Notas iniciais
Ooe, espero que gostem, só isso... Aliás, obrigada à OneMoreWriter (eterna TheEvilQueen) pela recomendação, acho que não agradeci antes, mas nunca é tarde, não é? E se eu já agradeci, não tem problema, agradeço de novo. ❤ Boa leitura! ;)

— Hoje é sexta feira, meus pais vão passar o final de semana todo fora de casa e como eu não quis ir, pensei que nós pudéssemos passar todos juntos. Meus pais deixaram até que deram essa idéia, o que acham?

— Opa, pode contar comigo, Art!— Respondeu Ryan animado.

— Ótimo! Pode levar a namorada, desde que tenham juízo! Minha casa não é motel!

— Arthur, tem como ser menos sincero?!

— Porque? Só disse a verdade. Meus pais me matariam se encontrassem algo sexual na casa deles.

— Nós não somos esse tipo de casal, Arthur.

— Ah, não sabia que vocês eram assexuados, desculpa.

— Arthur!

— Calma, eu estou brincando…— Arthur riu sozinho — Como eu queria enxergar agora só pra ver vocês vermelhos de vergonha.

Um silêncio se fez. De repente, Arthur sorriu quase automaticamente ao "ver" sua aura preferida se aproximar deles.

— Gerard!

— Você só pode ter um nariz super poderoso, não é possível.

— Ger, achei que tinha faltado a aula hoje, não veio comigo de manhã.

— Eu… Eu perdi a hora, desculpa.

— Tudo bem…— Arthur respondeu um pouco desconfiado — Gerard, eu estava aqui falando com o Ryan para todo mundo passar o final de semana lá em casa. Vem também.

— Eu não sei, Arthur. Tenho alguns trabalhos atrasados para fazer…

— A gente também tem, podemos fazer juntos, oras!— Ryan disse.

— Gerard, por favor…

Gerard não queria ir, achava que tinha feito errado no dia anterior quando quase beijou seu amigo se Fabiana não tivesse chego antes. Então não queria arriscar de ficar a sós com Arthur outra vez.
Porém, aquele tom de voz do amigo, como se suplicasse pela sua presença, amoleceu seu coração.

— Tudo bem…

— Sabia que você não resistiria aos meus encantos!

— Idiota.— Todos riram.

— Então, pessoal, vocês vão para casa, peguem algumas roupas e o material de escola. Espero por vocês ainda hoje.

Todos foram para as suas respectivas casas. Ryan encontrou sua namorada na saída indo com ela para casa enquanto Arthur foi com Gerard em um completo silêncio até a rua deles.

[…]

— Tem certeza que você vai ficar bem aqui sozinho, meu filhote?

— Ryan, a namorada dele e Gerard vão vir para cá hoje, vão ficar comigo, não se preocupe, mãe…

— Juízo hein, Batman…

— Pode deixar, pai! Vamos nos comportar muito bem!

— Okay, deixamos dinheiro para emergência no seu quarto onde sempre deixamos, tudo bem?

— Pizza é uma emergência, certo?

— Pode ser, mas não vá torrar tudo de uma vez só, Arthur!

— Sim, senhora…

De repente, a campainha tocou e o pai de Arthur foi atender.

— Parece que seu primeiro convidado já chegou, Art!

— Boa tarde, Sr. Alexis! Boa tarde, Tia Fabi.

— Não precisa me chamar de senhor, Tio Ale também é legal.

— Okay, Tio Ale…— Gerard deu um breve sorriso tímido.

— Que bom que resolveu vir, Gerard, eu estava prestes a ir te buscar em casa pela orelha! Eu ia batendo de porta em porta até achar a sua casa, não seria minha cegueira que me impediria!

Fabiana e Alexis sorriram com a determinação do filho. Eles eram muito felizes por Arthur ter uma auto estima e entusiasmo tão grandes mesmo com a sua deficiência. Quando ele nasceu e eeles descobriram que Arthur seria cego, eles ficaram tristes e se preocuparam em como seria para o filho encarar o mundo em uma completa escuridão.
Mas para a surpresa deles e talvez a persistência e independência que eles mesmo lhe passavam, Arthur nunca foi triste ou se questionou do porque ele não enxergava como os outros.

— Já que Gerard chegou, nós vamos embora, meu amor…— Fabiana disse indo abraçar o filho — Comportem-se e cuidem um do outro, viu?

— Pode deixar, mãe! Eu coloco eles de castigo se fizerem besteira.

— E você não vai fazer besteira?— Gerard perguntou entrando na brincadeira.

— Eu sou um anjo, simples.

Todos riram e terminaram de se despedir. Alexis e Fabiana pediram em silêncio para Gerard cuidar de Arthur e ele assentiu sorrindo recebendo um "obrigado" em seguida.
Arthur ouviu a porta bater e se sentou no sofá estranhando o silêncio, mas "viu" a aura de Gerard atrás de si.

