Com amor, Léo.
8 Os capangas de Mark
Notas iniciais
Capítulo 6:
Os capangas de Mark
Andy havia pedido transferência para a turma do terceiro A, na intenção de ficar mais próxima da gente. Sua relação com a Clarisse melhorou muito desde da festa da piscina, então mesmo as duas não comentando aquele incidente do meu beijo com Andy, as duas são bem próximas.
— Isso parece vomito de unicórnio – Clarisse exclamou, mexendo com a colher em uma massa estranhamente rosa que era nosso lanche dado pela cantina do colégio. Ambos nós quatro estávamos lanchando no refeitório.
Nick, com seu dedo tocou a comida que por sua vez pregou como se fosse pasta. – Que nojo...- comentou. Ele afastou o prato e limpou o dedo. Pegou sua mochila e lá retirou um pacote de biscoitos e dividiu com quem não quisesse provar da misteriosa comida rosa dada.
— Quando vamos fazer o trabalho de química? – perguntei
Nick mastigou sua comida e respondeu – Eu estou livre essa tarde...
— é sobre o que mesmo? – perguntou Clarisse
-Sobre Químicos orgânicos – Respondeu Andy olhando para as pessoas que passavam pelo refeitório. – Gente, aquele ali não é o Mark?
Clarisse soltou um leve gritinho e se abaixou. Léo e eu apenas viramos para ver. Sim, era ele. Andando com mais 3 amigos, formando sua gangue de patetas, andava em direção a mesa ao lado.
— Eles já foram?- Clarisse perguntou por debaixo da mesa.
— Eles sentaram a mesa ao lado – Andy olhou para Léo e para mim e depois disse – Será que ele ainda tem ressentimentos daquele dia?
Olhei fixamente nos olhos de Mark, este fez o mesmo e todos daquela mesa olharam para nós.
— Eu acho que sim- disse Léo.
Clarisse saiu debaixo da mesa e olhou para eles ambos os grupos se entreolhavam.
— Os 4 otários estão olhando o que?- Mark se levantou.
— Cala a boca... – revidou Andy
-Ora sua...- Mark chegou até Andy levantando-a apertando fortemente em um dos seus braços. Não aguentei, quando vi a cena já estava feita. Mark estava com um bloco de massa rosa em sua cara. Eu havia jogado o prato com a comida bem em seu rosto. Este soltou Andy e começou a vir em minha direção.
Saltei de minha cadeira e dei um soco em sua cara, agora melada de gosma. Seus amigos que estavam em choque vieram para cima de mim, dois me seguraram e o outro começou a me bater.
— Quem você pensa que é Garoto do Brazil.- um disse
Logo após acertaram meu rosto e comecei a ver tudo muito turvo. Antes de cair no chão apenas vi Nick levantar uma das cadeiras e jogar em cima do cara que bateu... Fechei os olhos e caí.
— Anda levanta – Nick me ajudava a levantar. Eu estava com a cara no chão e a testa cortada.
— Onde está ele?- perguntei me apressando.
— Clarisse e Andy estão com eles na diretoria, não se preocupe. As câmeras devem ter pego toda a cena.
— Elas se machucaram? – Me levantei e pus minha mão na testa, sentindo a ardência do corte.
— Não, Andy se meteu na frente com o celular e a foto do Mark caído no shopping, ameaçou imprimir na sala de computação e pregar por todo o colégio. Seria o fim da era Mark. Deu tempo Clarisse chegar com alguma autoridade e levar a todos.-
Nick me levou até o banheiro para lavar o pouco de sangue que havia em minha testa.
— Esse cara é louco – Falei, ainda lavando meu rosto.
— Se você falar para sua família talvez tirem ele do colégio... – Nick falou, estava encostado na pia olhando para seu próprio reflexo no espelho.
— Só quero que ele nos deixe em paz – Eu tirei a camisa e comecei a enxugar o rosto com ela.
— Quer que eu vá no seu armário pegar outra camisa? – perguntou Léo
— A senha é R1212- respondi. Nick saiu do banheiro me deixando só. Poucos minutos depois entra um cara no banheiro. Não olho, apenas continuo a lavar a testa e enxugar com a blusa.
— Você...- Disse o cara. Me virei para vê-lo. Era um dos capangas do Mark.
— O QUE VOCÊ QUER- gritei, tirando a blusa do meu rosto.
Ele olhou pra mim, não mais com raiva mas sim como se vesse uma cena engraçada. – Você ouviu o que o direto disse sobre você o Mark não é? – Ele foi até a pia e começou a lavar a mão.
— O que? – perguntei
— Ele acha que violência é o acumulo da falta do que fazer. Para continuarem na escola os dois terão que trabalhar para manter-se ocupados demais para brigar... – Ele riu um pouco, embora não tivesse a menor graça.
— Trabalhar no colégio? – Perguntei
— Não reclame tanto não Téo...
— É Léo.
— Não ligo. – ele disse enxugando suas mãos no papel e jogando no lixo. – Ele quer que você e Mark se apresentem na sala dele daqui a pouco. – Ele se virou e saiu pela porta. Logo mais vem Nick com uma camisa em suas mãos, estava olhando para trás, para o capanga do Mark.
— O que ele disse? – perguntou Nick.
Pensei um pouco sobre o que ele disse. – O diretor quer que eu trabalhe no colégio...
— Que saco. Já vi essa metodologia dele antes. Pelo menos você é pago. – Ele disse entregando a camisa. Vesti, peguei minha mochila e fui diretamente a sala do diretor. Mark já estava lá, esperando por mim. Entrei e só depois percebi que Clarisse e Andy também estavam lá sentadas esperando para nossa pequena discursão começar. Ambas olhavam fortemente para Mark, fuzilando ele com aqueles olhos.
A figura do diretor era um tanto peculiar. Um homem careca e baixinho, quase afundando em sua cadeira de couro fino. Este com uma das mãos pegou sua prancheta e leu em um alto tom de voz.
— Léo Montes? – Perguntou a mim.
— Sou eu mesmo.
— Sente-se- Ele apontou com um dos seus pequenos dedos para a cadeira ao lado do Mark. Sentei olhando para Mark como se ele tivesse alguma doença extremamente contagiosa.
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