Comédia Romântica
1 ATO ÚNICO
Notas iniciais
VOLDEMORT: filho de Tom Riddle.
AVERY LESTRANGE: amigo de Voldemort.
ABRAXAS MALFOY: amigo de Voldemort e seu pai.
CYGNUS BLACK: amigo de Voldemort e seu pai.
ROWENA: jovem dama em idade de se casar. Amparada por Condessa Hufflepuff.
HELGA HUFFLEPUFF: filha biológica da Condessa Hufflepuff e criada como irmã de Rowena.
[CENA 1]
Rússia, 1821, em um Salão de Bailes lotado.
Entram Rowena e Tom, portando máscaras douradas e conversando alegremente.
TOM (retomando conversa anterior): Então, nunca conheceu seus pais?
ROWENA: Não, nunca. Fui abandonada à porta da Condessa Hufflepuff, e ela me criou como se fosse sua desde então. É verdade que nem sempre fui uma criança fácil, então lhe sou muito grata.
TOM: Ora! Impossível imaginá-la como qualquer coisa que não a bondosa e bela jovem que é hoje. Veja como todos os homens lhe cobiçam, Lady Rowena.
Entram Abraxas e Cygnus, sorrindo para a mulher e lhe fazendo reverências.
ABRAXAS: Poderia ter o prazer da próxima dança, milady?
CYGNUS: Que coincidência, meu bom amigo! Vim fazer o mesmo convite a esta adorável senhorita. Que ela escolha o melhor entre nós dois.
ROWENA: Que seja, então, o melhor entre os três. Lorde Riddle já me fez o convite, e eu aceitei-o. Sinto muito, rapazes.
CYGNUS: Quem sabe da próxima vez, meu caro.
ABRAXAS: Ou da vez após essa.
Saem Cygnus e Abraxas para assediar outras jovens que passavam.
TOM: Não sabia que havia lhe convidado, boa dama, mas deve ter sido apenas um lapso meu.
ROWENA: Definitivamente! O senhor me convidou ao chegar. Oh, olhe! Estão tocando uma nova canção.
TOM (fazendo uma mesura): Se me der o prazer dessa dança, Lady Rowena.
ROWENA: Com alegria, senhor.
Tom e Rowena dançam no meio do salão. Entram Voldemort e Avery.
VOLDEMORT (com raiva no olhar): Veja como ele se diverte, sem se preocupar com meus infortúnios! E ainda, com a dama mais rica e bela de toda Rússia!
AVERY: Alguns diriam que a mais bela dama é Helena Ravenclaw, senhor.
VOLDEMORT: Talvez. Mas isso de pouco importa. Seja com a dama mais bonita ou com a segunda mais bonita, a felicidade de meu pai não pode durar muito. Estou pensando...
AVERY: O que pensa, meu bom homem?
VOLDEMORT: Aguardemos.
Saem todos.
[CENA 2]
No quarto de Helga Hufflepuff.
Helga se deita no divã, esperando que sua irmã apanhe a correspondência.
Entra Rowena.
ROWENA: Veja, irmã! Recebi uma carta anônima.
HELGA (se levanta): Ora essa! Sobre o que fala seu conteúdo?
ROWENA (abrindo a carta e a lendo): Fala sobre minha família!
HELGA: Sua família!
ROWENA: Minha família verdadeira!
HELGA: Sua família verdadeira!
ROWENA (joga a carta no chão e cai no divã): Impossível!
HELGA (pega a carta e a lê): Oh! Aqui diz que você é uma filha bastarda da família Riddle. E mais! Irmã de Lorde Riddle.
ROWENA: Por que meu destino deve conter tantos infortúnios, Helga?
HELGA: Você o ama, não?
ROWENA: E que bem pode isso me fazer, agora que sei que somos irmãos? Os deuses jamais perdoariam esse amor. Oh, Helga!
HELGA: Bem, talvez... Como podemos saber ser essa uma carta verdadeira? Nunca soubemos nada sobre seu passado, e agora isso. Pode ser uma brincadeira de mau gosto.
