Colstcant
7 The Stranger's
Em uma imensa área iluminada por alguns holofotes que vinham do topo, mais alto do lugar. Todas as pessoas presentes no local, passaram a nos analisar com ar e expressões serias. Conforme íamos entrando no lugar, vimos homens, mulheres e crianças que pareciam refugiados de guerra. Me senti como um ser de outro planeta naquele lugar, sobre tantos olhares curiosos.
Nate se aproxima mais de mim, que seguia o sujeito um tanto quanto mal educado e diz próximo ao meu ouvido:
_Não to gostando nada desse lugar, eles agem como se nós fossemos ameaça. E olha pra eles... –(ele diz serio)
_Evita olhar pra eles, eles me dão calafrios... é tudo muito estranho aqui embaixo...
_ Sigam ate aquele grande balcão no fundo. –(diz o sujeito). La encontrarão alimento....
Ele se vira e passa por nós. Sarah pergunta:
_ Voce não disse seu nome... você tem um não tem?
_Adam... Adam Shaw. –(ele sorri e olha pra mim). Se precisarem de mim... Agora com licença...
_Que foi ficou interessada no soldadinho? –(brinca Robert).
_Cala a boca... –(ela franze a testa e passa por ele o empurrando). Quero achar meu irmão...
_Foi só brincadeira, não precisa ficar mordida! –(ele olha para Nate rindo e a segue).
_Queria saber por que ele fica encarando você daquele jeito... –(diz Nate serio olhando para Adam).
Adam antes de subir as escadas do lugar e seguir seu caminho da outra olhada para traz e sorri, depois some.
_Ele não estava... –(menti, por que sabia que ele estava, e eu tambem não sabia por que). Vem vamos procurar um lugar pra conversar... –(o peguei pelo braço e o levei comigo para outro lugar mais isolado).
Sentamos-nos em uma escada de ferro, quase no outro lado daquela imensa área coberta. E ali pudemos falar mais a vontade.
_ Me fala... –(começo eu). Eles conversaram com você sobre alguma coisa?
_Do que ta falando? –(ele não entende).
_Você sabe... –(olhei para os lados). Aquele seu problema... Eles não podem saber daquilo Nate...
_Eu sei... Eu não falei nada... Eles queriam saber por que afinal nos arriscamos a vir pra cá. Mas eu não disse nada.
_Eles podem achar que você vai passar pelo que aquelas coisas no laboratório passaram. Vão querer trancar você e te usar como cobaia pra descobrir sabe lá o que... Isso não pode acontecer...
_Isso vai ficar só entre nós dois... Eu não confio nesses caras... –(ele diz serio).
_Ta certo!
_Você ta com fome? –(ele pergunta com um olhar doce).
_Um pouco... –(coloquei a Mao sobre a barriga).
_Vem, vamos pegar alguma coisa par comer... –(ele estende a mão para que eu segure, e assim eu faço).
Seguimos ate onde estavam os outros. Sarah, Robert e agora Jonathan.
Eles estavam sentados meio distantes dos outros, e nós nos juntamos a eles par comer aquela pasta esquisita que lembrava feijão, depois de moído misturado com pasta de amendoim. Não era nada agradável de olhar. Esperava que o gosto fosse melhor do que sua aparência.
Então ficamos ali nos alimentando e depois seguimos ate o lugar onde passaríamos a noite, sendo levados por outro “guia”...
Sarah ficaria junto a mim, em um quarto grande, que tinha apenas o essencial, camas e um lugar para guardar roupas. No caso, não tínhamos nada alem das roupas do corpo. Mas neste armário encontraríamos algumas peças para nos virar...
Nate e Robert ficariam em um outro andar, distante do nosso. Homens e mulheres eram separados por setores. Não entendi bem por que, mas me parecia meio obvio. Já Jonathan ficaria junto as crianças. Ele já estava mais a vontade, e menos assustado. Não seria problema ficar uma noite longe da vista de Sarah...
