Com Você, pra Sempre
1 Único
Notas iniciais
“Leda”,
Me desculpe... Eu queria dizer isso pessoalmente, mais sei que me impediria.
Quando te vi pela primeira vez, achei que era chato, arrogante. Nunca gostei de você. Nunca, até o dia em que mais precisei de alguém...
Após a morte de meu pai, quase entrei em depressão... Me afastei de todos e quem eu menos achei que fosse me ajudar seria você! Com isso aprendi a não julgar apenas pela aparência.
Acho que foi exatamente nesse momento em que me apaixonei por você. Com esse seu jeito doce, você se aproximou de mim, perguntando o que havia acontecido, todo tímido... Conheci aquele que, depois de me recuperar do ocorrido, escolheu burlar as leis da natureza para viver um amor quase proibido ao meu lado. Você se tornou a pessoa que eu mais temia perder. Aquele que sempre me diz coisas românticas e me causa arrepios.
Tinha medo de te magoar... Medo de te perder... Medo de que alguma coisa me separasse de você... Agora todo esse medo se foi! Sei que sempre estaria comigo.
Talvez deveria ser mais atencioso, carinhoso... Talvez deveria ter menos ciúmes e aproveitar o tempo que tinha ao teu lado...
Te amei ontem, te amo hoje, te amarei para sempre. Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe...
Morte... Essa palavra sempre me assombrou, mais não agora!
Com tantos problemas... A briga de Aggy e Sugk... O fim do Deluhi... A proposta de outras bandas... Não queria me separar de você! Mais existem coisas que não podemos mudar...
Chegou a hora de dizer adeus. Nunca se esqueça de mim!
Com amor,
Juri ”
‘Com amor, Juri’ Era essa frase que pairava sobre a cabeça de Leda enquanto dirigia seu carro, um Mercedes vermelho, em direção a casa de seu amado. Sabia que ele iria se matar, mas tentava afastar esse pensamento de sua cabeça, acreditando ser apenas um engano, um mal entendido ou até mesmo uma brincadeira de mal gosto.
Havia poucos minutos que lera a carta. Juri pedira a sua empregada para entrega-la assim que chegasse.
-Ele parecia muito atordoado e pediu para que entregasse logo. – a empregada comunicou
Poucos quarteirões antes da casa de seu amado, Leda tentou ligar para o celular dele, porém ele não atenderá. Com suas tentativas frustradas de tirar as palavras da carta de seus pensamentos, lágrimas brotavam de seus olhos. Lágrimas que não conseguira controlar e que insistiam em embaçar sua visão, comprovando a ideia de Juri se suicidar.
Mesmo com vários pensamentos o atordoando, conseguiu chegar são e salvo a casa de seu amor. Descera rapidamente de seu carro e procurava as chaves da casa.
-Preciso organizar melhor essas chaves. – Tentava gravar a tarefa mentalmente, evitando seus persistentes pensamentos sobre o que poderia encontrar ao abrir a porta.
Quando conseguiu abri-la percebera um silêncio perturbador.
-Juri, cadê você meu amor?
Continuou sua busca, sendo interrompido por um estrondo ensurdecedor. Sua busca o levara para a cozinha. E chegara a tempo de ver o tiro fatal que tirava a vida de seu amado. Com um tiro na boca, sua morte era a única certeza que tinha. Mas mesmo assim, tentava não acreditar que era real. Não era possível que um pequeno pedaço de metal poderia tirar o brilho dos olhos que ele tanto amava. Que em milésimos de segundo poderia desfazer o sorriso que adorava. Mais ele tinha que encarar a realidade: Juri falecera, aos seus pés.
Como um ato programado, Leda pegou a arma e apontou para a sua cabeça, apertando o gatilho. Mas Juri pensara na vida de seu namorado, e havia carregado a arma com apenas uma bala, tirando as outras que, possivelmente, possuía do alcance de visão de seu anjo.
Era assim que Juri chamava Leda: de anjo. Acreditava que somente um anjo ou alguma coisa divina o conseguiria fazer tão feliz quanto Leda o fazia. Também acreditava que somente uma intervenção divina poderia salvar sua vida e ainda mostra-lo que não havia motivos para querer deixa-la.
