Com amor, Léo.
1 A garota da cafeteria
Notas iniciais
Sentei em qualquer cadeira da sala.
Para dar uma explicação geral, eu, Léo Montes, estava em uma das escolas de Vancouver, Canadá. Um intercambio planejado a 4 meses atrás para chegar em fevereiro. Nevava muito ainda, mas pelo que ouvi iria acabar logo no próximo mês. Era basicamente minha segunda semana na cidade e na escola.
Nick se aproximou com a mochila e sentou do meu lado. Nick iria ser provavelmente meu melhor amigo o ano todo, foi quem me apresentou a escola e me ajudou a conhecer cada um da turma. Até agora vem sendo uma boa companhia. Era consideravelmente alto, cabelos negros e olhos tão negros quanto. Costumava usar óculos apenas quando estava enjoado de realmente não enxergar nada . Não era aquela pessoa que se destacava na sala mas dava pra ver que se esforçava para tirar ao menos a média.
—Bom dia- ele disse
—Bom dia- respondi com um sorriso
— Então, ontem o professor disse que teríamos que fazer dupla para...- Nick começou a falar mas houve algo meio estranho a seguir.
Tudo ficava mais lento, parecia que diminuía o volume e a velocidade aos poucos e então olhei para a porta. Nela havia uma garota de supostamente um metro e setenta, seu cabelos eram encaracolados e era um tanto compridos, olhos verdes e sardas nas bochechas. Não parecia ter se arrumado para vir ao colégio, estava sendo linda apenas daquele jeito. Ela se apressou e sentou a duas cadeiras de distancia, perto de uma amiga.
— E acho que vou na sua casa a...- Nick havia reparado que eu prestava minha atenção total a garota — Meu deus, para!- ele virou minha cabeça para que olhasse ele — Encrenca. Não. Não Clarisse- Disse baixinho
— Clarisse? — olhei para ela de novo que havia deixado um lápis cair um pouco atrás, esticou a mão para pegar e deu uma espiada em mim, com certeza percebeu que eu estava olhando. Voltei a atenção ao Nick.
— Tá bom que você é bonito e poderia até ser o cara que pode dar certo com ela e- Nick começou
— Posso?- perguntei e dei um sorriso, como assim? Eu não sou de olhar para qualquer garota e perguntar se eu tenho chance, não sou assim. O que é isso?
— Claro que não- Nick arrastou a cadeira para mais próximo — Ela não fica com um menino a muito tempo, boatos que ela parou de amar depois que o ultimo acabou com ela. Você simplesmente não pode, esqueça, ela é complicada e...
— Eu só olhei para ela- menti
Nick me olhou com uma cara de quem já vira isso se repetindo antes — Tá- Concordou. Voltou a colocar a cadeira de volta no canto e pegar algumas coisas da mochila.
Apoiei a cabeça no braço e olhei para as costas de Clarisse. "Não vou falar com ela nunca" disse para mim mesmo. A aula começou e foi exaustiva, ao fim da segunda aula perguntei ao Nick que ainda estava distraído finalizando o dever de casa de geometria.
— Nick, por que a Clarisse não apareceu as ultimas duas semanas? — perguntei tentando ser indiferente. Por debaixo dos óculos vi seus olhos se estreitando e uma das sobrancelhas subindo até sumir em seus cabelos que lhe estavam na testa.
— Ela viaja um pouco demais — ele disse e voltou para seu dever
— Será que ela já foi ao...?- disse muito baixo, na verdade foi mais para mim do que para Nick, este ouviu e respondeu ainda de cabeça baixa.
— Ao Brasil? já. — Ele levantou a cabeça e tirou os óculos para limpar — Por favor Léo, se for tentar algo para falar com ela pelo menos toma cuidado.
— Por que?- perguntei.
— Não sei, odeio quando tenho amigos que começam a namorar e me deixam de lado.
— Mas você só tem a mim- respondi rindo.
— Exatamente! mais um motivo do porquê não se apaixonar.
Ao final da aula, quando todos estavam saindo perguntei a Nick onde ficava a cafeteria mais próxima, não iria almoçar pois não iria para a casa da minha Host Family agora, teria que pegar alguns documentos em uma loja de intercambio na cidade. Na bolsa peguei o mapa da cidade que procurei pelo metrô. Nick marcou a cafeteria no mapa e saí da escola em busca dessa loja de intercambio. Segui em frente, a neve caía lentamente e a rua estava com grossas camadas de gelo e neve. Carros fumacentos passava de vez em quando mas em geral a estava vazia. Quanto as minhas vestimentas, o gorro e as luvas eram de um azul escuro e gostava deles, cheiravam bem.
Encontrei a cafeteria e havia cerca de 7 pessoas ou menos nela. Uma idosa que aparentava ser muito simpática me atendeu um pouco depois que sentei na cadeira. Depois que fiz meu pedido peguei um livro dado pela agência de intercâmbio e li um pouco sobre os pontos turísticos locais. Enquanto isso uma pessoa entrou na cafeteria, pela voz era uma menina, sentou logo atrás do meu banco. Não liguei, óbvio, meu café havia chegado junto com alguns pãezinhos e estava quente, isso é, estava muito bom para o clima que jazia lá fora.
— Com licença, é... Você é dá minha sala não é? É que percebi que está lendo esse livreto da Agencia ****** e eu já fiz algumas viagens por ela, você vai viajar? –
Olhei levemente para a pessoa que falava comigo. De começo apenas vi seus grandes olhos e depois fui que fui reparar. ERA ELA, JUSTAMENTE A CLARISSE.
—eu.... am....EU.....- Engasguei um pouco com o pão — Respirei um pouco, Clarisse não pareceu ter notado meu desespero — Eu sou do Brasil e estou aqui por intercambio.
— Sério? você só pode está brincando, eu adoro o Brasil!- Ela respondeu. Meu deus, como alguém poderia ser tão bonita falando, e tão perto, a um banco de couro vermelho a distância. Seus lábios e olhos, a maneira que falava e até as sardas abaixo dos olhos, os cabelos caindo aos ombros e sua mochila da escola, ela era perfeita. — Am... Se importa se eu sentar com você? estou debaixo do aquecedor e meu nariz sempre piora nessa troca de temperatura rápida.
Meu coração acelerou, eu só havia falado umas 4 palavras inteiras e prometi hoje de manhã que não falaria nem me envolveria demais com aquela garota, se eu me apaixonar o que seria capaz de acontecer? Minha vontade era de sair correndo. Quem sabe ela pode me achar um idiota se meu inglês não for bom o suficiente e outros milhões de problemas poderia acontecer só naquela hora. Com muita força mas sem demonstrar tudo isso, falei um simples — Claro- soou muito mais seguro do que eu imaginava, ela sorriu e se levantou. Eu estava muito perdido.
Fale com o autor