Estávamos cansados então logo dormimos...
...
Na manha seguinte, eu acordei e Sarah não estava no quarto. Me levantei e fui ate o lugar onde eles chamavam de lavatório. Era um banheiro grande, com mais de vinte chuveiros. E era usado apenas pelas mulheres. Área aberta, cercada apenas por paredes altas, e com ventilação. Não eram separados os chuveiros, logo era meio desconfortável tomar banho com todas aquelas mulheres te vendo sem roupa. Mas era o que tinha, então eu fui para o banho. A água pelo menos era quente.
Depois quando já estava de banho tomado e vestida, com as roupas que peguei do guarda roupa do quarto. Eu procurei pelos outros. Andei pelo corredor enorme, passando por uns soldados, e perguntando pra onde ir. Ate que no final do corredor topei com Adam. Eu me viro pra ele não me ver, mas foi em vão. Ele me chama:
_Deanny? –(eu me viro como se não o tivesse visto).
_Carry... Meu nome é Carry, não precisa me chamar pelo meu segundo nome...
_Procurando seus amigos? –(ele para em minha frente).
_Não, tava fazendo um tour! –(fui irônica antes que ele começasse com suas indelicadezas).
_Não precisa ser hostil! Foi só uma pergunta!
_Você pode me dizer como sair desses corredores e encontrar com eles?
_Eu levo você...
_Não quero incomodar...
_É meu trabalho... Não faço por gentileza!
Ele mantinha um sorrisinho, um ar arrogante e irritante na face que me deixava de saco cheio. Mas era muito bonito, eu tinha que admitir. Ainda mais com aquelas roupas, de soldado que ele sempre usava. Camisa preta justa, que deixava se fazer notar um belo corpo. Ele tinha braços bem grandes e desenvolvidos. Mas tentei não pensar nisso, afinal, Nate era o único cara que me interessava. Ele podia não ser do tipo atlético, mas não era nada ruim. Só não era do tipo de academia. Era mais normal. Magro, mas tambem tinha um corpão, e eu não tinha nada do que reclamar. Alem do mais, ele era dono de um sorriso que eu não pude evitar de me encantar desde a primeira vez que o vi no laboratório de Parkman...
Segui pelo corredor, acompanhada de Adam. Ele me encheu de perguntas, querendo saber por que motivo eu decidi sair de SighDown, mas eu mantive a boca bem fechada. O segredo do Nate era muito importante, jamais falaria sobre o assunto...
Encontrei com os outros em seguida. Eles estavam no salão principal de novo. Comendo aquele langanho. Adam fez questão de me levar ate a mesa, não sei por que... Nate logo ergueu o olhar na minha direção com maior cara de bunda. Definitivamente, se eu já não gostava do Adam, o Nate então muito menos. Fui ate ele, e me sentei do seu lado sem pegar nada pra comer. Aquilo tinha me deixado de estomago embrulhado desde a noite anterior. Adam então diz:
_Jeremy vai querer conversar com você mais tarde, eu estarei a sua espera no corredor as doze horas... –(ele aponta para um relógio grande, meio esquisito sem números que ficava no topo de uma das paredes do lugar). Com licença...
Ele se retira me deixando ali. Nate me olha de lado com uma cara pior do que a anterior.
_Que foi? –(perguntei).
_Esse cara fica andando por ai esperando você aparecer ou é impressão minha?
_Pára com isso. –(revirei os olhos e olhei pra Sarah).
_Tem alguém com ciúmes. –(diz Jonathan com um sorrisinho bobo).
_Pára com isso Jonathan, não se mete! –(repreende Sarah meio envergonhada pelo comentário do irmão).
_Ta tudo bem, isso não é ciúmes, é só implicância. Ele não tem motivo pra sentir ciúmes de mim... –(respondi meio chateada).
_Não tenho? –(pergunta ele).
_Não. –(olhei seria pra ele, afinal, não o via a séculos e não saberia nem dizer que tipo de relação era a nossa, tudo que eu sabia era que eu pensava nele todos os dias desde que ele tinha sumido).