— Não adianta se esconder, Ger. Eu sei que você está aqui, lembra do meu dom?

— Droga...— Ele riu fraco fingindo estar decepcionado e se sentou em uma boa distância do amigo — Será que Ryan vai demorar muito a chegar?

— Acho que não, ele disse que não mora muito longe daqui.— Silêncio outra vez — Gerard, você parece estranho, está tudo bem?

— E-está, porque?

— Você parece inquieto e hoje na escola, eu tive a impressão de que você se escondeu de mim.

— É apenas impressão sua…

Arthur ia continuar contestando sobre a atitude de Gerard, mas seu celular tocou no bolso e ele atendeu depois que a secretária lhe disse quem era.

— Ryan, cadê você?!

— Foi mal aí, cara… Meus pais não me liberaram, disseram que eu fico mais na rua que em casa e até marcaram um jantar com a família da Bia aqui. Vou ter que deixar para a próxima, tudo bem?

— Que pena, Ryan, eu ia até fazer uma noite da pizza, mas tudo bem! O Gerard está aqui, não vou ficar sozinho, não se preocupe! E boa sorte no jantar, conhecer a família da namorada é um grande passo! Depois me conta o dia do casamento!

— Eu não vou casar, idiota! É um jantar normal como qualquer outro!

— Eu pagaria para ser uma mosca para ouvir seus dentes rangendo de nervosismo na hora. Depois eu vou pedir relatório completo a Bia!

— Mas é uma besta mesmo!— os dois riram — Fico feliz que não vai ficar sozinho, Art, foi mal outra vez, até mais!

— Até, Ryan! Divirta-se no jantar, vai dar tudo certo.

— Obrigado, meu amigo! Espero que dê.

E assim, Ryan encerrou a chamada e Arthur colocou seu celular de volta no bolso.

— Ryan e Bia não vão poder vir… Então, vai ser só eu e você mesmo.

— Ah, que pena…— Gerard ficou mais nervoso que antes só por pensar que ficaria todo o final de semana sozinho com Arthur — Quer dizer, que pena que eles não vão poder vir…

— Dá próxima eles vem, não tem problema. E pense pelo lado bom, sobra mais pizza pra gente!

— Isso é… É tão bonito você sempre ver um lado bom em tudo, Art.

— Eu tenho que ver alguma coisa nessa vida, certo?— os dois caíram na gargalhada — Eu sempre faço piada com minha cegueira, não é? Não consigo evitar, desculpa…

— Tudo bem, acho que é bom para não te deixar triste.

— É, acho que ajuda. Então, o que acha de fazer uma experiência?

— Que tipo de experiência?

— Assim, mesmo eu sendo cego, eu "assisto" filmes. Ouço as falas e pelos efeitos sonoros e os tons nas vozes dos atores, eu tento imaginar como são as cenas. Eu pensei em acharmos um filme que você nunca tenha visto e te vendar para "assistir" ao filme como eu. O que acha?

— Seria uma experiência incrível, Arthur!

— Ótimo, vamos para o meu quarto e procurar uma algo para fechar seus olhos e um filme.

Gerard pegou uma das mãos de Arthur e o guiou até a escada subindo com ele.
Já no quarto, eles encontraram um pano, que Gerard amarrou em sua própria cabeça e eles deram play em um filme inédito para os dois.

Terminado o filme, eles resolveram descer para ir até a cozinha beber um suco e comer alguns biscoitos.

— Isso realmente foi incrível, Art! O filme pareceu até mais interessante só com os sons.

— Eu acho que é porque você prestou mais atenção no sentimento da cena e não nos detalhes visuais, sabe? Meus pais disseram que as vezes o filme tem muito detalhe que atrai sua atenção e você não "entra" tanto na história como deveria.

— Faz sentido!

Disse Gerard entregando um copo de suco de abacaxi com hortelã na mão do amigo que agradeceu. Em um prato colocou alguns biscoitos recheados para eles comerem enquanto conversavam sentados no chão da sala.

— Gerard, eu posso te fazer uma pergunta? É um pouco pessoal, eu acho e se não quiser responder, sem problemas.

— Desse jeito você me deixa até nervoso… Mas, vamos lá, pode perguntar!

— Como você soube que gostava de garotos? Beijou uma garota e não gostou?

Gerard riu brevemente e um pouco envergonhado, mas como era uma pergunta normal e não achou tão íntima como Arthur havia anunciado, ele resolveu responder normalmente.

— Ah, Art… Bem, eu comecei me sentindo atraído per alguns garotos que eu via, da escola ou não, mas eu simplesmente ignorava, preferia achar que eu não era naquele jeito. E então, um dia uma ex-amiga minha que disse que me achava muito bonito, meio que se ofereceu para me dar o meu primeiro beijo e eu acabei aceitando.

