Notas iniciais
Olá pessoal! Sim, eu sei, faz muito tempo. Mas por favor, não me odeiem! E não, eu NUNCA vou abandonar essa história como muitos pensaram. É que a escola realmente me impediu de escrever regularmente esse mês. Eu estava cheia de trabalhos, provas, atividades, tudo pra me atrasar (Terceiro ano, sabem como é). Mas finalmente consegui terminar esse capítulo e aqui está! A partir de agora meus horários voltam ao normal, o que significa que eu volto a postar normalmente. Enfim, não vou me prolongar mais, só espero que me perdoem e espero que esse capítulo compense a demora. Boa leitura! :D

Quinn entrou na casa disfarçando o nervosismo com um sorriso. Judy e Russell estavam sentados no sofá da sala. Rachel e Jon estavam escondidos na cozinha, terminando os preparativos do almoço. Relutantemente, ela se dirigiu até os pais.

"Oi mãe, pai." Ela disse enquanto se aproximava, tentando não se deixar intimidar pelo olhar desconfiado dos dois.

"Olá, Quinnie. O que Finn estava fazendo aqui?"

Quinn engoliu um seco. "Ahn... ele... só tava fazendo uma visita. Ele tava passando por aqui e resolveu dar uma olá pra Rachel, só isso."

"Quer dizer que vocês estão se falando de novo? Mesmo depois daquele fiasco de casamento?" Russell questionou com desdém. Judy lhe bateu levemente com seu cotovelo e sussurrou seu nome. "O quê? É a verdade, Judy."

"Bem, nós ainda somos amigos. Se fosse assim, você e a mamãe também não teriam se falado mais depois do divórcio."

Judy suspirou. "Eu bem que tentei."

Russell revirou os olhos. "É diferente, Quinn. Temos filhas juntos. Temos sua irmã e temos você. Seria impossível quebrar o contato por completo. Mas você e Finn? Não há nada que os prenda um ao outro. E não fica bem uma moça ser amiguinha do noivo que abandonou na igreja, é desrespeitoso. Assim como também não fica bem saber que há boatos de que uma Fabray esteja se relacionando com alguém do mesmo sexo."

Quinn sentiu uma sensação desconfortável no estômago, como se estivesse a ponto de vomitar. Será que eles iam acreditar nessa encenação que iriam fazer? "Pai, isso... isso não passa de um boato. Rachel e eu somos só amigas."

Nesse momento, o "casal" entrou na sala. Rachel estava mais a frente, mas Quinn pode ver que suas mãos estavam entrelaçadas com a de Jon. Com o melhor humor possível, a morena cumprimentou os pais de Quinn. "Senhor e Senhora Fabray! Quanto tempo! É um prazer revê-los!"

"Olá, Rachel. Já sabe que não precisa me chamar de Senhora Fabray, me chame de Judy! Não sou mais casada com esse daí", disse ela apontando para Russell, que apenas a ignorou.

"E então, Rachel. Não vai nos apresentar?" ele comentou, direcionando o olhar a Jon, que parecia um pouco encabulado.

"Ah sim, esse é Jon, meu namorado. Jon, esses são os pais de Quinn, Judy e Russel."

Gentilmente, Jon estendeu o braço e apertou a mão de Russell, e depois depositou um beijo na mão de Judy. "É um prazer conhecê-los."
Os dois se entreolharam. Pareceram aprovar os bons modos do garoto. Quinn respirou fundo tentando conter sua raiva por ele e depois deu um sorriso torto. "Que tal vocês quatro irem conversando enquanto eu termino o almoço? Sentem-se na sala e fiquem a vontade!"

~

Como Quinn já sabia, da cozinha era possível escutar tudo o que se dizia na sala. Portanto aproveitou para descobrir o que tanto Rachel e Jon combinaram nos últimos dias sem deixar que seus pais percebessem. Russell perguntou a Rachel como os dois se conheceram.

"Bem, nós nos conhecemos na faculdade. Ele era meu colega de classe e um dia, fizemos um trabalho juntos em que tinhamos que montar um número musical. Foi muito divertido passar um tempo com ele e depois disso nós viramos grandes amigos. Com o tempo, descobrimos que estavamos apaixonados um pelo outro. Foi até engraçado, porque quem pediu ele em namoro fui eu. No dia do aniversário dele, Jon fez uma festa e eu fiz o pedido lá, na frente de todo mundo! Nós namoramos por dois anos, mas ficamos um tempo separados quando ele foi para Paris após nossa graduação, para produzir alguns filmes independentes. Mas sabe como é o amor. Jon me procurou assim que voltou para NY e nós voltamos. Eu não tinha namorado ninguém enquanto ele estava fora, então foi como se nunca tivesse acabado. Enfim, estamos juntos desde então."

