Colégio Eton- Interativa
32 Capítulo 32
Notas iniciais
~*~
Ao descer do avião o pequeno grupo se deparou com a neve caindo, todos sentiram o frio entrando por entre os buracos de linha da roupa.
─Aqui é muito diferente do Brasil ─ Paloma diz esfregando as mãos nos braços.
─Está nevando ─ Guilherme falou hipnotizado até que pegou o celular disse: ─ Self!
─Eu tô com frio ─ Sarah olhou para Ian.
─Idai? ─ ele respondeu, olhou por cima dos ombros da menina que os brasileiros tentavam segurar o riso.
─Idai que você poderia me emprestar a sua blusa ─ a morena fechou a cara e cruzou os braços.
─Mas, assim eu ficaria com frio ─ o moreno sorriu ─ vou pegar a minha moto e vocês vão de taxi até o colégio.
─Você não vai mesmo emprestar a blusa?
─Não ─ Ian beijou a testa de Sah e saiu rapidamente.
─Tainá por qual motivo eu fui atrás dele mesmo?
─Vamos pegar as malas ─ Tainá desconversou, Gui e Paloma soltaram o riso.
Os quatro demoram a encontrar um taxi vazio, assim que acharam partiram para o colégio.
Quando chegaram ao local viram os portões fechados, o que era bem estranho, pois era fim de semana, ou seja, os alunos tinha permissão para sair. Os portões estavam trancados com grandes cadeados e os muros protegidos com cerca elétrica. Havia dois guardas na cabine próxima ao muro e, dois na porta de entrada, todos armados e sérios.
─Estamos no lugar certo? ─ Gui perguntou estranho.
─Juro que não sei ─Tainá também se assustou com a nova aparência do colégio.
─Quem são vocês? ─ Um dos guardas da cabine perguntou pelo um radio.
─Estudantes, será que você poderia abrir o portão? ─ Sarah perguntou.
─O que tem nessas malas? ─interrogou o outro guarda
─Roupas, a gente não estava no país ─ Tainá disse tentado parecer confiante.
─Só temos permissão para deixa-los entrar se estiverem na lista. Nomes?
─Até parece uma festa importante ─ Paloma sussurrou, apenas Gui e Tainá riram, pois aa menina havia dito em português.
─Sarah Hathaway, Tainá Scott, ah... Iselly Chevette e Ian Vasconcelos ─ a morena mentiu, mas funcionou, depois de uma checagem os portões foram abertos.
─Deixam as malas na porta do colégio, elas irão ser checadas e enviadas para os devidos quartos ─ terminou o guarda.
Isso foi feito, mas antes de entrar um dos guardas da porta avisou que o diretor queria conversar com o grupo. Antes de ir até a sala do diretor as duas meninas esconderam os visitantes no quarto de Sarah.
─Gil você sabe o motivo do direto nos chamar? ─ Tainá perguntou para secretária.
─Você eu não tenho certeza, mas senhorita Hathaway o seu pai apareceu aqui no colégio para te visitar e descobriu a sua fuga, então não deve ser boa coisa ─ as alunas se encaram ─ Esperem um momento, pois o diretor está com um aluno lá dentro.
~*~*~*~
─Senhor Nascimento, você sabe o porquê se estar aqui? ─ Marcos perguntou com aos dedos entrelaçados, igual ao seu irmão.
─Não.
─O senhor é “novo” aqui no colégio, e já teve muitas intrigas aqui com outros alunos e de acordo com o seu registro escolar, é impossível tirar um A no primeiro simulado do colégio ─ o homem se levantou com um papel em mãos ─ Já foi expulso de variados colégios em seu país natal, não tenho duvida que o senhor colou na prova e até sei de quem, não irá dizer nada?
─Sabe pessoas como você entristece o meu coração, não ter confiança nos alunos que tem dentro de seu colégio, não acreditar que eles são capazes de conseguir uma boa nota só porque tem um histórico ruim?! Senhor diretor, eu sei, confesso que errei no passado, mas as pessoas mudam, elas crescem e madurecem ─ Ewerton fez o seu discurso como se estivesse mesmo magoado.