— E você não gostou…

— Não…— Gerard disse rindo — Ela ficou chateada, disse que nunca mais queria olhar na minha cara, mas eu não tive culpa. Já na outra escola, eu estava quase convencido do que eu gostava…

— Mas você ainda está no ensino médio, por quantas escolas você passou?

— Meus pais se mudavam muito, então eu constantemente tinha que mudar de colégio. Enfim, nesse outro colégio, eu acabei conhecendo meu namorado e o resto você sabe…

— Legal…

Gerard percebeu que o sorriso de Arthur sumiu do seu rosto depois de contar sua história.

— Arthur, tudo bem? Parece que você ficou triste de repente…

— Nada não, deixa 'pra lá

— Tem certeza? Você pode desabafar comigo se quiser…

— É que… Eu nunca tive alguém...

— Oh, você quer dizer que…

— O único amigo próximo q eu tive foi o Ryan desde a infância.

— Então quer dizer que você nunca beijou?

Arthur negou com a cabeça em silêncio e Gerard também ficou o que dizer. Não faria como sua amiga fez um dia se oferecendo, seria antiquado na sua opinião. E depois do dia anterior, ele não se arriscaria de novo.

Eles terminaram de lanchar em silêncio e resolveram dormir um pouco pelo resto da tarde já que acordaram cedo para o colégio.

[…]

Já de noite, Arthur pediu a pizza enquanto Gerard procurava um filme para eles como lhe foi pedido.
A campainha não demorou muito a tocar e Arthur foi atender a porta, porém quando a abriu, ele enxergou a aura escura do entregador, por isso, chamou Gerard para ajudá-lo para verificar se o troco e tudo estava certo.

— Ger, me ajuda aqui e vê se o troco está certo e se as pizzas são mesmo de calabresa e banana.

Arthur ouviu os barulhos das moedas e em seguida se assustou com um tom de voz diferente de Gerard.

— Você estava tentando dar o troco errado para ele?! Que tipo de merda é você que faz uma coisa dessas com uma pessoa impossibilitada de enxergar! Tenha um pingo de honestidade.

— Não enche, moleque! Você não sabe da minha vida! Era só o que me faltava, um maricas comprar briga para defender o namoradinho, que lindo.

— Eu vou ligar agora mesmo para a pizzaria e reclamar da atitude irresponsável do senhor. Está sendo duplamente preconceituoso. Não sou nenhum coitado pela minha deficiência e o senhor não tem nada a ver com a sexualidade do meu amigo e nem minha. Faça o favor de devolver o dinheiro, não vamos pagar pelas pizzas. Passar bem.

O entregador devolveu o dinheiro para Gerard que lhe devolveu o troco errado. Eles pegaram as pizzas e fecharam a porta na cara do homem.

— Está tudo bem, Arthur?

— Está! Obrigado por me ajudar, eu chamei porque eu vi a aura daquele homem, era negra e aquilo me assustou.

— Fez bem me chamar…

— Eu nunca te vi falando daquele jeito e você parece nervoso.

— Fiquei irritado com aquele cara tentando te enganar, foi desumano. Aliás, me desculpe se eu acabei te passando por coitado, era só porque…

Gerard deixou a frase no ar quando sentiu Arthur tateando seu braço até seu pescoço e por fim, seu rosto com as duas mãos.
Viu o amigo tocar seus lábios delicadamente e se aproximar de si. Gerard ficou quase em pânico. Era mesmo aquilo que ele estava pensando que Arthur estava prestes a fazer?
Ele não sabia, quis o impedir, mas algo não deixou.

Arthur finalmente tocou os lábios de Gerard com os seus e ambos fecharam os olhos envolvidos naquela sensação que aquele selinho praticamente inocente estava sendo proporcionado a eles.
Depois de demorados minutos, Arthur se afastou e Gerard abriu seus olhos nervoso. O que tinha acabado de acontecer ali?

— Não fique em silêncio, por favor… Eu sei que está aí, ouço sua respiração.

— E-eu só não sei o que dizer...

— Eu sei que foi errado, mas… Não sei, eu senti vontade de te beijar por algum motivo.

— Não foi errado, foi inesperado. Mas eu não estou aborrecido ou chateado com você. Fico até lisonjeado por ter sido a primeira pessoa que você beijou.

— Eu também estou feliz por você ter sido o primeiro.— Arthur sorriu plenamente provocando um sorriso também em Gerard — Bem, vamos comer? Pizza de graça é mais gostoso!

— Vamos…

Os dois riram e seguiram com sua noite da pizza como se nada tivesse acontecido. Porém, na cabeça de Gerard, seus pensamentos eram um turbilhão de questões.

Notas finais
Beijos e até o próximo! ;)