Com amor, Léo.
4 Andy
O cara que estava na sala estava a alguns metros da gaveta. Ele fechou o notebook e olhou ao redor, meu coração quase saiu pela boca disparado. Clarisse parecia está respirando mais pesadamente. O cara então começou a farejar o ar e olhou diretamente para nós, para o espaço entre as duas gavetas. Eu estava para me entregar e sair logo de joelhos pedindo que nos liberassem mas então um outro adolescente que trabalha no cinema entrou na sala e disse:
— Vamos —
— Ah, claro. É só que essa sala está com cheiro de Maçã verde, loucura não? — disse o rapaz desviando o olhar da gente e andando até porta. Desligou a luz e saiu.
Clarisse foi a primeira a sair do espaço que nos reservara até o momento. Ela soltou os Mix dentro de um lixo próximo e olhou para mim, disse: — Será que ele nos percebeu?
— Se sim, acho que ele fez vista grossa, mas talvez estava escuro o bastante, quem sabe nem notou.
— Aquele rosto me era familiar — Ela disse e abaixou a cabeça.
— Olha, que tal irmos pra casa agora? está tarde. — falei, aquelas aventuras eram um pouco demais para um dia só. Saímos junto com as pessoas que saiam da sala de cinema, portanto não haviam nos percebido sair da sala. Saímos do shopping e fomos andando até a parada de ônibus.
— Ah... — recomecei a falar — Meu dia foi muito bom hoje — dei um sorriso bem largo. Ela olhou para o meu sorriso e olhou para meus olhos. Ah seguir vi uma coisa muito estranha acontecer... Ela ficou triste, Clarisse Wood havia ficado triste com um sorriso e um elogio. Me apressei e disse — tudo bem?
— Tá tudo bem, é só que está meio frio sabe? — Ela estava virada para a rua agora de pé e olhando para o chão. Seu nariz e bochechas vermelhas e olhos que agora estavam tristes.
— Eu... foi algo que eu disse? — perguntei, não acreditando em sua resposta.
Ela me olhou de novo nos olhos, mas sua expressão de tristeza nos olhos logo se transformavam em varias sensações como tristeza, raiva, confusão e ansiedade. Ela finalmente fitou o chão novamente e disse — O problema é comigo, relaxa. — Ela admitiu, provavelmente pensara que não iria poder me enganar.
Com toda certeza foi algo que fiz, ou algo que disse que a deixou assim.
O ônibus chegou e subimos, sentamos lado a lado e não havia mais gente dentro do ônibus além do motorista, Clarisse e eu. Não falamos nada durante a viagem e ela evitou contato visual diversas vezes, finalmente puxei um fone de ouvido e coloquei em apenas um ouvido, para caso ela falasse comigo. Nem precisou, Clarisse não falou uma só palavra o percurso inteiro. Ela desceu na rua de sua casa, me deu um Tchau com as mãos ainda na rua enquanto eu estava sentado dentro do ônibus. Nossas casas ficavam perto, uns 3 ou 4 quarteirões de distância. Desci e expliquei para minha Host Mom que fui ao shopping com uma amiga. Ela entendeu perfeitamente dizendo apenas
— Adolescentes...-
Tomei um banho quente, escovei os dentes e fui dormir.
No dia seguinte, havia acordado, tomado um café da manhã e esperava o ônibus da escola. Chegando na escola encontrei com Nick na sala.
— Nick preciso falar com você urgente — alertei a ele sentando a uma cadeira ao lado, já na sala de aula.
— É sobre o que?
— Clarisse
Nick se abismou e puxou sua cadeira para próximo a minha. Expliquei tudo que havia acontecido sem um ponto a mais. O roubo do carro, o gato com heterocromia e até o esconderijo entre duas gavetas. Ele estava boquiaberto, parecia que havia recebido um spoiler de um dos seus livros favoritos ou parecia que alguém lhe contara que o seu personagem favorito na série morria.
— Eu não acredito! — Ele exclamou
— Acredite, mas por algum motivo ela ficou estranha logo depois, mandei duas mensagens ontem a noite e nem foi visualizada. — Olhei para ao redor da sala e lá estava ela, sentada com sua amiga, conversando e rindo como se nada tivesse acontecido ontem a tarde.
— Se você pode dizer que ela está estranha é porque ao menos conhece como ela é normal. Eu estou incrédulo que você conseguiu mesmo falar com ela, ou melhor, ter um encontro com ela. — Disse Nick se animando mais do que devia.
— Calma ai Nick, a gente foi ao shopping de ultima hora, nada de encontros com velas e presentinhos — Afirmei. Imaginei a cena bem feita em uma das lojas do shopping, que loucura.
Uma aula depois, estávamos saindo da sala para nos trocar e seguir para a aula de Educação física. Me troquei e no corredor estava andando apenas Clarisse mais na frente, apressei o passo até chegar até ela.