─Deveria fazer teatro, mas essa “ceninha” não muda nada. Vou deixar um aviso para você, seu pai já foi avisado, se o senhor der mais um deslize, qualquer um, pode ser até um arroz derramado, o senhor será expulso do colégio Eton. Agora saia da minha sala.
─Obrigado ─ Ewer disse indo a direção da porta.
─Pelo que?
─Por me chamar de “senhor” ─ o menino respondeu e saiu correndo da sala do diretor tanto gargalhada, o homem fechou a cara, até pensou em chamar o menino, porém não fez.
─Com licença senhor ─ Gil disse perto da porta entreaberta ─ a senhorita Tainá e Sarah estão esperando, posso manda-las entrar?
─Sim, por favor, Gilberti.
As meninas entraram e não esconderam a cara de espanto ao ver que não era o diretor Antônio.
─Prazer senhoritas, eu sou Marcos o novo diretor, sente-se. Qual das duas é Tainá?
─Eu.
─Tainá, eu já entrei em contato com o seu pai e ele me informou o motivo de sua saída ao país. Espero que sua irmã esteja melhor.
─Ela está ─ Tainá respondeu, mas recebeu um olhar de reprovação do diretor.
─Pode se retirar, quero ter uma conversa a sós com sua colega.
─Com licença ─ Tainá apertou o ombro de Sarah antes de sair.
─O senhor Vasconcelos não estava com vocês?
─Sim, mas ele foi ver o irmão dele, depois ele irá vim aqui ─ a menina respondeu travando.
─Ok, soube que seu pai esteve aqui? ─ a menina afirmou com a cabeça ─ ele ficou muito preocupado, como qualquer outro pai ficaria ao saber que sua filha saiu do país sem nem um aviso. Mas não sou ele para te dar um sermão, sou apenas um diretor e como você fugiu primeiramente do colégio, confesso ter culpa também, porém como a senhorita teve ter percebido o antigo diretor foi demitido, pois sua fuga foi a gota d’água. Gostou da nova equipe de segurança?
─Sim?!
─A senhorita irá receber uma advertência pelo seu ato, e se acaso acontecer mais alguma coisa do tipo a senhorita estará expulsa ─ a menina arregalou os olhos ao ouvir a última palavra ─ pode se retirar.
Assim que Sah saiu da sala o professor Eduardo entrou.
─Muitas visitas hoje, diretor? ─ Ed perguntou assim que entrou.
─É, tenho que arrumar esse colégio sozinho. Não sei como meu irmão conseguiu manter isso em pé desse jeito.
─Antônio era um ótimo diretor, todos ficaram surpresos ao saber da demissão dele.
─Imagino, mas não é para isso que te chamei aqui. Não duvido da sua capacidade de ensino professor, mas não tenho certeza que está realmente classificado em dar aulas aqui no colégio, o senhor é jovem nesse cargo e eu preferiria uma pessoa mais qualificada para dar aulas...
─Marcos, não querendo ofende-lo, mas o que você sabe sobre teatro? Não é necessário responder, mas o fato de não ter cabelos grisalhos e “pé de galinha”, não significa que não seja qualificado, pois assim como você estudou para ser um diretor educacional, eu estudei para ser um professor de teatro.
─Sei que temos certa intimidade e que o senhor foi até em meu casamento, mas não me chame de Marcos no local de trabalho, aqui não sou seu amigo ou seu ex-professor, aqui eu sou o seu chefe e exijo respeito.
─Desculpe senhor diretor.
─Sei que o senhor estudou e tudo mais, porém tenho minhas preferencias, então digo que tem até amanhã para se retirar do colégio e sobre seu salario ele irá chegar até você até o fim de semana. Obrigado pela sua presença, agora com licença que tenho mais pessoas para conversar.
~*~
─Sarah meu amor ─Ise gritou e correu para abraçar a amiga ─ Cadê a Tainá? Precisamos de vocês pra escrever a música ─ Iselly puxou a menina pelo pulso até o quarto de Cassidy e Calyssa.
