Colora minha Vida com o Caos do problema

1 Capítulo Único: Do lado escuro da Lua


Notas iniciais
Short fic.

Era frio. Mais frio do que se possa imaginar, e tão, mas tão vazio. Apesar de tudo ser vácuo e Caos, aquilo era o mais organizado que o Universo poderia ser, ou era assim que Vida pensava. Talvez fosse apenas paixão dentro de sua cabeça, consumindo-a de corpo, mente e alma, a fazendo adorar cada instante.

Ou talvez, também, fosse culpa de sua pouca idade. O que era seu nascimento no dobramento contínuo do espaço-tempo? Quem era ela na imensidão do Caos?

E é claro que ele a fazia sentir-se importante, dava-lhe a confiança de que precisava para deixar de ser broto e permitir-se florescer.

Conheceu-o em diversas formas, diversos tempos. Viu o fim antes de sequer ter chegado perto do começo e, mesmo assim, foi. Amava-o desde que fora criada, como se uma atração sobrenatural unisse polos de dois ímãs diferentes e, afinal, não era isso o que realmente acontecia?

Eram tudo e nada, fim e começo, claro e escuro, amor e... a falta dele? Não sabia, nunca antes vira em Caos a crueldade apática que agora cobria aquela forma antes tão amada e, então, em um planeta tão pequeno e tão sujo de dor, a Vida havia percebido estar morta.

E ele, por sua vez, também era sujo. Sujo de toda a poeira dos universos que existem e que já deixaram de existir. Nunca estava completo, sempre procurava o pedaço de sujeira certo para acomodar no buraco que carregava no peito. Tão frio!

Havia conhecido a energia da mais bela das supernovas, e estragou-a. Cultivou-a ao seu lado até decidir ser hora e, depois, deixou-a desaparecer. Fez com que odiasse a própria luz, como um sol que se recusa a brilhar.

E aí também deixou seus filhos a morrer. Seus e dela, tudo o que menos poderia amar, e ele sabia bem a razão. Era porque, se assim o fizesse, se permitiria um momento de pura felicidade, e então desistiria de tudo. Desistiria de seguir o plano de bilhões de anos que o próprio Universo havia traçado para si, seria inútil.

Tentara antes, nas outras tantas vidas, nos outros tantos mundos, e nada. O nada havia se formado tempos depois de lhe ser concedido o Caos. Era, ao nascimento, a expectativa e o anúncio de uma-vez-mais, e agora só o que sentia era o mais fraco brilho da mais distante estrela que, muito tempo antes, completava-o.

Agora era Caos sem Vida, era o caos que o Universo precisava que fosse, era o caos que extinguia dimensões inteiras porque, bem, deveria ser feito.

"Não é o primeiro mundo, não é a primeira civilização", repetia como um mantra, "... não será a última", suspirava como um segredo muito bem escondido.

Notas finais
Trabalho realizado para a fase um do Concurso Mágico da Emma, disponível em https://www.facebook.com/groups/825524897485378/permalink/1055955057775693/.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!