Com Amor E Ódio, Katerina

6 Capítulo VI - Acendam as Luzes


Notas iniciais
Ei gente, desculpem pela longa pausa entre o Capítulo 5 e o 6. Eu estava sem tempo pra escrever.

Passaram-se 2 meses desde a morte de meu pai e meu último encontro com Elijah. Minha mãe e Dhara ainda rezavam por meu pai. Eu não participava pois odiava lembrar-me de como o encontrei no Celeiro naquele dia.

Levantei-me do conforto de minha cama e fiquei sentada no chão por um tempo. Acaricio o tapete que está por baixo de mim e me lembro de que meu pai o havia me dado. Sem querer, começo a chorar. Preciso me livrar desse tapete.

Outra coisa que me lembra muito o meu pai é o colar de prata que ele me deu no dia de meu aniversário e a pulseira de ouro branco que ele iria me dar no dia do meu casamento. Não vou me livrar das minhas jóias e nem do meu tapete de pele, eu os adoro muito para isso. Parei de chorar, mas ainda sinto lágrimas escorrerem por minhas bochechas.

Levanto-me vagarosamente do chão e seco meu rosto com um lençol de seda. Confesso que me sinto um pouco melhor por ter chorado, afinal, é uma maneira de expressar o que sentimos e nesse momento a única coisa que eu sinto é um enorme vazio dentro de mim. Sento em frente a penteadeira — que também foi o meu pai que me deu — e penteio meus cachos. Me perco em meio a meus pensamentos e só acordo quando uma pequena figura de olhos inchados e cabelo bagunçado cruza a porta do meu quarto fazendo bastante barulho com seus pézinhos. Olho para o lado e lá está Dhara.

– Bom dia, baixinha — digo a ela e sorrio.

– Bom dia — responde Dhara, retribuindo-me um sorriso.

– Dormiu bem ?

– Acho que sim. Não me lembro de ter tido pesadelos essa noite.

Dhara sempre teve pesadelos, mas eles aumentaram bastante desde que meu pai morreu. Ela se aproximou de mim para me abraçar, suspirou e disse :

– Eu sinto tanta falta dele — Dhara estava começando a chorar.

– Ei, pequena, não chore. Eu também sinto falta dele, mas temos que superar. Você sabe que, apesar de todo o esforço que fazemos para trazê-lo de volta, ele nunca vai voltar, não é?

– Sim. E isso é o que mais dói.

– Dhara, olha pra mim. Eu estou chorando ?

– Não.

– Então por que você está?

– Porque eu sinto falta do papai.

– Eu também sinto, mas eu não estou chorando. Sabe por que? Porque eu estou tentando superar e você deveria fazer o mesmo. Eu sei que dói e sei que não é fácil, mas você tem que tentar — Ela ficou me olhando em silêncio.

– Promete pra mim que você vai tentar superar.

Dhara me abraçou mais forte e sussurrou em meu ouvido : "Eu prometo".

Beijei sua testa e a soltei. Ela se deitou em minha cama e pediu que eu me sentasse ao seu lado e cantasse uma canção que minha mãe me ensinara quando eu era pequena. Foi exatamente isso que fiz. A letra era assim :

"Negro céu,
Luz do luar,
Noite véu
Vem me ninar.
Vai céu azul,
Pro fim do mundo.
Vem
Noite do além."

Fiquei acariciando seus cabelos e cantando outras canções até que ela dormisse. Quando ela dormiu, levantei e fui me trocar. Coloquei um dos meus vestidos preferidos. Ele é de um azul tão lindo quanto o azul do céu e parece ter sido feito com nuvens de tão macio. Coloquei também o colar de Lápis-Lazuli que meu pai me deu. Caminhei até Dhara, beijei uma de suas bochechas rosadas e saí do quarto.

Pensei em ir á casa de Elijah para vê-lo e conversar um pouco com Rebekah, então deixei um bilhete para mamãe — ela ainda estava dormindo e eu não queria acordá-la.

"Mamãe,
estou indo à casa de Elijah.
com amor, Katerina".