— Oi — olhei para ela ainda andando rápido.
— Oii — Clarisse deu apenas uma olhada de esguelha, nada mais, nem um abraço, aperto de mão ou Hi-five. Nada.
POR QUE DIABOS ELA ESTÁ FAZENDO ISSO COMIGO?
— Está com raiva de mim? — ainda andando mas sem olhar para Clarisse. Ela parou de andar de repente e puxou uma garrafinha de agua e começou a beber, parei e olhei para ela. Tão bonita sendo ela mesma, com o cabelo amarrado e roupa de Educação física. Ela parou de beber e disse.
— Não Léo, eu só... Só não sou de falar muito- Ela voltou a andar rápido, fiquei para trás parado e olhando para ela. Era mentira, ela falaria com todo mundo se quisesse, ela realmente não quer falar.
E foi assim pelo resto da semana, a gente passava sempre na frente um do outro e nunca nos falávamos, deixei rolar.
se não queria realmente falar comigo então por que diabos fez tudo aquilo uma semana antes? Me fez pensar que ter algo legal, pelo menos que fosse algo como uma amizade. Não sei o que ocorre na cabeça dessa menina.
— Hey!- Andy era uma garota do Terceiro B, e eu do A. Não havia diferença entre as turmas, apenas que eram grande demais para ficarem juntas, então se dividiam entre B e A. Ela era loira e dos olhos claros, era muito bonita e as vezes falava comigo, era sempre rodeada de 2 amigas, fazendo assim um trio. — Léo, é que vai ter uma festa na casa da Lizzie e gostaria que você fosse –
Ela me convidou para essa festa, disse que Nick também poderia ir mas acho que apenas o convidou para ter certeza que eu ia. Não que Nick não fosse chamado para festas, era só porque ele geralmente não ia a nenhuma delas.
— Eu acho que vou — eu disse a Nick
— Por que? sempre são chatas — Nick rodava a caneta em cima de sua carteira, entediado.
— Ah não sei... Ouvi dizer que Clarisse poderia estar lá —
— Dá um tempo Léo, ela não fala com você a uma semana, por que falaria agora?- ele disse e tem razão, por que falaria?
Mais tarde, tomei um banho e coloquei uma roupa para ir para a festa. Falei para meu Host Parents e eles entenderam que poderia voltar tarde a noite, me deram uma cópia da chave para não ter que acorda-los, apenas disseram para que não volte bêbado. Sai a pé para a festa, era perto da minha casa, bom, nem tanto, mas eu gostaria de ir a pé.
20 ou 30 minutos depois cheguei a festa, era fácil identificar a casa pois era a única que fazia barulho e tinha luzes saindo das janelas. Havia pessoas deitado no resto de neve no quintal da casa, uns dois carros estacionados e pessoas que davam para ver que estavam dentro da casa. Me aproximei para entrar e puxei a maçaneta, que abriu e entrei. Havia muito barulho e muita gente, os jogadores de futebol americano estavam todos lá, as meninas e muitas outras pessoas do colégio. Não conhecia a maioria pois eram mais da sala B, e como dito, eu era da sala A. Encontrei um colega e ficamos conversando sobre algumas coisas até que Andy me encontrou e veio até mim.
— Você está um gato- ela disse
— Obrigado, você também está linda — comentei e bebi mais um pouco do que era um liquido vermelho muito bom.
— Está bebendo um pouco demais, não?- ela riu um pouco
— Isso tem álcool? — perguntei
— Claro — ela riu mais um pouco. Ri também, já que havia tomado um pouco, por que não continuar, não? — Você pode me ajudar com uma coisa? — ela perguntou. Estava muito bonita também, seus cabelos muito longos estavam lisos ela usava uma roupa em preto que a deixava muito linda.
A segui até uma porta, ela entrou e disse — Vem...- E fechou a porta atrás de mim quando passei.
— Então... ajudar no que?- perguntei
Ela sorriu e pegando nas minhas mãos disse — Quero beijar um garoto que não se toca — E riu. Aproximei meu rosto do dela e de repente me encontrei beijando Andy. Minha mão acariciavam seus cabelos como se tivessem vida própria, a outra segurava em sua cintura assegurando que seu corpo estivesse colado ao meu, durou alguns minutos até que a porta do quarto se abriu.
Não era ninguém mais ninguém menos que Clarisse, segurando um copo da mesma bebida que bebi e boquiaberta com o que via. Tentei falar algo mas Clarisse apenas disse:
— Eu... Eu não me importo — E saiu andando, fui até a porta para vê- la saindo da casa, provavelmente estava com raiva, muita raiva.
— Léo, esquece ela...- Andy pediu, era realmente muito bonita e inteligente, mas não era quem eu queria.
— Olha, me desculpa — eu disse, e saí porta a frente atrás de Clarisse...
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