Com Amor E Ódio, Katerina
8 Capítulo VIII – Segredos
Aos poucos meus olhos começam a se abrir. A claridade faz com que eles queimem e isso embaça um pouco minha visão. Quando consigo finalmente abrir os olhos, percebo uma figura loira sentada ao pé de minha cama. Tento forçar a visão mais um pouco para poder enxergar com mais clareza. Com sucesso. Concentro-me na figura ao pé da cama e vejo minha irmã, Dhara. Assim que me vê desperta, Dhara diz:
– Kat, há muito papai prometeu que me levaria para colher amoras.- apesar de parecer sonolenta, Dhara estava bem acordada.
– Perdão!?- Não pude esconder que estava confusa.
– Antes de morrer, bem antes... Prometeu que me levaria para colher amoras no campo. Naquele campo que sempre nos levava para colher girassóis. Mas agora ele nunca mais poderá cumprir a promessa. Nunca mais nos levará para colher girassóis.
– Santo Deus, Dhara. Há quanto tempo está com isso em mente?
– Acordei enquanto ainda estava escuro. Tive um pesadelo com nosso pai e desde então não consegui dormir novamente.
Já faz meses que papai morreu. Espanta-me que isso ainda perturbe Dhara. É certo de que tem pouco tempo e ela é uma criança, ainda sinto dor também. Porém ela não deveria ficar remoendo essas lembranças, os pesadelos já deveriam ter acabado.
– Escute-me Dhara. Papai nunca mais poderá nos levar ao campo, isso é certo. Mas ainda temos nossa mãe, e você ainda tem a mim. Eu posso te levar quando quiser, colheremos quantas amoras você conseguir carregar. Prometa-me que não pensará mais nisso e quando pensar, irá tentar de todas as maneiras possíveis afastar isso de sua mente.
Olhando em seus olhos pude ver e sentir sua dor. Pobrezinha... se eu pudesse fazê-la esquecer, faria...
– Prometo-lhe.- após pronunciar tais palavras, Dhara levantou-se e saiu do quarto. Não quis ir atrás dela.
Levanto-me da cama e procuro por um vestido belo. Meus olhos brilham ao encontrar um vestido de seda carmim tão macio quanto meus cabelos.
Ao chegar a cozinha, encontro minha mãe comendo uma torta de maçã que ela mesma fez. Digo-lhe que vou dar um passeio e ela me diz o de sempre: “Que Deus lhe acompanhe, Katerina. Volte antes do anoitecer.”
Não lhe disse para onde vou pois sei que ela já sabe. Venho passando bastante tempo com Elijah, ele me faz bem. Niklaus vive implicando conosco pois acha que eu deveria “pertencer” à ele, e não à um tolo como Elijah. Mas, sinceramente, eu não me importo mais com Niklaus. Desde a noite que passei com Elijah, não consigo pensar em mais nada. Tudo o que achei que sentia por Niklaus foi afastado de mim e em troca meu coração foi preenchido por turbilhões de sentimentos por Elijah.
Minha mãe nos deu sua benção, e a família de Elijah também. Ele disse que queria me pedir em casamento, mas não penso nisso por agora. Sempre sonhei em me casar, e ainda sonho, mas quero viver muito com Elijah antes de nos casarmos. Somos jovens ainda, o altar pode nos esperar.
Quando me dou conta, já estou à porta da casa dos Mikaelson, prestes a bater na porta. Bastam poucos segundos após eu dar leves batidas para que Elijah venha abrir a porta. Ele me recepciona com seu lindo sorriso de sempre.
– Está mais bela a cada dia, minha doce Katerina.- o sorriso não some de seu rosto nem por um segundo.
– Tenho tanta sorte por ser tua...- sinto minhas bochechas corarem e um enorme sorriso se abrir.
Mais do que depressa Elijah me puxa para um longo e forte abraço. Amo a sensação de seus braços fortes me envolvendo, me sinto tão segura. Amo o som de seu coração, batendo tão forte que mais parecem mil tambores juntos. Amo o seu cheiro de baunilha e pêssego. Simplesmente o amo.
– Eu te amo tanto...- sussurro em seu ouvido
– Eu sei disso. E sei que sabes que te amo o dobro.- sua voz macia e seu hálito quente faziam meu corpo se arrepiar por inteiro.
