Colégio Interno

65 Tentações, discussões e reconciliações.


Notas iniciais
Muitos ões nesse capítulo haha

Depois de duas ou três horas com uma conversa com teor amigável com Nicholas – drogas, planos e relacionamentos familiares – eu percebi que o garoto não era tão odiável. Apenas não era compreendido. Estávamos dividindo o cigarro, porque nem eu nem ele tínhamos um pulmão bom o suficiente para fumarmos sozinhos.

— Você não é tão ruim – disse, passando o Malboro para ele, fazendo-o rir – Falo sério. A gente não precisava estar com toda essa palhaçada para sermos amigos.

— Mas eu não queria ser mais um Gustavo.

A simplicidade de suas palavras sinceramente me feriu. Era como se dissesse “não quero ser mais um dos babacas apaixonados por você, Amanda”. Me aconcheguei na grama já verde e ele deslizou a mão sobre meu rosto.

— Você é tão bonita – sussurrou – Por favor, Amanda, já que vãos fingir isso, vamos fingir direito. Vem cá, me deixa...

— Nick – sussurrei – Não estamos na frente de ninguém, não precisamos fingir.

— Eu não quero fingir pra ninguém. Eu só quero você, caralho!

Ele estava muito sério. E me fitava com aqueles olhos azuis que já me assustaram. Agora, toda aquela tormenta não me trazia a mesma calmaria de Gabriel, mas agora era quase.. Excitante. Nicholas passou os dedos finos, calosos e frios sobre meu pescoço, o que fez com que me contorcesse. Ele sorriu.

— Isso não me pareceu uma reação ruim – sussurrou, mordendo os lábios rosados – Pois, é, Amanda, o garoto nojento está mesmo te causando arrepios?

— Pare – gemi.

— Não estou fazendo nada.

Apoiou-se sobre um braço enquanto passava a mão sobre minha cintura, apertando-a levemente. Era uma mão calosa, gelada e completamente diferente da de Gabriel. Mas me proporcionava arrepios tão intensos quanto, senão maiores. Talvez pela coisa de “isso é errado” que eu sentia quando estava com ele. Pelo toque luxuriante e adúltero de Nicholas e pelo desejo que eu sentia por ele ser apenas carnal.

— Me beija.

Aquilo era mais que súplica. Ele estava ordenando que eu o beijasse, e assim o fiz. Não sabia o que diabos estava acontecendo comigo mas meu corpo todo clamava por ele e eu não podia evitar. Beijei-o enquanto puxava seus cabelos e arranhava sua nuca, enquanto suas mãos percorriam meu corpo.

Por um momento, não pensei na dor que eu senti outrora. Não pensei em Gabriel, Eulália, Thiago, Gustavo, Lisandra, Bernardo nem qualquer outra coisa. Eram só dois corpos encaixados e se movimentando com um só ponto em comum: o desejo um pelo outro.

Quando voltei a mim, empurrei-o com a mão e mordi seu lábio.

— Eu vou voltar pro quarto.

— Ok – disse ele, sorrindo – Espero mesmo que se lembre de que meus olhos e ouvidos estão em toda parte.

Assenti, caminhando para o meu dormitório. Assim que cheguei no quarto, entrei no banheiro e tomei um banho. Verificar se havia qualquer ‘lembrança’ do ocorrido, e para tirar o cheiro de cigarro que estava exalando de mim. Saí do banheiro com um moletom de Bernardo e um short, sentando-me ao lado de Bruna no sofá.

— Quer me contar alguma coisa?

— Eu to com outro cara e o Gabriel tá abalado.

— O Nicholas, Amanda?

— Mil tretas – disse, dando os ombros – Não posso te contar, me desculpa, pequena.

— Eu achei que nós fôssemos amigas, mas aí eu percebi que você só tem tempo pros seus melhores amigOs. Garotos aos quais você sempre vai preferir a mim.

— Entenda que existem coisas que só vão te preocupar e eu não vou fazer isso, Bruna, me desculpa.

— Você conta as coisas pro GUSTAVO e não me conta, Amanda? Isso é não preocupar sua melhor amiga? Não tenho nenhum motivo, não é? Puxa, é só paranoia, de fato.

— Eu fiz merda, to sendo chantageada e não tem absolutamente nada que eu possa fazer a respeito, ok? O que mais quer que eu diga? É coisa minha e eu não vou discutir contigo porque isso não vai resolver nem metade dos meus problemas. E se me dá licença, eu preciso dormir.

Deitei-me à cama e fechei os olhos. Não demorou muito pra que caísse no sono.

Quando acordei, Bernardo estava sentado à minha cama, lendo minhas mensagens. Abri os olhos e o encarei, arqueando a sobrancelha e tirando o celular dele com o pé.

— Algo de relevante? – perguntei, vendo o que ele estava fazendo. Suspirei aliviada quando percebi que estava em modo avião e as 18 mensagens do whatsapp ainda não haviam sido abertas.

— Eu ganhei um personagem novo pra você no Subway surfers e esse jogo é o máximo.

— Ok, obrigada – disse, rindo alto – Deita.

Ele se deitou e segurou minha mão, comparando o tamanho das duas como sempre fazia. Eu sou obcecada por mãos e Bernardo sabia disso.

— Então acabou de vez com o Gabes? – perguntou, melancólico. Eu assenti – Me desculpa por isso, pequena. Mesmo.

— Relaxa – disse, dando os ombros – Eu vou consertar isso. Estou indo bem com o psi.

— Psi?

— Sim, estamos indo muito bem.

— Ficou com ele?

Ok. Bernardo me conhecia tão bem que chegava a ser assustador.

Notas finais
ME DESCULPEM MAS EU TO PERDIDAMENTE APAIXONADA PELO NICHOLAS devo lhes dizer que a autora shippa Mancholas ou Nichie, sei lá