Quinn ergueu uma sombrancelha. Eles realmente combinaram tudo. Para tornar a situação mais realista, Jon encarou Rachel de modo doce e depois trocaram um beijo romântico. A loira desviou o olhar nesse momento. Só aquela história já era demais para seu estômago. Um beijo com certeza iria fazê-la vomitar.

"Então namoram a mais de dois anos, certo?"

"Sim, fazem três anos e meio que estamos juntos contando com o período antes de darmos um tempo. Na verdade, vamos completar quatro anos em novembro. Dia 4."

"Isso é muito bom! Ter um relacionamento que dura tanto assim é um bom sinal, não é Russell?" Judy perguntou, com um ar sonhador. Naquele momento, Quinn percebeu que sua mãe já acreditava no teatro que montaram. Rachel estava certa. Ela e Jon realmente formavam uma boa dupla.

Talvez melhor do que ela e Rachel...

Incorporando novamente a personagem que montou, Quinn foi até a porta da sala. "Ei, pessoal. Terminei o almoço. Podem vir."

Os outros quatro se levantaram e se dirigiram até a cozinha. Sentaram-se em volta da mesa e ajeitaram-se em seus lugares enquanto Quinn distribuía os pratos e talheres.

"E então, Jon, conte-nos mais sobre você. No que está trabalhando agora?" Judy perguntou, curiosa.

"Bem, eu estou me dedicando a um musical novo, muito promissor por sinal. Além disso também estou escrevendo uma peça e fazendo algumas participações em filmes. Twelve Thirty, por exemplo."

Judy fez uma cara de surpresa, como se tivesse acabado de se lembrar de algo. "Ah meu Deus! Sabia que te conhecia de algum lugar!"

Os dois riram enquanto Rachel sorria e enrolava os dedos de Jon nos seus. Quinn franziu a testa e ficou de boca aberta. Até filme ele já fez? De onde esse cara saiu?

"E vocês estão morando juntos?" Judy perguntou, curiosa.

Jon balançou a cabeça. "Ainda não. Nós moramos em apartamentos diferentes, mas eu estou trabalhando muito e economizando para conseguir comprar um lugar para os dois e pra outras coisas também."

"Como o quê, por exemplo?"

Jon e Rachel se entreolharam e a garota levemente movimentou a cabeça, como em sinal de permisão para que ele continuasse a falar.

"Bem, eu... ainda não fiz o pedido oficial mas eu e Rachel já conversamos e queremos oficializar o nosso relacionamento algum dia. Talvez num futuro próximo nós nos casemos."

Quinn sentiu um nó na garganta. Era como se houvesse alguém tirando o ar de seus pulmões. Por um longo momento, tudo o que pode fazer foi observar as reações daqueles sentados à mesa, que passavam por seus olhos como se estivessem em câmera lenta. Era como se seu mundo tivesse desacelerado. Eles haviam combinado tudo tão bem, que até parecia real. E talvez fosse.

Melancolicamente, sentou-se à mesa. Ficou na cadeira da ponta, isolada de seus pais e do casal 20. Agora mais do que nunca queria que aquele dia acabasse o mais rápido possível.

~

O tempo foi passando e o almoço foi seguindo. Jon, Rachel, Judy e Russell continuaram a conversar e rir, sem nem perceber o silêncio de Quinn, se comportando como uma família. Quinn se lembrou da noite em que se mudou para a casa de Rachel e como os pais dela a receberam bem. Lembrou-se do jantar, do modo como se comportaram uns com os outros e como ela já parecia fazer parte do círculo de amigos de Hiram e LeRoy. Eles sim pareciam uma família.

Quinn sentiu uma vontade louca de chorar, gritar, se revoltar, tacar fogo em Jon. Desde que havia chegado, tudo o que ele tinha feito era destruir seu relacionamento com Rachel, e agora, aparentemente, até seus pais gostavam mais dele do que dela. Todos a estavam trocando por ele. Não era justo.

Mas apesar de sua raiva, ela resolveu respirar fundo e se controlar. Havia muita coisa em jogo e esse almoço era uma das partes mais importantes do quebra-cabeça. Ela não podia pensar só em si mesma. Devia pensar em Rachel também e como ela se prejudicaria com essa história toda. Por mais que estivesse magoada com toda a situação, assumiu a responsabilidade de se comprometer 100% nesse teatro. Até porque, foi ela quem começou essa confusão toda.

