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8 Salve Alice
Notas iniciais
Eu já estava extremamente irritada com a demora dele. Mil coisas passavam pela minha cabeça a cada minuto. Queria sair e procurá-lo, mas não podia deixar minha irmã sozinha com a minha mãe, sabia que se algo de ruim acontecesse, ela não poderia ajudar.
Josh abriu a porta com uma rapidez que fiquei tensa. Por algum tempo achei que seriam os garotos da rua de cima, que nas últimas semanas invadiram algumas casas para roubar comida. Ainda bem que era só ele. E num instante, toda minha preocupação foi embora.
– Maggie, preciso de você.
Desliguei o fogo e fui até ele. Ele estava exausto e isso me preocupou um pouco, principalmente pelo fato de ter me pedido ajuda.
Aqueles olhos azuis me lembraram tudo o que aconteceu naquela manhã. Eu o segurei e achei que tinha liberdade para beijá-lo novamente. Ele não reclamou, ao invés disso, deu um sorriso rápido, mas logo ele mudou sua expressão.
– Maggie, temos que salvar a Alice. Rápido!
A frase me deixou irritada. Não sabia quem era a tal Alice, mas o ciúme me tomou. Provavelmente seria a tal filha do falecido Melbourne. Eu só não entendia porque ele estava preocupado com ela.
– Essa Alice é a filha do Melbourne? Você não estava falando que ela não prestava? Porque agora está preocupado?
Ele percebeu o meu ciúmes, mas tentou disfarçar. Segurou meu rosto e eu me senti confortável.
– Ela não é quem nós pensávamos. – Ele disse bem próximo a mim – Temos que ir agora, Mag.
– Tudo bem. Mas a Jen não pode ficar sozinha.
– Tenho certeza que ela ficará bem.
Assenti. Corri até o quarto da minha mãe e prometi que voltaria logo. Pra falar a verdade, eu nem sabia pra onde estava indo, mas eu confiava em Josh e sabia que ele não me colocaria em risco.
– Vamos.
Ele pegou minha mão e me puxou. Estávamos indo para algum lugar que eu não conseguia ver. Parecia uma casa, mas era grande. Tinha muitos andares e era cercada por guardas. Eu só não entendia porque Josh me levou naquele lugar.
– É o seguinte: você me ajuda a distrair os guardas, eu subo no quarto da Alice e trago ela. Quando eu estiver do lado de fora, quebro um dos vidros e você vai embora. Entendeu?
– Josh, eu não vou fazer nada enquanto você não me explicar o que está acontecendo.
Ele suspirou e abaixou o tom da voz.
– Olha, hoje quando eu estava saindo da casa, ouvi o tio dela dizendo para um dos civis cortar os freios do carro da Alice. Ela é realmente boa, deve ser por isso que ele quer que ela morra.
Todas as informações ainda estavam sendo processadas na minha cabeça. Eu que antes desejava tanto estar no primeiro estado, agora agradecia por pertencer aos pobres. Eu não conseguia imaginar como uma pessoa mata sua própria sobrinha por interesse político.
– Josh, eu não posso. É arriscado. Ou você acha que esses caras não vão atrás da gente? Eles podem nos matar.
– Vai dar tudo certo. Eles não vão saber que fomos nós.
– Isso não me cheira bem.
Ele me beijou suavemente e depois fechou os olhos.
– Se ela morrer,estamos ferrados. Imagina se esse cara virar governante.
– Eu vou fazer isso por você, não por ela.
Tentei me levantar mas Josh me impediu. Ele me segurou e eu fiquei esperando alguns segundos, mas ele não disse nada.
– Eu preci... – Josh me interrompeu com um beijo.
– Cuidado Maggie. Eu não vou conseguir viver se eles fizerem alguma coisa com você.
Sorri e ele fez o mesmo. Me levantei e andei até a entrada da casa. Um dos civis era conhecido, e ele logo veio me cumprimentar.
– Nossa Maggie, quanto tempo.
– Fred, eu preciso da ajuda de vocês, por favor!
– Calma, Maggie. – Ele me segurou pelos ombros. – O que aconteceu?
– Tem... Tem uns garotos na rua A. Eles são vândalos, tentaram me pegar. Acho que eles pegaram uma garota, mas eu não consegui ajudá-la. Eles são muitos!
– O que você quer que eu faça? Não posso sair daqui!
– Eles são os únicos loucos que invadiriam a casa dos Melbourne. Aliás, ouvi boatos que eles estavam planejando fazer isso. Me ajuda, Fred.
Eu disse quase chorando. Fred queria me ajudar, mas sabia que não podia sair de seu posto. Ele se negou.
– Fred, por favor. Só você pode me ajudar. Eles não vão desistir de me levar. – Eu disse passando a mão na barriga dele. Ele suspirou. Eu sabia exatamente como convencer aquela gente. Não demorou muito e ele chamou mais dois civis para ajudar.
– Se eu me ferrar, você vai me pagar caro, Maggie.
– Eu jamais faria algo pra te prejudicar.
Ele sorriu e os três correram. Dei a volta e joguei uma pedra nos outros civis que estavam do lado de trás da casa.
– Peguem aquela garota!
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