─Oi Iselly, eu também estou com saudades ─ Sarah falou sarcástica, enquanto corria juntamente com a baixinha.
─Sarah não fala assim, eu senti saudades, mas agora temos um problema musical para ser resolvido.
─A Tainá tá no meu quarto, ela está com a Paloma e com o Guilherme.
─Legal, vamos lá chamar eles ─ Ise contornou o caminho para ir ao quarto da amiga.
Despois de muita correria elas estavam reunidas no quarto, depois de abraços, beijos e apresentações, as meninas do Star tentavam escrever versos para a música nova.
“Estamos perto do fim, mas nunca se esqueça de mim. Tivemos uma linda história, e uma maravilhosa trajetória...”
“A não ser de felicidade. Continuaremos juntos, sempre! Em todos os lugares...”
─Acho que podemos mudar um pouco o ritmo.
─Essa musica parece deprimente, não poderíamos fazer algo mais animado?
─Mas o toque não é animado, e além de tudo a Ise falou que ia ver com o Charles se ele pode ajudar, já que ele sabe tocar violão.
─Aliás, cadê ele? ─ Sarah perguntou ─ Não vi meu cunhadinho ainda.
─VERDADE ─ Ise gritou ─ a gente vai ser parentes.
─Ainda não, pois o Ian não pediu a Sarah em namoro ─ Tainá respondeu quebrando o “embalo”.
─Mas vai pedi, pois o Max gosta dela ─ Paloma sorriu.
─É Ian e não Max Paloma ─ corrigiu Gui
─Ele se apresentou como Max, então pra mim ele é o Max.
─Estão tanto uma festa e não me chamaram? ─ Charles abriu a porta já sorrindo ─ Cadê o Ian?
─Calma ai morzinho, primeiro você cumprimenta os outros e depois faz as perguntas.
─Iselly, menos né, já estou cansada com esse mel todo. É você e o Char, Cassie e Carson, agora vai ser Sah e Ian, sério vou começar a vomitar aqui ─ Lyssa disse revirando os olhos.
─Calma Lyssinha o seu vai chegar também ─ Ise respondeu mandando um beijo para menina que mais uma vez revirou os olhos.
─Deixando bem claro que eu e o Carson não temos nada.
─Não, capaz, essas “aulinhas” particulares não é nada além de aulas ─ Calyssa provocou.
─Você sabe que eu tenho dificuldade para aprender, ele está apenas me ajudando.
─Até porque não tem suas amigas para te ajudar né.
─Chega Calyssa se retire do meu quarto ─ Cassie apontou para porta rindo.
~*~
─Nome? ─ o guarda perguntou para o Vasconcelos.
─Que? Que palhaçada é essa? Abre logo o portão que eu tenho que ir rápido.
─Nome?
─Ian Vasconcelos.
─Acabou de entrar um Ian Vasconcelos, então não tente nos enganar.
─Legal agora estão me plagiando. Olha, eu não tenho meus documentos aqui, por que eu estou “morto”, então me deixa entrar que eu ainda tenho que passar na delegacia.
─Escuta aqui garoto, você não pode entrar aqui.
─Ed me ajuda ─ o moreno chamou o professor quando o homem saiu do colégio.
─Ian, você está volta.
─Desculpa por tudo, mas me ajuda ele não quer me deixar entrar, pois acha que eu não sou o Ian.
─Mas o Ian está morto, você não é o... Como era mesmo? Max Galle?
─Desculpa por ter sido um idiota com você, por favor.
─Você não é o gato de botas então não me olhe assim ─ Ed disse apontando para Ian, logo ambos abriu o sorriso.
─Valeu ─ Vasconcelos agradeceu com um abraço assim que entrou ─Onde você está indo com essa mala?
─Fui demitido.
─O que? Como assim? Quem te demitiu?
─Marcos, o Antônio vou demitido, dai o Marcos virou o diretor e está tornando esse colégio em uma prisão.
─Esse cara é louco. Não se preocupe vou fazer rebelião.