ROWENA: Não penso que alguém me odeie tanto a ponto de fazer algo assim. Meu amor, perdido para sempre!
Saem as duas.
[CENA 3]
Em um parque, Voldemort e Abraxas conversam.
ABRAXAS: Você está terrivelmente alegre hoje, Voldemort.
VOLDEMORT: A vida tem formas de nos surpreender, caro amigo.
ABRAXAS (para si): Como eu bem sei. (para Voldemort) O que aconteceu para lhe deixar assim tão contente?
Entra Avery acompanhado de Cygnus.
AVERY: Voldemort, aquele pequeno trabalho que me deu já foi cumprido.
VOLDEMORT: Excelente!
CYGNUS: Que trabalho é este de que fala, Avery? Voldemort lhe pediu novamente para engraxar suas botas novas?
AVERY: É algo entre Voldemort e eu, meu caro.
ABRAXAS (para si): Estariam eles tendo um romance? Estarei tarde demais? Amaldiçoado seja!
Saem todos.
Entra Rowena, passeando pelo parque carregando uma sombrinha azul.
ROWENA: Se eu pudesse mudar um aspecto de meu destino, seria que não fosse uma Riddle! Oh, preferia viver na miséria a perder o carinho do único homem que já amei!
Entra Tom Riddle e a assusta.
TOM (rindo): Sinto muito, boa dama, não tive intenção de lhe sobressaltar! Mas parecia tão absorta em pensamentos tristes que me vi no dever de lhe acordar de presságios tão assustadores.
ROWENA (para si): Ele sempre se preocupa tanto comigo! (para Tom) É bem verdade que estava perdida em pensamentos. Mas devo admitir, milorde, que estou triste com o senhor.
TOM: E por que? Fiz algo digno de repreensão?
ROWENA: Bem, eu lhe contei tudo sobre minha família, mas o senhor nada me contou sobre a sua.
TOM: Minha história não é assim tão divertida, minha bela. Nascido e criado fora da Rússia, fui o segundo mas, por infortúnio, único filho. Tive um irmão, a bem da verdade, mas morreu muito cedo por sua saúde debilitada.
ROWENA: Irmão?
TOM: Sim, irmão mais velho. Deveria ter herdado tudo, mas viveu poucos anos. Após a morte dele, minha mãe se debilitou, e veio a falecer não muito depois. Meu pai cuidou de mim desde então.
ROWENA: Ele vive?
TOM: Ah, sim! Quando me mudei para a Rússia, ele veio juntamente com...
ROWENA: Com? Com quem? Uma nova esposa, talvez?
TOM: Oh, olhe a hora! Precisamos nos despedir. Até logo, Lady Rowena!
ROWENA: Não, por favor, milorde-
Sai Tom. Rowena suspira e também sai.
[CENA 4]
Na sala de jantar de Condessa Hufflepuff.
Entram Helga e Rowena.
ROWENA (retomando conversa anterior): E ele deu a entender que seu pai se mudou com uma nova amante! Ela só pode ser minha mãe.
HELGA: Mas o senhor Thomas sempre me pareceu ser um homem sério, da mais alta estirpe. Vive sozinho e recluso, com exceção das visitas dos dois.
ROWENA: Dois? Que dois?
HELGA: Ora! Os dois! Tom e...
ROWENA: E quem mais?
HELGA: Talvez não devesse falar. Foi um segredo me confiado. Sinto muito.
ROWENA: Mas eu sou sua irmã! De criação e de coração! Deve me falar.
HELGA: A amo, irmã, mas àquele que me confiou o segredo também amo, e é por ele que guardo minha palavra.
Entra uma criada e anuncia a chegada de Tom.
TOM (fazendo uma mesura): Boa tarde, damas!
ROWENA E HELGA: Boa tarde!
TOM: Vim pois achei preciso esclarecer algo com a srta. Rowena. Se nos der licença...
Sai Helga.
