Colégio Interno - Brittana
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Notas iniciais
Santana dormia tranquilamente no colo de Brittany quando fora acordada com fortes batidas na porta. A morena abriu os olhos sonolenta e olhou para o relógio, constatando que não eram nem seis horas da tarde. Brittany levantou e foi abrir a porta, dando de cara com Quinn e Rachel. As duas disseram um rápido oi e entraram no quarto sem esperar por um convite. Santana revirou os olhos e sentou na cama, esperando que as amigas se pronunciassem.
- A Megera quer nos ver no auditório. – Quinn explicou. – Sei lá, tem um anúncio para fazer ou coisa parecida.
Brittany assentiu e Santana foi arrumar os cabelos novamente. Assim que saiu do banheiro, as quatro saíram do quarto e se encaminharam para o auditório. O local já estava cheio com as meninas e a diretora já se posicionava na frente de todas. Santana enxergou Jennifer com o rosto inchado. Aquilo era devido a uma reação alérgica a amendoim, provocada por ela e Quinn. Santana nunca se sentiria satisfeita com as “pequenas” torturas que criavam para a menina. O que ela fizera com Brittany e ela nunca seria perdoado.
As meninas sentaram-se junto com o grupo do coral nas últimas fileiras. Santana aproveitou para agarrar a mão de Brittany e esperou pelo anúncio da diretora.
- Como vocês todas já sabem, — A velha começou – o baile é uma tradição entre as nossas escolas de internato. Então o Male American Boarding School se juntará a nós neste final de semana. Teremos o baile aqui em nosso ginásio.
Brittany soltou um gemido e jogou a cabeça para trás. As outras internas veteranas tiveram as mesmas reações, o que fez com que Santana risse.
- O que há de tão ruim em um baile, Britt-Britt? – A morena perguntou, aproveitando a ausência de luzes para acariciar o rosto da namorada.
- Em um baile comum? Nada. – Brittany respondeu. – Nesses bailes? Bom, as meninas agem como se fossem cadelas no cio e sempre vem um retardado se engraçando para cima de mim.
Santana sentiu o sangue subir em sua cabeça. Já era ruim o suficiente ter que lidar com uma ex-namorada dando em cima da sua loira, não iria se segurar com qualquer menino que tentasse passar a mão nela.
Brittany percebeu a tensão do corpo de Santana e rapidamente beijou sua bochecha.
- Não se preocupe, eu não vou deixar ninguém encostar em mim, muito menos em você. – Brittany murmurou no ouvido de Santana, fazendo a morena sorrir.
- É melhor que o faça. – Santana retrucou beijando o queixo da loura.
De repente, Brittany sentiu um objeto atingir sua cabeça. Virou-se assustada e constatou que era um apagador azul de plástico com as iniciais H.H. ESPAÑOL SALA 3. Sorriu e pensou em atira-lo de volta na mulher, mas já havia entendido o recado. Ao invés disso, pegou uma caneta vermelha que estava com Quinn e começou a desenhar no apagador. Olhou para a sua obra, satisfeita, e pediu para Sugar alcança-lo à professora. Holly recebeu o apagador e logo olhou o que Brittany havia escrito, arregalando os olhos. A loura havia desenhado vários corações no apagador e escrito com letras maiúsculas OLIVA, logo ao lado do nome da professora. Holly sentiu as bochechas queimarem e guardou o apagador, rezando para lembrar-se de trocar a etiqueta com seu nome.
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Olivia continuou na enfermaria, sem muito ânimo para realizar suas tarefas. Ainda estava chateada, as palavras de Holly perfuraram seu peito sem dó. Aquilo doera mais nela do que quando assistiu seu marido morrendo lentamente, sem que ela pudesse fazer nada.
A porta da enfermaria abriu-se e ela foi retirada de seus pensamentos. Recompôs-se e caminhou com um falso sorriso no rosto até a estudante que estaria a esperando. Surpreendeu-se ao encontrar grandes olhos azuis a encarando com um sorriso tímido no rosto.
- Oi. – Brittany cumprimentou. – Posso?^
Olivia assentiu e deu passagem para a menina. O sorriso em seu rosto já se desfazia, não havia necessidade de continuar fingindo que estava bem. Brittany era boa em identificar mentirosos.
