Notas iniciais
Colombina, do Ed Motta foi a citação do capítulo anterior e continua nesse. Aqui o link: https://www.youtube.com/watch?v=oyCQeydhxZM

Poncho

...Se você voltar pra mim, Juro para sempre ser arlequim...

Eu a beijava reconhecendo aqueles lábios, eu reconheceria em qualquer hora em qualquer lugar, aquele sabor único que ficou em minha boca desde a última vez que nos beijamos. Fora isso eu vi quando ela estava nos olhando da barraca, a vi caminhando furiosa em nossa direção, tentei disfarçar ao máximo só não estava preparado para o que viria.

Ainda assim acompanhei o ritmo do beijo que ela comandava, não tinha certeza sobre quem ela pensava que estava ali com ela. Mas, eu aproveitaria e como aproveitaria para diminuir a saudade que sentia dela. Soltamos do beijo em um estalo comigo roubando mais de seu fôlego.

Em vez de se afastar ou me bater, apesar de ter sido beijado por ela. Dulce apenas abriu os olhos e diferente do que eu achava, não vi surpresa no seu olhar parecia abrir os olhos apenas para confirmar que era eu ali. E num suspiro ela olhou minha roupa.

Eu, Maite e Christian demoramos para chegar até aqui tudo por conta de nossas fantasias, na verdade, mais por conta de Maite, mas isso não vem ao caso. Essa foi a primeira vez que eu usava a fantasia de Arlequim depois de tanto falar e aprender sobre isso com Christian que estava me ajudando com tudo.

Todos prontos, Maite de anjo, Christian de Pierrô e eu de Arlequim, chegamos no Carnaval e com a ajuda de Christopher e Any Dulce veio para onde nós queríamos e Maite suspeitava que ela me confundiria com Christian, tudo não passava de um teste para ver como tudo se saía, naquele plano maluco de Maite e ainda com a ajuda de Christian. E o resultado não poderia ter sido melhor.

...Sou um triste Pierrot mal–amado...

Apertei Dulce nos meus braços, ainda não tínhamos dito nenhuma palavra, queria saber o que ela estava pensando naquele momento. Olhei de relance para Maite que sorria por ter dado certo, Christian apenas me olhava enquanto ainda dançava de leve conforme a música que começava.

Voltei a olhar Dulce. Que agora olhava minha roupa colorida e ainda tinha maquiagem no rosto, algo mais característico de Pierrô, ali eu era o homem ideal de Dulce a mistura de Pierrô e Arlequim, agora só faltava eu mostrar isso para ela.

Depois de me olhar ela virou a cabeça para a direção de Maite e Christian, acompanhei seu olhar, não sei se foi proposital ou apenas coincidência, porém nenhum dos dois nos olhava estavam se encarando muito próximos e sem mais nem menos para a surpresa de todos, a maior de Christian, Maite o beijou. Logo quando eu e Dulce os olhávamos. Não sabia qual era dos dois, mas sabia que alguma coisa tinha.

Senti por Dulce ainda sabia do sentimento dela por ele.

:- Vocês trocaram de fantasia. – estranhamente ela não comentou sobre o beijo de Maite e Christian, o ignorou.

:- Mais ou menos.

:- Mais para mais do que para menos. – ela falou me olhando, os seus olhos pediam explicações. – Por que, trocaram?

:- Eu queria saber como é ser Arlequim por uma noite, ter todas as atenções voltadas pra mim. – dei os ombros, falando uma desculpa qualquer e ainda falando em outro sentido.

:- Falando assim, parece menosprezar Pierrot ele é tão importante quanto Arlequim. – ela me olhou, estamos mesmo falando em duplo sentido? — Enfim, você ficou bem de Arlequim, só tome cuidado com suas travessuras. – ela advertiu fingindo seriedade.

:- Não se preocupe, — disse rindo – tenho uma Colombina me vigiando, nenhuma mulher seria corajosa suficiente para encará-la. – abaixei o olhar para sua roupa, ela conseguiu ficar mais linda ainda com um vestido, estava numa versão de Colombina mais Arlequim, colorida, sexy, forte. E se hoje eu estava de Arlequim, nada melhor do que ficarmos juntos essa noite. – pensei sorrindo.

:- Então deve tomar cuidado, por que nem você deve encarar Colombina, sabe que ela é a única pessoa que consegue te dobrar, não é, Arlequim?– ela entrou completamente no jogo, no meu jogo.

:- E como sei Colombina.

Ficamos em silêncio depois desse momento de descontração e jogo de duplo sentidos, ela tímida começou a mexer o corpo com a música animada que tocava. Eu não podia perder aquela chance, tinha que ser agora, antes que ela me desse uma desculpa qualquer.

...Colombina, hei! Seja minha menina, só minha...

:- Você quer dançar?

:- Não sei, Poncho, eu acho que vou procurar Any, para poder ir embora. –
ela demorou para me responder e ainda foi contraditória, estava dançando
sozinha agora a pouco.

:- Não acredito que vai no melhor do Carnaval. – me surpreendi – Any, não
vai querer ir agora, Dulce, ainda mais que sumiu com Christopher a um bom
tempo. Porque não fica comigo aqui?

:- Eu...

:- Se é por Maite e... – eu a cortei, assim como ela me cortou.

:- Não é por eles.

:- Então..- deixei o início da pergunta no ar.

:- Não sei se isso é uma boa ideia.

:- Por que não?

:- Não quero machucar você.

Ela poderia estar certa mesmo, eu poderia sair machucado, mas eu arriscaria como antes eu não fiz. Pelo menos eu vou poder me dizer que eu tentei, me esforcei para conquistá-la mesmo que isso não foi o suficiente para tê-la.

:- Eu assumo as consequências dos meus atos, Dulce. – disse seguro – além do mais sempre fomos um dos últimos a sair dos Carnavais, eu posso te carregar mais uma vez. – disse a ela piscando tentando tirar o ar tenso entre nós.

:- Foram poucas vezes que você me carregou seu metido. – ela riu se lembrando, mais ou menos, dos porres que ela tomava nos carnavais. E voltou a pensar no que eu estava propondo, ela não queria me machucar de novo, mesmo que isso me acontecesse não me importava, só queria ela naquele momento.

Alguém esbarrou nela e fez com que ela caísse em mim. Aproveitei nossa proximidade e reformulei minha pergunta.

:- Fica comigo essa noite? — ela ficou apenas me olhando, pensando sobre – Vamos nos divertir juntos, dançar, beber, é carnaval e eu quero passar com você.

Eu vi nos seus olhos como ela estava indecisa e decidir arriscar mais, dependo de sua resposta eu a respeitaria, mesmo me machucando e confirmando que ela apenas me queria como um amigo. Fiquei bem próximo do seu rosto, restava saber o que ela decidiria.

E ela me beijou, avançando o resto que não avancei, ela estava me dando uma oportunidade que eu faria ser a única.

...Abram alas pro amor...

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