Quando o almoço terminou, Rachel se encarregou de servir a sobremesa. Se levantou e se dirigiu até a porta, mas antes de entrar na cozinha, se virou para a mesa novamente. "Quinn, você me ajuda?"

A loira a olhou com surpresa e confusão, mas resolveu não questionar. A seguiu até o cômodo ao lado, mas permaneceu em silêncio. Rachel retirou o bolo e o sorvete da geladeira — ambas receitas vegan — e pediu para Quinn pegar cinco pratos em um dos armários. Enquanto ela o fazia, Rachel apoiou uma mão na pia e a observou com um olhar doce. Quinn percebeu que a morena a encarava e ficou envergonhada. "O que foi?"

"Nada." Rachel respondeu com um sorriso de lado. "Você tá quieta. Não falou nada durante o almoço e eu notei que você parece meio desconfortável. Tem algo errado?"

Ela percebeu meu silêncio?

Quinn chacoalhou a cabeça e resolveu pegar também uma garrafa de vinho e um copo. "Não. Eu tô bem."

A morena a olhou desconfiada. "Tem certeza?"

"Sim, Rachel!" Quinn exclamou, irritada. "Eu tô ótima. Vamos servir essa sobremesa logo antes que o sorvete derreta."

Rachel não parecia nem um pouco convencida com a resposta da loira e seu tom irritado aumentou sua preocupação com ela, mas decidiu não insistir. Sabia que ela se abriria se quisesse.

As duas voltaram para a sala, serviram as sobremesas e se sentaram em seus respectivos lugares. Por algum motivo, sua pequena conversa com Rachel e o efeito do vinho que agora tomava haviam deixado Quinn com ainda mais ódio, e por isso resolveu se comportar mais agressivamente.

"Então Jon, você também é vegano?" Russell perguntou, tentando puxar conversa.

"Ah não, eu não sou. Mas eu apoio Rachel completamente e se preciso, também como comida vegan."

"Ah que fofo, gente!" Quinn disse ironicamente. "Talvez então você devesse comer uma picanha, Rachel, pra mostrar que você apoia o estilo de vida carnívoro dele." Todos a olharam com horror, principalmente Rachel, mas ela só sorriu falsamente e continuou a comer sua sobremesa.

Russell limpou a garganta, desconfortável. "Bem e vocês tem trabalhado juntos ultimamente?"

Antes que Jon pudesse responder, Quinn riu. "Ah eu posso confirmar que sim. Sou eu quem escuto os 'trabalhos' deles dois à noite."

Rachel abriu a boca em completo choque, mirando Quinn com um olhar incrédulo. Jon tentava controlar a risada ao mesmo tempo em que tentava parecer ofendido e envergonhado. Judy resolveu se manifestar. "Quinn, por favor! Isso foi desnecessário!"

"O quê? Eu só respondi a pergunta, foi o papai quem quis saber dos trabalhos sexuais deles."

Russell violentamente jogou seu guardanapo de pano na mesa e se levantou. "Quer saber? Acho que isso já é o suficiente por hoje. Vamos embora, Judy."

"Você não manda em mim! Eu vou embora porque quero" a mulher disse, se levantando da mesa e pegando sua bolsa.

Jon e Rachel se levantaram e se despediram dos dois, que apressadamente se dirigiram à porta. Quinn não se levantou e nem se despediu, apenas permaneceu ali sentada, sorrindo cinicamente e balançando seu copo de vinho.

Antes de irem embora, porém, Russell se virou para Quinn. "Agora eu acredito em você, Quinn. Você não está tendo um relacionamento lésbico. Mas continua sendo uma vergonha para a família Fabray."

"Orrevuá!", a loira gritou para os pais, que agora já estavam longe demais para escutá-la.

Rachel fechou a porta e respirou fundo, ainda perturbada pela cena que acabara de presenciar. Virou-se para Quinn, que tomava sua bebida despreocupadamente. "O que foi isso, Quinn?"

A garota fingiu confusão. "Isso o quê? Não aconteceu nada! Aliás, foi um ótimo almoço. Conseguimos enganar meus pais direitinho, eu e você. E o Jon. Somos um trio e tanto, não é?"

Os dois olharam a loira com receio. Ela por sua vez, revirou os olhos e se levantou. "Quer saber, acabou. Já terminamos o almoço, já fizemos nosso teatrinho de hoje. Talvez agora cada um devesse seguir seu dia normalmente, que tal? Eu vou tomar um banho. Vocês podem se pegar enquanto isso." E assim, Quinn se trancou no banheiro, deixando uma Rachel e um Jon perplexos para trás.

