Colors
1 When I Look At You, I See Colors.
Notas iniciais
Começando mais uma história aqui, à princípio era para começar apenas no dia 2 de Janeiro, que é aniversário da Fabi (a quem dediquei essa história), mas ela fez tanto dengo que eu não me aguentei e postei antes.
Não consigo deixa-la sofrer com tanta ansiedade... kkkk'
Espero que gostem e boa leitura! ;)

O som do meu despertador ecoou pelo quarto e eu tateei o criado mudo da minha cama até encontrar o botão para desligar o mesmo.
Me sentei na cama e me espreguicei como eu fazia todo dia, logo abrindo um largo sorriso por ter acordado mais um dia.
De repente, ouvi a porta se abrir e a voz doce da minha mãe preencheu o ambiente como uma linda melodia.
— Bom dia, meu amor… Dormiu bem?
— Sim, mãe e você?
— Bem também… Pronto para descer e tomar café? Fiz ovos com bacon e suco de laranja que você gosta hoje.
— Oba! Só preciso escovar o dente primeiro.
— Quer ajuda?
— Não precisa, mãe, um dia eu vou ter que me virar sozinho…
— Tem razão, meu pequeno rapazinho… Mas eu vou ficar por aqui, okay? Eu ainda acho a escada perigosa. Tenho que conversar com seu pai, a gente precisa se mudar ou colocar seu quarto lá embaixo.
— Eu te chamo quando terminar mãe, pode deixar…
Falei com a minha mãe sorrindo e fechei a porta. Vocês devem estar estranhando minha mãe super protetora, mas ela só está cuidando de seu filho cego. Isso mesmo, eu sou cego, desde que nasci. Não me lembro bem da história, mas algo no meu corpo não desenvolveu o que era necessário e então fiquei sem minha visão, talvez seja por isso que nunca senti tanta falta dela.
Meus pais sempre tiveram bastante paciência comigo desde que eles descobriram essa minha deficiência e então eu levo uma boa vida. Aliás, meu nome é Arthur, tenho 17 anos e no momento estou quase me atrasando para a escola.
— Mãe, eu terminei!
— Estou indo, filho!
Depois de algum tempo esperando na porta do banheiro, senti as mãos firmes do meu pai segurar minha mão.
— Bom dia, filhão! Está bonito, um dia você vai ter que me ensinar a arrumar o cabelo tão bem, é incrível como você consegue!
— É puro talento, pai!
Nós dois rimos e descemos as escadas. Lá embaixo, meu pai soltou a minha mão e me deu minha bengala, aquelas para eu bater nas coisas e saber por onde ando, sabem? Então…
Sentei no lugar de sempre na mesa e minha mãe avisou que meu prato já estava na minha frente e depois de tatear a mesa, encontrei os talheres e comecei a comer.
Logo que terminei o café, ouvi a buzina característica do ônibus escolar. Estava na hora.
— Boa aula, filho!
— Boa aula, Batman!
— Obrigado, amo vocês!
Meu pai me deu esse apelido porque morcegos também são cegos e se locomovem usando o som a favor deles, então ele me chama assim desde criança e eu adoro esse apelido.
Eu subi no ônibus e logo me sentei ao lado do meu melhor amigo que sempre me ajuda na escola quando preciso.
— Bom dia, Ryan…
— Como você sempre sabe que sou eu?! É impossível te enganar!
— Por dois motivos. Primeiro que você sempre senta no mesmo lugar, assim como eu e segundo, eu já gravei o seu perfume enjoado.
— Hey, o meu perfume não é enjoado!
— Eu estou brincando, idiota…
A gente riu e fomos o resto do caminho conversando animados sobre tudo. Já nos corredores da escola, caminhando com Arthur até o nosso armário que ficava um do lado do outro, eu cumprimentava todos que passava por mim.
— Cara, não é possível que você grave todos os cheiros de cada pessoa dessa escola… Você só pode ser um cachorro para fazer isso!
— Eu não sou um cachorro, idiota!— rimos outra vez — Digamos que é apenas um dom.
— Sei… Mas eu ainda acho que você é um lobisomem.
— Então pode deixar que na próxima lua cheia, você será a primeira vítima do lobisomem cego.
A gente gargalhou, eu adorava as conversas bobas que nós tínhamos. Mas Ryan tinha razão, eu realmente não era capaz de gravar todos os cheiros de cada pessoa já que havia gente que usava o mesmo perfume. A verdade é que eu tinha um poder, ou melhor, um dom. Eu tinha o dom de enxergar a aura das pessoas.
Assim como a minha cegueira, eu também nasci com esse dom e nem meus pais sabem disso, apenas eu.
Mas o que é exatamente essa aura? Eu explico. São como cores ao redor de uma pessoa. Mesmo que eu nunca tenha visto uma cor, eu descobri que era isso depois de fazer uma pesquisa na internet. O que foi? A tecnologia está a favor dos cegos também!
Cada pessoa tem sua aura, umas mais coloridas, outra têm apenas uma cor e outras são escuras. Mas cada aura é única e é por isso que eu sei quem é quem quando as "vejo".
— Arthur? Terra chamando, Arthur!
— Ah, foi mal, me distraí…
— Vai me dizer que você estava distraído olhando para um ponto fixo…
— Nossa, Ryan, a cada dia você consegue ser mais idiota. Impressionante!
Nem preciso dizer que a voltou a rir, era algo frequente entre nós já que ele vivia fazendo piada sobre eu ser cego.
E agora viria mais uma piada de Ryan já que eu acabei de esbarrar em alguém.
— Droga, desculpa!
Comecei a pedir perdão afoito, mas logo perdi a fala quando "vi" aquela aura. Uma aura nova. A mais linda que eu já vi em toda minha vida. Ela brilhava e era cheia de cores diferentes das outras, era quase de tirar o fôlego. E com certeza eu estou com cara de idiota agora.
— Foi mal aí, cara, ele é cego e não olha por onde anda…— Ouvi Ryan se explicar por mim com uma risadinha em seguida.
— Tudo bem, a culpa é minha também por não prestar atenção… Perdão.
Ouvi a voz da pessoa em que esbarrei e então vi sua aura sumir do meu alcance. Ele foi embora. Me senti quase triste depois disso, era como sentir falta de algo ou alguém.
— Vamos Arthur, já estamos atrasados!
— Tudo bem…
E agora? Como eu iria ver aquela aura outra vez pela qual me encantei tão instantaneamente se eu nem mesmo sabia seu nome e como ele era?
Notas finais
Beijos e até o próximo! ♥
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