Depois disso, eu não sei por que mas resolvi levantar e sair dali. Tava me sentindo mal com todas aquelas pessoas estranhas na minha volta. Estava sendo meio incomodo pra mim, estar naquele lugar. Era como se eu fosse a única que não me encaixava. Em um dia, Sarah, Jonathan assim como Robert e o Nate já se sentiam em casa. Não entendo como, mas eu não me sentia da mesma forma. E pra ser sincera sentia falta do conforto da minha casa em SighDown. Mas isso não seria o suficiente pra me fazer voltar e abandonar Nate ali. Ele era mais importante pra mim , do que conforto. Mas eu estava desanimada.
Fui ate o corredor, e rezei pra não dar de cara com Adam. Fiquei vagando pelo lugar, observando como era aquele lugar. Era tudo cem por cento diferente de SighDown. Era muito assustador pensar que estava abaixo do lugar onde fui criada.
Encontrei logo com Dréa, a mulher mais antipática que já vi na vida. Ela me olhou como se eu fosse lixo. Depois passou por mim, batendo no meu ombro meio que me empurrando. Sei que foi de propósito por que o corredor era bem espaçoso e ela poderia ter passado longe de mim. Vaca...
_Queria saber por que todos me olham como se eu fosse diferente... –(resmunguei baixinho so pra mim).
Depois segui ate o lugar mais agradável que encontrei. Era parecido com uma biblioteca, e ate tinha algumas estantes pelas grandes e altas paredes. Aquilo parecia um abrigo nuclear. Tinha pilhas de caixas, que deviam ter em seu conteúdo, mantimentos para que eles sobrevivessem. Não dava pra imaginar como alguém sobrevive tanto tempo, com tão pouco.
Quando finalmente se aproximava do meio dia. Eu fui ate o encontro de Adam para ele me levar ate Jeremy. Já no laboratório, junto dos dois, Jeremy fala comigo:
_Obrigado por vir, Carry! –(ele sorri). Eu não queria que os outros estivessem presentes em nossa conversa! Por favor, venha comigo! –(ele se levanta e pede que eu o siga ate uma sala fechada, coberta apenas por vidros).
Deixamos Adam ali parado como um ás de paus. Entramos na sala, e Jeremy pede que eu me sente em frente a uma mesa de escritório. Feita de madeira. Acho que devo ter visto uma dessas a séculos... então ele prossegue...
_Gostaria que você me respondesse algumas perguntas! É importante!
_Pode falar... –(esperava que ele não perguntasse nada sobre Nate).
_Gostaria de algumas informações, sobre o lugar de onde veio. Preciso de noticias novas.
_Pra que? –(desconfiei me lembrando das palavras de Parkman sobre os tais ataques possíveis).
_Para ajudar as pessoas que vivem aqui em baixo Carry!
_O que tem a ver uma coisa com a outra?
_Não posso manter você aqui, sem que você confie em mim! Eu estou querendo ajudar. Mas preciso que você me ajude tambem...
_Não estou acostumada a confiar em pessoas que não conheço...
_Na verdade, metade das pessoas que você acha que conhece, não são o que você pensa... –(ele diz com ar enigmático).
_O que quer dizer?
_Você vai entender. Mas pra que eu confie certas informações a você, você precisa confiar em minha boa vontade... Concorda?
_Tudo bem, me diga o que quer saber.
Então ele me encheu de perguntas sobre o que exatamente eu fazia em SighDown, que documentos eu tinha acesso. Todo tipo de pergunta burocrática que em fez sentir em um interrogatório... ficamos horas trancados naquela sala ate que finalmente Jeremy me dispensou. Porém sai de la, sem resposta alguma. Não tinha idéia do que ele se referia quando disse que eu não conhecia metade das pessoas que eu pensava conhecer. Tive medo que ele soubesse do segredo de Nate e pensasse que eu não sabia...
Fale com o autor