Colégio Interno

26 Correntinhas.


— Hey, levanta – disse Chloe, me chacoalhando – Aula.

— Tá – resmunguei.

— Preparada pra seis horas com nosso pequeno Gabrielzinho?

— Só isso? Certeza?

— Preparada pra mais um dia inteiro ao lado do Gabrielzinho?

Não respondi. Tirei a camiseta e saí atrás de outra, correndo de um lado pro outro com um sutiã de renda e calça jeans. Ouvi um suspiro.

— Ah, que visão agradável.

— Ow, que ‘cê tá fazendo aqui?! – gritou Chloe

— Vim buscar a Mandie – disse sorrindo feito um idiota.

— Ela não está pronta, dá pra voltar mais tarde?

— Se quiser ir assim, não me importo.

Mostrei-lhe o dedo do meio e vesti a primeira blusa que vi jogada no chão. Provavelmente, nem era minha, mas ok. Vesti um blusão de Bernardo (sim, eu havia o roubado antes de vir pra cá) e calcei uma bota.

— Vamos – disse, rolando os olhos.

— Vamos, eu ainda tenho que lhe pagar o café da manhã.

— Vamos, Chloe – disse, ignorando-o e segurando a mão da pequena.

Ele segurou minha mão e entramos no elevador. Caminhamos os três até a cafeteria da escola e ele me pagou um Cappuccino.

— Cara, quantos cappuccinos eu lhe devo?

— Em beijos? Uns quatro. E selinhos não são beijos.

Mostrei a língua pra ele, que me puxou e beijou meu nariz. Joguei a mochila nas costas e puxei Chloe pela mão até a sala. Assim que entramos, tocou o sinal. Gabriel demorou um pouco pra entrar, e quando o fez, sentou-se ao meu lado e segurou minha mão. Emily nos encarava como se dissesse: “você roubou meu homem”. Ri e continuei assistindo à aula e fazendo anotações. Tinha de tirar algum proveito daquela escola caríssima, certo? Quando o sinal para o intervalo tocou, corri até a cafeteria. Eu teria um problema sério de gastrite daqui a uns anos, mas enquanto ele não chega, eu iria aproveitar.

— O de sempre, por favor.

A atendente gorducha já até sabia o que eu queria: um cappuccino – o maior possível – com muito creme e três croissants variados. Paguei e caminhei até uma mesa vazia. O frio ricocheteava em meu rosto e eu sofria, porém, continuaria assim. Mordisquei um croissant e Gustavo brotou do inferno, sentando-se ao meu lado e beijando minha bochecha.

— Hey, amor – disse, sorrindo.

— Oi, vida! – disse, sorrindo e mordendo sua bochecha.

Gabriel brotou do inferno também e puxou uma cadeira, sentando-se entre nós dois. Gustavo resmungou baixo, esmurrando a mesa e eu apenas virei o rosto. Ele me puxou.

— Me larga.

— Puta que pariu, deixa de ser chato, criatura!

— Thi!

Como eu amava aquele menino. Joguei-me em seu colo e Heloise me encarou.

— Não tenho ciúmes – disse, antes que eu pudesse pensar algo – Você já tem um Casiraghi pra chamar de seu.

— Ela tem um Nogueira pra chamar de dela – resmungou Gu, me puxando e abraçando.

— Mas ela não te quer! – gritou Heloise.

— Ela quer um Casiraghi – disse Gabriel.

Rolei os olhos, saindo de perto de todos e pegando o cappuccino. Decidi, então, andar pelo campus e fingir que estava falando ao celular pra que ninguém me seguisse. Comecei a gritar algumas merdas, e logo depois, simplesmente me sentei num banco, jogando Temple Run.

— Hey.

— Que foi? – perguntei, fitando Gabriel.

— Fica com uma coisa por mim.

E então ele tirou a correntinha que jazia em seu pescoço e colocou no meu, fazendo-me fitá-lo assustada.

— Mas o quê...?

— Se o Lucas deu a pulseirinha dele pra Bu, eu acho justo eu te dar alguma coisa. Não sou lá muito bom nessas coisas de ser o cara romântico, mas eu juro que to tentando.

— Me responde o que você fumou. Porque não é possível que você realmente...

— Por favor.

Rolei os olhos, ajeitando a correntinha dentro da blusa e tirei minha medalhinha.

— Gabriel. Pega – disse, jogando pra ele. Quando ele pegou, me encarou. Era uma foto minha, de Caio e Pietro juntos e uma dedicatória. Ele arqueou a sobrancelha.

— Uma foto de macho?

— E de mim! – protestei.

— Ok, isso ajuda.

— Cuida disso como se sua vida dependesse disso.

— Se a sua depende, automaticamente a minha também – sussurrou, mordendo o lábio.