Colégio Interno
19 Ciuminho e arrepios.
E era exatamente por isso que eu a amava. Bruna conhecia cada um dos meus defeitos como mais ninguém. Sabia quando eu estava brava, por melhor que eu disfarçasse e era a melhor amiga que eu poderia arranjar. Eu a amava incondicionalmente e não a trocaria por nada. A garota era insubstituível.
— Te amo, Pomme.
— Também te amo, Froid.
Ela sorriu e me abraçou. Gabriel aproveitou a deixa e nos abraçou também, fazendo-me empurrá-lo com o pé.
— É festa agora?
Ele riu e nos soltamos. Sentamos no chão e ficamos conversando por algumas horas, até que o sinal do término das aulas soou e todo resto da cambada subiu para o quarto.
— Mataram aula, vagabundos?
— Ah, eu to doente! – resmunguei e mostrei a língua pra Thiago.
— Tá doente, pequena?
Assenti e Gu sentou-se ao meu lado, me abraçando. Gabriel o fitou enciumado e soltou alguns resmungos.
— Eu cuidei dela o dia todo e só agora vem o peguetezinho dela falar merda. Alguém vê isso? Alguém percebe? Não! Claro que não – resmungou Gabes.
— Ok, ela pediu?
— Isso é amor. Você estar ao lado da pessoa mesmo quando ela não lhe quer lá.
— Que bonito.
— É verdade, Amanda – ele resmungou.
Mostrei a língua e ele fez careta, puxando-a. Soltei um gritinho.
— Filho da... Mãe do Thiago!
— Que nada, mamãe o achou na sarjeta.
— Ah, isso responde porque você é todo lindo e ele não!
— Com ele, você é toda fofa – resmungou Gabriel.
— Verdade – resmungou Heloise.
— Pronto, agora é complô.
— Não falem assim da minha neném!
— Sua o quê?!
— Ciúme, Loi?
— O quê?! Claro que não! Do Thiago? Cala a boca.
Ela começou a corar de forma descomunal e constrangedora. Ri baixinho e travei com ela uma discussão de “tá, sim” e “to, nada!”. Até que cansei.
— Ele é meu melhor amigo, relaxa.
— Sou?! – disse Thi, com os olhinhos brilhantes. Assenti.
— E eu sou o que? Um saco de batatas? – resmungou Lucas, cruzando os braços.
— Meu saco de batatas preferido! – disse, correndo e abraçando-o.
— Só comigo ela é ríspida – resmungou Gabes.
— Comigo também – disse Henrique.
— Vão se ferrar. Ela é toda fofa com vocês, também – disse Rodrigo, sorrindo doce. Acho que estavam me bajulando porque estou doente
— Obrigada.
— Disponha sempre – disse, sorrindo doce.
— Ciúme... – cantarolou Chloe.
— Já disse que o estilo gigante sem cérebro não faz meu estilo. Mesmo sendo um belo e amável gigante.
Ele riu e me abraçou de lado. Rodrigo era um amor quando queria. Thi abriu os braços e eu corri feito criança, abraçando-o.
— Planinho besta pra deixar a Loi com ciúme, não?
— Está dando certo, então não é tão besta.
— Porque estão trocando murmurinhos aí? Olha que eu vou apartar, hein! – gritou Gabriel.
— Olha, você nem tem motivo pra ter ciúme, tá, ok? – disse Natalie – Sua namorada sou eu!
Ela com ciúme sim, era engraçado. Sentei-me no colo de Thiago para testar a reação dos demais. Foi exatamente com pensei.
— Que putaria é essa?! – gritou Gustavo
— Separa, separa! – se rebelaram Heloise e Gabriel.
— Veja o ciúme dos demais... – disse Bruna, rindo
— Eu era assim com o Rodrigo, hein, cuidado – disse Chloe.
— E vejam como estamos agora!
Heloise mostrou a língua e nós rimos ainda mais. Era hilário como ela estava irritada. Saí do colo de Thiago antes que fôssemos linchados. Sentei-me no chão
— To com fome.
— Santo Deus.
— Vou comer alguma coisa. Sozinha.
Saí caminhando e fechei a porta do elevador dando tchauzinho aos que ficavam. Assim que desci, o elevador subiu. Caminhei vagarosamente pelo campus e senti o ofegar de Gabriel atrás de mim.
— Não foge – disse, apoiando as mãos nos joelhos.
— Vá atrás da sua namorada, vai.
— A garota que eu quero é outra...
— Você é um completo...
E então, ele me beijou. Tirou meus pés do chão e afagou meu rosto. Imaginei que aquilo fosse pra calar minha boca. O fato é que, quando seus lábios tocaram os meus, a reação foi completamente diferente de quando Gustavo o fez. Não parecia haver mais nada a nossa volta. Coloquei uma mão sobre seu peito e a outra apertou sua nuca, arranhando-a levemente. Já ele mantinha uma mão firmemente em minha cintura e a outra afagava com leveza meu rosto. Mordi seu lábio de maneira fraca para separarmos, e abaixei a cabeça.
— Imbecil – sussurrei, completando minha frase.
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