Colégio Interno - Brittana
51 Jennifer
Notas iniciais
Holly Holiday caminhou em direção ao quarto com o sangue fervendo. A vontade que tinha era de socar as paredes de pedra, mas o máximo que isso causaria seria uma mão quebrada e ainda mais raiva do que estava sentindo.
Abriu a porta do quarto e a fechou com força. Olivia, que a esperava sentada na cama, levantou em um salto e correu em sua direção. Os músculos da loura relaxaram ao simples contato dos braços da jovem mulher ao redor de seus ombros. A professora permitiu-se abrir um pequeno sorriso para a mulher antes de caminhar em direção à cama e atirar-se na mesma.
- O que aconteceu? – Olivia perguntou, massageando os braços da mulher.
Antes que Holly pudesse responder, uma batida suave ecoou na porta, tirando-a de seus devaneios. A professora levantou-se da cama e caminhou com passos largos até a porta, dando de cara com grandes olhos azuis.
- Interrompo? – Brittany perguntou com o rosto se contorcendo em um sorriso.
- Entrem. Agora. – a mulher falou, puxando Brittany e Santana para dentro do quarto.
- Nós não podemos. – Brittany disse. – Temos que voltar para os jogos, e…
- E nada. – Holly cortou rispidamente. – Vocês duas entrem aqui e me escutem. E largue esse gato, Brittany.
- Mas…
- Sem. Mas. – a mulher falou, gesticulando para as cadeiras.
Brittany e Santana se entreolharam, mas optaram por sentar. Holly passou a mão nervosamente pelos cabelos enquanto andava de um lado para o outro.
- As freiras estão desconfiadas de vocês. – ela disse.
- C-c-como assim? – Santana perguntou, agarrando a mão da namorada.
- Elas sabem de alguma coisa. Das relações de vocês duas, Santana. Elas estão com um olho grudado em vocês, e adivinhem quem foi tentar limpar a barra de vocês duas hoje? Exatamente, eu. – A mulher falava visivelmente irritada. – Quando concordamos em ajudar vocês duas, vocês mesmas juraram que seriam o mais discretas possível. E no que isto resultou? Pelo amor de deus! Vocês sabem das regras da escola, vocês sabem das punições por relações homossexuais, e mesmo assim eu vi vocês duas se agarrando no meio do corredor! O que é que vocês têm na cabeça? Realmente acham que são invisíveis? Elas não perdoam esse tipo de relacionamento, não aqui nessa escola! Por deus, eu realmente queria saber o que se passa nas mentes de vocês duas para fazerem isso em público! Não acham que é no mínimo suspeito?
- N-nós não pensamos nisso. – Brittany gaguejou. – Simplesmente acabamos fazendo.
- É óbvio que vocês não pensaram nisso, se tivessem parado cinco segundos para analisar as consequências, não teriam feito! – A loura gritou, batendo na mesa com força.
- Holly, acalme-se. – Olivia disse suavemente, segurando os ombros da professora. – Gritar com elas não vai fazer o problema desaparecer.
- Mas talvez enfie alguma coisa na cabeça oca da minha sobrinha. – Holly resmungou, mas relaxou os ombros.
- N-n-não fale assim com a minha Britt-Britt. – Santana falou, tentando recuperar a postura firme.
A professora suspirou pesadamente, mas não respondeu. Santana abraçou a cintura da namorada, que ainda encarava Holly como se esperasse que ela dissesse mais alguma coisa. Mas a mulher manteve o silêncio, para o desconforto das duas. As meninas ficaram paradas, sem saber ao certo o que fazer. Holly massageava as têmporas, como se esperasse que isso a acalmasse um pouco.
- Voltem para os jogos. – ela disse por fim. – Mas nós ainda não terminamos.
Brittany assentiu e agarrou a mão de Santana, puxando-a para fora do quarto. A professora assistiu as duas saindo do quarto e fechando a porta, ainda sem dizer nenhuma palavra. Por fim, levantou-se e voltou para a cama. Olivia sentou-se ao lado da mulher, passando um dos braços ao redor de seus ombros. Holly virou o rosto e beijou-a timidamente.
