Colégio Interno

11 Sessões de terapia.


— Isso é uma boa pergunta.

— Como assim?

— Gabriel. Você faz a ideia do quanto aquele garoto lembra o Cainho? O meu Caio? O motivo pelo qual eu acordo todas as manhãs e peço a Deus pra poder ser um ser humano melhor e um motivo de orgulho a ele? Agradecer pelos anos maravilhosos que eu passei ao seu lado? Você tem a mínima noção do quanto alguém que o lembre, nem que seja só um pouquinho, o que não é o caso, me afeta? Mexe comigo?

E quando percebi, as lágrimas já queimavam meu rosto aos poucos. Bruna abriu um sorriso triste e me acolheu em seus braços. Abracei-a com toda força que tinha e desatei a chorar. Era o que sempre acontecia quando eu desabafava.

— Hey – sussurrou ela – Olhe pra mim. Calma. Agora seque estas lágrimas e pense comigo: quão maravilhoso tem que ser alguém pra se assemelhar ao Cainho? Pense a respeito e não machuque mais o Gabes.

— Olha, eu to tentando esquecer essa semelhança, ok?

— Por quê?

— A Natalie, Bruna. Ela gosta dele. Eu não posso, simplesmente não posso, partir sem coração. E eu não posso gostar de alguém pela lembrança que ele traz. Não é justo. Deixe-o com a loira perfeita.

— E é isso o que ele quer?

Pensei por algum tempo e escondi a cabeça em seu ombro. Ela riu baixinho.

— Chorar faz bem.

— Vou voltar pro quarto.

— Quer que eu vá junto?

— Lucas me odiaria pra sempre. Pode voltar lá com ele.

A cachoeira de lágrimas deu lugar a um enorme sorriso malicioso e ela bufou, jogando os cabelos em minha direção e fazendo com que eu soltasse um risinho e saísse andando. Entrei no dormitório e segui em direção a cobertura. Corri até minha cama, jogando-me embaixo das cobertas e me encolhendo. Adormeci, já que era tudo o que eu precisava.