Com Licença... Posso?

1 Um cappuccino, por favor.


Notas iniciais
Oi minha gente. Poxa, faz um bom tempo que nem entrar aqui eu entro. Mas gostei desse continho. Ei, se alguém ler, eu gostaria de saber. Sabem como é, queria saber se alguém ainda se importa com o que eu escrevo.

Ele abriu a porta da cafeteria e entrou. Era uma manhã fria de inverno, mas lá dentro as pessoas pareciam estar com bastante calor.

— Ainda não aprendeu, Gui? Se você continuar vindo vestido assim, vai ficar com frio.

Não houve resposta do homem a sua frente que usava uma regata e bermudas. O garoto se dirigiu então ao homem parado no balcão.

— Um cappuccino, por favor.

Em seguida ele mesmo deu a volta no balcão, entrou na cozinha e após desviar de alguns botijões de gás espalhados por ali, acendeu o fogão. A chaleira já estava ali e já tinha alguma água. Ele voltou para o balcão, olhou para o homem parado ali e respondeu, desanimado.

— Tudo bem, não precisa ser cappuccino. Um café preto mesmo... Melhor, coloca um pouco de açúcar, pelo menos.

Ainda sem resposta. Ele esperou alguns minutos, então entrou na cozinha novamente e preparou o próprio café. Sem açúcar. O garoto voltou para o balcão, bebeu um gole do café e fez uma careta. Voltou-se para o atendente que permanecia mudo e imóvel.

— Está sem açúcar.

Silêncio.

— Como assim não tem açúcar? Uma cafeteria sem açúcar?

Silêncio.

— Não vou pagar por isso.

O garoto saiu da cafeteria para a rua fria novamente. Caminhou um pouco, quase esbarrou em uma velhinha parada na esquina, olhou para os dois lados antes de atravessar a rua que tinha diversos carros parados, passou por cima de um ciclista caído.

— Pelo menos você estava de capacete... Cara, você devia comprar roupas novas. Parece que ficou no tempo por dois anos com essas aí.

Havia então dois anos, o mundo parara. Cada pessoa do planeta, ao menos até onde ele havia visto, estava parada na mesma posição do verão de dois anos antes. Menos ele.

Depois de algumas quadras, ele encontrou outra cafeteria onde um homem lia um livro em uma das cadeiras. Seria a sexta ou sétima vez que ele se sentaria ao lado do homem, perguntaria se podia ver o nome do livro, o pegaria, leria e devolveria as mãos do homem, com o cuidado de deixá-lo na mesma página em que estava antes, para que caso o mundo acordasse, o homem continuasse sua leitura como se nada tivesse acontecido.

O garoto então se sentou ao lado do homem.

— Ah, com sua licença... Posso?

Ele esticou a mão em direção ao livro. Em seguida o pegou. Leu pouco mais da metade do livro, devolveu para as mãos do homem e saiu para encontrar alguma outra coisa para fazer.

E assim se passaria aquele e todos os outros dias do garoto que vivia em um mundo que já não se mexia mais.

Notas finais
É. É isso.
Breno.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!