POV. Katie Grace

Sexta-feira, sete horas da noite.

Parei o carro na frente da casa dos Black. Natalie fechou seu livro, abriu a porta e saiu. Fiquei mais alguns minutos no carro, pegando minhas coisas.

Quando entrei na casa, Carollyn, Caroline e Natalie estavam conversando na sala de estar. Carollyn usava calças de moletom e uma camiseta Everyday I’m Slytherin, Caroline usava um pijama com a estampa do sol (Uau, que criativo) e Natalie e eu ainda usávamos nossas roupas normais.

- Onde estão seus pais? – perguntei largando minha mochila na mesa.

- Foram ao cinema – respondeu Carollyn ligando a televisão – Vão voltar tarde. Podemos dar uma festa!

- Uma festa? – sorri.

- Não quer dizer... – começou Natalie.

- Sim – Caroline sorriu – EU ALUGUEI TODAS AS TEMPORADAS DE SUBURGATORY E COMPREI PIPOCA!

- YEAH!

Quer dizer, garotas normais estão em festas agora. Nós estamos assistindo Suburgatory e comendo pipoca. Acho que nós estamos numa melhor condição.

Meu celular vibrou. Peguei-o e li a mensagem.

“Eles conseguiram Você-Sabe-O-Que” – de Contato Misterioso.

- Pelas Barbas de Zeus! – exclamei – Não pode ser!

- O que foi? – perguntou Natalie.

- Os romanos – falei encarando-as – Eles conseguiram... A foto.

Eles ofegaram.

- Não! – exclamou Natalie – Aquela foto não! Como conseguiram?!

- Não importa – Caroline ficou de pé – Temos que pegar a foto de volta!

- Como? – perguntou Carollyn – Não sabemos onde aquelas psicopatas moram.

- Mas sabemos onde um deles mora – falei apontando pela janela.

- Vamos invadir a casa dele? – Natalie arregalou os olhos.

- Sim e não – respondeu Caroline coçando o queixo – Tenho uma ideia.

Protestamos. Sempre que Caroline tem uma ideia, as coisas acabam de uma forma ruim. Não acredita em mim? Uma vez ela teve a ideia de encher vários balões com água e tacar nas pessoas da rua.

Acabamos sendo perseguidas por crianças de oito anos armadas com pistolas de água. Criaturinhas do Tártaro, aquelas.

Meia hora depois, Caroline tinha explicado seu plano maligno. Carollyn vai tocar a campainha, Drake vai atender e ela vai pedir um copo de açúcar (que desculpa patética!). Nós vamos invadir a casa enquanto Drake está distraído e procurar a foto. O pior é que Natalie, a voz da razão e filha de deusa da estratégia, concordou! O que Atena pensa disso?!

- Todas entenderam o plano? – Caroline perguntou, todas assentimos – Agora, vamos para a ação!

- Espera – Carollyn disse – Tenho que trocar de roupa.

- Não, vá de pijama mesmo! – empurrei-a até a porta – Quanto mais rápido irmos, mais rápido isso vai acabar.

Natalie, Caroline e eu nos escondemos atrás de uma árvore enquanto Carollyn, carregando um copo de açúcar vazio, caminhava até a entrada da casa dos Lockwood. Ela tocou a campainha, alguns segundos depois Drake atendeu.

- Black? – ele perguntou surpreso – O que você está fazendo aqui?

- Será que pode me dar um pouco de açúcar? – ela ergueu o copo.

O garoto franziu a testa.

- Porque você... Isso é uma camiseta do Harry Potter?

- É sim – os olhos de Carollyn se iluminaram.

- Eu amo Harry Potter!

Revirei os olhos quando os dois começaram a discutir sobre a série. Caroline se irritou e tacou uma pedra nas costas de Carollyn.

- Oh – ela disse esfregando as costas e dando um olhar feio em nossa direção – Então, Drake, o açúcar...

- Pois sim – Drake abriu a porta – Entre.

Assim que os dois entraram na casa, nós nos esgueiramos para dentro. O plano estava ocorrendo como planejado. Subimos as escadas em silêncio, nos dividimos para olhar os quartos e entramos no quarto de Drake para procurar.

Só não contávamos com um fato: Ele estava acompanhado.

- Ér... Oi? – disse Alexander Gollen nos encarando surpreso.

- Oi – acenou Natalie de volta – Tudo bem com você?

- O que diabos estão fazendo aqui? – perguntou ele.

- Não, o que você está fazendo no quarto do Drake? – perguntei.

- Hum... – maliciou Carol.

- Acabei de chegar! – ele exclamou – Eu vim pegar alguns livros para a aula de Biologia.

- Claro, claro.