ROWENA: O que deseja, bom senhor?
TOM: Hoje mais cedo lhe causei uma aflição desnecessária ao guardar um segredo que por muito tempo me proibi de mencionar.
ROWENA (para si): Oh! Vai me contar que sou sua irmã! (para Tom) Fale, pelos deuses!
TOM: Bem... Eu... Tenho um filho!
ROWENA: Um filho!
TOM: Sim! É Lorde Voldemort. Provavelmente notou a semelhança entre nós. Muitos são aqueles que já adivinharam o parentesco, ainda que lhe guardemos segredo.
ROWENA: Mas por que do segredo? É filho bastardo?
TOM: Não, fui casado com sua mãe por um curto período de tempo. Ela tinha muitos problemas de temperamento, e por isso eu me ausentava por longos períodos a fim de que não brigássemos. Um dia, após uma viajem de poucas semanas, ao voltar para casa, ela já não estava mais lá e eu nunca soube de seu paradeiro até pouco tempo. Meu pai ficou sabendo da existência de Voldemort por um amigo em comum, e eu fui atrás de meu filho.
ROWENA: Se envergonha dele, então? Não pode ser!
TOM: Não, sinto muito orgulho por ele. Como bem sabe, o jovem é um dos conselheiros da monarquia. Quem sente vergonha de mim é ele. Não gosta que saibam que é filho de um mero comerciante.
ROWENA: Um mero comerciante? O senhor é o melhor homem que já conheci, meu Lorde.
TOM (para si): Ela é tão bela! (para Rowena) Milady, eu tenho lutado em vão. Creio que chegou a hora de lhe confessar-
ROWENA (interrompendo): Por favor, senhor! Não faça nada precipitado que vá machucar a ambos!
TOM: Não me ama, então?
ROWENA: Não podemos nos amar.
TOM: Por que não?
ROWENA: Somos irmãos!
Ela sai correndo. Ele a segue, confuso.
[CENA 5]
No quarto de Helga.
Entram Rowena e Tom.
TOM: Mas como... Por que... Eu não...
ROWENA (lhe entregando a carta): Leia.
TOM (lendo a carta): Isso é impossível, Lady Rowena! Eu lhe contei que minha mãe só teve mais um filho.
ROWENA: Mas seu pai pode ter uma amante!
TOM: Por favor, não o ofenda dessa forma! Meu pai jamais teria tido uma amante e, mesmo se o fizesse, nunca abandonaria sua própria filha. Ele moveu o mundo para que eu me reencontrasse com meu próprio filho!
ROWENA: Mas quem inventaria algo assim, apenas por maldade? Quem me odiaria tanto?
TOM: Talvez não a você...
Entra a criada e anuncia a chegada de Voldemort e Abraxas.
VOLDEMORT (surpreso): Ora! Não esperava encontrar você aqui!
ABRAXAS: Isso não muda nada, meu querido. Viemos aqui por uma razão, e uma razão apenas.
ROWENA: Por qual razão?
VOLDEMORT (tomando a carta das mãos de Tom): Isto! Eu lhe mandei a carta, Lady Rowena.
ROWENA: Você? Mas por que?
ABRAXAS: Para se vingar do pai.
TOM: Eu imaginei que fosse esse o caso. Admito, porém, que jamais esperei que você fosse confessar, meu filho.
VOLDEMORT: Eu não pretendia o fazer.
ABRAXAS: Mas eu o obriguei. De nada me adianta seu coração quando ele esta escurecido pela raiva, Voldemort.
VOLDEMORT: Que assim seja! Espero que sejam felizes juntos.
Saem Abraxas e Voldemort.
ROWENA: Então, não somos irmãos afinal?
TOM: Não!
Se abraçam e se beijam.
Helga observa tudo do corredor, ao lado de Cygnus.
HELGA: Eu sempre acreditei que eles ficariam juntos no final.
CYGNUS: E com isso, tudo acaba bem, meu amor.
FIM.
Fale com o autor