Brittany sentou-se em uma das macas e fitou a enfermeira com os olhos azuis brilhantes.
- Como você está? – Ela perguntou por fim.
- Bem. – Olivia disse em um fio de voz.
- Mentirosa. – Brittany acusou. – E mente mal ainda por cima.
Olivia esboçou um sorriso fraco. Brittany caminhou em direção a ela e rapidamente a envolveu com seus braços firmemente. No mesmo instante, Olivia sentiu lágrimas começarem a correr por suas bochechas.
- Não chore querida. Ela está com medo. – Brittany tentou confortar a mulher.
- M-m-mas dói tanto… — Olivia disse com a voz embargada. – E-eu também tenho medo, Brittany. Isso não é normal para mim, mas aconteceu.
Brittany abraçou a mulher com firmeza e esperou que as lágrimas parassem de rolar por seu rosto. Afastou-se da enfermeira, secando as lágrimas que escorriam por suas bochechas e plantou um beijo na testa da mulher.
- Dê um tempo a ela. – Brittany aconselhou, antes de sair da enfermaria e deixar a mulher novamente sozinha.
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Brittany voltou ao quarto e encontrou Santana sentada lendo um livro qualquer. Ela já estava com seu pijama e abriu um sorriso largo ao ver Brittany entrar. A loura aproximou-se dela e tomou seus lábios por longos momentos antes de se afastar. Sorriu para Santana e beijou a testa da morena, erguendo-se da cama e procurando por seu pijama.
Sentiu os olhos da namorada queimarem sua pele nua enquanto buscava por sua camiseta. Sorriu satisfeita e voltou-se para Santana, detectando um brilho faminto em seus olhos. A morena levantou-se da cama em um salto e caminhou até Brittany, agarrando-a pela cintura. Colou seus lábios como se estivesse desesperada pelo contato, mas Brittany a impediu de continuar.
- Eu… eu queria te mostrar uma coisa. – A loura murmurou entre os lábios de Santana.
- Hm, ok. – A morena concordou, afastando-se do corpo de Brittany.
A loura caminhou até o armário e pegou uma pequena caixa, já conhecida por Santana. A morena arregalou os olhos quando Brittany sentou-se na cama e fez sinal para a namorada aproximar-se.
- Britt, não tem que fazer isso se não quiser. – Santana disse.
- Eu sei. – Brittany respondeu. – Mas eu quero. Na verdade, eu preciso.
Santana não discutiu e esperou que a loura abrisse a caixinha com a chave que carregava em seu pescoço. Dela, puxou fotos, cartas e um pequeno cordão. Entregou uma das fotos para a namorada e sentou-se ao lado dela.
- Essa sou eu. – Brittany indicava. – Esses são meus pais e esse… esse é o meu irmão.
Santana aconchegou Brittany em seu peito e ficou ouvindo a namorada falar.
- Nessa nós estávamos na praia. – Brittany mostrou. – Aquela foi em casa e essa outra foi no chalé da minha avó.
A última foto surpreendeu um pouco Santana. Brittany e seu irmão eram abraçados por uma pessoa não desconhecida. A Sra. Holiday tinha um sorriso largo no rosto, assim como Brittany e o menino.
- Ela é minha tia. – Brittany explicou. – Não de sangue, mas é minha tia. Ela meio que me adotou. Desde o… acidente, somos só eu e ela.
- Eu sinto muito, B. – Santana murmurou.
- Tudo bem. – Brittany respondeu. Essas cartas… elas são tudo o que eu tenho dos meus pais. Eles nunca mais escreveram. E esse cordão era dele, San. Eu trouxe comigo quando me jogaram aqui. Eu só… eu sinto falta dele, Santana.
Brittany desabou em lágrimas e foi amparada pela namorada que a apertou em seus braços. Brittany chorava inconsolável, deixando Santana sem ação. Então, ela fez a única coisa que sabia que acalmava Brittany. Começou a cantar uma melodia simples, suave. As notas saíam de sua garganta com facilidade, e aos poucos Brittany começou a se acalmar. Dormiu abraçada à Santana, ainda ouvindo a voz suave e melodiosa dançar em sua mente.
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