- E vocês? – ele nos olhou desconfiado – Drake ao menos sabe que estão aqui?

- Sabe – menti.

Alex abriu a boca para gritar por Drake, mas Caroline avançou e apertou um ponto do pescoço do garoto. Ele caiu desmaiado.

- Ai meu Zeus! – sussurrou Natalie chocada – Você o matou!

- Não o matei! – Caroline disse – Ele só está desmaiado!... Eu acho.

Natalie ia começar a ter um ataque, quando ouvimos barulho nas escadas. Depois de um momento de surto, empurramos Alex para dentro do banheiro. Eu me escondi debaixo da cama. Natalie se escondeu no armário. Caroline escondeu atrás da porta.

- Eu já fui ao Parque Oficial do Harry Potter, sabe – dizia Drake quando ele Carollyn entraram – Foi muito legal! Eu comprei o uniforme da Lufa-Lufa!

- Lufa-Lufa? – ela disse. Não consegui ver seu rosto, mas podia jurar que fez uma careta.

- Algum problema?

- Não, imagina.

Olhei para o lado. Lá estava a mochila de Drake. Rastejei lentamente, abri a mochila o mais devagar possível e – Santo Zeus! – achei a foto. Tirei-a e coloquei-a dentro do meu casaco.

- O que é isso? – Drake perguntou – Ouviu esse barulho? Acho que veio de debaixo da minha cama.

- Não! – exclamou Carol – Barulho? O único barulho que ouvi é o barulho do meu estomago roncando. Será que dá para fazer um sanduíche para mim, por favor?

- ... Você é muito folgada.

- Já me disseram isso antes.

- Certo, certo – ele falou irritado – Vou fazer a droga do sanduíche. Não quero ser mal educado, mas depois você vai embora. Meus pais vão chegar logo e... Onde está Alex?

- Aqui! – meu sangue gelou quando ouvi a porta do banheiro sendo aberta – É UMA CILADA, CARA! AS AMIGAS PSICOPATAS DELA ESTIVERAM AQUI!

- O QUE? – berrou Drake.

- VALEU PELO AÇÚCAR! – berrou Carollyn saindo correndo do quarto. Os dois garotos saíram correndo atrás dela.

- Vamos! – Natalie pulou para fora do armário e me ajudou a sair de debaixo da cama.

- Como vamos sair? – perguntei nervosa – Eles estão lá embaixo!

- Janela – Caroline disse.

- O que?! – exclamamos.

A ruiva sumiu no parapeito da janela e pulou em direção à árvore ao lado da casa. Fizemos a mesma coisa sem muitos problemas. Quando estávamos descendo da árvore...

- ELAS ESTÃO ALI! – berrou Alex.

- PEGUEM-NAS! – berrou Drake.

Carollyn surgiu correndo e nós corremos atrás dela.

A cena era estranha: Quatro garotas, duas usando pijamas, correndo pela rua como loucas enquanto eram perseguidas por casal de namorados [N/Alex: EU TINHA ACABADO DE CHEGAR!] Aham.

- Semideuses – vozes sibilaram ecoante por toda a rua.

Paramos de correr e nos viramos. Cinco dracaenas fortemente armadas que surgiram de algum lugar. Minha aljava surgiu nas minhas costas junto com o arco, eu já ia disparar uma flecha quando Alex deu um passo para frente.

- Ei – ele falou para as dracaenas – Para que essa agressividade?

Deixei a flecha pronta para disparar. O que Hades aquele idiota está fazendo?

- Bem – uma das dracaenas falou – Vocês são semideuses... Nós matamos semideuses.

- Por quê? – o sorriso de Alex era amarelo e ele tinha um pouco de suor na testa – Parem de lutar. Abaixem essas armas.

A voz de Alex era tão persuasiva que quase abaixei meu arco e flecha. As dracaenas, felizmente, jogaram as armas no chão.

- E agora – Alex disse, um tanto mais confiante – Vão embora.

As dracaenas se olharam, deram de ombro e saíram andando tranquilamente. Ficamos num silêncio tenso.

- Como você fez isso? – perguntou Drake chocado.

Alex deu de ombros.

- Sempre fui bom em convencer as pessoas – falou – O que eram aqueles bichos? Chamaram-nos de... Semideuses? O que isso significa?

Nesse momento, um holograma mostrando uma pomba rosa brilhou na cabeça de Alex. Natalie revirou os olhos.

- O que é isso?! – exclamou Alex alarmado – Essa pomba vai fazer coco na minha cabeça?!

- Você é filho de Afrodite – disse Carollyn – Deusa do amor, da beleza e... Bem, da falta de vergonha na cara.

- Combina comigo – Alex refletiu.

Mais um semideus. Não sei se vamos aguentar isso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.