cheguei do lado de fora o ar parou de entrar no meu corpo e eu não sabia o que fazer. Silvia, a garçonete, estava tentando impedir um homem bem gordo e barbudo, estilo motoqueiro, de bater mais em meu irmão, que já estava caído no chão sangrando. Charlie correu em direção a Logan e o puxou para longe daquele louco, foi então que eu o vi indo para cima dos rapazes e entrei na frente, recebi um soco muito forte no rosto e caí no chão com a pancada.

– Não! – Gritou Charlie enquanto me assistia cair sem poder fazer nada, já que segurava Logan nos braços.

– Ei! Já chega! – Gritou um homem, que apontava uma arma na direção daquele louco. – Você está detido.

– Por quem? Por você? – Provocou o cara.

– Sim, por mim. – Disse enquanto mostrava o distintivo. – Para a parede, agora! – Gritou.

– Sim, senhor. – Respondeu o homem enquanto se apoiava na parede.

– Você tem o direito de permanecer calado. Qualquer coisa que disser, pode ser usado contra você em juízo. Você tem o direito de consultar um advogado, antes e durante o interrogatório. Se você não tiver condições de pagar um advogado o estado concederá um para você. Entendeu? – Disse o policial.

O rapaz apenas concordou com a cabeça e o policial o levou até uma viatura próxima dali. A garçonete veio me ajudar a levantar e disse já ter chamado a ambulância para Logan. Corri até Charlie e Logan, que já estava inconsciente. Tentei acordar Logan, o chamando, mas foi em vão. Assim que a ambulância chegou e os paramédicos atenderam Logan, o policial veio perguntar aos paramédicos para onde iríamos ser levados, e em seguida veio até nós.

– Eu tenho muitas pessoas para pegar depoimento, como podem ver meus colegas já estão fazendo isso. – Apontou para os policiais conversando com as pessoas que restavam ali na porta do bar. –Então, amanhã de manhã no máximo, passo no hospital para pegar o depoimento de vocês, tudo bem? – Disse ele.

– Ok. – Respondi enquanto observava o lugar.

– A senhorita pode vir comigo? – Perguntou ele para Silvia.

– Claro. – Respondeu ela. – Rosie, assim que der me liga. – Ela me entregou um papel com um número e acompanhou o policial.

– Rosie, eles já acomodaram o Logan na ambulância. É melhor você ir com eles. – Disse Charlie.

– É claro. – Respondi enquanto voltava à realidade. Era muita coisa para pensar.

– É a senhorita que vai acompanhá-lo? – Perguntou um paramédico para mim.

– Sim, sou eu. – Respondi ainda meio entorpecida.

– Então, por favor, o rapaz está piorando. – Disse enquanto me encaminhava para a ambulância.

Entrei na ambulância e segurei a mão de Logan, que estava desacordado.

– Rosie, vou avisar seus pais e te encontro lá. – Disse Charlie do lado de fora da ambulância.

– Ta. – Sussurrei.

– Eu te amo. – Disse ele.

A porta da ambulância se fechou e um nó se formou na minha garganta. O que tinha acabado de acontecer? Como uma noite que prometia ser incrível como aquela acabou se tornando um desastre? Meu irmão estava numa maca todo ensangüentado, desacordado e recebendo ajuda para respirar. E eu estava com uma parte do rosto roxa e com a cabeça latejando, sem saber o que fazer.

– Você está bem? – Perguntou a paramédica ao meu lado. – Seu olho está roxo.

– Estou bem sim. Mas e ele? Ele ficará bem? – Perguntei desesperada.

– Vai sim. – Disse ela de uma maneira tão estranha que eu não consegui acreditar.

– Eu quero que seja forte Logan. Não desista, por favor. – Sussurrei no ouvido do meu irmão.

Em poucos minutos chegamos ao hospital, Logan foi levado para a emergência e eu fui para a sala de espera, tentei me sentar e me acalmar, mas não consegui. Uma enfermeira alta e um pouco intimidadora veio pegar os dados de Logan e assim que terminamos e ela saiu vi meus pais, Charlie e Chelsea correndo na minha direção. Minha mãe me abraçou e meu pai também, perguntando se estava tudo bem e me analisando. Após isso Charlie veio me abraçar e Chelsea segurou na minha mão. Ela estava tão acabada e preocupada quanto meus pais e eu, eu via o sofrimento refletido em seus olhos verdes marejados.

– Eu disse que não era uma boa idéia sair, olha aonde viemos parar. – Disse meu pai.

– Não é hora para isso, Paul. – Rebateu minha mãe.

– Me desculpe pai. – Sussurrei.

– Não foi culpa sua, querida. – Disse ele olhando em meus olhos.

– Se eu não tivesse ido ao banheiro e tivesse ficado de olho nele não estaríamos aqui. – Choraminguei. – Foi culpa minha...

– Não, não foi Rosie. Foi algo inesperado e talvez fosse até pior se você e Charlie estivessem lá. – Disse meu pai. – Fique calma.

– Se tivéssemos ficado em casa... – As lágrimas e a dor me invadiram e eu desabei.

– Tudo vai ficar bem querida, estamos aqui com você agora. – Disse minha mãe.

Eu não sabia o que pensar, se fosse em outro momento eu ficaria feliz pelo modo como meu pai estava me tratando, mas naquela situação eu só queria saber como Logan estava. Vinte minutos depois, um médico alto e grisalho veio avisar que Logan entraria em cirurgia por causa do traumatismo craniano e que naquele momento ele ainda estava inconsciente, e que a cirurgia demoraria algumas horas. Todos entramos em um desespero maior ainda, o médico se retirou e voltou para a emergência, meus pais correram avisar os familiares e pedir por orações através de ligações, enquanto Charlie, Chelsea e eu ficamos sentados ali na sala de espera.

Chelsea e eu estávamos só o pó, não conseguíamos parar de chorar, e para mim tudo estava ainda mais difícil, já que eu não conseguia colocar os fatos em ordem em minha mente. As horas se arrastaram madrugada a fora. Os pais e a irmã mais nova de Charlie chegaram quando a cirurgia já estava completando uma hora, em seguida meus tios Jhon e Kate passaram para ver como as coisas estavam. Já passava de quatro horas de cirurgia quando enfim o médico apareceu na sala de espera.

– E então doutor, como está meu filho? – Perguntou meu pai desesperado.

– Ele está bem? – Perguntou minha mãe com os olhos marejados e esperançosos.

Eu também o olhava esperançosa e esperava do fundo do meu coração que tudo tivesse dado certo, mas então o rosto dele ficou mais sério do que já estava e eu entrei em desespero, já sabendo a resposta, mas não querendo acreditar nela.

– Ele foi espancado, a maioria dos golpes foram na cabeça, o que causou um trauma muito sério. – Ele respirou fundo e abaixou a cabeça. – Infelizmente o Logan não resistiu à cirurgia.

– Meu irmão está...

– Sim, o Logan faleceu. – Disse, completando minha frase.

Notas finais
Gostaram? Me digam o que acharam porque é muito importante para mim. Deixem um review, não sejam fantasminhas! Beijo no ♥ e até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.