~

"Acho que é hora de eu ir embora."

"O quê? Mas por quê, Jon? Você ficou tão pouco."

O garoto balançou a cabeça, enquanto dobrava suas roupas e as guardava em sua mala. "Eu já fiz meu trabalho aqui, Rachel. Já te ajudei no seu teatro, convenci os pais da Quinn. Agora é com vocês duas. Minha participação especial já expirou. E mais, eu tenho que voltar a trabalhar na minha peça, lembra? Ela não vai se escrever sozinha."

Rachel o abraçou de lado. "Eu queria poder passar mais tempo com você. Foi tão divertido ter você aqui! Só queria que ficasse por mais tempo."

"Você sabe que eu também gostaria de ficar mais." Disse ele, beijando a testa de Rachel. "Mas eu tenho obrigações. Além do mais, é capaz de a Quinn me matar se eu passar mais um minuto aqui."

Rachel jogou os braços no ar. "De novo essa história, Jon? Já disse que ela não te odeia."

"E eu já te disse que ela não gosta de mim porque tem ciúmes de você."

A morena gritou em frustração. "Isso é uma bobagem! E mesmo que você estivesse certo, ela não teria motivo pra sentir ciúmes de você! Você é gay!"

"Tá, mas ela não sabe disso. Você nunca disse isso pra Quinn então ela tem motivo pra se sentir ameaçada, ela acha que eu gosto de você!"

Rachel cerrou os punhos. "Para com isso Jon, pelo amor de Deus! Quantas vezes vou ter que te dizer isso? Quinn Fabray não é apaixonada por mim! Nunca foi e nunca vai ser!"

Jon resolveu mudar sua abordagem. Revirou os olhos e suspirou. "Ok, mas vamos supor que ela seja. O sentimento é recíproco?"

Rachel pensou. Começou a se lembrar de tudo o que havia passado com Quinn. Todas as brigas que tiveram durante o ensino médio, e o modo como, apesar das diferenças, conseguiram tornar-se amigas. Melhores amigas. Pensou em como foi ela mesma quem propôs ser a namorada de mentirinha da loira, sem ao menos hesitar. Pensou no quanto Quinn mudara sua vida e como se sentia feliz perto dela. Pensou em como ficava triste quando parecia que Quinn não entendia o quanto ela significa para ela. Pensou em todos os abraços, as conversas, as vezes em que ficaram de mãos dadas, os sorrisos, as trocas de olhares. Pensou em como nada teria sentido se Quinn não existisse. E então pensou na resposta, e pela primeira vez, foi capaz de assumir para si mesma algo que estava preso em sua garganta.

"Sim. Tem sido por algum tempo."

Jon deu um sorriso doce em direção a Rachel. Ela, por outro lado, estava paralisada. Era como se seus pés não tocassem mais o chão. Então era verdade. Ela estava apaixonada por Quinn. E não era de hoje.

Essa confissão deveria trazer um sentimento de felicidade e talvez até de alívio, mas Rachel sentia como se todas as suas defesas tivessem sido atacadas e derrotadas. Como se seu coração tivesse perdido mais uma batalha.

Rachel estava apaixonada por Quinn, mas apesar do que Jon dizia, a morena não acreditava que o sentimento fosse recíproco.

O garoto se aproximou de Rachel e acariciou seu rosto. "Tá tudo bem, Rachel. Acredita em mim. Ela também gosta de você. E muito. Ela só precisa admitir pra si mesma. Mas assim que ela perceber, eu aposto que vocês vão formar o casal mais apaixonado que eu já vi. Vão poder parar de fingir."

Rachel deu um sorriso fraco e abraçou Jon, mais forte dessa vez. Ela realmente esperava que ele estivesse certo. Não queria sofrer novamente.

"Agora vamos, me ajude a arrumar minha mala. Quero ir embora antes que Quinn saia do banho e tente me estrangular."

~

Quinn terminou de se vestir e ficou se olhando no espelho do banheiro. Tinha extrapolado no almoço. Mas de certa forma, não se importava mais. Estava irritada e precisava liberar sua raiva de alguma forma. Sarcasmo foi sempre uma alternativa, então resolveu usá-lo, apesar de ter exagerado um pouco.

Ela percebeu como tinha mudado nas últimas semanas. Tinha se estressado mais, mas com certeza estava mais feliz. Rachel tinha esse efeito sobre ela. E então veio Jon e estragou tudo. Ele queria tomar seu lugar na vida de Rachel, queria ficar com ela. E ela não podia permitir isso. Rachel era dela. E estava na hora de tomar uma atitude.

