Com Amor, Amelia
12 XI
AMELIA
Depois de ler a primeira entrada do diário, juntamente com Charlie, comecei a perguntar-me a mim mesma do que se tratava tudo aquilo que lera. Porque é que um diário de alguém desconhecido me apareceu como por magia? E a magia nem sequer existe!
—Teorias? – perguntei, olhando para Charlie.
—Aposto que tudo o que estamos a viver agora é uma mentira total, alguém nos fez uma lavagem cerebral, não temos pais, fomos fecundados numa máquina super gira e viemos para este planeta – respondeu, com um ar divertido.
—Estás a querer dizer que os Ifigénios somos nós? – perguntei incrédula.
—Pediste uma teoria.
—Eu acho que prefiro acreditar na possibilidade de eu não ser um clone — ri-me, enquanto pensava na conversa absolutamente impossível que estávamos a ter – e também está na hora de eu ir para o vale dos lençóis ter uma boa noite de sono – referi, olhando para o relógio dos laboratórios, que marcava meia noite e meia.
—Sim é melhor, não queremos que chegues atrasada ao teu primeiro dia.
—Eu nunca me atraso – disse, pegando no diário.
—Amanhã trá-lo, temos que mostrar isso ao Jackson.
—Queres contar-lhe? – perguntei.
—Claro que sim, precisamos de tudo aquilo que nos ajude a perceber o que tinhas e algo me diz que esse diário e o teu acidente estão relacionados.
—Está bem, então. Amanhã cá estarei para o meu primeiro dia de trabalho.
Despedimo-nos com um “até amanhã” e saí das instalações, dirigindo-me para casa.
—Amelia! – olho para trás e reparo em Charlie – se calhar é melhor eu acompanhar-te a casa.
— Não é necessario, a sério.
— Não, eu faço questão, fica de caminho para a minha casa, não há problema.
—Tu não sabes onde eu moro – constatei o que eu pensava ser um facto – ou então sabes!
—Tive que me informar quando estavas em modo “bela adormecida".
—A minha princesa favorita é a Ariel, mas a Aurora também serve – disse, soltando uma leve risada, enquanto nos afastávamos cada vez mais dos laboratórios.
—Aposto que tiveste tempo de ver todos os filmes de princesas com a Sidney.
—Oh sim, foi o melhor programa que tive em tempos.
—Essa doeu – Charlie reclamou, em tom de brincadeira.
—Desculpa, não que eu não goste de estar contigo, mas adoro crianças e posso dizer com toda a certeza do universo e dos planetas ainda não descobertos, que a Sidney é muito divertida, muito querida, muito fofinha, tudo muito mais que tu – disse, entrando na brincadeira.
— Não acredito que me estás a comparar com uma criança! Obviamente que ela é mais fofinha que eu, só é preciso olhar para aquelas bochechas!
—E aqueles olhos enormes – completei.
—Ela realmente é uma menina doce.
—Muito doce – corrigi, sorrindo, enquanto chegávamos perto da porta da minha casa.
—Parece que chegámos.
—Sim… — respondi, encostando-me à porta de entrada.
—Então até amanhã.
—Até amanhã – respondi, enquanto entrava, rodando a chave na fechadura, mas parei e, mais uma vez deixei-me levar pelo instinto. Fui até Charlie e dei-lhe um abraço que durou longos segundos, mas que soube tão bem. Não olhei para ele, apenas fiquei ali, agarrada a ele, enquanto me retribuía o abraço. Soltei-me e voltei para o pé da porta, olhando-o enquanto entrava. A sua expressão transmitia serenidade, enquanto eu estava com o coração acelerado e super nervosa.
Quando cheguei à sala, reparei que Clarisse estava acordada, sentada no sofá, com uma caneca nas mãos.
—Hey – disse, enquanto entrava devagar.
—Olá Amelia, tudo bem? – ela perguntou.
—Claro! Ainda estás acordada?
—Sim, não conseguia adormecer, decidi beber um chá.
—Fizeste bem! Bem, vou-me deitar, ate amanhã!
—Até amanhã! De certeza que te sentes bem? – ela voltou a perguntar.
—Sim, estou bem – respondi com um sorriso.
—Ainda bem!
Entrei no quarto e pensei no quão agradecida estava por Clarisse me ter apoiado e ter estado sempre comigo, enquanto estive em coma. Ela é como uma irmã para mim.
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