Colégio Interno - Brittana
29 Novo Inquilino
Notas iniciais
Santana olhava para o teto do quarto, completamente entediada. Desde que Brittany conseguira piorar sua torção no tornozelo perambulando para cima e para baixo no quarto, Olivia resolvera dar uma bota para a menina manter o pé imobilizado. Santana quis mata-la por isso. Se Brittany não parava quieta nem com as muletas, agora não ficava cinco minutos sentada. A falta de dançar a deixava estressada.
Santana gemeu e resolveu passar o tempo com algum de seus milhares de livros. Quando estava prestes a começar a leitura, raio cortou os céus, seguido por um trovão. A chuva começara a cair fortemente, e Brittany estava no pátio.
- Merda – Santana resmungou, calçando seus tênis e correndo para a rua.
Ela não sabia ao certo o que iria fazer. Elas não tinham guarda-chuvas no internato, não havia necessidade, então certamente só se molharia. Mas precisava ir, Brittany tinha medo de temporais.
Correu em meio ao pátio sentindo as gotas escorrerem por seu rosto. A chuva aumentava a cada segundo, embaçando sua visão. Ela correu em direção ao bosque, certa de que encontraria a namorada lá. Dito e feito. Brittany estava encolhida perto de uma árvore, com os olhos fortemente fechados. Santana não conseguia dizer se ela estava chorando ou se eram as gotas da chuva que escorriam por seu rosto. De toda a forma, correu ao encontro da loira e a abraçou.
- Britt, sou eu – Santana disse, afastando os cabelos molhados do rosto de Brittany.
- San? – Brittany chamou – O que está fazendo aqui?
- Você tem medo de temporais, Britt-Britt. – A morena explicou – Os raios, não é? Eu vim te buscar, não poderia te deixar assim.
Brittany sorriu e abraçou-se ao seu casaco mais fortemente. Santana arqueou uma sobrancelha ao ver que a loira carregava o objeto cuidadosamente embrulhado em suas mãos, mas resolveu não perguntar. Ajudou Brittany a levantar-se e correram o mais rápido que o tornozelo da loira permitia de volta para a escola.
Santana abriu a porta do quarto e as duas entraram. Brittany foi puxada direto para o banheiro sem que pudesse protestar. Santana já começava a desabotoar a camiseta encharcada de Brittany quando notou que a loira ainda segurava o casaco.
- Britt, larga isso. – A morena pediu, tirando o objeto das mãos de Brittany e imediatamente sentindo um peso extra – Mas o que é isso?
- San, não fica braba – Brittany pediu – Eu achei ele sozinho no meio do bosque e não consegui ir embora sem ele.
- Um gato? Sério, Britt? – Santana disse, erguendo o pequeno animal cinzento nos braços.
- Podemos ficar com ele? – Brittany perguntou – Por favor, Sanny! Só por um tempo.
- Britt, nós não podemos ter animais aqui! Você sabe disso – Santana argumentou.
A loira assentiu e um beicinho formou-se em seus lábios. Santana sentiu seu coração apertar e aproximou-se da namorada, beijando-a.
- Só por um tempo, certo? – Santana disse, arqueando uma sobrancelha.
- YAY! Certo, San. – Brittany disse, jogando-se nos braços da namorada.
- OK! – Santana exclamou, contendo uma risada – Mas agora vamos tomar banho. Depois eu vou ter que levar você pra trocar esse gesso, Britt-Britt. O gato pode esperar.
- Juntas? – Brittany perguntou, com um sorriso torto formando-se em seus lábios.
- Como você quiser, B.
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Brittany e Santana entraram no quarto rapidamente. Brittany saltitava alegremente, feliz por não ter mais que usar o gesso. Olivia e uma outra enfermeira que Brittany julgara igual à Rachel deram um sermão na loira por ter saído com um temporal armando e por ter destruído o gesso.
Santana caminhou cautelosamente em direção ao animal que estava adormecido no travesseiro de sua antiga cama. Brittany sorriu e aproximou-se junto à morena, abraçando sua cintura.
- Admita, ele é fofo – Brittany disse, beijando o pescoço de Santana.
- Um pouquinho. – A morena respondeu – Bem pouquinho.
- Aham. – Brittany disse, com o seu habitual sorriso torto tomando lugar em seu rosto.
Santana riu e beijou o rosto da loira, voltando-se ao animal.
- O que nós vamos fazer com ele? – Santana perguntou.
- Eu não sei, Sanny. – Brittany confessou – Podemos escondê-lo na sala do coral nos dias de revista. No mais eu não sei.
- Pode dar certo. – Santana disse, caminhando em direção à cama. – Mas quer dizer, o que esse bicho come?
- Não o chame assim! – Brittany disse com uma risada – É a mesma coisa que eu te chamar de humana.
- E eu vou chama-lo de que? – Santana retrucou arqueando uma sobrancelha.
Brittany parou por alguns segundos, pensativa. A loira fechou os olhos e em seguida abriu um sorriso.
- Lord Tubbington. – Brittany concluiu – Ou Lord T.
- Que seja Lord T. então – Santana disse com um sorriso em seus lábios.
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Quinn acordou da maneira que mais odiava ser acordada: por Santana. A morena atirara um travesseiro em seu rosto e estava cutucando o rosto da amiga até ver seus olhos abrirem.
- O que você está fazendo aqui, Lopez? – Quinn reclamou, sentando-se na cama.
- A Frodolina disse que não podia vir te acordar, então cá estou. – Santana respondeu, sentando-se na cama.
- Não chame a Rach assim, porra. – Quinn respondeu, empurrando Santana.
- É engraçado, Fabray. De qualquer forma, é hora da janta. – Santana disse – Levanta logo e vamos que a minha Britt-Britt está me esperando.
- Não estou com fome. – Quinn respondeu.
Santana deteve-se na porta e sentiu seus músculos tencionarem. Ela virou-se em direção a amiga e voltou a sentar-se na cama.
- Aposto que o meu problema bate o seu – Santana disse.
- Vá em frente. – Quinn respondeu.
- Eu tenho um gato dormindo em cima da minha cama neste exato momento – Santana disse.
- Um o que? – Quinn retrucou incrédula – Esquece. Eu não quero saber.
- Britt-Britt o achou no meio do bosque. – Santana explicou. – Ela quis ficar com ele.
- E me deixe adivinhar: Satã Lopez não conseguiu dizer “não” para a namorada. – Quinn disse com um sorrisinho torto, fazendo Santana corar.
Santana deu graças a deus por possuir a pele mais escura, caso contrário estaria mais vermelha do que Brittany ficaria. Mas Quinn conhecia Santana bem o suficiente para saber que essa era uma das ocasiões nas quais Santana ficaria vermelha da cabeça aos pés.
- Eu consigo dizer não para ela. – Santana disse desviando os olhos da amiga.
- Aham, claro. – Quinn disse sorrindo.
- Mas você não me disse qual é o seu problema. – Santana disse, aproximando-se da loira.
Quinn engoliu em seco. Sacudiu a cabeça tentando livrar-se da imagem dela mais nova com um bebê nos braços.
- Quinn? – Santana chamou, arqueando uma sobrancelha.
- S, lembra porque eu vim parar num internato? – Quinn perguntou e Santana apenas assentiu – Pois bem, ela... Ela tem três anos. E mora aqui com a minha sogra.
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