- O que eu faço com elas?
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Santana caminhou atrás de Brittany, olhando desconfiada pelos corredores. A loura mantinha a cabeça baixa e caminhava em direção ao refeitório, onde as equipes provavelmente estariam reunidas.
- Britt, — Santana chamou, segurando o pulso da loira no meio do corredor. – E se… e se elas descobrirem sobre… você sabe. O que nós vamos fazer?
- Eu não sei, Santana. – Brittany respondeu, soltando-se do aperto da namorada. – Podemos falar disso depois?
Santana suspirou e assentiu, seguindo a namorada pelo corredor. As equipes já estavam reunidas, e aparentemente a equipe quatro havia ganhado a primeira tarefa.
- Aonde vocês se enfiaram? – Sam Evans perguntou, arrumando os cabelos curtos. – Nós perdemos a primeira parte.
- Srta. Holiday nos chamou para conversar. – Brittany respondeu sem dar muita importância. – Qual é a próxima parte.
- Vocês não vão nem acreditar.
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Jennifer caminhou rapidamente pelas escadas até o último andar. Bateu na porta da sala e esperou alguns segundos até ser chamada. Entrou no local escuro e sentou-se em frente à diretora do internato. A velha pressionava os lábios, formando uma linha fina e mexia nervosamente no anel de prata em seu dedo. Havia sido um presente da mãe após decidir seguir a carreira religiosa. Uma pequena pedra azul escura estava incrustrada no anel, brilhando ao ter contato com a luz fraca da vela.
- A senhora queria me ver? – Jennifer perguntou, quebrando o silêncio do cômodo.
- Queria. – a mulher respondeu. – Precisamos tratar de… negócios.
- Se for algo a ver com Brittany e Santana, eu prefiro não me envolver. – A ruiva respondeu, remexendo-se na cadeira.
- Jennifer, elas estão chamando muita atenção. – A velha retrucou, mas a menina apenas balançou a cabeça.
- Aquela ideia de tentar separá-las… você sabe que não funcionou. Elas não ficam mais de um mês longe uma da outra. Eu achei que a Brittany fosse morrer. E outra, me envolver com isso seria me envolver com Quinn Fabray. Aquela menina é louca, a senhora sabe disso. Além do mais, a Britt é minha amiga. Bem ou mal, eu gosto muito dela e não posso fazer isso de novo. Ela só vai ficar com mais raiva ainda de mim, e eu vou acabar mal de novo. Sério, a senhora não viu o que aquela maluca da amiga dela fez com o meu cabelo? E ela roubou a cobra do laboratório de biologia para pôr na minha cama. Eu quase não dormi por dois meses! E eu me recuso a tolerar a “fúria latina” da namorada dela. – Jennifer disse, desabafando.
- E o que eu posso fazer? – a mulher interrompeu. – Eu estou tentando salvar essas duas meninas! O relacionamento delas é perigoso para ambas, e se elas sempre dão um jeito de reatarem, poderiam fazê-lo mais tarde. Eu estou de mãos atadas, Jennifer. Elas estão se pondo em risco.
- Os pais de Brittany já sabem? – Jennifer perguntou.
- Não tenho certeza, mas os Lopez estão pagando as irmãs para manterem um olho nas duas. Aparentemente é vergonhoso demais ter uma filha estuprada pelo próprio padrasto e lésbica.
- Eu não posso fazer nada. – Jennifer disse. – Eu tentei conversar com Brittany, mas ela não me escuta. Se eu tentar falar com a namorada dela, eu acho que vou ser linchada.
- Então não há nada que possamos fazer?
- Temo que não.
A velha enterrou o rosto nas mãos e massageou as têmporas. Por fim, levantou a cabeça e ficou com o olhar perdido em um velho quadro no cômodo.
- Pode ir. – a mulher falou. – E faça-me um favor, avise à Shelby que preciso vê-la. Precisamos falar sobre a menina.
- Os Fabray…
- Eles sabem.
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