Colors
6 Branco
Notas iniciais
E todas, aquela sempre foi a que mais impressionou, talvez os detalhes, a conversa, a expressividade, a animação, tudo com ela era tão diferente, nada era rotina, tudo era sorrisos, e o sorriso dela era algo espetacular, um sorriso grande bonito, radiante, que chamava atenção a cada segundo que eu via, os olhos impressionavam de uma maneira estranha, quase uma hipnose só de olhar e se perder no fundo deles, e a boca, aquela boca, indescritível, todas as sensações.
E no início foi o verde, o conhecer na festa, mesmo que estranha, mesmo que diferente, ela já impressionava, ela já atraía, ela na pista chamava a atenção, clamava por ter que ir falar com ela, mesmo sem saber o que falar, era a maravilha do flerte, ver ela responder, sorrir, me olhar, aos poucos até corresponder um pouco das besteiras faladas, tentar mostrar que ela era diferente de qualquer outra pessoa, mas que tudo isso tornava ela a melhor, a ideia do que é ser ideal.
E depois veio o cinza, as coisas eram estranhas, talvez o afastamento parecesse natural, ela era tão ela, e eu tão comum, tão simples, sem atrativos, os dias minguaram em nuvens, e era como se a tristeza se infiltrasse como um veneno por baixo da pele tornando tudo diferente, horrível de se ver, mas foram nesses dias que as coisas mudaram, porque até no meio de dias nublados o sol pode se infiltrar por entre nuvens, em forma de sorriso, e de um beijo que se mostrava uma das melhores coisas provadas até hoje.
E como foi bom, ver o vermelho dos lábios dela agora desejando os meus, isso parecia uma paixão diferente, era algo forte, um desejo alucinante de estar com ela, de colar lábios, de olhar ela sabendo que ela me olhar de volta, e isso foi se tornando uma obsessão, quase uma doença, uma perseguição, o desejo demais feriu o que tinha de bom em tudo que eu via nela, foi o mesmo veneno pra minha pele, mas ele se infiltrou entre nós, mostrando a incompatibilidade de sonhos e desejos, apenas separando o que não estava certo em estar junto.
E assim que se fica longe, o preto toma conta, é o sentimento de falta, de saudade, de carência, do ódio de si mesmo, de ter perdido o que tinha de melhor em mim, e tudo isso era ela, então a saudade estava me enclausurando em suas paredes escuras, e eu apenas pensava em como queria aquele sorriso pra iluminar o caminho pra achar a saída daquela casa de terror, sair do escuro, encontrar o caminho, o caminho dela, de volta pra ela de alguma maneira inexplicável aquele sorriso era como um guia, e quando ele acabou, a luz foi junto e só o escuro e a saudade sobraram.
E tanto sentir falta, vem o medo, o terror, o desespero, era inexplicável o que falta dela estava fazendo, sentir falta todos os dias, não saber o que fazer, ver o amarelo desesperado subir pelo meu corpo até minha cabeça e mostrar que o que se teve não se terá mais, que sonhos serão pesadelos, que alegrias não surgirão nessa escuridão onde resolvi me trancar, o desespero, o medo de que você tenha trocado o motivo dos seus sorrisos, a consciência de que tudo que eu provei com você jamais iria se repetir, e isso levou ao fim, a inconsciência.
Por isso você é o branco, a mistura de tudo, a mistura de sentimentos, sentimentos que só você consegue me fazer sentir.
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