Renge, empregada de Juri, saiu de seus aposentos assim que ouviu o tiro. Presenciara a cena que acontecia como se fosse um filme de terror. Estava aterrorizada. Leda parecia um zumbi segurando o corpo de Juri tentando o fazer voltar à vida. Uma mão estava segurando o corpo e a outra apontava a arma na sua cabeça.
-Leda, o que aconteceu ? – Sabia que Leda nunca o mataria, mais queria confirmar.
-Ele... Ele... Ele se matou Renge... Meu amor se matou!
Mesmo tentando ser o mais racial possível, dentro dele alguma coisa dizia que aquilo era somente um sonho... Dentro de seu cérebro, um mecanismo tentava encontrar um modo de acordar. Como aquilo era real era óbvio que ele nunca iria acordar, porém seus instintos o fizeram ir em direção a seu carro, enquanto Renge se distraia ligando para a polícia.
Fez uma ligação enquanto ligava o seu carro e voltava a sua casa. Era o que parecia.
Seu trajeto se resumia a seguir em frente na avenida que Juri morava. Depois de aproximadamente 4 ou 5 quarteirões virava a esquerda, onde era a rua que localizava a sua casa. Porém o loiro não fizera aquilo. Continuava em frente, em direção a ponte que atravessava um dos mais importantes rios de Yokohama, o Rio Saraba, mais conhecido como o “rio do Adeus”. Fora lá que conhecera seu amor e de onde impedira que se matasse depois da morte de seu pai.
Prometera proteger seu amado de qualquer outra recaída. Falhara em sua missão e por isso não sentia mais necessidade de continuar vivo. Perdera assim uma das maiores virtudes da vida: a esperança. Perdeu todas as esperanças relacionadas a tudo. Se sentia um inútil por não ter conseguido impedir o fim de seu maior bem: Juri.
O desfecho da história fora simples: com o mesmo Mercedes vermelho que o levara para ver o desastre, ele provocou outro desastre. Se jogou da ponte que ainda estava em construção:a ponte que recebera o nome de Conciliação, por ligar as duas margens do rio e pelo fato de que as maiores empresas japonesas haviam se instalado uma em cada lado da margem.
O encontro do Mercedes com a água provocou um estrondo que chamou a atenção de alguns policiais que faziam sua habitual ronda noturna, mas não conseguiram impedi que o carro afundasse.
Leda deixara os vidros abertos, assim encheria de água e o carro afundaria mais rápido, além de conseguir se suicidar por afogamento.
No dia seguinte, a notícia sobre a morte do guitarrista e do vocalista da banda rescém-separada Deluhi já percorria todo o Japão e entre as verdadeiras fãs da banda. O romance entre os dois também fora desmascarado.
Com medo do que acontecesse o mesmo com outras bandas, vários outros casais do universo j-rocker assumiram sua relação, entre eles estavam Aggy e Sugk.
Durante o enterro dos rapazes, Sugk comentou com Renge:
-Antes de se suicidar, Leda me ligou, e falou que tudo fora um mal entendido! Aggy nunca me traiu!
— Ele não queria que acontecesse com nós o mesmo que aconteceu com eles... – completou Aggy.
— Hoje iriam completar 3 anos de namoro... – os três abaixaram a cabeça e não conteram algumas lágrimas.
Leda e Juri eram muito queridos por todos a sua volta. Estavam sempre sorrindo e não perdiam uma piada. A partir desse dia, a vida de Renge, Sugk, Aggy e de todas as pessoas próximas do casal suicida nunca fora a mesma. Todos sabiam que a causa do duplo suicídio fora a mesma: o amor. O amor que ambos sentiam fora forte o suficiente para uni-los em um lugar desconhecido a todos os seres vivos.
O Paraíso, o Inferno ou o Purgatório? Talvez em algum desses lugares, talvez não. Esse sempre será um dos maiores mistérios da humanidade. Porém de uma coisa todos estavam convictos: não importa onde estivesse, eles estariam juntos para toda a eternidade. Eternamente apaixonados!
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