Ao me libertar de seu abraço quente, Elijah encostou levemente seus lábios nos meus e me beijou ternamente. Meu coração pulsava tão forte que eu sabia que Elijah podia ouvi-lo. Naquele momento só conseguia pensar nele. Nós nos separamos suavemente e seus olhos estavam fixos em mim.
– Você sabe que eu me casaria agora mesmo com você e largaria tudo para viver contigo.
– Sim, eu sei. Isso me deixa tão feliz, você nem imagina quanto. Mas temos a vida toda pela frente.
– E se você deixar de me amar?- Elijah realmente parecia temer isto, falava o tempo inteiro.
– Então você me fará amá-lo novamente. E então eu o amarei mais do que amo agora.
Tomei seu braço e o puxei para o lado de fora. Disse que pretendia passar a tarde no lago, embaixo de um dos grandes Carvalhos que nos dava uma ótima sombra em dias quentes.
Caminhamos em silêncio, apenas acariciando um a mão do outro.
Nos sentamos em frente ao lago, e encostei minha cabeça em seu peito, como sempre fazia. Ele tampou meus olhos com as duas mãos e disse:
– Tenho uma surpresa.
– Ora, pois diga-me o que é.
– Mantenha os olhos fechados.
– Seu pedido é uma ordem.- disse-lhe.
Pude senti-lo se remexer por completo e colocar algo em meu colo.
– Pronto, pode abrir.
Abri meu olhos, olhei para meu colo e vi um livro. Peguei e examinei-o. Havia capa de couro e páginas amareladas. Não havia título, e quando o abri, estava em branco.
– Mas é um livro, e está em branco.
– É um diário.- Elijah corrigiu-me. – Páginas em branco para que você possa escrever sua própria história, com suas próprias palavras.
– Meu Deus, Elijah. É maravilhoso!! Nunca tive um diário. Muito obrigada!!
Nesse momento eu olhei em seus olhos e percebi algo. Ele não brinca quando diz que me ama o dobro. Ele não finge sua alegria. Ele realmente me ama e tudo o que eu faço ou digo lhe proporciona alegria.
– Sabe... talvez seja mesmo hora de começar a escrever a minha própria história. Eu acei...- gritos me interromperam bruscamente.
– VENHAM TODOS!! ELE SABE A VERDADE!! MILEN, O CAÇADOR. ELE TUDO SABE!!
De onde estávamos conseguíamos ver um homem ao longe, em cima de um palanque. Havia muitas pessoas ao seu redor, ouvindo-o. Elijah ajudou-me a levantar e fomos ouvir o que esse homem estava falando.
– TEMOS CRIATURAS DAS SOMBRAS ENTRE NÓS. VAMPIROS, LOBISOMENS E ATÉ BRUXAS!! ESSA VILA ESTÁ ALMADIÇOADA, TODOS QUE NELA VIVEM CORREM PERIGO. ESTOU AQUI PARA SALVÁ-LOS E ALERTÁ-LOS. TENHO COMIGO UM VAMPIRO, ENCONTREI-O POR AQUI PERTO, ENQUANTO MATAVA UM PEREGRINO.
O homem puxou um enorme lençol de uma jaula que estava ao seu lado. Havia um homem nu dentro da jaula, e assim que o lençol foi tirado, ele começou a queimar como galhos secos.
– OBSERVEM A CRIATURA. VAMPIROS NÃO ANDAM AO SOL POIS SE QUEIMAM. ESTE AQUI HAVIA UM AMULETO QUE LHE PERMITIA ANDAR À LUZ DO SOL. DEEM-ME CONFIANÇA E OS LIVRAREI DESTES DEMÔNIOS.
Olhei para Elijah e pude ver medo e espanto em seus olhos. Nesse mesmo segundo, ele me olhou.
– Acredita nele?- perguntou-me
– Viu o homem queimar. Sabe que acredito.- disse-lhe
Elijah engoliu seco, beijou minha testa e disse-me:
– Vá para sua casa e não saia de lá. Diga à sua família para permanecerem contigo. Não convide ninguém para entrar em sua casa. Irei te visitar quando puder, não venha em meu encontro. Adeus.
Saiu andando com o passo apertado. Fiquei meio confusa com o que ele me disse, mas ele falava sério. Então farei o que me pediu, sem hesitar. Espero que ele tenha o bom senso de me explicar o que aconteceu.
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