Com a cabeça levantada, saiu do banheiro e se dirigiu à sala. Já eram quase quatro da tarde e por causa do tempo nublado e das cortinas fechadas, a casa estava com uma iluminação fraca, deixando-a mais escura do que de costume. Ao chegar no cômodo, Quinn percebeu uma silhueta sentada no sofá. Pelos cabelos longos, deduziu que era Rachel.

A morena acabou percebendo a presença de Quinn e se virou para encará-la. A loira respondeu com um olhar igualmente intenso e um suspiro. "Onde o Jon está?"

Rachel se levantou lentamente, sem nunca quebrar o contato visual. "Ele foi embora. Eu ajudei ele a arrumar as malas e ele voltou pra Nova York."

Quinn assentiu levemente. "Pensei que ele fosse ficar de vez."

"Não. Por quê ele faria isso?"

Quinn deu de ombros. "Não sei. Talvez ele quisesse ficar mais perto da futura noiva dele."

Rachel sorriu. "Parece que você tá tendo dificuldades pra diferenciar o que é de verdade e o que é fingimento. Seu cérebro deve estar uma confusão, você tá começando a ficar meio louca."

"Talvez." A loira disse em tom baixo, se aproximando lentamente da morena. "Talvez eu tenha me deixado levar por essa história. Talvez eu tenha misturado as coisas. Mas eu posso te dizer uma coisa, Rachel: eu nunca estive tão sã quanto agora."

Quinn foi se movendo até o sofá, à medida que Rachel ia se distanciando dele e indo em direção da loira. "Então o que foi aquilo no almoço? Se você está tão sã, por que disse aquelas coisas na frente dos seus pais? Por que se arriscou?"

"Não sei. Acho que eu só tava querendo um pouco mais de emoção na minha vida. Aliás, aquilo foi minha forma de vingança."

"Vingança?"

Quinn balançou a cabeça. "É. Você se vingou de mim de manhã, dizendo o quanto eu sou inativa no nosso relacionamento pro Finn. E eu decidi me vingar da sua vingança, dizendo aquelas coisas no almoço."

"Se vingar da minha vingança? Isso nem faz sentido. E não é nem um pouco justo."

Nesse momento, Quinn e Rachel estavam a centímetros de distância. Mas a loira finalmente decidiu desaparecer com aquele espaço entre as duas e empurrou Rachel em direção à parede, segurando-a cuidadosamente por seus braços. "Você me humilhou, Rachel. Me difamou na frente daquele idiota. E agora você espera sair impune? Nem pensar. Eu tive que fazer aquilo. Mas ainda falta uma coisa."

O coração de Rachel batia a mil por hora. A essa altura, ela podia sentir a respiração de Quinn contra a sua, e o calor do corpo da loira ia de encontro ao seu, deixando-a mais excitada do que deveria. "O quê?", conseguiu perguntar.

Quinn virou a cabeça levemente e apoiou as mãos sobre as paredes ao lado da cabeça de Rachel. "Você disse ao Finn que eu não tenho pegada. E agora eu vou te ensinar o verdadeiro significado dessa palavra."

Quinn selou seus lábios com o de Rachel da forma mais intensa que conseguira. Imediatamente, a morena respondeu ao beijo, segurando com as duas mãos o rosto da loira, que por sua vez, moveu suas mãos para a cintura de Rachel, fazendo-a gemer com a sensação.

A necessidade que tinham uma da outra as consumiam, tornando a experiência ainda mais prazerosa para as duas. Ambas haviam esperado tanto tempo por isso, mas nunca haviam percebido até aquele momento.

Em meio à euforia do beijo e em meio às várias sensações que percorriam seus corpos, Rachel jogou suas pernas em volta de Quinn, que a segurou pela cintura e a levou até o quarto.

Chegando lá, a loira deitou a morena na cama e traçou uma linha de beijos até seu pescoço, enquanto acariciava cada parte do corpo dela sem hesitar ou pedir permissão. Pouco tempo depois, voltou a juntar sua boca com a de Rachel e as duas se entregaram à paixão que há muito esperava por uma oportunidade de se manifestar.

Rachel se lembrou do que havia dito a Finn naquela manhã.

"Ela não tem muita pegada."

Ela sabia que a afirmação que havia feita estava errada. Só não sabia o quanto.

Notas finais
E aí? Valeu a pena esperar? Espero que sim e espero que tenham gostado. Até o próximo!