Colégio Interno - Brittana
64 Dificuldades
Notas iniciais
Sigam: @JuuPeixe
Santana estava estirada na cama, com a cabeça encostada no peito de Brittany enquanto gargalhava da interação da loira com a irmã. Brittany parecia tão criança quanto Anna, discutindo sobre desenhos e coisas que Santana nunca havia ouvido falar. A pequena parecia não ter notado a interação muda de Brittany e Santana, os toques e carícias que as duas trocavam sem mesmo se dar por conta de que o faziam.
- Eu curto muito mais o Bob Esponja. – Brittany disse. – Rebeldes é ruim.
- Não! – Anna discordou. – Bob Esponja é para crianças! Rebeldes é mais para gente da minha idade. Não é, Sanny?
Santana ergueu as mãos em sinal de que não iria se intrometer, e as duas prolongaram a discussão. O braço de Brittany abraçava a cintura de Santana e elas seguravam as mãos distraidamente. Anna observava a interação das duas, sem dizer nenhuma palavra sobre o assunto.
Batidas ecoaram na porta e Santana levantou do colo de Brittany para abrir. Deu de cara com sua mãe, seguida por Jason logo atrás.
- Onde está Anna? – A mulher perguntou.
- Aqui. – Santana respondeu, tentando manter a firmeza na voz. – Ela passará a noite aqui. E por sinal, por quanto tempo vocês pretendem ficar?
- Indeterminado. – A latina mais velha respondeu. – E quem deu permissão para ela ficar aqui?
- A própria irmã Lewis. – Santana retrucou.
A mulher ergueu uma sobrancelha, mas não discutiu. Mandou um olhar discreto pelo quarto, mas Santana se colocou na sua frente.
- Não vai me convidar para entrar? – a mulher perguntou irônica.
- Não.
Dito isto, Santana bateu a porta na cara da mãe. Ela tinha os músculos tensos e rígidos. Brittany levantou da cama em um salto e envolveu-a em um abraço apertado. Aos poucos, o corpo da morena começou a relaxar, e Brittany foi a soltando devagar.
Os olhos das duas se encontraram e Santana sorriu fracamente. Brittany entendeu que ela queria ficar um pouco sozinha com a irmã, então beijou o topo da cabeça da namorada e deu um breve aceno para Anna.
- Eu vou falar com Holly. – A loira informou. – Preciso saber o que os meus pais estão fazendo aqui. Eu… ahn, até depois.
Brittany bateu a porta do quarto e Santana respirou fundo antes de caminhar até a irmã. Anna podia dizer que ela queria conversar, então endireitou o corpo na cama e a esperou se acomodar.
- Annie… — Santana começou. – Ele… ele já encostou em você?
A menina se encolheu. Santana entendeu a resposta. A vontade que sentia era de socar o rosto de Jason com todas as suas forças.
- Ele tentou. – a pequena respondeu. – Mas eu me escondi no quarto. As coisas ficaram mais complicadas quando você foi embora.
- Eu sei. – Santana disse, puxando a irmã para mais perto. – Mas é só até o fim do ano. Depois, Britt, Quinn, Rachel e eu vamos embora daqui, e você vem comigo.
A pequena sorriu, fazendo com que Santana sorrisse de volta. Ela deixou a irmã acomodar-se em seu peito e ficou brincando com os cabelos escuros.
- Sanny? – Anna chamou.
- O que foi?
- Britt é a sua namorada?
A pergunta pegou Santana desprevenida. As palmas das mãos começaram a suar e a morena ficou nervosa. Mas não tinha mais como esconder da irmã.
- Eu sou tão óbvia assim? – ela perguntou, tencionando os músculos.
- É. – a menina respondeu com uma risada. – Mas não se preocupe. Eu não vou contar.
Santana relaxou. Ela sorriu e abraçou a irmã com força.
- Obrigada, — ela murmurou. – e não se preocupe. Eu vou te tirar de lá.
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Brittany saltitou pelos corredores em direção ao quarto da professora. Estava curiosa quanto ao que seus pais estavam fazendo ali.
Porém, antes que pudesse bater na porta, ouviu vozes conhecidas. Sua mãe discutia com Holly em um tom de voz elevado, o que preocupou Brittany.
- Ela é minha filha! – Ouviu a mãe exclamar. – Você não tem o direito de tentar toma-la de mim!
- Sua filha? – Holly rebateu. – Você praticamente a abandonou na primeira escola que encontrou! Eu cuidei dela durante todos esses anos que você não mexeu um dedo para saber sobre a própria filha! Isso é ser mãe para você?
- O que ela fez foi imperdoável, Holly! – A mulher disse ríspida.
- O que ela fez? O que você fez! – Holly devolveu. – Você deixou duas crianças sozinhas em casa, uma tomando conta da outra e a culpa é dela? E o que aconteceu foi um acidente, você sabe disso. Só não quer encarar que no fundo, a real culpada disto é você, e não Brittany. Ela não devia ter tomado conta do irmão sozinha, ela era pequena.
- CHEGA. – A mulher berrou. – Eu vim para leva-la de volta para casa.
- Você deve estar completamente louca se realmente acha que eu vou deixa-la ir.
Aquilo deu um nó na cabeça de Brittany. A loira correu para fora dali, o estômago embrulhado e lágrimas correndo por seu rosto. Caiu de joelhos num canto da escola e vomitou, sem conseguir mais segurar. O corpo caiu para o lado e ela começou a chorar desesperadamente. Não queria e não podia ir. Não depois de tudo o que passaram, não iria abandonar Santana.
- Brittany? – Uma voz chamou, enquanto ajudava a loira a levantar. – Meu deus, o que foi que houve com você?
- M-m-me deixe sozinha. – a loira pediu, tentando se esquivar. – Por favor, só me deixe sozinha.
- Não. – A mulher em sua frente respondeu. – Você vem comigo. Eu vou ajudar vocês.
- Ajudar? – A loira riu sarcasticamente. – Como? Vai dar uma chibatada nos meus pais? Do mesmo jeito que fez comigo e com Santana? Por favor, só me deixe em paz.
- Brittany. – A Sra. Lewis tentou. – Eu realmente posso ajudar. Por favor, me acompanhe.
Ela ergueu a loira do chão e a guiou pelo braço até o escritório. Brittany tentou se esquivar mais uma vez, mas não conseguiu. A velha fechou a porta do escritório e fez sinal para que a loira sentasse.
- Linda sala. – Ela disse. – A sua cara.
A irmã revirou os olhos e ignorou as palavras de Brittany. Odiava o escritório, o achava escuro demais, velho demais.
Abriu a gaveta e puxou os quatro envelopes que havia lido anteriormente. Entregou-os para Brittany que os leu, confusa.
- NYADA e NYU? – A loira perguntou. – Mas eu nem me inscrevi. E tenho certeza que a Santana também não.
- Eu inscrevi vocês. – A velha falou.
- Por quê?
- É uma tentativa de fuga. Vamos tirar vocês quatro daqui.
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