─Primeiro vai à sala dele, não duvido que você seja expulso.
─Ele nunca gostou de mim.
─Você jogou um balão de tinta de tecido no terno de casamento dele ─ ambos riram novamente ao se lembrar da cena.
─Vou ir lá, boa sorte, a gente se vê.
~*~
─Ian Vasconcelos, quanto tempo não?
─Você acabou de demitir o professor de canoagem? Por quê?
─A filha dele estava tanto trabalho, e o professor de musica também foi demitido, não tinha aparência adequada.
─Se continuar assim só vai sobrar você aqui no colégio.
─Falando nisso você está expulso, já causou muitos problemas aqui, e não é de hoje.
─Minha mãe sabe disso?
─Irá saber assim que você e seu irmão chegar a casa com suas malas.
─Charles também foi expulso? Por quê?
─Drogas e algumas brigas.
─Se é isso não eu tenho mais o que fazer aqui, até.
~*~
─Olá Ewerton
─O que você faz aqui? Não deveria estão enterrado?
─Resolvi voltar para puxar o seu pé. Aliás, vai ter uma rebelião contra esse novo diretor, você topa?
─Tô dentro ─ Ewer e Ian apertaram as mãos e sorriram malignamente.
─Ewer você vai expulso ─ lembrou Mylena.
─Tanto faz um colégio a mais, um a menos...
─Como vocês vão fazer isso? ─Geovanni perguntou curioso.
─Geo você não vai fazer isso ─ Mylena segurou o braço do nerd.
─Lena¹ deste quanto você liga pra isso? Seus pais não vão fazer nada, prometo. Cada coisa minha casa é grande.
─Barulho, ele tem que nos ouvir. Ele está demitido vários funcionários, alunos sendo expulsos e ele está tratando a gente como prisioneiros.
─Vamos à cozinha pegar panelas ─ propôs Selena.
─Na sala de musica tem instrumentos, podemos utiliza-los ─ Jason disse.
─Tudo bem, então da aqui quinze minutos todo mundo na sala de refeição.
─Vou avisar os outros ─ Ingrid saiu correndo.
~*~
─Gente todo mundo no refeitório, vai ter rebelião ─ Ingrid começou a entrar em todos os quartos, pulando apenas o da Renata e do George.
Não demorou um muito para que todos estivessem lá, todos “armados” cada um de um forma.
Começou com uma pessoa batendo talhares no como e foi evoluindo até que virou uma grande zona, os guardas que estava cuidando a porta tentaram conter os alunos, mas eram muitos e não tinham permissão para usar as armas de choque ou bombas de gás, os extintores estavam com os alunos que soltavam a fumaça para o ar.
O diretor apareceu extremamente irritado, pegou o microfone e gritou no mesmo.
─QUEM É RESPONSÁVEL POR ISSO? NA MINHA SALA JÁ E PODE SE CONSIDERAR EXPULSO.
Falou e se retirou todos os alunos caminharam na direção da diretoria, estavam unidos para tirar o Marcos.
─Você não pode expulsar todos os alunos diretor ─ Gil disse e se juntou aos alunos ─ desculpe senhor, mas aqui não somos apenas colegas, e sim uma família e o senhor não podem acabar com isso.
─DIRETOR VOCÊ ESTÁ DEMITIDO, TEM 10 MINUTOS PARA SE RETIRAR DO COLÉGIO ─ um aluno gritou em meio à multidão.
─Eu sou o diretor, eu que mando aqui.
─Então se divirta direcionando esse colégio sem nós.
─TODO MUNDO PRO PORTÃO.
─A gente vai mesmo fazer isso?
─Não sei, só segue o povo.
─E a gente achando que no Brasil a coisa da feia ─ brincou Guilherme.
Quando chegaram ao portão os guardas não quiseram os deixar saírem, então os dois homens foram retirados da cabine e assim os alunos abriram o portão.
Do lado de fora, no meio da rua, os alunos começaram a fazer o protesto, gritavam em uni som:
─MARCOS FORA! MARCOS FORA!
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